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fevereiro 23, 2005
Serviço Público: Como detectar um enfarte?
Eu não conhecia este procedimento tão simples para determinar se alguém está a sofrer um enfarte.
Recebi-o por mail e julgo que é suficientemente importante para ser aqui publicado. Nunca se sabe quando esta informação pode salvar a nossa vida ou a de alguém ao nosso lado...
Normalmente os sintomas de um enfarte são difíceis de identificar. Infelizmente, a falta de conhecimentos provoca desastres irreversíveis. A vítima de um enfarte pode sofrer danos cerebrais, se as pessoas próximas não reconhecerem os sintomas e não as socorrerem a tempo.
Agora os médicos dizem que qualquer umpode reconhecer um enfarte, fazendo três simples testes à pessoa visada, pela ordem indicada:
1.- Peça à pessoa que sorria;
2.- Solicite-lhe que levante ambos os braços;
3.- Diga uma frase simples e peça à pessoa que a repita.
Se a pessoa tiver algum problema para realizar qualquer uma destas três tarefas, ligue para as emergências ou para a ambulância imediatamente, e diga-lhes que há uma pessoa a sofrer de um enfarte, descrevendo à pessoa que o atender os sintomas que observou.
Com este procedimento, podemos salvar a vida dessa pessoa, por forma a que seja socorrida antes que seja tarde demais.
É preciso não esquecer que o enfarte cardíaco continua a ser uma das principais causas de morte em Portugal...
Publicado por Nuno Peralta às 07:38 PM | Comentários (4)
Migração
Aproveitando a onda de mudança que assola Portugal, também a Janela aproveita o embalo para revolucionar a casa.
Sendo assim, durante o resto da semana a Janela encontra-se em processo de migração para a plataforma MT3.11.
Na próxima semana surgirá uma nova Janela, de cara renovada, numa versão mais adequada à estação Primavera-Verão...
Publicado por Nuno Peralta às 03:47 PM | Comentários (0)
Opções
Mais tarde, quando tiver mais tempo, explicarei em detalhe as minhas opções (ainda que dos meus posts anteriores já seja possível perceber muito dos porquês).
Para já apenas o essencial: Marques Mendes é uma boa opção para a liderança do PSD, Filipe Menezes nem pensar!
Ou de outra forma, com Marques Mendes podem recuperar o meu apoio e o meu voto, com Menezes nem uma coisa, nem outra...
Publicado por Nuno Peralta às 10:33 AM | Comentários (3)
fevereiro 22, 2005
Um mau começo...
A prestação de Pedro Silva Pereira, "braço direito" de José Sócrates, no “Prós & Contras” (RTP) da noite de ontem, deixaram-me tão ou mais intranquilo que a campanha de meias-palavras do PS.
Não foi tanto pela pouca concretização do que será o próximo governo PS (Sócrates só agora iniciou a fase de contactos e muito do Programa de Governo vai depender das caras que se apresentarem em cada Ministério, pelo que compreendo a sensatez de não avançar com nomes nem medidas concretas).
Assustou-me sim que a única decisão concreta que anunciou (isto é, em que foi mais além do que o que foi dito durante a campanha) fosse a da revisão do Código do Trabalho que pretendem levar a cabo.
Não é que a medida em si seja obrigatoriamente negativa, mas o seu anúncio isolado, sem que sejam igualmente apresentadas outras medidas que incentivem ao aumento da competitividade do tecido empresarial português leva-me a crer que em nada irá ajudar à retoma da economia.
A mensagem que o PS ontem passou (eventualmente de forma involuntária) foi que os custos do trabalho em Portugal vão aumentar. Consequentemente, vai ficar mais caro produzir em Portugal, pelo que, depois de ontem, muitos empresários (portugueses e, acima de tudo, estrangeiros) devem ter ficado a questionar se investir em Portugal é um bom negócio.
E sem investimento privado, dificilmente será possível obter a retoma da economia e concretizar a política social preconizada pelo PS.
Definitivamente, não foi um bom prenúncio do que pode vir aí...
Publicado por Nuno Peralta às 06:52 PM | Comentários (0)
Vai-te e não voltes!
Santana Lopes vai abandonar a liderança do PSD
Yes! Isto sim, é uma enorme excelente notícia!
Portugal (e especialmente o centro-direita) afinal sempre podem vir a ter futuro!
Bom, em 2 horas resolveu-se um dos meus desejos do post anterior, já só faltam dois, mas esses não devo ter sorte antes de Junho...
Publicado por Nuno Peralta às 03:33 PM | Comentários (1)
Já agora...
Agora que no Governo nos vimos livres de Santana Lopes, para Portugal ser um País excelente, só faltam duas coisas: que o dito Lopes deixe igualmente a liderança do partido e que, vá para onde for, leve juntamente o caquético italiano que se intitula treinador do Benfica e o palerma Veiga que supostamente gere o futebol do mesmo glorioso clube...
Publicado por Nuno Peralta às 01:50 PM | Comentários (0)
Ainda os dias seguintes
(POST DE ONTEM APENAS DISPONIBILIZADO HOJE POR PROBLEMAS TÉCNICOS NO BLOGUE)
Agora mais a sério, passado que está o "furacão político" que tudo mudou na conjuntura política nacional, é necessário trabalhar e pensar o futuro, quer para quem nos vai governar, quer para quem vai ter que controlar, a partir da oposição, a correcta execução da função governativa.
Quanto ao Governo, espero que o discurso de Sócrates ontem tenha sido apenas a emoção a falar mais alto.
Hoje, já refeito das emoções e de uma campanha onde foi vergonhosamente atacado em temas que nada têm que ver com política, espero que comece a pensar mais em Portugal e menos no PS. Aproveite a maioria que lhe foi dada pelos portugueses para formar um Governo que reuna o apoio do País. E não ceda à tentação de se centrar apenas no apoio do PS maioritário.
Espero que Sócrates tenha percebido a mensagem do voto que lhe foi dado: os portugueses querem um projecto estável de desenvolvimento para o País, não querem 4 anos de políticas erráticas, ao sabor de quem na rua grita mais alto.
Sócrates que não tenha dúvidas que a oposição à esquerda (BE e PCP) far-se-á ouvir-se nas ruas, se não lhes for dado ouvidos no Parlamento...
Na oposição à direita, depois da hecatombe, espera-se uma rápida redefinição dos projectos e lideranças.
Paulo Portas soube perder e, pela forma como se demitiu, assume-se como o principal candidato à sua própria sucessão (isto, claro, caso mostre abertura para uma recandidatura, algo que ontem transpareceu que não irá acontecer).
Qualquer outra liderança no CDS-PP terá que perceber o que causou a derrota eleitoral: o PP deixou de ser um partido de oposição, que pode usar e abusar da demagogia, para ser um partido que tem que ter sentido de Estado e ser credível. É necessário que, a haver uma nova liderança, seja uma liderança menos conservadora, para que possa penetrar no eleitorado mais ao centro, sem perder o eleitorado da direita.
Já o PSD enfrenta um desafio maior, dado ser a principal força da Oposição e ter que se assumir como a principal alternativa ao PS. Para isso é preciso uma liderança credível. Santana Lopes não poderá nunca liderar essa oposição, por tudo o que se passou nos últimos 8 meses. O autismo que demonstrou ontem (claramente não percebeu nada da mensagem que minutos antes Paulo Portas deixara ao País), mostra que tentará, mas os verdadeiros social-democratas não o podem deixar.
O resultado eleitoral demonstrou que uma boa parte do tradicional eleitorado PSD não se revê nesta liderança e nesta forma de fazer política. Para bem do partido, se Santana não partir pelo seu pé, deve ser claramente mandado embora pelos militantes, sob pena do partido se continuar a afundar e obrigar ao surgimento de uma nova força ao centro, que se possa apresentar como alternativa ao PS. E quando falo em Santana, falo igualmente na sua entourage, nas figuras que protagonizaram a pequena política dos últimos meses e que ajudaram a criar o "pântano": Filipe Menezes, Gomes da Silva, Valentim Loureiro, Alberto João Jardim e mais uns quantos.
Era igualmente necessário que o PSD tivesse aprendido alguma coisa com esta vitória do PS. É certo que a maioria PS só foi possível pelo desencanto existente com este PSD, mas isso não justifica tudo. O PS conseguiu mobilizar os portugueses, mesmo sem que estes conhecessem exactamente a sua proposta de governo. Mas a eleição de Sócrates para a liderança do PS através do método de eleição directa, por todos os militantes socialistas, numa campanha muito concorrida e com ampla projecção nacional, foi um grande factor de mobilização e união.
Penso que o PSD devia perceber isto e assegurar que o seu próximo líder é eleito da mesma forma. Para além de permitir a todos os militantes participarem e mobilizarem-se, impede-se que sejam novamente as "elites" instaladas a escolher um líder que serve os seus interesses, mas que pouco serve ao País.
Da minha parte, se o PSD der este sinal de vitalidade, estarei cá para ajudar a reconstruir o Partido que mais contribuiu para o progresso de Portugal. E cá estarei para apoiar uma liderança que queira ser credível e construtiva. Que esteja disposta a fazer Pactos de Regime nos assuntos que são indispensáveis e nos quais não se pode andar a reformar a reforma de 2 em 2 anos, como é o caso da Justiça, da Educação, da Saúde ou da Fiscalidade. E que esteja disposta a viabilizar as boas propostas do Governo e a criticar construtivamente as más opções. Não nos podemos continuar a dar ao luxo de, cada vez que muda a cor do Governo, tudo mudar.
Esta nova liderança do PSD terá que obrigatoriamente saber recuperar/manter as figuras mais carismáticas e credíveis do partido (entre outros, Cavaco Silva, Manuela Ferreira Leite, Rui Rio, Pacheco Pereira, António Mexia, Miguel Cadilhe, António Borges, Aguiar Branco, Luís Paes Antunes e Marques Mendes) e abrir as portas a muitos jovens desconhecidos, que sentiram que ontem o País deu um grande passo atrás e que estão dispostos a ajudar Portugal a andar em frente.
É crítico o cenário actual. A partir de meados de Março, Portugal passa a ter “Um Governo, Um Presidente e Uma Maioria”. Se é garantido algum controlo à esquerda, é urgente que a direita se organize rapidamente, para que os próximos anos não sejam de maior retrocesso na modernização do país. Mesmo com maioria absoluta, um bom governo PS exige um PSD forte, que lhe faça oposição.
Finalmente, espero que a maioria de esquerda não “amoleça” a Comunicação Social. É mais que sabido que a nossa comunicação social “simpatiza” bem mais com a esquerda do que com a direita. Mas no cenário actual, será muito grave para a nossa democracia se a comunicação social ceder a essa “simpatia”. É necessário que continue a ter um papel bastante activo no controlo das acções do governo e na denúncia dos abusos.
Publicado por Nuno Peralta às 01:01 PM | Comentários (0)
fevereiro 21, 2005
O dia seguinte
Uma análise mais fria dos resultados desta noite deixa perceber que não se passou nada de anormal.
Afinal de contas, o que é mais um cheque em branco para um povo que vive há anos endividado?
Publicado por Nuno Peralta às 11:25 AM | Comentários (0)
fevereiro 20, 2005
Resultados
Com as previsões avançadas, restam poucas dúvidas que os portugueses decidiram maioritariamente passar um cheque em branco a este PS, que ninguém sabe exactamente o que vale e o que pensa.
Espero sinceramente não estar daqui a 4 anos a dizer-vos: "eu não vos avisei?"
Até lá, pelo menos não haverá desculpas para não apresentarem Obra feita em 4 anos.
Quanto ao PSD, espero que Santana Lopes perceba a mensagem e abandone a liderança, antes de dar cabo do pouco que resta do principal partido do Portugal democrático.
A Durão Barroso, apenas espero que a sua consciência o impeça de dormir tranquilo nos próximos anos.
É destes dois personagens a principal responsabilidade pela maioria absoluta do PS. Espero que estejam satisfeitos...
Com este novo cenário governativo, mais que nunca, Cavaco Silva TEM que se candidatar a Belém!
Publicado por Nuno Peralta às 08:06 PM | Comentários (1)
Eleições, II
Eu já votei, exercendo o meu direito e dever de cidadania. E tu?
Se ainda não, de que estás à espera?
VOTA!
Publicado por Nuno Peralta às 04:10 PM | Comentários (1)
fevereiro 19, 2005
Eleições
Dentro de algumas horas inicia-se a votação para as eleições legislativas intercalares.
É talvez a eleição mais importante em Portugal deste 1976.
É com toda a certeza uma eleição que vai ter grande impacto nos nossos próximos anos de vida, numa altura em que a crise ainda está longe de estar resolvida.
Por isso, independentemente do vosso sentido de voto, não fiquem em casa.
VOTEM.
O futuro de todos nós está nas vossas mãos, usem esse poder!
Publicado por Nuno Peralta às 11:07 PM | Comentários (1)
fevereiro 18, 2005
Apelo ao voto!
Preocupam-me bastante as mais recentes sondagens, que dão como praticamente certa a maioria absoluta do PS.
Preocupam-me porque demonstram que a memória dos portugueses é demasiado curta e que a inconsciência predomina, com o desespero reinante a levar a que muitos acreditem num sujeito aprumadinho, com nome de filósofo, que diz poder mudar o rumo das coisas sem nada mostrar para a comprová-lo.
Como é possível que os portugueses se preparem para dar a maioria absoluta a um PS que há pouco mais de 3 anos abandonou o País, deixando as nossas contas públicas de rastos e a nossa economia em pré-falência?
Ainda por cima, os portugueses estão dispostos a dar a Sócrates aquilo que não deram (felizmente!) a Guterres, nem mesmo no seu segundo mandato! E Guterres, quando foi eleito da primeira vez, já tinha um percurso visível enquanto líder do PS, já tinha organizado os Estados Gerais e tinha um projecto conhecido para o País. Depois, teve 4 anos de Governo em pleno crescimento económico, durante o qual a maioria dos portugueses se sentia confiante e nem assim lhe foi dada (apesar de ter sido pedida!) a dita maioria absoluta.
Ou seja, quando aparentemente o PS mereceu a maioria absoluta esta lhe foi dada.
E vão dá-la agora a este PS, com uma liderança nova, sem provas dadas, que não mostrou o que pretende para o País e que se recusa a debater essas ideias com os opositores, que na sua grande maioria é formada pelos rostos que há 3 anos praticamente “arruinaram” o País e que vive acima de tudo dos “tiros no pé” do seu principal adversário?
Há 6 meses atrás Jorge Sampaio não convocou eleições antecipadas porque não via no PS uma opção suficientemente credível para ser a alternativa à maioria de direita. Será que passados 6 meses o PS mudou assim tanto, apenas com a substituição de Ferro Rodrigues por Sócrates?
Em Portugal apenas a Cavaco Silva foi concedido o privilégio de governar com maioria absoluta. Mesmo nessa altura, só depois de ter governado em minoria durante dois anos.
Percebo que Portugal sente a necessidade de mudar e que os portugueses estão desiludidos com o que o PSD lhes prometeu e com o que acabou por receber. Ainda assim, não penso que isso seja razão suficiente para esquecermos o que se passou há 3 anos.
É por isso que todos os portugueses com alguma memória e que se preocupam com o futuro do País devem ver estas sondagens com sobressalto e tomá-las como o incentivo final necessário para votar.
Seja mais à esquerda ou mais à direita, tanto faz, depende das convicções de cada um.
Mas é nossa responsabilidade não deixar que o Governo de Portugal seja entregue de forma absoluta a um Governo PS sem nenhuma credibilidade para tal!
Publicado por Nuno Peralta às 03:38 PM | Comentários (1)
fevereiro 17, 2005
Declaração de voto
Ao contrário daquela que tem sido a ideia por mim perfilhada ao longo dos últimos meses, decidi que não vou votar em branco nestas eleições e muito menos abster-me.
Sobre a abstenção já aqui falei antes. É um acto de cobardia e/ou irresponsabilidade, de quem não é capaz de assumir as suas responsabilidades, deixando sobre os ombros dos seus compatriotas a decisão do futuro do país. Para mim, não é sequer uma opção válida a considerar. Aliás, já aqui o defendi e volto a defender que a abstenção devia mesmo ser punida. É tempo de se perceber que o voto é tanto um direito como uma obrigação.
De qualquer forma, uma coisa é certa: quem se abstiver escusa depois de vir criticar as opções que quem for eleito tomar...
Um longo processo mental e de debate nos últimos dias com amigos e colegas de trabalho levou-me a concluir que a minha opção pelo voto em branco/nulo acaba por ser muito semelhante à abstenção, apenas diferenciado pela participação activa na votação.
O voto em branco seria um voto a considerar caso a proporção de votos em branco tivesse correspondência a cadeiras vazias no Parlamento. A partir do momento em que é estatisticamente irrelevante para o apuramento de deputados à Assembleia da República, votar em branco é, na prática, o mesmo que a abstenção, um voto de irresponsabilidade e/ou resignação, pois é deixar na mesma nas mãos de quem vota útil a decisão sobre o futuro do País.
Estas eleições são cruciais demais para este nosso amado Portugal para nos podermos dar ao luxo de não expressar uma posição.
Ainda assim, não consigo votar no partido que tem a minha simpatia histórica, porque o seu líder não me inspira a mínima confiança e porque, juntamente com Jorge Sampaio, é o principal responsável por esta crise política. Tem que ser de alguma forma punido um partido que tem um líder que se preocupa mais com a sua carreira que com os destinos do País, que deixou entregues a um louco bem-falante, mas incapaz de levar a cabo qualquer projecto que implique coerência de ideias por mais de uma semana. Por muito que me custe, o voto no PSD está excluído.
E ao excluir das opções de voto o PSD, dei por mim nestas últimas horas a recordar o apelo de Cunhal na 2ª volta das Presidenciais de 1986, em que o PCP, perante um cenário de “combate” entre Mário Soares e Freitas do Amaral, apesar de todas as divergências que mantinha com Soares, não se coibiu de apelar ao voto no candidato que, numa análise fria e desapaixonada, menos mal representava os interesses da esquerda (sim, longe vão os tempos em que Freitas do Amaral era um homem de direita...). Foi provavelmente o maior “sapo” que Cunhal teve que engolir ao longo da sua longa carreira política.
Pois é numa situação semelhante que me encontro, prestes a engolir um enorme “sapo” no próximo Domingo.
É também óbvio para quem me conhece o suficiente que o voto no PCP nem sequer pode ser considerado. Se já com Carvalhas era difícil imaginar tal voto, com a nova liderança, ainda mais ortodoxa, muito menos se coloca esse cenário. A prática já tratou de demonstrar que o comunismo não é a solução.
O efeito novidade e de benefício da dúvida sobre o Bloco de Esquerda também já lá vai. Já demonstrou que é uma presença importante na Assembleia da República, para que certas questões sejam debatidas, mas não creio que o seu crescimento seja benéfico para Portugal. É um partido de opostos, que defende inúmeros princípios de liberdade individual em questões éticas, mas que quando chega ao terreno da Economia é extremamente estatizante, ou seja, anti-liberal. E, por muito que me reveja em muitas das ideias do BE sobre aborto, despenalização do consumo de drogas e combate ao sigilo bancário, o que Portugal menos precisa é de mais Estado.
Quanto a outros partidos candidatos fora deste espectro de partidos, considero que é um voto desperdiçado. Com a eventual excepção da Nova Democracia, não vejo que seja possível a nenhum outro eleger deputados. E se não elegem deputados, é um voto praticamente tão válido como votar em branco.
Debato-me assim com um combate ideológico interno. Entre o PS e o PP. Entre um partido de centro-esquerda que representa a rotatividade ao centro e que é o único partido eventualmente em condições de dar ao País uma solução governativa estável, sem depender de terceiros e um partido cada vez mais de direita, que fez parte da maioria que governou o País nos últimos dois anos e meio, que apresenta com uma ideia económico-social para Portugal, mas com posições demasiado conservadoras em termos de questões da consciência de cada um.
Parece-me óbvio que o meu voto não pode ir para um partido que apresenta a estas eleições praticamente os mesmo rostos e ideias que praticamente deixaram Portugal em colapso em 2001.
O meu voto não pode ir para um conjunto de pessoas que, nesse cenário de crise, fugiu às suas responsabilidades.
O meu voto não pode ir para um partido que já deu demasiados sinais de que virou à esquerda e de que iremos ter mais Estado.
O meu voto vai para o partido que pode efectivamente evitar a maioria absoluta do partido atrás referido. A estabilidade não é tudo. E eu prefiro a instabilidade dos acordos pontuais do que 4 anos de estabilidade de políticas antagónicas aos meus ideais.
O meu voto vai para um partido que, contra todas as expectativas, soube ter postura de Estado quando foi chamado a governar e que consegue mostrar alguma Obra feita e ideias de como continuar a fazer Obra. Se estamos neste momento em eleições antecipadas, a culpa não é claramente do PP.
É por tudo isto que vou optar pelo voto válido e útil no partido que neste momento menos me desilude. O partido que, de entre o leque de (más) opções disponíveis, mais pode ajudar Portugal a ter futuro.
É por isso que, como Cunhal em 1986, vou desviar o olhar e engolir em seco no momento de expressar o meu voto. Voto esse que, como já devem ter compreendido, será dado ao PP, com a esperança de assim evitar a maioria absoluta do PS.
Não tenho dúvidas que, nesse cenário o PS será obrigado muito mais vezes a procurar entendimentos à direita para governar o País. E o PP demonstrou nestes 2 anos e meio que saberá ter o necessário sentido de Estado para permitir a governação de Portugal..
Publicado por Nuno Peralta às 05:45 PM | Comentários (4)
fevereiro 14, 2005
Laico?
Rezam as notícias que morreu a Irmã Lúcia, o último dos 3 pastorinhos vivo, um ícone da Igreja Católica, mas que nada significa para as restantes religiões e para os não-crentes.
Morreu de causa natural, aos 97 anos de idade.
Resultado: pela morte de uma freira, uma morte perfeitamente natural segundo as Leis da Vida, cancela-se uma campanha eleitoral, decreta-se luto nacional e faz-se um xinfrim de todo o tamanho nos canais generalistas, que faz com que quase passe despercebido o interrogatório a Carlos Cruz no Processo Casa Pia!
Depois disto, venham-me novamente tentar convencer que Portugal é um Estado laico...
E por aqui cada vez mais o voto em branco é a tendência para o próximo dia 20!
Publicado por Nuno Peralta às 02:23 PM | Comentários (8)
fevereiro 11, 2005
Silêncio
Junta-se a fome à vontade de comer...
Para além de pouco tempo disponível, o nojo que por aí vai com a mais reles e acéfala campanha eleitoral de sempre exije a prudência do silêncio, pois é praticamente impossível distinguir o boato da realidade e a pequena política da grave corrupção.
Para além disso, no futebol as coisas não andam melhores, com toda a polémica dos sumaríssimos e dos apitos de todas as cores, para todos os gostos.
Sendo assim, resta-me continuar calado pelo menos até ao próximo dia 20.
Até lá, apenas vos posso aconselhar uma ida ao cinema para ver os magníficos "Garden State" e "Closer" ("Perto Demais") e o interessante "O Aviador" (quanto mais não seja, para tentar perceber o motivo de tantas nomeações aos Óscares).
Em termos musicais, não podem passar ao lado de alguns lançamentos recentes: "Ulisses", de Cristina Branco, "Lady Sleep", de Maximilian Hecker (caso não conheçam o anterior "Rose", recomendo ainda mais) e a Banda Sonora de "Garden State".
Fiquem bem e até um dia destes, quando o trabalho aliviar e se voltar a respirar ar puro em Portugal...
Publicado por Nuno Peralta às 04:04 PM | Comentários (0)