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abril 30, 2004
[0908/2004] Imagens chocantes
As imagens que a CBS, via 60 Minutes, nos mostrou ontem, são a demonstração de que a barbárie atinge todos os povos por igual, independentemente de se considerarem mais ou menos desenvolvidos.
Estas bestas do exército americano não são em nada melhores que as bestas iraquianas que há dias mataram e torturaram alguns civis americanos em Fallujah.
Esperemos que a diferença de "civismo" se venha a demonstrar, na punição exemplar dos elementos do exército envolvidos neste desrespeito pelos Direitos Humanos...
Publicado por Nuno Peralta às 08:32 PM | Comentários (1)
[0907/2004] A boa notícia portuguesa
Investigadora portuguesa abre caminho na luta contra o cancro
A cientista portuguesa, Ana Teixeira, deu mais um passo na luta contra o cancro ao descobrir que a estrutura dos cromossomas regula uma enzima que é activada anormalmente em caso desta doença.
É sempre bom lembrar as pessoas que neste país vão fazendo algo pelo progresso da sociedade, que há muita gente interessante para lá dos políticos corruptos e gestores aldrabões...
O estudo, publicado na revista norte-americana «Cell», revela que a telomerase, uma enzima que permite manter a integridade do material genético, reage apenas com alguns cromossomas, os que têm extremidades (telómeros) mais curtas.
A cientista portuguesa concluiu que a telomerase é necessária para manutenção do tamanho dos telómetros, de tal forma que quando eles encurtam, mudando de estrutura, a enzima reage.
«Em células sãs, os telómeros encurtam a cada geração levando ao envelhecimento natural, mas nas células cancerosas a telomerase é reactivada, mantendo o tamanho dos telómeros e permitindo a proliferação indefinida e caótica destas células, ou seja, iniciando um processo de cancro», afirmou Teresa Teixeira.
(in TSF)
Publicado por Nuno Peralta às 05:12 PM | Comentários (0)
[0906/2004] Medo...
"Hoje temos cinco jogadores na selecção e, se calhar, para o ano teremos oito ou nove."
(Luís Filipe Vieira in O Jogo 30/4/2004)
Eu até tremo quando começo a ouvir este tipo de asneiras saídas da boca de presidentes do Benfica, porque normalmente são prenúncio de mais uma época sem resultados palpáveis.
Quem não se lembra da "espinha dorsal" de Vale e Azevedo e da "equipa maravilha" deste mesmo LFV?
Meus senhores, menos paleio e mais trabalho, que nós benfiquistas já estamos cada vez mais parecidos com S.Tomé, ver para crer. Eu pelo menos.
Formem uma equipa que efectivamente ganhe títulos e depois eu até posso aceitar estas balelas. Até lá, trabalhem mais e falem menos...
Publicado por Nuno Peralta às 04:46 PM | Comentários (0)
[0905/2004] Piadinha do dia
Este fim de semana, terá lugar o maior Derby de Portugal: o Sporting - Benfica.
Infelizmente, o máximo a que qualquer deles pode aspirar é ao 3º lugar.
Não, não é engano, é mesmo o 3º lugar, pois, segundo as notícias desta semana, atrás do F. C. do Porto está ... a Polícia Judiciária!!!
Publicado por Nuno Peralta às 12:43 PM | Comentários (1)
[0904/2004] Ironias...
Com tanta coisa interessante que eu julgo que escrevi aqui sobre os mais diversos temas, aparentemente é um post irónico sobre a Última Ceia e um boato mal divulgado (Aranha Camelo) que mais chamam a atenção. O mais caricato é que sobre o tema da Aranha Camelo eu até coloquei um post a explicar melhor do que se tratava, mas esse ninguém comenta...
Enfim, desde os tempos das fotos da Carla Matadinho e da Jordana Jardel que o blogue não recebia tantas visitas.
Em termos weblog, nos últimos 2 dias ultrapassaram-se as 1.000 visitas, o que muito me apraz, ainda que tenha noção que o Google e afins são os grandes responsáveis por boa parte desse número.
Publicado por Nuno Peralta às 11:11 AM | Comentários (0)
[0903/2004] Quizz da Janela 1
Ora cá estamos nós com o verdadeiro quizz, para testar os vossos conhecimentos. 10 perguntinhas apenas.
Já sabem, têm até 4ª feira (5 de Maio) às 23h59 para responder ao desafio. Ganha o primeiro a responder certo ao maior número de perguntas:
#1 – Que país usa o código CH nas sua matrículas automóveis e o que significa esse CH?
#2 – Qual o mais pequeno país da União Europeia em população residente?
#3 – Que álbum de estreia de que banda europeia, lançado em 1994 contém, entre outros, a música “Roads” e foi considerado um dos melhores álbuns desse ano e dessa década?
#4 – Quem substituiu António de Oliveira Salazar no cargo de Ministro das Finanças quando foi nomeado pela primeira vez?
#5 – Quantos aeroportos existem em Portugal?
#6 – Quem mandou construir a Ermida da Memória e porquê?
#7 – Antes de se chamar Accenture, qual era o nome desta multinacional? E qual é a nacionalidade desta empresa?
#8 – Na B.D. da Disney, a Avó Donalda tem um criado que é grande e preguiçoso. Como se chama ele?
#9 – Quem é o autor deste quadro e qual o seu título?

(clicar na imagem para ver em tamanho maior)
#10 – Qual a origem do nome Somague, da empresa de construção portuguesa?
Publicado por Nuno Peralta às 10:51 AM | Comentários (9)
[0902/2004] ACP
O maior clube português foi hoje (ontem) a votos.
Carlos Barbosa é o novo presidente do ACP Automóvel Clube de Portugal (ACP) para o triénio 2004-2007, eleito com 40,4% dos votos, derrotando os candidatos Miguel Paes do Amaral (31,5%) e Jorge Mira Amaral (27,6%), tendo votado 30.317 sócios do ACP, num universo de 183 mil.
Publicado por Nuno Peralta às 08:47 AM | Comentários (2)
[0901/2004] Mais uma dia alegre
Passam hoje 59 anos que se viveu um dos dias mais felizes da Humanidade no século XX, quando o facínora Adolph Hitler e a sua amada Eva Braun fizeram um favor ao mundo e enfiaram um balázio na cabeça de cada um, poupando trabalho aos russos que se preparavam para o capturar em Berlim...
Neste mesmo dia, mas em 1993 começava o fim da carreira da tenista Monica Seles, ao ser esfaqueada em pleno court em Hamburgo, por um adepto fanático...
Há muito mais tempo, em 1789, George Washington assumia funções como primeiro presidente dos EUA. Mal sabia ele que uns séculos mais tarde seria possível alguém tão burro e insensível estar a ocupar o seu lugar...
Publicado por Nuno Peralta às 04:07 AM | Comentários (0)
[0900/2004] Pobre futebol
A empresa de auditoria «Deloitte & Touche» efectuou uma análise às contas dos clubes de futebol portugueses e chegou a resultados pouco animadores...
O estudo incidiu sobre as finanças dos clubes da Super Liga e da Liga de Honra, na época 2002/2003.
Dos 18 clubes da Super Liga, o FC Porto é o campeão das receitas, sendo que 70 por cento destas são garantidas pelo Sporting, Benfica, Boavista e FC Porto.
O Sporting é a equipa com o sobreendividamento mais grave, com um passivo a ultrapassar os capitais próprios, mas também é o único clube que não aumentou os capitais próprios, desde a constituição da SAD.
As receitas geradas pelas equipas da Super Liga diminuíram para os 198,4 milhões de euros, menos 20,2 milhões de euros que na época anterior. A assistência média de cada jogo da Super Liga foi de 6137 espectadores.
Na Liga de Honra, o número médio de espectadores por jogo continua significativamente abaixo dos mil espectadores portadores de bilhete.
Hélder Varandas aconselha os clubes a uma «contenção muito grande nos salários dos jogadores, na contenção da aquisição de jogadores por valores elevados, venda de jogadores e aposta na formação».
O responsável pelo estudo sublinha que «a redução de clubes na Super Liga resolvia o problema imediatamente, para a época seguinte». Esta proposta já está em estudo no Conselho Superior do Desporto.
Publicado por Nuno Peralta às 02:52 AM | Comentários (1)
[0899/2004] Pelos caminhos da blogoesfera
O Leonel, numa das suas colecções temáticas de posts, anda a fazer um levantamento sobre o "vício" da blogoesfera.
Eu pessoalmente tenho achado os posts interessantíssimos e reconfortantes, pois assim fico com a sensação que não sou o único viciado nisto.
É que é disso que se trata, muito mais que um prazer (que o é também), é um vício que se apoderou de mim, partilhar descobertas, opiniões sobre as notícias do dia a dia, "espevitar" as célulazinhas cinzentas de quem por aqui passa. E admito que me motiva não só o comunicar como o saber que há aí gente que está interessada em ler o que eu escrevo, pessoas que aqui vêm diariamente ou apenas pontualmente, pessoas que deixam os seus comentários, que geram debate de ideias ou apenas uma nota humorística.
A blogoesfera e mais especificamente este blogue representam uma vida paralela em relação à vida real, um local onde consigo discutir muito mais assuntos do que o que consigo com as pessoas reais que me rodeiam, onde para lá do trabalho, da bola e da má governação dificilmente se consegue discutir mais algo.
E todos os dias lamento que não haja mais pessoas reais a rodearem-me tão interessantes como a maioria das que diariamente aqui encontro...
Publicado por Nuno Peralta às 12:32 AM | Comentários (4)
abril 29, 2004
[0898/2004] Buscas
Depois dos rumores do Processo Apito Dourado, agora isto. Parece que o cerco ao "Pintinho" se começa apertar...
Esperemos apenas que, tal como aconteceu com Vale e Azevedo, as autoridades não estejam à espera que este saia do clube para actuarem, porque senão estão tramados...
Publicado por Nuno Peralta às 11:16 PM | Comentários (0)
[0897/2004] Eficiência
O ano passado demasiado trabalho, sem aumento de salário nem progressão da carreira, levaram-me a decidir mudar de emprego, mesmo numa conjuntura desfavorável.
Antes de receber o convite da minha actual entidade patronal, enviei o meu CV a várias empresas que me interessavam. Isto aconteceu em Março de 2003.
Qual não é o meu espanto quando hoje abro o correio electrónico e reparo que um dos CV's que enviei no dia 17 de Março de 2003 foi lido hoje, 29 de Abril de 2004!!!
1 ano, 1 mês e 12 dias para abrirem a caixa do correio e verem a mensagem!
Parece-me uma boa média, tendo em conta que a empresa em causa é uma consultora portuguesa na área dos sistemas de informação...
Publicado por Nuno Peralta às 06:19 PM | Comentários (4)
[0896/2004] Défice
Défice de 2003 chegou aos 5,3 por cento sem receitas extraordinárias
É para isto que andamos todos a apertar o cinto há 2 anos???
Ou seja, substituímos um Governo de irresponsáveis (isto é, que ignoravam o problema) por um Governo de incompetentes (que reconhecem o problema, mas não têm a mínima capacidade para o resolver)...
Publicado por Nuno Peralta às 04:49 PM | Comentários (2)
[0895/2004] Julgamentos na Praça Pública
O autarca de Gondomar, Valentim Loureiro (na foto), devia demitir-se dos cargos públicos que ocupa, pelo que dizem 61 por cento dos entrevistados desta sondagem.
Pessoalmente, dar-me-ia algum gozo ver os dinossauros do nosso futebol e da política caciqueira atrás das grades e longe do poder, mas o respeito pelas regras da democracia e do Estado de Direito leva-me a ser obrigado a relembrar a estes 61% de portugueses que até ao momento Valentim Loureiro é tão culpado como eu ou eles dos crimes que lhe são imputados, dado que não foi julgado nem condenado pelos ditos.
Sendo assim e dado que não é conhecido nenhum acordo que este tenha feito, em que se fosse acusado de algum crime se obrigava a pedir a demissão dos cargos públicos que ocupe, não há razões para a demissão.
No entanto, isto não é incompatível com achar que Valentim Loureiro deveria auto-suspender-se de todos os seus cargos públicos até que o caso ficasse esclarecido, para evitar maiores suspeições e não prejudicar o regular funcionamento desses órgãos. Exactamente o mesmo que Paulo Pedroso deveria ter feito enquanto arguido do Processo Casa Pia...
Publicado por Nuno Peralta às 03:34 PM | Comentários (1)
[0894/2004] Rui Costa
A minha afirmação anterior sobre não querer Rui Costa no Benfica pode ser estranha, mas eu explico.
Rui Costa é um ídolo para todos os benfiquistas, muito por causa de ter sido o último grande jogador a sair da “cantera”. É o típico jogador que transmitia a mística do Benfica e pertencia à equipa que conquistou o último campeonato. Depois de uma boa época, foi vendido para Itália, onde nunca escondeu o seu benfiquismo.
É, portanto, um jogador querido entre sócios e simpatizantes.
Acontece que isso pouco interessa dentro de campo e fazer regressar Rui Costa como jogador, aos 32 anos é um somatório de desvantagens:
- Rui Costa não aguenta 90 minutos de jogo, pelo que seria sempre necessário uma alternativa;
- Rui Costa tem graves lacunas a defender, pelo que pouco ou nada ganharia a equipa face a Zahovic, excepto no carinho dos adeptos;
- Seria um jogador a desequilibrar financeiramente as contas da SAD e a desestabilizar o balneário, dado que ganharia muito mais que os outros, jogando menos...;
- Quando começassem os primeiros maus resultados e os adeptos percebessem que o que foi contratado não foi o “sonho” Rui Costa, mas sim o verdadeiro Rui Costa, começariam os assobios;
Não creio que Rui Costa, um jogador que considero bastante inteligente, não tenha consciência das suas limitações, assim como não acredito que esteja disposto a destruir a imagem que tem na Luz.
Assim sendo, espero bem que não seja contratado agora. A não ser que esteja disposto a terminar a carreira e queira assumir já o papel de Director Desportivo, o verdadeiro papel que lhe está destinado na Luz, mas creio que ainda é cedo para que o Rui queira finalizar a sua carreira “activa”.
Publicado por Nuno Peralta às 12:41 PM | Comentários (2)
[0893/2004] Boas notícias
Os responsáveis benfiquistas acertaram ontem a aquisição de Rossato, o defesa-esquerdo do Nacional da Madeira, desembolsando dois milhões de euros. O acordo com o jogador ainda não está assinado, mas a Rossato será apresentado um contrato válido por tês temporadas
Finalmente uma boa notícia para a próxima época, depois das incógnitas Paulo Almeida e Alcides (jogadores que podem até ser muito bons, mas já estou suficientemente escaldado com as "estrelas" que chegam a Portugal provenientes do Continente Sul-Americano). Um excelente jogador com provas dadas no campeonato nacional, com a vantagem de tanto poder ser alternativa a Fyssas (defesa esquerdo) como a Simão (médio/avançado esquerdo).
A concretizar-se o acordo com o jogador, tenho que dar os parabéns à SAD do Benfica.
Agora é bom que sejam rápidos e arranjem uma boa alternativa para o lado direito. Miguelito (Rio Ave) seria uma excelente opção.
Continua a faltar é um "número 10", que espero não seja Rui Costa...
Publicado por Nuno Peralta às 12:19 PM | Comentários (4)
[0892/2004] Respostas do Quizz da Janela 0
Conforme prometido, cá estão as respostas ao Quizz da Janela nº 0, o qual foi ganho pelo Leonel Vicente, pela velocidade de resposta, já que o PA MT também acertou em todas. Parabéns aos 2:
1. Quantos anos durou a Guerra dos Cem Anos?
R: Durou 116 anos (de 1337 a 1453)
2. Qual é o país que fabrica os chapéus Panamá?
R: O Equador
3.De que animal se obtém o catgut (Fibra de tripa de gato usada em cirurgias)?
R: Das ovelhas e cavalos
4.A partir do quê são feitos os pincéis de pêlo de camelo?
R: De pêlo de esquilos do bosque
5.Qual a cor do chamado pintassilgo púrpura?
R: Carmim
6.Os russos celebram a Revolução de Outubro em que mês?
R: Em Novembro (o calendário tem 13 dias de atraso relativamente ao nosso)
7.Quanto tempo durou a última Guerra dos Trinta Anos?
R: Durou 30 anos (de 1618 a 1648)
8.De que país vêm as groselhas chinesas?
R: Da Nova Zelândia
9. Qual era o verdadeiro nome do rei Jorge VI?
R: Alberto (ao subir ao trono em 1936, respeitou o pedido da Rainha Vitória, para que mais nenhum rei usasse o nome de Alberto)
10. A que animal é atribuída a origem do nome das Ilhas Canárias?
R: Ao cão/cachorro - Em latim, "Insularia Canaria" (Terra dos Cães)
O verdadeiro desafio aproxima-se, já amanhã...
Publicado por Nuno Peralta às 09:47 AM | Comentários (1)
abril 28, 2004
[0891/2004] Selecção 2
Mais um jogo, mais um resultado semi-decepcionante (2-2 frente à Suécia), numa exibição globalmente boa, mas em que continuamos a ter o killer instinct invertido (é mesmo um suicide instinct...), tal é a capacidade de gerarmos dificuldades a nós próprios e em cometer erros infantis: um frango, um penalty falhado, um autogolo... Só faltou mesmo uma expulsão para ter o poker completo!
Enfim, esperemos que todas as azelhices e asneiras continuem a ser cometidas nestes jogos e se chegue ao Euro concentrados a 100%, mas pelo menos a selecção tem conseguido a proeza de ajustar as expectativas dos portugueses. Hoje em dia, ninguém no seu perfeito juízo acredita na vitória portuguesa na competição, pelo que se começa a reduzir a pressão sobre a equipa. Dado que os portugueses se dão mal com a pressão, pode ser que esta descompressão jogue a favor da equipa de todos nós e, contra as expectativas, obtenha um bom resultado...
Publicado por Nuno Peralta às 11:46 PM | Comentários (3)
[0890/2004] Esclarecimentos sobre a Aranha Camelo
A Aranha Camelo (Eremobates gladiolus), para começo de conversa, não é uma aranha. Apesar de também pertencer à classe Arachnida, ela não é da classe Araneae, e sim Solifugae.
Porquê este nome? Porque elas 'fogem do sol'.
Assim, pelo menos é certo dizer que elas são nocturnas.
E outra coisa, elas têm este nome não porque comem os intestinos de camelos, como reza a lenda original em inglês na internet, mas porque cortam pêlos deles para fazerem os seus ninhos.
E mais uma: não são venenosas, e a maior coisa que elas costumam comer são escorpiões ou, no máááááááximo, uns ratinhos bem pequenos.
E elas realmente são rápidas, chegando a velocidades de até 16 km/h.
Portanto, é melhor que os soldados se preocupem mesmo é com os terroristas à solta, que não será pelas aranhas que vão ter problemas graves...
Publicado por Nuno Peralta às 10:53 PM | Comentários (6)
[0889/2004] Operação Doação
No Benfica já nada mesmo se surpreende. Aliás, ainda vou ver o dinheiro ser angariado e a Direcção dizer que não está interessada no jogador...
Publicado por Nuno Peralta às 06:33 PM | Comentários (0)
[0888/2004] Bloguices
A cada dia que passa, mais me surpreende as capacidades que um blogue traz para a comunicação entre os Homens.
Por alturas dos 100 anos do Benfica, coloquei um post sobre o jogador Vata, aquele que ficou conhecido pela célebre mão frente ao Marselha que possibilitou a última final da Taça dos Campeões Europeus ao Benfica.
Então não é que hoje tive o privilégio de ver esse mesmo post comentado pelo próprio Vata himself?
E não é a primeira vez que isto acontece, há uns tempos também tinha criticado Inês Serra Lopes, Directora do Independente, por uma intervenção absurda na SIC, que a dita senhora se dignou a comentar, num tom ao nível da dita intervenção.
Não haja dúvidas que a blogoesfera aproxima as pessoas!
PS: Impressionante igualmente é o afluxo de visitas que tem causado o meu post sobre a Aranha Camelo, o novo "mito urbano"...
Publicado por Nuno Peralta às 05:25 PM | Comentários (0)
[0887/2004] Défice
Primeiro-ministro congratula-se com fim de défice excessivo
E eu espero sinceramente que em breve ele (e nós todos!) nos possamos congratular com a retoma económica, agora que o défice está “aceitável”...
Publicado por Nuno Peralta às 04:03 PM | Comentários (1)
[0886/2004] Selecção
Em dia do último grande teste da Selecção antes do Euro’2004, quando falta cerca de mês e meio para se iniciar o torneio, a nossa selecção começa a mostrar a sua enorme capacidade para representar devidamente o futebol português e começar a dar tiros nos pés:
- durante a semana passada, Scolari criticou publicamente Jorge Andrade pela expulsão nas Antas, ao serviço do Corunha;
- ontem criticou publicamente Cristiano Ronaldo, por pouco empenho;
- Figo critica abertamente a dispensa dos jogadores do Porto.
Só falta mesmo começar a discussão pública dos prémios de jogo...
Publicado por Nuno Peralta às 12:39 PM | Comentários (1)
[0885/2004] Factos

Publicado por Nuno Peralta às 08:58 AM | Comentários (1)
[0884/2004] Derby
Eu sei que elogiei a arbitragem neste fim de semana e que desejei que estas duas últimas jornadas mantivessem esse nível.
Espero sinceramente que isso aconteça, mas sou obrigado a levantar as máximas reservas face ao árbitro escolhido para arbitrar o derby, o setubalense Lucílio Batista. Nem é tanto por Lucílio ser um confesso adepto do Sporting, é mais por qualquer pessoa do seu relacionamento mais próximo saber que ele é um anti-benfiquista primário, conforme o tem provado nas várias vezes que arbitra jogos do meu clube...
E se eu sei isto, não acredito que quem nomeia os árbitros o ignore e que, portanto, seja suficientemente inconsciente para o colocar a arbitrar o jogo do próximo fim de semana...
Enfim, esperemos que o efeito "Apito Dourado" ainda continue e que Lucílio consiga demonstrar a isenção necessária para que tenhamos um excelente jogo, preferencialmente sem casos, mas acima de tudo sem vitórias ou derrotas por causa da 3ª equipa!
Publicado por Nuno Peralta às 06:35 AM | Comentários (6)
[0883/2004] Google
Acabei de fazer uma pesquisa no Google à procura da próxima oportunidade de investimento excessivamente valorizada para pequenos investidores perderem dinheiro e o resultado foi... Google!Publicado por Nuno Peralta às 03:05 AM | Comentários (0)
[0882/2004] Mário Soares

Publicado por Nuno Peralta às 01:47 AM | Comentários (2)
[0881/2004] Europeias
Entre os suplentes (da lista do PSD) estão os nomes da actriz Eunice Muñoz...
Tenho muito respeito por Eunice Muñoz enquanto actriz, a quem admiro, mas o nome dela, mesmo que como suplente, na lista de candidatos a eurodeputados, só pode mesmo ser mais uma brincadeira de mau gosto dos nossos políticos e uma manobra de descredibilização das eleições...
Pior, só mesmo o Saramago candidato da CDU a fazer campanha pelo voto em branco...
Dado que ainda faltam os nomes do CDS/PP, ainda corremos o risco de ver os nomes de Manuela Moura Guedes ou Dina virem à baila...
Publicado por Nuno Peralta às 01:09 AM | Comentários (2)
[0880/2004] Défice
Metade dos GNR não faz serviço de patrulha
Ora aqui está uma boa medida para se reduzir o défice estrutural: ou se manda embora 3/4 deste pessoal administrativo, ou se reconverte esse mesmo pessoal no pessoal de campo que é necessário...
Publicado por Nuno Peralta às 12:35 AM | Comentários (1)
abril 27, 2004
[0879/2004] Diplomacia
O Paulo já tinha alertado para isto anteontem, mas não levei muito a sério, até ver as imagens há pouco na televisão: na tomada de posse de Thabo Mbeki enquanto Presidente da República da África do Sul, Portugal esteve representado por... Martins da Cruz!!!
Exactamente, o demissionário Ministro, que actualmente (que eu saiba) não tem função oficial nenhuma na diplomacia portuguesa, foi o representante português. Todos os dias os nossos responsáveis governativos me conseguem surpreender...
PS: De notar que esta tomada de posse coincide com a comemoração dos 10 anos da primeira eleição pós-Apartheid.
Publicado por Nuno Peralta às 04:15 PM | Comentários (5)
[0878/2004] Sigilo
Cavaco aconselha empresários a defenderem levantamento do sigilo bancário
Ora aí está um conselho que devia ser ouvido e seguido...
Quanto à "fusão" da AIP com a AEP, criando a CEP, parece-me uma boa notícia para o patronato e um alerta para os sindicatos...
Publicado por Nuno Peralta às 03:38 PM | Comentários (1)
[0877/2004] Onze do Campeonato
No final da primeira volta este tinha sido o onze por mim escolhido como o ideal:
Moreira (Benfica);
Paulo Ferreira (F.C.Porto), Ricardo Carvalho (F.C.Porto), Anderson Polga (Sporting) e Rossato (Nacional);
Costinha (F.C.Porto);
Rochemback (Sporting) e Maniche (F.C.Porto);
Juninho Petrolina (Beira-Mar);
Derlei (Porto) e Liedson (Sporting).
Para a 2ª volta, ainda que faltem 2 jornadas, a minha escolha sofre ligeiras alterações:
Moreira (Benfica);
Paulo Ferreira (F.C.Porto), Ricardo Carvalho (F.C.Porto), Beto (Sporting) e Rossato (Nacional);
Petit (Benfica); Maniche (F.C.Porto); Pedro Barbosa (Sporting); Ricardo Sousa (Boavista) e Simão (Benfica);
Evandro (Rio Ave).
No cômputo geral, este é o meu onze:
Moreira (Benfica);
Paulo Ferreira (F.C.Porto), Ricardo Carvalho (F.C.Porto), Beto (Sporting) e Rossato (Nacional);
Costinha (Porto); Maniche (F.C.Porto); Pedro Barbosa (Sporting) e Ricardo Sousa (Boavista);
Derlei (Porto) e Liedson (Sporting).
O onze alternativo seria:
Baía (Porto);
Miguel (Benfica), Polga (Sporting), Van Der Gaag (Marítimo) e Patacas (Nacional);
Petit (Benfica), Rochemback (Sporting), Juninho Petrolina (Beira-Mar) e Simão (Benfica);
Adriano (Nacional) e Evandro (Benfica).
Ainda tenho que destacar as revelações/confirmações da época:
Mora (Rio Ave)
Miguelito (Rio Ave); Pepe (Marítimo); Ricardo Costa (Porto);
Custódio (Sporting), Manuel Fernandes (Benfica); Paulo Sérgio (Braga); José Manuel (Paços de Ferreira) e Carlos Alberto (Porto);
Sokota (Benfica) e Manoel (Moreirense).
Publicado por Nuno Peralta às 12:45 PM | Comentários (8)
[0876/2004] Análise do Campeonato
A 2 jornadas do fim, está assim a classificação da SuperLiga, onde já se sabe que o Porto é campeão, que Sporting, Benfica e Nacional vão estar na Europa (falta saber das 2 primeiras quem vai à Liga dos Campeões) e que Estrela e Paços já têm bilhete para a Liga de Honra (de onde já se sabe que vem o Estoril e, quase de certeza, Setúbal e Penafiel).
Para as duas últimas jornadas, os jogos a seguir são os que dão lugar:
- à definição do 2º lugar (que deve ser decidido Domingo em Alvalade, no escaldante Sporting-Benfica);
- à definição das 2 vagas na UEFA, das quais uma deve ser para o Braga, a outra para uma equipa do quarteto Rio Ave, Marítimo, Boavista e Moreirense, sendo que, neste momento, dado o calendário e a forma dos últimos jogos, o Boavista se apresenta como principal candidato ao lugar;
- à definição da 3ª equipa a descer que, dado o calendário, se afigura como sendo a equipa do Alverca.
Esperemos apenas que estas duas jornadas se pautem pela normalidade que marcou a jornada que agora terminou, sem que as equipas de arbitragem se tornem nos principais protagonistas e adulterem ainda mais a verdade desportiva, tantas vezes espezinhada este ano (assim como em quase todos os campeonatos anteriores de que tenho memória).
Classificação Actual:
1.º FC Porto, 79 pontos (C)
2.º Sporting, 70 (E)
3.º Benfica, 70 (E)
4.º Nacional, 53 (E)
5.º Sp. Braga, 48
6.º Rio Ave, 45
7.º Marítimo, 45
8.º Boavista, 44
9.º Moreirense, 43
10.º União de Leiria, 41
11.º Beira-Mar, 38
12.º Gil Vicente, 37
13.º Académica, 35
14.º Belenenses, 34
15.º V. Guimarães, 34
16.º Alverca, 32
17.º Paços de Ferreira, 27 (H)
18.º Estrela da Amadora, 17 (H)
Próximas Jornadas:
33ª Jornada
U. Leiria - Boavista
Sporting - Benfica
Est. Amadora - V. Guimarães
Sp. Braga - Académica
P. Ferreira - Belenenses
Rio Ave - F. C. Porto
Alverca - Nacional
Beira-Mar - Moreirense
Marítimo - Gil Vicente
34ª Jornada
Benfica - U. Leiria
V. Guimarães - Sporting
Académica - Est. Amadora
Belenenses - Sp. Braga
F. C. Porto - P. Ferreira
Nacional - Rio Ave
Moreirense - Alverca
Gil Vicente - Beira-Mar
Boavista - Marítimo
Publicado por Nuno Peralta às 12:04 PM | Comentários (4)
[0875/2004] Samuel Morse

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Feliz Aniversário, Senhor Morse!
Publicado por Nuno Peralta às 09:31 AM | Comentários (0)
abril 26, 2004
[0874/2004] Pat Tillman
Também é de leitura obrigatória o editorial de hoje do Diário Digital, de Hermínio Loureiro, sobre a morte do soldado conhecido...
Pat Tillman, por Hermínio Santos
O nome e a história de Pat Tillman não são conhecidos em Portugal. A notícia da sua morte foi ignorada ou remetida para uma simples breve. Segundo critérios jornalísticos, aquela morte, em Portugal, não merece de facto mais do que uma breve. Para os que não são norte-americanos, Tillman é apenas mais um soldado morto em combate, embora tenha falecido no Afeganistão e não no Iraque, onde todos os dias os norte-americanos perdem homens em combate. Mas porque é que vale a pena recordar Pat Tillman? Porque é um caso raro num Ocidente com horror à morte e onde o dinheiro fala primeiro e as convicções surgem a seguir.
Tillman era uma estrela do futebol norte-americano, defesa dos Arizona Cardinals, e tinha deixado toda a gente de boca aberta quando, em 2002, recusou um contrato de 3,6 milhões de dólares para se alistar nas forças especiais do exército dos EUA. Foi enviado para combater no Afeganistão, no âmbito da guerra contra o terrorismo decretada por George W. Bush após o 11 de Setembro de 2001. Morreu precisamente em combate na quinta-feira, com 27 anos. Deixou de lado uma excelente qualidade de vida para se pôr aos tiros no Afeganistão, convencido de que aquela era a melhor forma de responder aos ataques de 11 de Setembro.
Ingenuidade, dirão alguns. Princípios e convicções, dirão outros. Um herói à americana, dirão ainda os mais cínicos. Mas a decisão de Tillman – que tem outro irmão, também ex-atleta embora tenha jogado baseball profissional, a combater no Afeganistão – foi um acto de coragem. Segundo o seu ex-agente a opção da estrela do futebol norte-americano foi consistente com a sua «natureza contemplativa e não materialista». Na altura em que tomou a decisão de trocar o calor dos estádios pelas lutas com os homens da Al Qaeda, Tillman não a tornou pública. Só o viria a fazer mais tarde e recusou sempre dar entrevistas sobre o assunto.
Décadas de conforto e prosperidade fizeram o Ocidente ter horror à guerra, embora elas acontecessem um pouco por todo o lado, desde o Vietname a África. Por isso é que se inventaram expressões como bombardeamentos cirúrgicos ou danos colaterais e se evitam mostrar imagens dos caixões com os mortos. Mas as guerras – a face negra da Humanidade – existem e, infelizmente, continuarão a existir. É triste e trágico recordar histórias como a de Tillman, mas é bom saber que nos tempos negros que vivemos ainda há heróis.
Publicado por Nuno Peralta às 11:56 PM | Comentários (0)
[0873/2004] Curioso...
... Que tenha sido necessário o "Apito Dourado" para que finalmente houvesse uma jornada completa do campeonato sem casos de arbitragem, sem penalties fantasma e com a disciplina adequada...
Publicado por Nuno Peralta às 11:15 PM | Comentários (4)
[0872/2004] VPV - Imitar a Revolução
Com a devida vénia ao Paulo, deixo aqui o link para o artigo que Vasco Pulido Valente ontem publicou no DN, a propósito do 25 de Abril. Sem dúvida um documento de leitura obrigatória e que estimula as celulazinhas cinzentas, a tentar perceber o que foi efectivamente o 25 de Abril e que o que hoje é dado como adquirido como sendo as conquistas de Abril, são em muito boa parte conquistas de Novembro. E lembra-nos que em tempos, Mário Soares foi um elemento preponderante na criação de um regime democrático em Portugal.
Publicado por Nuno Peralta às 09:16 PM | Comentários (2)
[0871/2004] Não tenho nada a ver com isso
Da próxima vez que um colega de trabalho vos responder a uma solicitação com algo do género "E o que é que eu tenho a ver com isso?" ou "Problema teu!" ou "Tenho mais que fazer do que preocupar-me com isso", contem-lhes esta história, uma daquelas fábulas com lição de moral no final:

"Um rato, espreitando por um buraco na parede, vê o fazendeiro e a sua esposa abrirem um embrulho. Ficou imediatamente curioso sobre que comida estaria lá dentro, até que se apercebeu que não era comida, mas sim uma ratoeira! Como seria de esperar, ficou aterrorizado com a cena.
Correu para o pátio da fazenda, para advertir todos os outros animais:
- Há uma ratoeira na casa, uma ratoeira na casa!!!
A isso, a galinha, respondeu:
- Desculpa-me Rato, eu entendo que isso seja um grande problema para ti, mas não me prejudica em nada nem me incomoda.
O rato foi então ter com o porco, que lhe respondeu:
- Desculpa-me Rato, mas não há nada que eu possa fazer, a não ser rezar. Fica tranquilo que serás lembrado nas minhas preces.
O rato dirigiu-se então à vaca. Esta disse-lhe:
- O quê? Uma ratoeira? Por acaso estou em perigo? Acho que não!
Então o rato voltou para casa, cabisbaixo e abatido, para encarar a ratoeira do fazendeiro.
Naquela noite ouviu-se um barulho, como o de uma ratoeira apanhando a vítima. A mulher do fazendeiro correu para ver o que a ratoeira havia capturado. No escuro, ela não percebeu que a ratoeira havia prendido a cauda de uma cobra venenosa. E a cobra picou a mulher...
O fazendeiro a levou imediatamente ao hospital. Ela voltou com febre.
Todo o mundo sabe que para alimentar alguém com febre, nada melhor que uma canja de galinha. O fazendeiro pegou no cutelo e foi providenciar o ingrediente principal.
Como a doença da mulher continuava, os amigos e vizinhos vieram visitá-la. Para alimentá-los o fazendeiro matou o porco.
A mulher não melhorou e acabou morrendo. Muita gente veio para o funeral. O fazendeiro então sacrificou a vaca, para alimentar todo aquele povo.
Moral da História: Da próxima vez que ouvir dizer que alguém está diante de um problema e acreditar que o problema não lhe diz respeito, lembre-se que, quando há uma ratoeira na casa, toda a fazenda corre risco. O problema de um é o problema de todos."
Publicado por Nuno Peralta às 07:06 PM | Comentários (1)
[0870/2004] 'Tá tudo doido!
Itália - Iraquianos exigem manifestações em troca de reféns
Um grupo de raptores exige manifestações contra a presença italiana no Iraque, dentro de cinco dias, na Itália, em troca da vida de cinco cidadãos italianos.
Sem comentários, de tão absurda é a situação. Apenas um voto de esperança pela vida dos raptados...
Publicado por Nuno Peralta às 05:30 PM | Comentários (0)
[0869/2004] Estée Lauder
"Não há mulheres feias. Apenas mulheres que não se cuidam ou não acreditam que são atraentes."
(Josephine Esther Mentzer, a.k.a. Estée Lauder, 01/07/1908-26/04/2004)
Publicado por Nuno Peralta às 05:11 PM | Comentários (1)
[0868/2004] Benefícios do exercício físico
Isto aqui anda tudo muito sério, portanto vamos lá ao contributo bem disposto da caixa de correio:
"Está provado que por cada minuto de exercício, aumenta-se o nosso tempo de vida em um minuto. Isso permite-nos que aos 85 anos possamos ficar mais 5 meses num lar de terceira idade a pagar 1.000 euros/mês!"
"A minha avó começou a andar cinco quilómetros por dia quando tinha 60 anos. Agora tem 97 anos e não fazemos a menor ideia onde é que ela está!"
"Inscrevi-me num ginásio o ano passado, gastei cerca de 40 contos. Não perdi nem um quilo. Parece que é preciso ir lá!"
"Gosto de longos passeios, especialmente quando são dados por pessoas que me chateiam."
"Podia ir a correr entregar isto aos amigos, mas é mais cómodo colocar aqui no blogue!"
Publicado por Nuno Peralta às 04:35 PM | Comentários (0)
[0867/2004] Começa a (esperada) confusão
Câmara de Lisboa tem de parar obras do Túnel do Marquês no prazo de dez dias
E para não variar, no meio de esquemas chico-espertos e de burocracias administrativas, quem se lixam são os habitantes e utilizadores da cidade de Lisboa, que ficam ali com mais um "mono" no meio de Lisboa e menos um canal de circulação...
Nada que não fosse já de esperar...
Publicado por Nuno Peralta às 04:11 PM | Comentários (3)
[0866/2004] História Contemporânea de Portugal - IX
Cronologia do PREC: do 25 de Abril ao 25 de Novembro.
1974
26 de Abril
A PIDE/DGS rende-se após conversa telefónica entre o General Spínola e Silva Pais (director daquela corporação).
Apresentação da Junta de Salvação Nacional ao país, perante as câmaras da RTP.
Por ordem do MFA, Marcelo Caetano, Américo Tomás, César Moreira Baptista e outros elementos afectos ao antigo regime, são enviados para a Madeira.
O General Spínola é designado Presidente da República.
Libertação dos presos políticos de Caxias e Peniche.
27 de Abril
Apresentação do Programa do Movimento das Forças Armadas.
29 a 30 de Abril
Regresso dos líderes do Partido Socialista (Mário Soares) e do Partido Comunista Português(Álvaro Cunhal).
1 de Maio
Manifestação do 1º de Maio, em Lisboa, congrega cerca de 500.000 pessoas. Outras grandes manifestações decorreram nas principais cidades do país.
4 de Maio
O MRPP organiza a primeira manifestação de boicote ao embarque de soldados para as colónias. A Junta de Salvação Nacional previra a necessidade de envio de alguns batalhões de militares para substituirem a tropa portuguesa ainda em território africano e cujo período de mobilização já terminara. Pensava-se também que seria importante manter as Forças Armadas Portuguesas em África até final das negociações com os Movimentos de Libertação Africanos, com vista à independência dos territórios.
16 de Maio
Tomada de posse do Iº Governo Provisório, presidido por Adelino da Palma Carlos.
Do I Governo fazem parte, entre outros, Mário Soares, Álvaro Cunhal e Sá Carneiro.
20 de Maio
Américo Tomás e Marcelo Caetano, com o conhecimento da JSN mas não do Governo, partem para o exílio no Brasil.
25 de Maio
Início das conversações com o PAIGC.
26 de Maio
É fixado o primeiro Salário Mínimo Nacional em 3300$00 (cerca de 16€ em moeda actual).
Maio / Junho
Grandes conflitos laborais e lutas de trabalhadores começam a surgir em algumas das grandes empresas portuguesas LISNAVE, TIMEX, CTT.
Inicia-se um grande movimento popular de ocupações de casas desabitadas que vai prolongar-se por vários meses. A Junta de Salvação Nacional legaliza, em 19 de Maio, as ocupações verificadas e proíbe novas ocupações.
6 de Junho
Conversações preliminares com a FRELIMO, em Lusaka, com vista à independência de Moçambique.
8 de Julho
É criado o COPCON (Comando Operacional do Continente), chefiado por Otelo Saraiva de Carvalho
9 de Julho
O Primeiro Ministro Palma Carlos pede a demissão do cargo por alegadamente não ter condicões políticas para governar numa clara alusão ao peso da influência do MFA. Com ele solidarizam-se alguns ministros do seu Gabinete entre eles Francisco Sá Carneiro
12 de Julho
Vasco Gonçalves é indigitado por Spínola para o cargo de Primeiro Ministro.
18 de Julho
Tomada de posse do IIº Governo Provisório, presidido por um homem do MFA, o General Vasco Gonçalves.
27 de Julho
Spínola reconhece o direito à independência das colónias africanas.
Julho / Agosto
Greves da MABOR, TAP, SOGANTAL e JORNAL DO COMÉRCIO.
8 de Agosto
Motim de ex-agentes da PIDE/DGS presos na Penitenciária de Lisboa.
28 de Agosto
Promulgação da Lei da Greve.
31 de Agosto
Por despacho conjunto do Ministério da Admnistração Interna e do Ministério do Equipamento Social é criado o SAAL vocacionado para intervir na área da habitação social. No processo SAAL colaboraram então alguns dos arquitectos portugueses hoje internacionalmente reconhecidos, como Siza Vieira e Alves Costa. Ficaram célebres as áreas de intervenção do Barredo no Porto, as de Setúbal e de Évora.
6 de Setembro
Acordos de Lusaka entre a FRELIMO e o Governo Português.
7 de Setembro
Tentativa de tomada de poder pelas forças neo-colonialistas em Lourenço Marques.
9 de Setembro
O Governo Português reconhece a Guiné-Bissau como país independente.
10 de Setembro
Apelo de Spínola à chamada Maioria Silenciosa, numa tentativa de procurar o apoio dos sectores mais conservadores da sociedade portuguesa. Em resposta a este apelo surgem na imprensa, dias mais tarde, notícias que anunciam para dia 28 uma manifestação de apoio a Spínola.
26 de Setembro
António de Spínola e Vasco Gonçalves assistem a uma corrida de toiros no Campo Pequeno. Vasco Gonçalves é apupado por manifestantes conotados com a Maioria Silenciosa.
28 de Setembro
Em resposta à anunciada manifestação da Maioria Silenciosa são organizadas barricadas populares junto às saídas de Lisboa e um pouco por todo o país. No final dessa noite, os militares substituem os civis nas barricadas. Mais de uma centena de pessoas, entre figuras gratas ao regime deposto, quadros da Legião Portuguesa e participantes activos da manifestação abortada da Maioria Silenciosa, são detidas por Forças Militares.
30 de Setembro
Apresentação da demissão do Presidente da República General António de Spínola e nomeação do General Costa Gomes.
Tomada de Posse do IIIº Governo Provisório, chefiado por Vasco Gonçalves.
6 de Outubro
"Um dia de trabalho para a Nação" proposto pelo Primeiro Ministro. Um domingo é transformado em dia útil de trabalho oferecido gratuitamente pelos trabalhadores ao país. A adesão é significativa e o resultado financeiro desta campanha será dias mais tarde estimado pelas entidades oficiais competentes em cerca de 13000 contos.
27 de Outubro
O Governo anuncia as Campanhas de Dinamização Cultural, empreendidas pela 5ª Divisão do EMGFA com o objectivo de "cumprir integralmente o programa do MFA e colocar as Forças Armadas ao serviço de um projecto de desenvolvimento do Povo Português".
11 de Novembro
O Ministério da Educação e Cultura institui o Serviço Cívico Estudantil, ano vestibular antes da entrada definitiva no ensino superior e que mobilizou milhares estudantes para brigadas de alfabetização e de educação sanitária junto das populações.
7 de Dezembro
Por decisão do Governo é decidido o pagamento do 13º mês aos pensionistas do Estado.
9 de Dezembro
Tem início o renceamento eleitoral com vista à realização das primeiras eleições em liberdade.
13 de Dezembro
Os Estados Unidos concedem ao governo português um importante empréstimo financeiro no âmbito de um Plano de Ajuda Económica a Portugal.
1975
15 de Janeiro
Acordos de Alvor entre o Governo Português e os Movimentos de Libertação Angolanos. Fixa-se a data da independência: 11/11/75.
28 de Janeiro
Militantes de vários grupos de esquerda cercam o Palácio de Cristal no Porto, local onde decorre o Congresso do MFA proíbe todas as manifestações durante o período em que se desenvolverão as manobras da NATO em Lisboa. O desembarque previsto para o dia 31 não chega a realizar-se.
2 de Fevereiro
Trabalhadores rurais ocupam terras abandonadas na herdade do Picote, em Montemor-o-Novo. Início da Reforma Agrária.
7 de Fevereiro
Grande manifestação operária em Lisboa contra o desemprego e contra a NATO.
21 de Fevereiro
Apresentação doPrograma Económico de Transição, elaborado por uma equipa chefiada pelo Major Ernesto Melo Antunes, com vista à recuperação económica do país.
22 de Fevereiro
O MFA reforça os seus poderes políticos chamando a si um direito de veto relativo a decisões políticas fundamentais.
7 e 8 de Março
Confrontações em Setúbal entre grupos políticos. A intervenção policial provoca dois mortos e obriga à intervenção do COPCON.
11 de Março
Divisões profundas entre oficiais do MFA. A ala spinolista é levada a tentar um golpe de estado. Insurreição na Base Aérea de Tancos e ataque aéreo ao Quartel do RAL1 . Fuga para Espanha do General Spínola e outros oficiais. Reforço da capacidade de intervenção do COPCON chefiado por Otelo Saraiva de Carvalho.
12 de Março
São extintos a Junta de Salvação Nacional e o Conselho de Estado e em sua substituição é criado o Conselho da Revolução. O Governo dá início à execução de um grande plano de nacionalizações (Banca, Seguros, Transportes etc...).
26 de Março
Tomada de Posse do IVº Governo Provisório, chefiado por Vasco Gonçalves.
11 de Abril
Plantaforma de acordo MFA/Partidos assinada por CDS, FSP, MDP, PCP,PPD, PS. O acordo visava o reconhecimento, por parte dos partidos, da necessidade de se manter a influência do MFA na vida política do país por um período de transição de três a cinco anos o qual terminaria por intermédio de uma revisão constitucional.
25 de Abril
Eleições para a Assembleia Constituinte com uma taxa de participação de 91,7%. Resultados dos Partidos com representação parlamentar: PS 37,9%; PPD 26,4%; PCP 12,5%; CDS 7,6%; MDP 4,1%; UDP 0,7%.
19 de Maio
Início do chamado Caso República. Raul Rêgo é afastado da direcção do jornal pelos trabalhadores, acusado de ter tornado o República no órgão oficioso do Partido Socialista.
25 de Maio
Ocupação pelos trabalhadores das instalações da Rádio Renascença, propriedade do Episcopado.
6 de Junho
Em Ponta Delgada realiza-se a primeira manifestação pública da Frente de Libertação dos Açores (FLA). Este movimento sem grande expressão e peso político reivindicava a autodeterminação dos Açores.
25 de Junho
Independência de Moçambique.
Julho
Reagindo ao curso dos acontecimentos e à situação criada no jornal República o Partido Socialista desencadeia manifestações de massas - a maior das quais foi a da Fonte Luminosa, abandonando o Governo em 16 de Julho. O Partido Popular Democrático segue-lhe o exemplo. Iniciam-se as diligências para a formação de novo Governo.
5 de Julho
Independência de Cabo-Verde.
8 de Julho
MFA divulga o Documento "Aliança POVO/MFA. Para a construção da sociedade socialista em Portugal."
12 de Julho
Independência de S. Tomé e Príncipe.
13 de Julho
Assalto à sede do PCP em Rio Maior. Têm aqui início uma série de acções violentas contra as sedes de partidos e organizações políticas de esquerda, registadas por todo o país mas com maior intensidade no Norte e Centro. Esta onda de violência conotada com as forças conservadoras ficou conhecida por Verão Quente.
27 de Julho
Fuga de 88 agentes da ex-PIDE/DGS da prisão de Alcoentre.
30 de Julho
É criado no Conselho da Revolução o Triunvirato que passa a orientá-lo. Constituem-no Vasco Gonçalves, Costa Gomes e Otelo.
7 de Agosto
É divulgado o Documento Melo Antunes, apoiado pelo Grupo dos Nove, um grupo de militares que representava a facção moderada do MFA, e que se opõem às teses políticas do Documento Guia Povo/MFA apresentado em 8 de Julho.
8 de Agosto
Tomada de posse do Vº Governo Provisório, chefiado por Vasco Gonçalves.
10 de Agosto
Melo Antunes e apoiantes são afastados do Conselho da Revolução.
12 de Agosto
Aparecimento do "Documento do COPCON", em contraposição ao "Documento dos Nove", e reforçando a ideia de ser atribuído um papel político relevante às Assembleias Populares (democracia de base).
30 de Agosto
Vasco Gonçalves é demitido do cargo de Primeiro Ministro. Iniciam-se as negociações para a formação do VI Governo Provisório, PS/PPD/PC.
10 de Setembro
Desvio de 1000 espingardas automáticas G3 do DGM 6 em Beirolas.
11 de Setembro
Manifestação dos SUV no Porto, numa tentativa de criar no seio das Forças Armadas uma zona de influência adepta do Poder Popular de Base como advogavam alguns partidos da chamada esquerda revolucionária.
19 de Setembro
Tomada de posse do VIº Governo Provisório, chefiado por Pinheiro de Azevedo.
21 e 22 de Setembro
Agudiza-se a luta política nas ruas: manifestação dos Deficientes das Forças Armadas com ocupação de portagens de acesso a Lisboa e tentativa de sequestro do Governo. Prosseguem as nacionalizações: SETENAVE e Estaleiros de Viana do Castelo.
25 de Setembro
Nova manifestação dos SUV em Lisboa. Na intenção de retirar poderes ao COPCON o Governo cria o AMI - Agrupamento Militar de Intervenção.
26 de Setembro
O Governo decide retirar ao COPCON "os poderes de intervenção para restabelecimento da ordem pública".
27 de Setembro
Manifestantes de partidos de esquerda assaltam e destroem as instalações da Embaixada de Espanha como medida de protesto contra a execução pelo garrote de cinco nacionalistas bascos, decidida pelo governo ditatorial do Generalíssimo Franco.
15 de Outubro
O Governo manda selar as instalações da Rádio Renascença, ocupada desde Maio pelos trabalhadores. Mas a ocupação mantém-se.
7 de Novembro
Por ordem do Governo, o recém criado AMI, faz explodir os emissores da Rádio Renascença.
Confrontos violentos na região de Rio Maior entre representantes das UCP's e Cooperativas Agrícolas da Zona de Intervenção da Reforma Agrária (ligadas ao sector do trabalhadores rurais) e representantes da CAP - Confederação de Agricultores Portugueses, instituição ligada aos interesses dos proprietários agrícolas.
11 de Novembro
Independência de Angola.
12 de Novembro
Manifestação de trabalhadores da construção civil cerca o Palácio de S.Bento sequestrando os deputados.
15 de Novembro
Juramento de bandeira no RALIS - os soldados quebram as normas militares que regulamentam os juramentos de bandeira e fazem-no de punho fechado.
20 de Novembro
O Conselho da Revolução decide substituir Otelo Saraiva de Carvalho por Vasco Lourenço no comando da Região Militar de Lisboa.
O Governo anuncia a suspensão das suas actividades alegando "falta de condições de segurança para exercício do governo do país".
Manhã de 25 de Novembro
Na sequência de uma decisão do General Morais da Silva, CEMFA, que dias antes tinha mandado passar à disponibilidade cerca de 1.000 camaradas de armas de Tancos, paraquedistas da Base Escola de Tancos ocupam o Comando da Região Aérea de Monsanto e seis bases aéreas. Detêm o general Pinho Freire e exigem a demissão de Morais da Silva. Este acto é considerado pelos militares ligados ao Grupo dos Nove como o indício de que poderia estar em preparação um golpe de estado vindo de sectores mais radicais, da esquerda. Esses militares apoiados pelos partidos políticos moderados PS e PPD, depois do Presidente da República, General Francisco da Costa Gomes ter obtido por parte do PCP a confirmação de que não convocaria os seus militantes e apoiantes para qualquer acção de rua, decidem então intervir militarmente para controlar inequivocamente o destino político do país. Assim:
Tarde de 25 de Novembro
Elementos do Regimento de Comandos da Amadora cercam o Comando da Região Aérea de Monsanto.
Noite de 25 de Novembro
O Presidente da República decreta o Estado de Sítio na Região de Lisboa. Militares afectos ao governo, da linha do Grupo dos Nove, controlam a situação.
Prisão dos militares revoltosos que tinham ocupado a Base de Monsanto.
26 de Novembro
Comandos da Amadora atacam o Regimento da Polícia Militar, unidade militar tida como próxima das forças políticas de esquerda revolucionária. Após a rendição da PM, há vítimas mortais de ambos os lados.
Prisões dos militares revoltosos.
27 de Novembro
Os Generais Carlos Fabião e Otelo Saraiva de Carvalho são destituídos, respectivamente, dos cargos de Chefe de Estado Maior do Exército e de Comandante do COPCON.
O General António Ramalho Eanes é o novo Chefe de Estado Maior do Exército.
Por decisão do Conselho de Ministros a Rádio Renascença é devolvida à Igreja Católica.
28 de Novembro
O VI Governo Provisório retoma funções. O Conselho de Ministros promete o direito de reserva aos donos de terras expropriadas.
7 de Dezembro
A Indonésia invade e ocupa o território de Timor.
Publicado por Nuno Peralta às 04:04 PM | Comentários (0)
[0865/2004] História Contemporânea de Portugal - VIII
O PREC e o Verão Quente de 75...
O denominado «Verão Quente» foi um período agitado assinalado por um certa anarquia no Governo, nas Forças Armadas e na própria sociedade.
Este período teve como prenúncio as comemorações do 1º de Maio desse ano, levadas a cabo pela Intersindical. Tiveram lugar uma série de acções violentas contra as sedes dos partidos e organizações políticas de esquerda. O assalto à sede do PCP em Rio Maior inicia a série dessas acções violentas, registadas por todo o país mas com maior intensidade no Norte e Centro.
Esta onda de violência entre as forças conservadoras e de esquerda ficou conhecida por «Verão Quente» que mais tarde, a 25 de Novembro, acabou por traduzir-se militarmente.
A arbitrariedade foi tal que cresceram rumores de uma possível guerra civil.
O Partido Socialista abandonou o Governo como sinal de protesto contra a ocupação do jornal «República», episódio que ficou conhecido como «Caso República» em que Raul Rego é afastado da direcção do jornal pelos trabalhadores, acusado de o ter convertido no órgão oficioso do PS.
E surge o «Grupo dos Nove», representante da ala moderada do MFA, liderado por Melo Antunes que recusava a sociedade capitalista, defendendo um projecto alternativo baseado numa democracia política pluralista, com liberdades, direitos e garantias fundamentais.
Publicado por Nuno Peralta às 02:37 PM | Comentários (0)
[0864/2004] Sampaio
Já que toda a gente decidiu fazer análise politico-partidária do discurso de Jorge Sampaio nas comemorações dos 30 anos do 25 de Abril, também darei a minha modesta opinião.
Pessoalmente, tenho a dizer que concordo com a larga maioria das críticas feitas ao actual governo, senão mesmo com todas. Apenas lamento que Jorge Sampaio, Presidente da República de Portugal há 8 anos apenas agora tenha ganho esta clarividência de análise politico-económica, depois de vários anos a ignorar todos os sinais que eram transmitidos de que viviamos acima das nossas possibilidades. Havia uma diferença, é certo, nessa altura governava o PS, não o actual governo de coligação...
Publicado por Nuno Peralta às 12:49 PM | Comentários (3)
[0863/2004] Guernica
A 26 de Abril de 1937, um raide aéreo da Luftwaffe (Força Aérea alemã), a pedido do General Franco, bombardeava a localidade basca de Guernica, numa atitude que chocou o mundo.
Milhares de civis inocentes foram assassinados neste raide, que ficou na História como um dos principais acontecimentos da Guerra Civil espanhola de 1936-39 e era uma premonição do que Hitler pretendia fazer ao mundo uns anos depois...
O bombardeamento inspirou Pablo Picasso a criar a sua obra-prima, Guernica.
O quadro tornou-se intemporal e é hoje reconhecido como um ícone internacional pela paz, conforme os acontecimento dos passado 11 de Março o mostraram, ao ter sido uma das imagens mais utilizadas pelos que pediam a paz no mundo.

Publicado por Nuno Peralta às 09:44 AM | Comentários (0)
[0862/2004] Aranha Camelo

Publicado por Nuno Peralta às 01:27 AM | Comentários (80)
[0861/2004] Chernobyl
Foi a 26 de Abril de 1986 (há 16 anos, portanto) acontecia aquele que é considerado o mais grave acidente nuclear de todos os tempos, quando a explosão do reactor nº4 da Central Nuclear de Chernobyl, Ucrânia (na altura ainda União Soviética) fez libertar para a atmosfera enormes quantidades de radioactividade, que afectaram toda a zona.
No imediato morreram cerca de 30 pessoas, mas muitos mais milhares foram afectados desde aí.
Este foi um dos episódios que ajudou a antecipar a queda do comunismo na URSS e consequente cisão na União, pois veio ajudar a comunidade internacional a perceber as reais carências que grassavam no país, que não lhe permitia manter em condições de segurança este tipo de unidades.
Pode-se dizer que Chernobyl é hoje uma zona fantasma.
Aqui fica um link útil para compreender a verdadeira dimensão da catástrofe:
Centro Internacional de Investigação e Informação sobre Chernobyl
Publicado por Nuno Peralta às 12:51 AM | Comentários (1)
[0860/2004] Liberdade
Passo pela TVI e vejo aquela coisa asquerosa que dá pelo nome de Fear Factor.
Pergunto-me a mim mesmo se foi para este tipo de liberdade de expressão que se fez o 25 de Abril...
Publicado por Nuno Peralta às 12:21 AM | Comentários (4)
[0859/2004] História Contemporânea de Portugal - VII
O Pós 25 de Abril, ou porque a Revolução permitiu a Evolução...
Muita coisa se alterou com o 25 de Abril de 1974.
Mas, a mudança não se efectuou num dia. Foi preciso tempo, empenho, coragem e sacrifícios de muitas pessoas para construír um país diferente onde Liberdade, Solidariedade e Democracia não fossem apenas palavras.
Para chegarmos aos dias de hoje, foi necessário aprendermos a viver em Democracia e a saber o significado de Tolerância. Passo a passo, dia a dia, como acontece connosco, Portugal foi mudando.
Ao longo deste caminho, construíram-se partidos e associações, foi garantido o direito de expressão e realizaram-se eleições livres. Vivemos em Democracia.
Terminou a guerra colonial, e as antigas colónias portuguesas tornaram-se independentes. Vivemos em paz.
A Constituição garante os direitos económicos, jurídicos e sociais dos cidadãos.
Hoje, podemos falar livremente, dizer aquilo com que concordamos e o que não apoiamos, integrar associações, viver num novo Espaço Europeu e ter acesso directo ao Mundo sem receio de censura ou perseguições.
No seu conjunto, a sociedade portuguesa revelou uma grande flexibilidade e uma capacidade de adaptação que surpreendeu os que viam sobretudo a rigidez das estruturas e dos comportamentos. Esta espécie de plasticidade foi, por exemplo, demonstrada com o acolhimento, rápido e pacífico de umas poucas centenas de milhares de Africanos, Latino-americanos e Asiáticos que estabeleceram residência em Portugal ou adoptaram a nacionalidade. De igual modo, o derrube pela força mas sem violência, do regime autoritário, assim como a ultrapassagem democrática das tentativas anti-revolucionárias, igualmente feitas sem violência, foram sinais da maleabilidade da sociedade. Em contraste com o que se passava na era colonial, há alguns traços multiculturais, facilmente visíveis nas grandes áreas metropolitanas.
Há trinta anos não havia passe social, nem salário mínimo nacional, nem contratos de trabalho com pagamento de 14 meses de salários, ou seja, o reconhecimento ao direito de subsídio de férias e de Natal. Os cônjuges casados segundo ritos da Igreja Católica não podiam requerer o divórcio aos tribunais civis. O casamento e o divórcio passaram a ser livres, dependendo apenas da responsabilidade individual.
São conquistas do 25 de Abril de tal modo inseridas no quotidiano que mal se dá por elas.
Após o 25 de Abril de 1974, houve transformações no papel da mulher na organização da família. Vencida a batalha da igualdade e conquistada a liberdade através do trabalho no exterior, a mulher reinventa o seu papel e impõe novas representações sociais. A mulher "moderna" apesar de rodeada de computadores, livros, papéis, telefones, telemóveis e reuniões, continua a ser uma mãe cuidadosa e atenta. Assumindo o poder político, a mulher ganha os instrumentos para fazer com que a condição de mãe deixe de ser uma limitação, uma especificidade feminina ao serviço dos homens e dos filhos.
As mulheres foram reconhecidas como cidadãs de plenos direitos: têm acesso a todas as profissões, podem votar, ter contas bancárias, possuir passaporte e sair do país sem autorização escrita dos maridos, o que antes da revolução de 1974 era impensável.
Foram abolidas as certidões de bom comportamento moral e cívico e as informações da polícia necessárias a quem deseje obter certos empregos. Desapareceram das escolas os "livros únicos", as matérias e os autores no index. Os jovens têm direito ao ensino.
Já não é necessário uma licença de isqueiro, nem uma carta de conduzir bicicletas. A Coca-Cola interdita durante anos, bebe-se como se sempre tivesse feito parte dos nossos hábitos.
Em pouco mais de uma década, Portugal e os portugueses tiveram de se habituar a viver em democracia para, a seguir, serem confrontados com uma aprendizagem acelerada de convivência e participação num espaço transacional. De facto, a partir de 1986, a adesão às Comunidades Europeias implicou a alteração radical das regras de funcionamento.
Do ponto de vista económico, esta adesão vialbilizou parcialmente um processo de ajustamento modernizante de valores, estruturas, atitudes e comportamentos. Proporcionou também, após uma fase de instabilidade, a entrada num período de crescimento superior à média Europeia, por um elevado dinamismo revelado pelo investimento, uma aceleração da abertura global da economia. Orientou a economia e a sociedade para um continente do qual, mau grado lhe pertencer geograficamente, o país esteve relativamente afastado durante décadas. Esta mesma integração, ao abolir fronteiras comerciais, criou uma inédita vida de competição internacional, num país onde o proteccionismo e o ‘condicionamento’ foram quase sempre a regra.
O facto da mudança social ter sido, como se disse, muito rápida, não deixou de criar problemas de alguma amplitude. Nas actividades económicas, por exemplo, a rapidez das transformações fez com que saíssem da agricultura centenas de milhar de activos e suas famílias, sem que tenha havido tempo, meios ou circunstâncias de reciclagem produtiva. Também nas indústrias se vivia uma necessidade histórica de modernização tecnológica, isto é, de mecanização e diminuição da força de trabalho.
Por outro lado, a idade e as aptidões da população rural, não permitiam considerar a reconversão produtiva, nem a hipótese de emigração. De tal modo que, os novos condicionalismos de uma economia cada vez mais aberta, provocaram uma verdadeira destruição de economias locais, de subsistências rurais, de actividades semi- artesanais, de empresas familiares e de circuitos de troca e comércio rudimentares mas socialmente efectivos. Resultaram daí, sobretudo, duas consequências:
- O alargamento muito significativo da massa de dependentes da Segurança Social.
- O crescimento considerável da população dos subúrbios das áreas metropolitanas, em condições muito precárias.
Enfim, a Revolução do 25 de Abril permitiu de facto a Evolução do País. Esperemos apenas que não seja preciso uma nova revolução para se ter mais evolução...
Publicado por Nuno Peralta às 12:02 AM | Comentários (0)
abril 25, 2004
[0858/2004] Back to reality
Paul Bremer diz que situação em Najaf é explosiva
Pois é, lá por fora há sítios que ainda aguardam o "seu" 25 de Abril, onde exista paz, liberdade e democracia...
Publicado por Nuno Peralta às 11:50 PM | Comentários (0)
[0857/2004] Os Sons da Revolução #2
Às 04h26 o locutor Joaquim Furtado fazia a leitura do primeiro comunicado do MFA, aos microfones do Rádio Clube Português:
«Aqui posto de comando do Movimento das Forças Armadas.
As Forças Armadas portuguesas apelam para todos os habitantes da cidade de Lisboa no sentido de recolherem a suas casas, nas quais se devem conservar com a máxima calma. Esperamos sinceramente que a gravidade da hora que vivemos não seja tristemente assinalada por qualquer acidente pessoal, para o que apelamos para o bom senso dos comandos das forças militarizadas no sentido de serem evitados quaisquer confrontos com as Forças Armadas. Tal confronto, além de desnecessário, só poderia conduzir a sérios prejuízos individuais que enlutariam e criariam divisões entre os portugueses, o que há que evitar a todo o custo.
Não obstante a expressa preocupação de não fazer correr a mínima gota de sangue de qualquer português, apelamos para o espírito cívico e profissional da classe médica, esperando a sua acorrência aos hospitais, a fim de prestar eventual colaboração, que se deseja, sinceramente, desnecessária.»
Publicado por Nuno Peralta às 06:40 PM | Comentários (1)
[0856/2004] Os Sons da Revolução #1
A "senha", constituída pela canção "Grândola, Vila Morena", de José Afonso, foi gravada por Leite de Vasconcelos e posta no ar por Manuel Tomás, no âmbito do programa "Limite" da Rádio Renascença, à meia-noite e vinte, antecedida da leitura da sua primeira quadra.
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade,
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade
Seguiu-se a leitura de poemas da autoria de Carlos Albino, jornalista do República e colaborador do referido programa que, por intermédio de Álvaro Guerra e a pedido do comandante Almada Contreiras, fora incumbido de desempenhar essa missão de crucial importância para o arranque sincronizado e irreversível das forças do MFA.
Publicado por Nuno Peralta às 06:35 PM | Comentários (1)
[0855/2004] Formula 1
Não sei porque ainda me dou ao trabalho de ver a Fórmula 1, quando o domínio de Schumacher é tão claro: 4ª corrida, 4ª vitória! A única coisa que vai mudando é o cenário, desta vez Ímola.
Apenas a destacar 3 pontos:
1º - Finalmente esta época uma pole fora da Ferrari, sendo o inglês Jason Button, da BAR-Honda o autor da proeza. Button viria a terminar em 2º o Grande Prémio de hoje, logo seguido de Montoya.
2º - Montoya que foi responsável pela polémica do dia, ao vir criticar os critérios da FIA, que permite todo o tipo de bloqueios a Schumacher. Pessoalmente, não me parece que haja grandes justificações na corrida de hoje para estas queixas, mas...
3º - A justa e bonita homenagem a Airton Senna, cujo desaparecimento trágico aconteceu há 10 anos, neste mesmo circuito de Ímola. Em homenagem, Gerard Berger conduziu em Ímola, antes do início da prova, o Lotus-Renault com o número 12, ao volante do qual Senna obteve os primeiros triunfos na Fórmula 1, incluindo o GP do Estoril. Passam no próximo Sábado os 10 anos sobre a morte de Senna e aqui a Janela irá concerteza homenagear aquele que é para mim o melhor piloto de sempre.
Classificação do GP de São Marino:
1. Michael Schumacher, Ale (Ferrari), 1:26.19,670 horas
2. Jenson Button, GB (BAR-Honda), a 9,702 segundos
3. Juan Pablo Montoya, Col (Williams-BMW), a 21,617
4. Fernando Alonso, Esp (Renault), a 23,654
5. Jarno Trulli, Ita (Renault), a 36,216
6. Rubens Barrichello, Bra (Ferrari), a 36,683
7. Ralf Schumacher, Ale (Williams-BMW), a 55,730
8. Kimi Raikkonen, Fin (McLAren-Mercedes), a 1 volta
9. Giancarlo Fisichella, Ita (Sauber-Petronas), a 1
10. Felipe Massa, Bra (Sauber-Petronas), a 1
11. Olivier Panis, Fra (Toyota), a 1
12. David Coulthard, Esc (McLaren-Mercedes), a 1
13. Mark Webber, Aus (Jaguar-Cosworth), a 1
14. Christian Klien, Aut (Jaguar-Cosworth), a 2
15. Zsolt Baumgartner, Hun (Minardi-Cosworth), a 4
16. Takuma Sato, Jap (BAR-Honda), a 6
Mundial de Pilotos:
1. Michael Schumacher, Ale 40 pontos
2. Rubens Barrichello, Bra 24
3. Jenson Button, GB 23
4. Juan Pablo Montoya, Col 18
5. Fernando Alonso, Esp 16
6. Jarno Trulli, Ita 15
7. Ralf Schumacher, Ale 9
8. Takuma Sato, Jap 4
9. David Coulthard, GB 4
10. Felipe Massa, Bra 1
11. Mark Webber, Aus 1
12. Kimi Raikkonen, Fin 1
Mundial de Construtores:
1. Ferrari 64 pontos
2. Renault 31
3. Williams-BMW 27
4. BAR-Honda 27
5. McLaren-Mercedes 5
7. Sauber-Petronas 1
6. Jaguar-Cosworth 1
Publicado por Nuno Peralta às 06:17 PM | Comentários (0)
[0854/2004] Cronologia do 25 de Abril #5
Os dias seguintes...
DIA 26 DE ABRIL DE 1974
01h30 - A Junta de Salvação Nacional - de que fazem parte o capitão-de-fragata António Rosa Coutinho, coronel Carlos Galvão de Melo, general Francisco da Costa Gomes, brigadeiro Jaime Silvério Marques, capitão-de-mar-e-guerra José Pinheiro de Azevedo e o general Manuel Diogo Neto, ausente do Continente - apresenta-se à Nação, através da Rádio Televisão Portuguesa, lendo uma proclamação e tendo o general António de Spínola como Presidente.
c. 07h00 - O tenente-coronel Almeida Bruno desloca-se à Rua Almirante Saldanha, ao Restelo, para solicitar ao ex-Presidente da República, Américo Tomás, que o acompanhe ao aeroporto a fim de embarcar no DC-6 que o conduzirá à ilha da Madeira.
- O tenente-coronel Lopes Pires acompanha ao aeroporto o ex-Presidente do Conselho, Marcelo Caetano e os ex-ministros Silva Cunha e Moreira Baptista.
07h30 - O major Vítor Alves lê, perante a Comunicação Social, a versão definitiva do Programa do MFA.
07h40 - O DC-6 levanta voo da pista da Portela e parte rumo ao Funchal.
09h46 - Na Rua António Maria Cardoso, sede da PIDE/DGS, verifica-se a rendição incondicional daquela polícia política, sendo o edifício ocupado por forças do Exército e da Marinha
c. 10h00 - Rendição do Forte de Caxias.
11h00 - Salgueiro Maia e as forças da EPC ocupam o edifício da Secretariado-Geral da Defesa Nacional, na Cova da Moura, onde a Junta de Salvação Nacional e o MFA passarão a funcionar.
13h00 - Inicia-se a libertação dos presos políticos nas cadeias de Caxias e Peniche.
- Divulga-se o Programa do MFA que havia sido apresentado pelo major Vítor Alves, no Quartel da Pontinha, ao princípio da manhã, depois da 1ª conferência de imprensa da Junta de Salvação Nacional.
DIA 28 DE ABRIL DE 1974
- Mário Soares regressa a Portugal.
DIA 30 DE ABRIL DE 1974
- Álvaro Cunhal regressa a Portugal.
DIA 1 DE MAIO DE 1974
– Centenas de milhares de pessoas, em todo o País, festejam nas ruas o Dia do Trabalhador, em democracia e liberdade. "O Povo está com o MFA" será a palavra de ordem mais gritada.
Publicado por Nuno Peralta às 05:46 PM | Comentários (0)
[0853/2004] Cronologia do 25 de Abril #4
As 24 longas horas do dia 25 de Abril de 1974...
00h00 - João Paulo Dinis conclui o programa nos E.A.L. e regressa a casa, seguindo instruções do chefe militar do MFA.
00h20 – Nos estúdios da Rádio Renascença, situados na Rua Capelo, ao Chiado, Paulo Coelho, que ignora os compromissos assumidos pelos seus colegas do programa Limite, lê anúncios publicitários. Apesar dos sinais desesperados de Manuel Tomás, que se encontra na cabina técnica acompanhado de Carlos Albino, para sair do ar, o radialista prossegue paulatinamente a sua tarefa. Após 19 segundos de aguda tensão, Tomás dá uma "sapatada" na mão do técnico José Videira, provocando o arranque da bobine com a gravação que continha a célebre senha: a canção Grândola Vila Morena, de Zeca Afonso.
c. 00h30 - Na EPAM, um grupo de capitães e subalternos armados dá voz de prisão ao oficial de dia, alferes miliciano Pinto Bessa, e ao oficial de prevenção, aspirante miliciano Leão. O capitão Gaspar assume provisoriamente as funções de oficial de serviço.
- No Campo de Instrução Militar de Santa Margarida (CIMSM) começam-se a encher carregadores na arrecadação de material de guerra.
- Na EPA continua-se (iniciada às 23h00) a preparação final do golpe, onde o capitão Santos Silva assumira já o comando, acolitado pelos tenentes Ruaz, Sales Grade e Sousa Brandão.
- Na EPI, os capitães Rui Rodrigues, Aguda e Albuquerque ordenam a formatura da companhia de intervenção, a três bigrupos de cinquenta homens. O capitão Silvério executa o plano de defesa do quartel. Os majores Aurélio Trindade e Cerqueira Rocha convidam o coronel Jasmins de Freitas a aceitar o comando da unidade.
00h40 - Na EPC, em Santarém os oficiais do MFA procuram obter a adesão ao Movimento do tenente coronel Henrique Sanches. Não o conseguindo, procedem à sua detenção.
- No Campo de Tiro da Serra da Carregueira (CTSC) os capitães Oliveira Pimentel e Frederico Morais iniciam a preparação dos homens para levar a bom termo a sua missão - conquistar a Emissora Nacional.
01h00 - No BC 5 o major Fontão ordena ao alferes Frazão que controle e mantenha pessoal de guarda à central telefónica. Manda fechar os portões e neutralizar a central rádio.
- No CIMSM o tenente Luís Pessoa reúne os cabos milicianos e consegue a sua adesão imediata.
- Na EPC o major Rui Costa Ferreira assume o comando.
01h30 - Na EPC Salgueiro Maia manda acordar o pessoal e formar em parada. A adesão é entusiástica. Salgueiro Maia comandará a força tendo o tenente Alfredo Assunção como seu adjunto.
- No CIAAC, em Cascais, um grupo de jovens oficiais vê impedida a sua entrada na unidade que, ao contrário do que se previa, não adere ao Movimento. Contactam o Posto de Comando pedindo nova missão.
- Na EPAM os soldados são armados. No exterior tudo está tranquilo.
- No RI 14 os capitães Gertrudes da Silva, Silveira Costeira, Aprígio Ramalho, Ferreira do Amaral e Augusto convocam os oficiais subalternos e esclarecem a situação. Controlam a central telefónica e os postos de rádio da ordem pública e do Serviço de Telecomunicações Militares (STM).
- No Regimento de Cavalaria 3 (RC 3), em Estremoz, é problemático o cumprimento da missão: marchar sobre Lisboa com uma coluna de autometralhadoras, estacionando na zona da portagem da Ponte Salazar, aguardando ordens do Posto de Comando. O comandante, coronel Caldas Duarte, mostra-se indeciso e pede tempo para reflectir.
02h00 - No RI 14, em Viseu, inicia-se a preparação da companhia que vai seguir para a Figueira da Foz, onde se juntará a outras unidades em acção (RI 10, CICA 2, RAP 3) com vista a constituir o agrupamento «November».
- A companhia de intervenção a três bigrupos comandada pelo capitão Rui Rodrigues abandona a EPI, em Mafra, para seguir por Malveira, Loures, Frielas e Camarate até ao Aeroporto da Portela, que deverá ocupar e defender.
- No BC 5 o major Cardoso Fontão manda distribuir armas, munições e aparelhos de rádio e formar as companhias.
- Do CTSC saem duas viaturas pesadas e um jipe, com um total de 47 homens, e dirigem-se para o seu objectivo.
02h30 – Os capitães Dinis de Almeida e Fausto Almeida Pereira executam vitoriosamente o plano de controlo do Regimento de Artilharia Pesada 3 (RAP 3), na Figueira da Foz, neutralizando os subalternos milicianos em serviço. Almeida Pereira abre o portão da unidade aos oficiais da Escola Central de Sargentos (ECS) de Águeda.
- Forças da EPI iniciam a ocupação dos pontos chave de Mafra, assegurando o domínio da vila e dos respectivos acessos.
02h40 - Forças da Escola Prática de Engenharia (EPE) saem de Tancos para se dirigirem à ponte da Golegã-Chamusca, e aí se juntarem às Companhias de Caçadores 4241/73 e 4246/73 oriundas de Santa Margarida.
02h50 - Uma coluna da EPAM, num total de cerca de cem homens, montados em duas viaturas ligeiras e três pesadas, comandada pelo capitão Teófilo Bento, inicia a curta marcha em direcção ao objectivo.
03h00 - A Rádio Televisão Portuguesa (R.T.P.) - Mónaco na linguagem cifrada dos militares revoltosos - é tomada de assalto pela força da EPAM.
- As 16 viaturas militares, precedidas de um automóvel de exploração civil, que constituíam a força da EPA - composta por uma bateria de artilharia (BTR 8,8) e uma companhia de artilharia motorizada comandadas, respectivamente, pelos capitães Oliveira Patrício e Mira Monteiro - cruzam a porta da unidade e partem de Vendas Novas em direcção a Lisboa.
- Uma bateria de artilharia (BTR 10,5) da EPA, comandada pelo capitão Duarte Mendes, ocupa posições a cavaleiro das estradas de Montemor-o-Novo e Lavre, assegurando a interdição destes eixos viários e garantindo a segurança próxima da unidade.
- Abrem-se os portões do quartel do BC 5 dando saída a duas companhias operacionais.
Maj. C. Moura
Cap. C. Pombinho
- O major Campos Moura e o capitão Correia Pombinho, encarregues de assinalar a saída dos homens do BC 5 e que aguardam na viatura do primeiro, escondida por detrás de sebes fronteiras à Penitenciária, partem de imediato para informar o 10º «Grupo de Comandos» do facto.
- Em Lamego, no Centro de Instrução de Operações Militares (CIOE), o seu comandante, tenente-coronel Sacramento Marques dá ordem de saída a uma companhia de tropas especiais que, após cinco horas de percurso, entrará no Porto.
- Nesta cidade, uma força do CICA 1, comandada pelo tenente-coronel Carlos Azeredo, penetra no Quartel-General da Região Militar do Porto (QG/RMP), transformando-o no posto de comando das forças em operações na Região Norte.
03h07 - Encontro do 10º «grupo de comandos» com a segunda companhia do BC 5, comandada pelo tenente Mascarenhas, na confluência da rua Castilho com a Sampaio Pina. O major Fontão estabelece contacto proferindo a senha Coragem! a que o capitão Mendonça de Carvalho responde com Pela Vitória!
03h12 - Efectuada a junção com êxito, encaminham-se para a entrada do Rádio Clube Português que o porteiro Alcino Leal virá a abrir, dando entrada a oito oficiais, sete dos quais armados com pistolas Walther. Estava conquistado sem incidentes o R.C.P., tendo o capitão Santos Coelho informado, de seguida, o Posto de Comando de que México passara para as mãos do MFA.
03h15 - A coluna do CTSC, comandada pelos capitães Frederico Morais e Oliveira Pimentel, chega à Emissora Nacional (E.N.) e ocupa a estação de rádio oficial. Tóquio viera completar o domínio de três objectivos fundamentais na área da comunicação social.
c. 03h15 - As Companhias de Caçadores (Ccaç) 4241/73 e 4246/73 encontram-se com a EPE. A Ccaç 4241/73 marcha para o centro emissor do R.C.P., em Porto Alto; a Ccaç 4246/73 dirigir-se-á a Vila Franca de Xira para dominar a Ponte Marechal Carmona e a EPE seguirá para Lisboa a fim de ocupar posições de defesa na Casa da Moeda.
03h16 - No posto de comando do MFA é interceptada uma conversa telefónica entre o general Andrade e Silva, ministro do Exército e o Prof. Silva Cunha, ministro da Defesa, trocam impressões sobre a situação geral, revelando que tinham conhecimento de que se preparava um jantar importante de carácter conspirativo, mas que a DGS vigiava os oficiais. O primeiro membro do governo, entre outras considerações, afirma que "A situação está sem alteração e perfeitamente sob controlo...está tudo sossegado e não há qualquer problema em qualquer ponto do País." A chamada é interrompida porque o responsável máximo da DGS se encontrava noutro telefone para falar com o ministro da Defesa.
03h30 - A força da EPC - com 10 viaturas blindadas, 12 viaturas de transporte de tropas, duas ambulâncias e um jipe e precedida por uma viatura civil, com três oficiais milicianos - comandada pelo capitão Salgueiro Maia, cruza a porta da unidade e sai de Santarém em direcção a Lisboa.
- A primeira companhia do BC 5, comandada pelo capitão Bicho Beatriz, toma posições de cerco ao Quartel General da Região Militar de Lisboa (QG/RML). O oficial de serviço, aspirante Silva, informa o chefe do Estado-Maior, coronel Duque, da situação. Inicia-se, a partir de então, de acordo com a cadeia hierárquica, o processo de prevenção dos principais responsáveis das Forças Armadas.
- Carlos Albino e Manuel Tomás retiram-se das instalações da Rádio Renascença.
c. 03h30 - Surge o primeiro alarme oficial das forças governamentais sobre a eclosão do Movimento, na cidade do Porto: o coronel Santos Júnior, comandante da PSP local, informa o Comando da GNR da tomada do QG/RMP pelos revoltosos.
03h31 – Os ministros da Defesa e do Exército retomam o diálogo telefónico, acabando por concluir que o Presidente da República, nesse dia, "pode deslocar-se à vontade, porque, por lá (Tomar), está tudo calmo".
03h40 - A coluna do RI 10 de Aveiro, comandada pelo capitão Pizarro, chega aos portões do RAP 3. O coronel Sílvio Aires de Figueiredo, comandante da última unidade, é detido, nessa altura, pelo capitão Dinis de Almeida. Decorrerá ainda algum tempo até que se constitua o Agrupamento Norte: a coluna do RAP 3 demora a formar, é preciso municiar as tropas chegadas de Aveiro, aguarda-se que cheguem as forças do Centro de Instrução de Condução Auto 2 (CICA 2) da Figueira da Foz e do RI 14 de Viseu.
03h55 - A companhia do RI 14 autotransportada, comandada pelo capitão Silveira Costeira, constituída por 4 viaturas pesadas, 1 ambulância e 1 viatura de exploração civil, sai do quartel passando por Tondela, Santa Comba Dão, Luso, Anadia e Cantanhede.
03h56 - O Posto de Comando toma conhecimento que foi quebrado o factor surpresa. O documento onde são anotadas as escutas telefónicas – intitulado A Fita do Tempo – regista: «Concentração que avança sobre Lisboa. Ele (Min. Ex?) vai já para lá (?)».
03h57 - A ausência de notícias da coluna da EPI, que ainda não conquistara o Aeroporto, conduz ao adiamento da transmissão do primeiro comunicado inicialmente prevista para as 4h00.
04h00 - Um pelotão do BC 5 desloca-se para a residência de António de Spínola, a fim de garantir a sua segurança.
- O programa «A noite é nossa», do R.C.P., deixa de transmitir publicidade, passando a emitir apenas música.
04h15 - O general Eduardo Martins Soares, comandante da RMP, apela aos coronéis Rui Mendonça, comandante do RI 8, e Carneiro de Magalhães, comandante do RI 13, ambos de Braga, para avançarem sobre o Porto e libertarem o QG das mãos dos insurrectos. Nos dois casos, os oficiais das unidades recusam-se a cumprir tais ordens.
04h20 - A coluna da EPI, comandada pelo capitão Rui Rodrigues, assume o controlo do Aeródromo Base nº 1 (Figo Maduro) e do Aeroporto de Lisboa. O capitão Costa Martins emite um comunicado NOTAM, interditando o espaço aéreo português e desviando o tráfego para os aeroportos de Las Palmas e Madrid. Nova Iorque encontra-se sob o controlo do Movimento.
04h22 - Em resposta a um telefonema de Silva Cunha, a mulher do Ministro do Exército informa-o que «O Alberto saiu agora de casa».
04h26 - O Rádio Clube Português transmite o 1º comunicado do Movimento das Forças Armadas, lido por Joaquim Furtado. Seguem-se o Hino Nacional e marchas militares, designadamente uma da autoria de John Philip de Sousa que se viria a transformar no hino do MFA. Os portugueses começam a tomar conhecimento de que algo de muito importante se está a desenrolar no País.
- No Grupo de Artilharia Contra Aeronaves 2 (GACA 2) de Torres Novas os capitães do Quadro Permanente, Pacheco, Dias Costa e Ferreira da Silva, conseguem a adesão dos tenentes milicianos comandantes de companhias mobilizadas para o Ultramar e que aguardam embarque.
04h30 - Rendição do QG/RML. O major Cardoso Fontão comunica ao posto de comando que Canadá fora ocupado sem incidentes.
- Forças do CICA 1 detêm, à saída da sua residência, o chefe do Estado-Maior do Q.G./R.M.N., coronel Ramos de Freitas.
04h45 - O 2º comunicado do MFA é emitido, apelando à desmobilização de eventuais acções contra o Movimento.
- O primeiro grupo do BC 5, comandado pelo major Fontão, penetra no interior do R.C.P.
- O alarme é dado no Quartel-General da Região Militar de Coimbra (QG/RMC). Rapidamente se apercebem de que a maior parte das unidades segue o Movimento.
- O governador da Região Militar de Lisboa reúne-se com o corpo do seu Estado-Maior na residência do respectivo subchefe.
05h00 - Após uma viagem sem problemas, a coluna da EPC passa na portagem da auto-estrada, em Sacavém.
c. 05h00.- No Quartel-General da Região Militar de Évora (QG/RME) é recebida ordem do Ministério do Exército para entrar de prevenção rigorosa.
- Marcelo Caetano recebe um telefonema do director-geral da PIDE/DGS, major Silva Pais, que lhe comunica estar a Revolução na rua, sendo a situação muito grave, pelo que se tornava necessário que o Presidente do Conselho se refugiasse no Quartel do Comando-Geral da GNR no Largo do Carmo.
05h15 - Leitura do 3º comunicado que, entre outros apelos, aconselha a população a permanecer em casa. Grande parte desta, pelo contrário, vai para a rua, passando a manifestar um acolhimento eufórico à iniciativa dos militares, misturando-se com eles, conferindo, assim, ao golpe militar, muitos dos contornos de uma verdadeira revolução.
05h19 - O general Nascimento telefona ao recém nomeado CEMGFA, general Luz Cunha, a informá-lo que "está muita tropa na rua e é preferível seguir para aqui".
c. 5h20 - O general Viotti de Carvalho, vice-chefe do Estado-Maior do Exército (EME) determina ao comandante da EPTm para proceder à escuta das comunicações militares e as relatasse para o Estado-Maior. No entanto, há largas horas que a referida unidade militar desempenhava aquela missão, mas a favor do MFA.
05h27 - O ministro do Exército ordena ao RI 6, do Porto, que liberte o Q.G./R.M.P, determinação que não será cumprida, uma vez que a unidade era afecta ao MFA.
05h30 - No itinerário para o Terreiro do Paço, Salgueiro Maia cruza-se com viaturas da Polícia de Segurança Pública, no Campo Grande e, cerca de 10 minutos depois, com a Polícia de Choque, na Av. Fontes Pereira de Melo, que não se manifestam.
c. 05h30 - O Comando Territorial do Algarve (CTA) ordena a entrada em prevenção rigorosa das suas três unidades.
05h32 – O ministro do Exército determina ao general Carvalhais que se ocupe da protecção dos CTT, Águas e Electricidade.
05h45 - O 4º comunicado sintetiza os anteriores alertando para que a situação não se encontra ainda totalmente controlada.
05h46 - O Ministro do Exército ordena ao comandante do Regimento de Cavalaria 7 (RC 7), coronel António Romeiras Júnior, que, com os carros de combate M47, tome posições em Vale de Cavalos para deter uma coluna da EPC que fora «referenciada no Cartaxo» e que «vem a caminho de Lisboa».
05h50 - Uma força do CICA 1 ocupa o centro emissor de Miramar (Porto) do R.C.P.
c. 05h55 - As forças de Salgueiro Maia instalam-se no Terreiro do Paço, de forma marcadamente intimidatória. Encontram-se cercados os ministérios, a Câmara Municipal, a Marconi, o Banco de Portugal e a 1ª Divisão da P.S.P., estando dirigidas as metralhadoras para as janelas do Ministério do Exército. «Estamos aqui para derrubar o Governo» declara Salgueiro Maia ao jornalista Adelino Gomes.
05h59 - O ministro do Exército telefona ao coronel Romeiras Júnior, e ordena-lhe que "veja se consegue salvar esta coisa, pois estamos todos cercados", recebendo a resposta que as forças daquela unidade iam a caminho e já se encontravam na Av. 24 de Julho.
c. 06h00 - O Quartel-General da Região Militar de Tomar (QG/RMT) ordena às unidades que passem ao estado de prevenção rigorosa. Mas já há algumas horas que forças de Tancos (EPE), de Santa Margarida (Ccaç 4241 e 4246) e de Santarém se movimentam em apoio do MFA.
- A companhia do GACA 2 de Torres Novas, na qual ocorrera uma viragem da situação (de força inimiga passa a apoiante), ocupa o Quartel e resiste a todas as ameaças, apesar de se manter sem contactos com o Posto de Comandos do MFA até às 20h00 do dia 26.
06h05 - O alferes miliciano David e Silva chega ao Terreiro do Paço comandando um pelotão de AML/Chaimites reforçado com Panhards do RC 7, favorável ao Governo, mas adere imediatamente ao Movimento, colocando-se às ordens de Salgueiro Maia. A mesma atitude será tomada por dois pelotões do Regimento de Lanceiros 2 (RL 2) que guardam o Ministério do Exército, à excepção de sete elementos que virão a possibilitar a fuga aos membros do Governo aí refugiados.
06h10 - O ministro do Exército pede ao general da FA Henrique Troni para "mandar dois aviões sobrevoar o Terreiro do Paço".
06h50 - A bateria de obuses do Regimento de Artilharia Pesada 2 de Vila Nova de Gaia toma posição em ambas as entradas da Ponte da Arrábida, no Porto, dando acesso unicamente às «forças amigas» (do MFA).
- Uma força do RL 2, comandada pelo tenente Ravasco, tenta, sem êxito, recuperar o QG/RML.
07h00 - Forças da EPA de Vendas Novas, comandadas pelos capitães Patrício e Mira Monteiro, ocupam a colina do Cristo-Rei, em Almada (com o nome de código Londres).
- Surge no Terreiro do Paço, do lado da Ribeira das Naus, um pelotão de reconhecimento Panhard do RC 7, orientado pelo seu 2º comandante, tenente-coronel Ferrand de Almeida que, perante o dilema de ter de disparar ou de se render, opta por esta última posição, sendo preso.
- Uma coluna do RC 3 de Estremoz, sob o comando do capitão Andrade Moura e Alberto Ferreira, sai do Quartel e dirige-se a Setúbal, a fim de atingir a Ponte Salazar (actual Ponte 25 de Abril). Juntam-se-lhe os capitães Miquelina Simões e Gastão Silva, colocados no Regimento de Lanceiros 1 de Elvas, na sequência do frustrado golpe das Caldas.
- O Agrupamento Norte – envolvendo, nesta altura, forças do RAP 3 e CICA 2 da Figueira da Foz e do RI 10 de Aveiro - sai a porta de armas do Quartel e mete-se à estrada em direcção a Leiria.
07h30 - O RI 14 de Viseu chega à Figueira da Foz e integra as forças do Agrupamento Norte muito antes da sua chegada a Leiria, assumindo o comando o capitão Gertrudes da Silva.
- É lido por Luís Filipe Costa o 5º comunicado do Movimento das Forças Armadas, em que se fornecem elementos acerca dos objectivos do MFA.
- É detido, nas imediações do R.C.P., o tenente-coronel Chorão Vinhas, comandante interino do BC 5.
- Uma segunda coluna da EPC, constituída por cinco carros de combate (2 M47 e 3 M24) e dois pelotões de atiradores (cerca de 60 homens), comandada pelo capitão Correia Bernardo, atinge o perímetro de Santarém, pronta para avançar para Lisboa em apoio da coluna de Salgueiro Maia. A evolução favorável dos acontecimentos acabou por tornar desnecessária tal medida.
07h40 - A Companhia de Caçadores (Ccaç 4241/73) ocupa o centro emissor do R.C.P., em Porto Alto.
07h50 - Os capitães Glória Alves e Ferreira Lopes, à frente de um pelotão do Centro de Instrução de Condução Auto 5 (CICA 5) de Lagos, ocupam o centro retransmissor de Fóia.
08h00 - Verifica-se o corte de energia ao centro emissor do R.C.P., em Porto Alto, que passa a funcionar com o gerador de emergência.
- A Companhia do CIOE, comandada pelo capitão Delgado da Fonseca, chega à cidade do Porto, dirigindo-se ao CICA 1.
08h15 - Uma força da GNR saída do Quartel do Cabeço de Bola, constituída por 12 "Land Rover", toma posição no Campo das Cebolas. Após um breve diálogo com Salgueiro Maia e face à disparidade de meios, o comandante é convencido a abandonar o local.
08h22 – O CEMGFA, general Luz Cunha, informa o chefe do Estado-Maior do Exército (CEME), general Paiva Brandão, que "pretende utilizar meios da Escola Prática do Serviço de Material (EPSM) para tomar posições e libertar o AB 1. Irem pela auto-estrada e tomarem estrada secundária. Terem cuidado com o Cmdt. dessa força porque a entrega do Ferrand o deixou muito em baixo".
08h30 - É lido, pela primeira vez na Emissora Nacional, um comunicado do MFA.
08h50 - Uma coluna de nove viaturas militares da EPE de Tancos estaciona no centro emissor do R.C.P., a fim de reforçar a sua defesa. Mais tarde segue para Lisboa onde ocupa a Casa da Moeda, seu objectivo inicial.
09h00 - A fragata Almirante Gago Coutinho, comandada pelo capitão-de-fragata Seixas Louçã, toma posição no Tejo, em frente ao Terreiro do Paço, intimidando directamente as forças de Salgueiro Maia. Perante esta situação, a artilharia do Movimento, já estacionada no Cristo-Rei, recebe ordens do Posto de Comando para afundar a fragata no caso desta abrir fogo. O vaso de guerra terá recebido ordem do vice-chefe do Estado-Maior da Armada, almirante Jaime Lopes, "para se preparar para abrir fogo". A ordem de disparar nunca chegou.
- O major Cardoso Fontão detém, nas imediações do Q.G./R.M.L., o brigadeiro Serrano que, no 16 de Março, comandara o cerco ao RI 15.
- Chega à residência de Spínola o médico Carlos Vieira da Rocha, amigo do general e proprietário do automóvel Peugeot que os haveria de transportar, no final da tarde, ao Quartel do Carmo.
09h15 - Uma força da EPC, com uma AML e uma ETT/Panhard, comandadas pelo alferes Sequeira Marcelino e pelo aspirante Pedro Ricciardi, vai reforçar a protecção do QG/RML, em São Sebastião da Pedreira.
09h35 - Chega ao Terreiro do Paço uma força comandada pelo brigadeiro Junqueira dos Reis, 2º comandante da RML, constituída por 4 CC/M47, uma companhia de atiradores do Regimento de Infantaria 1 e alguns pelotões da Polícia Militar. Dois dos carros de combate, comandados pelo major Pato Anselmo, tomam posições na Ribeira das Naus, enquanto os outros dois, sob o comando do coronel Romeiras Júnior, penetram na Rua do Arsenal.
09h40 - Protegidos pelos blindados do RC 7, os ministros da Defesa, Silva Cunha, do Interior, César Moreira Baptista, do Exército, Andrade e Silva, da Marinha, Pereira Crespo, o chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, Joaquim Luz Cunha, o governador militar de Lisboa, Edmundo Luz Cunha, o subsecretário de estado do Exército, coronel Viana de Lemos e o almirante Henrique Tenreiro, fogem pelas traseiras do Ministério do Exército, abrindo um buraco na parede que comunica com a biblioteca do Ministério da Marinha. No parque de estacionamento interior tomam lugar numa carrinha que os transporta ao Regimento de Lanceiros 2, onde instalam o Posto de Comando das tropas leais ao Governo.
10h00 - Na Rua do Arsenal, o tenente Alfredo Assunção, da EPC, empreende uma tentativa de negociação com o coronel Romeiras Júnior e o brigadeiro Junqueira dos Reis.
- Este oficial-general agride com três murros o emissário dos revoltosos que responde com continência e uma rígida posição de sentido. O brigadeiro manda, em seguida, abrir fogo sobre ele, não sendo obedecido, por intervenção directa do coronel Romeiras. Assunção regressa, então, para junto das suas tropas.
10h10 - Chega ao Terreiro do Paço o tenente-coronel Correia de Campos, enviado do Posto de Comando da Pontinha, com a missão de coordenar as operações.
10h15 - Um grupo de comandos, que integra Correia de Campos e Jaime Neves, passa revista ao Ministério do Exército, confirmando a fuga dos ministros que tinha por missão prender, procedendo à detenção de diversos oficiais superiores, designadamente o coronel Álvaro Fontoura, chefe de gabinete do ministro do Exército que seriam, pouco depois, transferidos para o RE 1.
10h30 - Depois de algumas tentativas infrutíferas para a rendição do major Pato Anselmo, na Ribeira das Naus, esse intento é alcançado por um civil, o ex-alferes miliciano Fernando Brito e Cunha, que actua às ordens de Correia de Campos. Os dois carros de combate e as tropas que os seguiam passam-se para o lado dos revoltosos, ficando sob o comando de Salgueiro Maia.
- O Agrupamento Norte, comandado pelo capitão Gertrudes da Silva, atinge Peniche, com o objectivo de ocupar essa odiosa prisão política do Regime. Face à resistência da PIDE/DGS, a companhia do CICA 2 e duas secções de obuses do RAP 3 montam cerco àquele objectivo, seguindo o grosso da coluna para Lisboa.
10h45 – Face à perda de metade da sua coluna, o 2º comandante da RML transfere o CC/M47 do alferes miliciano Fernando Sottomayor (RC 7) para a Ribeira das Naus. Seguidamente, o brigadeiro Junqueira dos Reis ordena-lhe que abra fogo sobre Salgueiro Maia, quando este se encontra entre a esquina do Ministério do Exército e o muro para o rio Tejo, numa tentativa para obter a rendição do remanescente das forças fiéis ao governo. O oficial miliciano recusa-se a obedecer, sendo detido e transferido para o RL2.
10h50 - Junqueira dos Reis ordena, sem sucesso, aos soldados que abram fogo. Perante a desobediência generalizada, o oficial-general dá dois tiros para o ar e dirige-se para a Rua do Arsenal, onde se encontra o carro de combate do comandante do RC 7.
11h00 - Incapaz de se fazer obedecer, o 2º governador militar de Lisboa conserva as forças que lhe restavam nas posições que ocupavam, não tomando, naquela altura, mais nenhuma iniciativa.
- O governo consegue cortar a emissão em FM do R.C.P., desligando o comutador de Monsanto.
- É detido, por forças do BC 5, nas instalações do Quartel Mestre General, o seu responsável, general Louro de Sousa.
11h30 - As unidades estacionadas no Terreiro do Paço dividem-se, avançando:
- a Escola Prática de Cavalaria para o Quartel do Carmo, sendo, ao longo de todo o percurso, aclamada entusiasticamente pela população.
- forças dos Regimentos de Cavalaria 7, Lanceiros 2 e Infantaria 1 - que contavam com 16 blindados - comandadas por Jaime Neves e pelos tenentes de Cavalaria Cadete e Baluda Cid, para o Quartel-General da Legião Portuguesa (Marrocos).
11h45 - Difundido novo comunicado do MFA ao País, informando que, de Norte a Sul, a situação se encontra dominada e que "...em breve chegará a hora da libertação."
12h00 - A fragata Almirante Gago Coutinho retira para o Mar da Palha.
- No Rossio, uma companhia do Regimento de Infantaria 1 , da Amadora, comandada pelo capitão Fernandes, tenta barrar o caminho para o Quartel do Carmo, à coluna da EPC. Após curto diálogo com o comandante das tropas, estas passam para o lado de Salgueiro Maia.
12h30 - É montado o cerco ao Quartel da GNR, no Carmo, pela coluna da EPC.
12h45 - Forças hostis da GNR ocupam posições na retaguarda do dispositivo de Salgueiro Maia.
13h00 - Um comunicado do MFA tranquiliza as famílias dos militares envolvidos no movimento revoltoso.
- Face ao cerco do Quartel do Carmo, o brigadeiro Junqueira dos Reis dirige-se, com os dois CC/M47 e os lanceiros e atiradores que lhe restavam, para o Largo de Camões, na esperança de, conjuntamente com forças da GNR, tentar libertar o Presidente do Conselho. Tais intenções rapidamente se verificam inexequíveis. A companhia do RI 1 passa-se para as fileiras do MFA e uma parte da guarnição de um M/47 abandona-o, confinando o brigadeiro a uma posição de crescente fraqueza face ao aumento do poderio dos revoltosos.
13h15 - A coluna do RC 3 de Estremoz atinge o seu objectivo, a Ponte Salazar.
13h30 - Um helicanhão sobrevoa o Largo do Carmo, causando grande ansiedade entre militares e civis.
13h40 - O comandante e o Estado-Maior da Legião Portuguesa apresentam a sua rendição.
14h00 - Corte de energia ao emissor de Miramar (Porto) do R.C.P.
14h30 - É lido por Clarisse Guerra, aos microfones do Rádio Clube Português, um comunicado do MFA, no qual se dá conta dos objectivos e posições controlados e do ultimato para a rendição de Marcelo Caetano.
c. 15h10 - Salgueiro Maia solicita, com megafone, a rendição do Carmo em 10 minutos. Momentos antes recebera do Posto de Comando do MFA uma mensagem escrita pelo major Otelo Saraiva de Carvalho na qual ordena que apresente um aviso-ultimato para a rendição.
15h15 - São libertados da Trafaria os onze militares que aí se encontravam detidos em consequência do falhado golpe das Caldas.
15h30 - Não sendo atendido após 15 minutos, Salgueiro Maia ordena ao tenente Santos Silva para fazer uma rajada da torre da Chaimite sobre as janelas mais altas do Quartel, repetindo o apelo de rendição logo a seguir.
15h45 - Do Quartel do Carmo sai o major Hugo Velasco, membro do MFA, para falar com o capitão Salgueiro Maia.
16h00 - O coronel Abrantes da Silva, a pedido de Salgueiro Maia, entra no Quartel para dialogar com os sitiados.
- Forças do CIOE dirigem-se aos estúdios da R.T.P. (Monte da Virgem) e do R.C.P. (Tenente Valadim), no Porto, para proceder à sua ocupação.
16h15 - O capitão Salgueiro Maia dá ordens ao alferes miliciano Carlos Beato para instalar os seus homens no cimo das varandas do edifício da Companhia de Seguros Império e fazer fogo sobre a frontaria do Carmo, agora com armas automáticas G-3.
16h25 - O comandante da força da EPC, na ausência de resposta por parte dos sitiados no Quartel do Carmo, ordena a colocação de um blindado em posição de tiro e chega a dar "voz" de "um, dois"..., sendo interrompido pelo tenente Alfredo Assunção que conduz dois civis até ele. Trata-se de Pedro Feytor Pinto, director dos Serviços de Informação da Secretaria de Estado da Informação e Turismo, e Nuno Távora, que se dizem portadores de uma mensagem do general Spínola para Marcelo Caetano.
16h30 - Salgueiro Maia autoriza a entrada no Quartel dos dois mensageiros.
c. 16h30 - Spínola comunica ao Posto de Comando do MFA ter recebido um pedido de Marcelo Caetano para ser ele a aceitar a rendição do chefe do governo. Otelo, após recolher a opinião dos presentes, concede-lhe esse mandato.
16h45 - Os dois mensageiros saem do Quartel do Carmo e deslocam-se num jipe, acompanhados por Alfredo Assunção, para casa de Spínola que, entretanto, se dirige já para o Carmo.
17h00 - Salgueiro Maia desloca-se ao interior do Quartel e fala com Marcelo Caetano que, após ter colocado algumas perguntas, lhe solicita que um oficial-general vá efectuar a transmissão de poderes (Spínola, com quem, aliás, falara já ao telefone) para que o poder não caia na rua.
17h00 - Salgueiro Maia pede a Francisco Sousa Tavares e a Pedro Coelho, oposicionistas ligados à CEUD e ao PS, para ajudarem a afastar a população. Sousa Tavares sobe para uma guarita da GNR e, usando o megafone, apela à calma.
17h45 - Chegada ao Largo do Carmo do general António de Spínola, acompanhado pelo tenente-coronel Dias de Lima, major Carlos Alexandre Morais, capitão António Ramos e dr. Carlos Vieira da Rocha. Após longos minutos envolvido pela multidão, o Peugeot que transportava Spínola consegue, finalmente, chegar junto da porta de armas do quartel.
18h00 - António de Spínola, acompanhado por Salgueiro Maia (que o informa sobre o modo como os membros do Governo serão retirados das instalações), entra no Quartel do Carmo para dialogar com Marcelo Caetano.
18h15 - Spínola encontra-se com Marcelo e informa-o dos procedimentos que serão adoptados para a sua saída do local e posterior evacuação para a Madeira. Enquanto isso, Salgueiro Maia pede à população que abandone o Largo do Carmo, a fim de se proceder à retirada do Presidente do Conselho e dos ministros. O apelo é ignorado.
18h20 - Um comunicado do MFA informa o País da entrega de Marcelo Caetano e de membros do seu ex-governo, refugiados no Carmo.
18h25 - Às ordens de Salgueiro Maia, soldados formam um cordão em frente da porta de armas do Quartel, por forma a ser possível retirar Marcelo Caetano em segurança.
18h30 - O Agrupamento Norte chega a Lisboa.
- Numa manobra difícil, a autometralhadora Chaimite penetra, de marcha atrás, no Quartel do Carmo.
19h00 - Marcelo Caetano, Rui Patrício e Moreira Baptista abandonam o Quartel do Carmo, sendo conduzidos na autometralhadora Chaimite "Bula", em direcção ao Quartel da Pontinha.
- A Baixa de Lisboa é invadida por enorme multidão que vitoria as Forças Armadas e a Liberdade.
19h50 - Comunicado do MFA anunciando formalmente a queda do Governo.
20h05 - É lida, através dos emissores do RCP, a Proclamação do Movimento das Forças Armadas.
c. 20h30 - Na Rua António Maria Cardoso, onde se situa a sede da PIDE/DGS, agentes desta polícia política abrem fogo sobre a multidão que se aglomera na referida artéria, causando 4 mortos e dezenas de feridos.
21h00 - A Chaimite "Bula" e a coluna da EPC atingem o Quartel da Pontinha.
c. 21h00 - Forças do RAP 3 e da EPI deslocam-se ao Comando da 1ª Região Aérea, em Monsanto, para proceder à detenção dos ministros da Defesa, do Exército e da Marinha, e de outras altas patentes militares que ali se haviam refugiado desde a tarde, conduzindo-os ao RE 1.
22h00 - Forças de pára-quedistas chegam à prisão de Caxias, onde a PIDE/DGS continua a resistir.
23h30 - Chegada da EPC ao RC 7 e RL 2 que ocupa, perante a rendição, sem resistência, dos seus comandantes.
Publicado por Nuno Peralta às 03:25 AM | Comentários (1)
[0852/2004] Cronologia do 25 de Abril #3
O dia 24 de Abril de 1974
03h00 - O agente de ligação entrega ao major Albuquerque, do Centro de Instrução e Condução Auto 1 (CICA 1), as ordens de operações referentes às unidades da Zona Norte.
Madrugada – Recepção, no Regimento de Infantaria 14 (RI 14), em Viseu, da ordem de operações. O capitão Ferreira do Amaral transmite as instruções a Lamego e o capitão Aprígio Ramalho à Guarda.
08h00 - O capitão Castro Carneiro e o alferes Pêgo, do CICA 1, iniciam a viagem destinada a entregar as ordens de operações às unidades de Lamego (capitão Delgado da Fonseca), Vila Real (capitão Mascarenhas) e Bragança (Capitão Freixo).
08h30 - Os oficiais da EPC, ligados ao MFA, iniciam nas paradas, no maior sigilo, os contactos com os cerca de cinquenta graduados (oficiais subalternos do Quadro Permanente, alferes, aspirantes, furriéis e cabos milicianos), individualmente, comunicando-lhes que, se a senha e contra-senha forem para o ar, a operação decorrerá nessa madrugada.
c. 09h30 - O capitão Santa Clara Gomes, oficial de ligação, entrega ao major Cardoso Fontão a ordem de missão referente ao Batalhão de Caçadores 5 (BC 5).
10h00 - Álvaro Guerra comunica a Carlos Albino a escolha definitiva de Grândola Vila Morena como senha nacional, garantindo este a sua transmissão.
c. 10h00 - Otelo envia, da estação dos CTT da rua D. Estefânia, o telegrama cifrado a Melo Antunes, contendo o GDH.
11h00 - Carlos Albino adquire na então livraria Opinião o disco «Cantigas de Maio», para garantia, já que, desde Dezembro de 73 havia indícios de que a PIDE se preparava para um assalto aos escritórios do Limite, na Praça de Alvalade.
- O capitão Costa Martins contacta João Paulo Dinis e informa-o que o sinal foi antecipado em uma hora.
14h00 - O jornal República insere uma curta notícia, intitulada «LIMITE», com o seguinte teor: "O programa «Limite» que se transmite em Rádio Renascença diariamente entre a meia-noite e as 2 horas, melhorou notoriamente nas últimas semanas. A qualidade dos apontamentos transmitidos e o rigor da selecção musical, fazem de «Limite» um tempo radiofónico de audição obrigatória.»
14h?? - O major Neves Rosa comunica a Otelo que o último elemento de ligação tinha cumprido a missão.
15h00 - Encontro decisivo de Carlos Albino com Manuel Tomás (técnico da Rádio Renascença e um dos responsáveis pelo programa Limite que regressara de Moçambique com fama de democrata) para a execução da senha e garantia da sua transmissão. Refira-se que, sendo o Limite um programa independente, era obrigado a passar por duas censuras: a da Rádio Renascença e a oficial, esta última corporizada num coronel que acompanhava as emissões em directo e visava previamente os textos. Para maior segurança, retiram-se dos estúdios para um local seguro.
15h30 - Na Igreja de S. João de Brito, simulando rezar, combinam todos os pormenores técnicos da senha.
17h00 - Os tenentes Baluda Cid, Ramos Cadete e Silva Aparício saem da EPC e dirigem-se a Lisboa, com a missão de "controlar", "aliciar" alguns oficiais e tentar "inoperacionalizar" algumas viaturas blindadas do RC 7.
- Manuel Tomás convoca Leite de Vasconcelos (um outro responsável pelo referido programa, companheiro de Manuel Tomás em Moçambique), em dia de folga na locução do Limite, para «gravar poemas». Carlos Albino escreve textos para serem visados pelo censor.
17h30 - Os graduados milicianos da EPC ultimam os preparativos para a operação, designadamente quanto a material e equipamentos.
19h00 - Os censores na Rádio Renascença autorizam os textos e o seguinte alinhamento do bloco com a duração de 11 minutos: quadra, canção Grândola, quadra, poemas Geografia e Revolução Solar, da autoria de Carlos Albino, e a canção Coro da Primavera.
20h00 - Na Rádio Renascença, Leite de Vasconcelos procede à gravação dos textos que lhe são apresentados, desconhecendo o seu objectivo.
21h00 - Otelo entrega ao capitão António Ramos, no Jornal do Comércio, o conjunto de documentos finais e um saco com granadas. Pede-lhe para permanecer toda a noite junto de Spínola, juntamente com outros oficiais de confiança, assegurando-lhe que uma força militar iria garantir a segurança próxima da residência do general, sita na rua Rafael Andrade, ao Paço da Rainha.
- Os oficiais da Força Aérea (tenente-coronel Sacramento Gomes, majores Costa Neves e Campos Moura e capitães Correia Pombinho, Mendonça de Carvalho, Santos Silva e Santos Ferreira) que constituem o «10º Grupo de Comandos» reúnem-se em frente ao Grill do Hotel Ritz e iniciam a vigilância ao Rádio Clube Português
21h30 - Fecho da porta de armas da EPC. Os militares contactados, que haviam saído da unidade, fazem a sua entrada, trajando à civil, para não alertar os elementos da PIDE/DGS que rondam o quartel.
21h50 - O tenente miliciano Sousa e Silva, oficial da dia na EPC, é substituído nesta função, para poder tomar parte na operação.
c. 21h45 - O capitão Santos Coelho, do RE 1, junta-se aos seus camaradas do «10º grupo de comandos» e distribui-lhes armas e munições. Procede, em seguida, à leitura da ordem de operações e à recapitulação das missões.
22h00 - Otelo regressa ao RE 1, onde se farda. Recebe do major Sanches Osório os primeiros quatro comunicados, entregues por Vítor Alves, bem como a notícia de que o Regimento de Infantaria 1 (Amadora) não adere, deixando, assim, de garantir o cerco à prisão de Caxias e a protecção de Spínola. Entrega os comunicados ao seu adjunto para que este os faça chegar ao grupo de comandos que tomará o R.C.P.
- O capitão Salgueiro Maia, que vai comandar a coluna militar da EPC, na "Operação Fim Regime", dá início a uma breve reunião, no piso dos quartos dos oficiais, para dar a conhecer a Ordem de Operações, distribuir missões e definir detalhes para o desencadear da operação.
22h30 - No Posto de Comando encontra-se reunido o Estado Maior do Movimento das Forças Armadas, dirigido pelo major Otelo Saraiva de Carvalho e constituído pelos tenentes-coronéis Garcia dos Santos e Nuno Fisher Lopes Pires, major Sanches Osório, capitão Luís Macedo, adjunto operacional, e comandante Vítor Crespo, que assegura a ligação com a Marinha, garantida pela presença permanente do comandante Almada Contreiras no Centro de Comunicações da Armada (CCA). Contam, também, com a colaboração de quatro oficiais do RE 1 (Frazão, Máximo, Reis e Cepeda).
c. 22h48 - Uma falha técnica suspende, durante alguns minutos, a transmissão dos Emissores Associados de Lisboa, facto que causa natural apreensão nas largas dezenas de militares que aguardam ansiosamente o primeiro sinal para entrar em acção.
c. 22h51 - Restabelecimento da emissão dos E.A.L..
22h55 - 1ª senha: a voz de João Paulo Dinis anuncia aos microfones dos Emissores Associados de Lisboa Faltam cinco minutos para as vinte e três horas. Convosco, Paulo de Carvalho com o Eurofestival 74 «E Depois do Adeus». Era o primeiro sinal para o início das operações militares a desencadear pelo Movimento das Forças Armadas.
23h00 - Na Escola Prática de Artilharia (EPA), em Vendas Novas, os capitães Mira Monteiro e Oliveira Patrício e os tenentes Marques Nave, Cabaças Ruaz, Sales Grade, Andrade da Silva e António Pedro procedem à detenção dos comandante e 2º comandante da unidade, respectivamente coronel Mário Belo de Carvalho e tenente-coronel João Manuel Pereira do Nascimento, ocupam as centrais rádio e telefónica e assumem o controlo do quartel.
- Recolhem à Escola Prática de Infantaria (EPI) as forças que se encontravam em exercícios de campo.
- O «10º grupo de comandos» divide-se em equipas, distribuídas por 4 automóveis, para constituir patrulhas destinadas, além de manter a vigilância ao R.C.P., a observar as principais instalações das Forças de Segurança (GNR, PSP, LP e DGS), e dos quartéis da Calçada da Ajuda (RC 7 e RL 2):
- No BC 5 o major Cardoso Fontão comunica aos oficiais presentes o que está a acontecer e os objectivos do MFA. A adesão é total.
- O capitão António Ramos abandona as instalações do Jornal do Comércio e dirige-se para a residência do general Spínola, aonde acorreram, durante a madrugada, o tenente-coronel Dias de Lima e o major Carlos Alexandre de Morais.
23h25 - O capitão Garcia Correia chega à porta de armas da EPC, acompanhado do 2º comandante, tenente-coronel Henrique Sanches, que nessa noite havia convidado para jantar em sua casa, na expectativa de o aliciar para o movimento, o que se revelara infrutífero. Este, verificando que o oficial de dia fora substituído, ordena-lhe que retire imediatamente o braçal, no que não é obedecido.
23h30 - Henrique Sanches convoca para o seu gabinete o major Costa Ferreira, os capitães Garcia Correia e Correia Bernardo, o tenente Ribeiro Sardinha e o oficial de dia substituto, capitão Pedro Aguiar. O seu objectivo é demovê-los da acção revolucionária. No entanto, é informado da sua determinação em prosseguir a acção, bem como de todos os oficiais presentes nessa noite na EPC.
Publicado por Nuno Peralta às 03:06 AM | Comentários (0)
[0851/2004] Cronologia do 25 de Abril #2
22 e 23 de Abril de 1974, já "cheira" a Revolução...
DIA 22
00h01 - A partir do início deste dia, todos os delegados do Movimento nas unidades entram em estado de alerta, preparados para receber o contacto do agente de ligação, portador das instruções finais.
- A Escola Prática de Transmissões (EPTm), localizada em Sapadores, recebe autorização do Estado-Maior do Exército (EME), por proposta do tenente-coronel Garcia dos Santos, para o estabelecimento de uma linha directa com o RE 1, da Pontinha, numa extensão de 4 quilómetros. Inicia-se, sem demora, a sua instalação, efectuada por uma equipa comandada pelo furriel Cedoura, que ficará concluída em menos de 24 horas. Tal iniciativa viria a permitir ao Posto de Comando do MFA o acesso permanente às escutas das redes de transmissões militares e das forças de segurança, missão de apoio técnico cometida à primeira unidade militar, em que se destacaram os capitães Fialho da Rosa, Veríssimo da Cruz e Madeira.
c. 11H00 - O capitão FA Costa Martins contacta João Paulo Dinis, no Rádio Clube Português (R.C.P.), por incumbência de Otelo, que o tivera como subordinado no Comando Chefe na Guiné, com o objectivo de emitir um sinal radiofónico para desencadear o movimento. O radialista, que desconhecia o emissário, desconfia da sua identidade, mas aceita, depois de muito instado, aprazar um encontro entre os três, nessa noite, num bar lisboeta.
Noite - Reunião de Otelo, na Reboleira, com os grupos de comandos coordenados pelo major Jaime Neves
DIA 23
00h15 - Otelo Saraiva de Carvalho e Costa Martins, protegidos pelo major FA Costa Neves, avistam-se, no Apolo 70, com João Paulo Diniz. Este esclarece que apenas colabora no programa matutino Carrocel do R.C.P., razão pela qual não poderá emitir a senha pretendida. Obtêm, contudo, a garantia de transmissão do seguinte sinal, entretanto combinado, "Faltam cinco minutos para a meia-noite. Vai cantar Paulo de Carvalho «E depois do adeus»", através dos Emissores Associados de Lisboa (E.A.L), que apenas dispõem de um raio de alcance de cerca de 100 a 150 quilómetros de Lisboa. A limitada potência do emissor torna, assim, necessária a emissão de um segundo sinal, através de uma estação que alcance todo o País.
- Deslocam-se, seguidamente, para junto da Penitenciária de Lisboa, onde aguardam que o ex-locutor do Programa das Forças Armadas em Bissau obtenha informação no Rádio Clube Português sobre a constituição da equipa que entrará de serviço na madrugada de 25. Este apura que o serviço de noticiário estará a cargo de Joaquim Furtado mas, conhecendo-o mal, não arrisca estabelecer contacto.
Manhã - Otelo carrega, no porta-bagagem do seu automóvel, estacionado na Academia Militar, os aparelhos rádio Racal, obtidos por Garcia dos Santos, que se destinam às unidades que não dispõem de material de transmissões, designadamente o Centro de Instrução Anti-Aérea e de Costa (CIAAC) e o Regimento de Cavalaria 3 (RC 3).
Final da manhã - Álvaro Guerra, contactado por Almada Contreiras em nome do Movimento para conseguir a emissão de um sinal radiofónico de âmbito nacional que sirva de código para o desencadeamento das operações, solicita a Carlos Albino, seu colega no República e um dos responsáveis pelo Limite - um programa independente que aluga tempo de antena à Rádio Renascença - a transmissão, no início da madrugada de 25 de Abril, da canção Venham mais cinco, de José Afonso. Carlos Albino pede a Álvaro Guerra para devolver a resposta de que tal canção estava proibida pela censura interna da Renascença. Sugere alternativas, entre as quais Grândola, Vila Morena.
15h00 - Otelo entrega ao major Neves Rosa os documentos finais para policopiar (anexo de transmissões, alterações de missão, indicação do grupo data-hora (GDH) de execução, modo de confirmação da Hora H e a senha e contra-senha a utilizar nos contactos com tropas). Esta missão é efectuada num período inferior a três horas, numa firma de artigos electrónicos na Rua Luciano Cordeiro, 78, pertencente ao referido oficial que coordena o sector da ligação operacional, coadjuvado pelo capitão Sousa e Castro.
Tarde - Encontro de Otelo com o tenente-coronel de cavalaria Correia de Campos, num bar na zona do Rego (Lisboa), onde o último aceita participar no Movimento e assumir o comando do Regimento de Cavalaria 7, coadjuvado pelos tenentes Cid, Cadete e Aparício, logo que concretizada a detenção dos oficiais superiores daquele regimento que deveria ser efectuada por grupos de comandos coordenados pelo major Jaime Neves.
18h00 - Otelo inicia, na Avenida Sidónio Pais, junto ao Parque Eduardo VII, a entrega dos sobrescritos lacrados contendo as instruções finais, bem como de um exemplar do jornal Época - porta-voz do regime, código escolhido para identificar as equipas de ligação (dois oficiais por unidade, circulando cada um na sua viatura e seguindo preferencialmente itinerários diferentes, de modo a prevenir diversas eventualidades) - e, ainda, em alguns casos, material de transmissões.
20h00 - Na residência do comandante Vítor Crespo, no Restelo, realiza-se uma reunião final de Otelo e Vítor Alves com representantes da Armada, nomeadamente os comandantes Geraldes Freire e Abrantes Serra, onde foi obtida a garantia da neutralidade das forças da Marinha.
- O capitão Santa Clara Gomes, oficial de ligação, procede à entrega, na residência do capitão Teófilo Bento, da ordem de missão referente à Escola Prática de Administração Militar (EPAM).
2?h00 - Otelo decide pernoitar, por razões de segurança, no RE 1.
23h00 - Chegada a Santarém dos capitães Candeias Valente e Torres, oficiais do Movimento, portadores da ordem de operações para a Escola Prática de Cavalaria. Comunicam telefonicamente com o tenente Ribeiro Sardinha informando que já se encontram na cidade, na Pastelaria Bijou. Este contacta Salgueiro Maia.
23h30 - O capitão Salgueiro Maia desloca-se à Pastelaria Bijou, no Largo do Seminário, em Santarém, para se encontrar com os agentes de ligação.
23h55 - Na viatura de Salgueiro Maia, estacionada junto ao Jardim da República, é-lhe entregue a ordem de operações e acertados os últimos detalhes. Uma viatura da PIDE/DGS ronda a zona e segue o capitão à distância.
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[0850/2004] Cronologia do 25 de Abril #1
De 1973 até 21 de Abril de 1974
1973
JANEIRO
DIA 1 - Aproveitando a circunstância de se comemorar o Dia Mundial da Paz, um grupo de cristãos inicia uma acção de cariz anticolonial, de forte impacte: ocupa a Capela do Rato, em Lisboa, e inicia uma greve de fome, organizando, ao mesmo tempo, uma assembleia aberta a cristãos e não cristãos, para discussão do problema da guerra colonial, assunto totalmente proibido pelo Regime.
DIA 2 - Uma força da Polícia de Choque, comandada pelo capitão Maltês Soares, irrompe, pelas 19h00, na Capela e prende 70 pessoas.
ABRIL
DIAS 4 A 8 - Realiza-se em Aveiro o III Congresso da Oposição Democrática. A sua realização foi cercada de intensas medidas repressivas, entre elas o ataque da Polícia de Choque aos congressistas quando se deslocavam em manifestação silenciosa ao cemitério local, em romagem ao túmulo de Mário Sacramento.
JUNHO
DIAS 1 A 3 - Desenrola-se no Porto o chamado I Congresso dos Combatentes do Ultramar, através do qual o Governo pretende demonstrar, interna e externamente, a "adesão entusiástica" dos militares à política ultramarina. A sua forma de organização antidemocrática desencadeia um amplo repúdio no seio das Forças Armadas: em Portugal Continental Ramalho Eanes, Hugo dos Santos, Vasco Lourenço e outros encabeçam um vasto movimento de protesto e, com o mesmo objectivo, são recolhidas quatrocentas assinaturas de oficiais do Quadro Permanente em serviço no teatro de operações da Guiné e enviado um telegrama ao congresso assinado por Marcelino da Mata e Rebordão de Brito.
JULHO
DIA 13 - É publicado, no Diário do Governo, o Decreto-Lei n.º 353/73 (e posteriormente o 409/73, com pequenas alterações), o qual criava um conjunto de condições que facilitava o ingresso dos oficiais milicianos no Quadro Permanente, medida que vem incrementar a contestação já latente nos oficiais desse Quadro, tornando-se o verdadeiro rastilho para a criação do futuro Movimento dos Capitães.
AGOSTO
DIA 18 - Reunião de duas dezenas de capitães na sala de jogos do Clube Militar, em Bissau. Analisa-se a legislação considerada afrontosa, ética e materialmente, para a maioria dos capitães do QP. Discute-se a atitude a tomar e escolhe-se uma comissão para elaborar um projecto de carta a enviar às mais altas entidades das Forças Armadas e do Exército e ainda ao Ministro da Educação.
DIA 25 - Leitura e discussão final do documento que recolheu 51 assinaturas. Foi constituída uma Comissão, integrada pelo major Almeida Coimbra e capitães Matos Gomes, Duran Clemente e António Caetano.
SETEMBRO
DIA 9 - Tendo por local de encontro o Templo de Diana, em Évora, 136 oficiais dirigem-se ao monte do Sobral, em Alcáçovas, a uma herdade de um familiar do capitão Diniz de Almeida, onde nasce formalmente o «Movimento dos Capitães». Exige-se a revogação do Decreto 353/73. Um abaixo-assinado será entregue na Presidência da República e na Presidência do Conselho de Ministros, pelos capitães Lobato Faria e Clementino Pais.
- neste mês, 94 capitães e subalternos, em comissão em Angola, assinam colectivamente um protesto e enviam-no a Marcelo Caetano. Em Moçambique elabora-se um documento idêntico que recolhe 106 assinaturas, entre oficiais superiores, capitães e subalternos.
DIA 13 - Otelo Saraiva de Carvalho, em fim de comissão, reúne pela última vez numa sala do Grupo de Artilharia de Campanha de Bissau, recebendo a incumbência de, em Lisboa, se integrar no Movimento, sendo porta-voz das preocupações dos seus camaradas.
DIA 24 - O PAIGC proclama, em Mandinga do Boé, a independência do território da Guiné-Bissau.
OUTUBRO
DIA 6 - Realiza-se uma grande reunião quadripartida, devido à impossibilidade de conseguir uma sala que albergue delegados de quase todas as unidades do País. Em discussão a atitude a tomar pelo Movimento caso o Governo não retroceda na aplicação dos decretos. Foi decidido, nesse caso, a apresentação de requerimentos individuais de demissão.
DIA 28 - Eleições para a Assembleia Nacional com a desistência da Oposição Democrática (CDE) que classifica o acto de fraude eleitoral.
NOVEMBRO
Dia 7 - Remodelação ministerial que afasta o Ministro da Defesa, general Sá Viana Rebelo e o secretário de Estado do Exército, Alberty Correia. Em sua substituição são nomeados para as pastas da Defesa Nacional e do Exército, respectivamente, o Prof. Joaquim da Silva Cunha, até então Ministro do Ultramar, e o general na reserva Alberto Andrade e Silva, sendo o coronel de artilharia Carlos Viana de Lemos designado subsecretário de Estado do Exército.
DIA 24 - As Comissões Coordenadora e Consultiva provisórias do Movimento dos Capitães reúnem num casarão nas traseiras da Colónia Balnear Infantil de O Século, em S. Pedro do Estoril. É necessário fazer um ponto de situação e eleger uma Comissão Coordenadora definitiva que seja verdadeiramente representativa do Movimento. A «guerra do decreto» devia ser ultrapassada pela acção e passar-se a uma nova fase de luta. Os delegados são solicitados a auscultar as suas unidades sobre o caminho a prosseguir pelo Movimento dos Capitães.
DEZEMBRO
DIA 1 - Reunião no Clube Recreativo de Óbidos. Após se ter tomado conhecimento de que as bases do Movimento não pretendiam, por ora, ir além das reivindicações militares, importantes decisões são tomadas:
- vota-se o nome do general Costa Gomes como chefe prestigiado que o Movimento deveria chamar a si;
- delibera-se alargar o Movimento aos outros ramos das Forças Armadas (Marinha e Força Aérea);
- elege-se uma Comissão Coordenadora e Executiva (CCE), com 3 oficiais por cada arma e serviço do Exército.
DIA 5 - 1ª reunião da nova CCE, numa casa de praia na Costa da Caparica. Prepara-se uma proposta com base em reivindicações militares, a apresentar a elementos dos outros dois ramos. Esse documento era de tal forma ambicioso que seria uma forma de pressão quase extrema para o Executivo. Para a CCE foi escolhida uma direcção: majores Vítor Alves, Otelo Saraiva de Carvalho e capitão Vasco Lourenço.
DIA 17 - Vislumbram-se insistentes sinais de que estaria em preparação um golpe de Estado de extrema direita, com a implicação dos generais Kaúlza de Arriaga, Silvino Silvério Marques, Joaquim Luz Cunha e Henrique Troni, visando a conquista do poder.
DIA 22 - São revogados os Decretos-Lei 353/73 e 409/73 que haviam estado na origem do Movimento dos Capitães. Teme-se que a desmobilização da luta alastre à maioria dos militares.
1974
JANEIRO
DIAS 14-17 - Acções reivindicadas pela Frelimo conferem novas proporções à guerra colonial em Moçambique. Na Beira, enquadrados por elementos da PIDE/DGS, cerca de quatrocentos brancos e negros da população local manifestam-se, em fúria, insultando gravemente as Forças Armadas.
DIA 23 - É redigida a 1ª circular do Movimento (circular n.º1/74), por decisão da sua direcção. A mesma é amplamente distribuída, relatando os acontecimentos ocorridos em Moçambique e apelando a que cada militar "...dentro das mais estritas regras da disciplina..." se empenhe na exigência de um desagravo à instituição. Otelo Saraiva de Carvalho e Vasco Lourenço avistam-se com Spínola, dando-lhe conhecimento da posição do Movimento. Esta circular viria a ser citada na BBC, no Le Monde e na emissora Rádio Portugal Livre de Argel.
FEVEREIRO
DIA 5 - O Movimento dos Capitães politiza-se de forma galopante. É necessário adoptar um programa. Para isso realiza-se um encontro alargado da CCE no qual é eleita uma Comissão de Redacção do Programa do Movimento. Dela fazem parte o tenente-coronel Costa Brás, majores Melo Antunes e José Maria Azevedo e capitão Sousa e Castro.
DIA 23 - É publicado o livro Portugal e o Futuro, da autoria de António de Spínola, que se esgota rapidamente, conhecendo um enorme sucesso. O general defende uma solução política e não militar para o Ultramar. Fica demonstrado publicamente o conflito existente no seio do regime em torno de uma solução para o problema colonial.
MARÇO
DIA 5 - Miniplenário do Movimento dos Oficiais das Forças Armadas, em Cascais, o último antes do 25 de Abril. Presentes 194 oficiais, das unidades de Infantaria, Artilharia, Cavalaria, Engenharia, Administração Militar, Transmissões, Serviço de Material, Pára-quedistas e Força Aérea (FA), representando 602 militares. O documento, de índole política, «O Movimento, As Forças Armadas e a Nação» recolhe 111 assinaturas.
DIA 6 - Marcelo Caetano faz defesa inflamada da política do Governo para o Ultramar, em discurso proferido perante a Assembleia Nacional e transmitido pela RTP. No seu seguimento é aprovada pelos deputados uma moção de apoio à "política ultramarina do Governo".
DIA 9 - Os capitães Vasco Lourenço, Antero Ribeiro da Silva e Pinto Soares são detidos, tendo os dois primeiros, decorridos alguns Dias, sido transferidos compulsivamente para os Açores e a Madeira, respectivamente, enquanto o terceiro foi internado num estabelecimento hospitalar.
DIA 14 - As chefias das Forças Armadas e de Segurança e os oficiais generais dos três ramos vão a S. Bento afirmar ao Presidente do Conselho de Ministros e ao Governo a sua fidelidade e apoio à política ultramarina, em nome das respectivas instituições.
DIA 15 - Os jornais anunciam com grandes parangonas a exoneração dos generais Francisco da Costa Gomes e António de Spínola dos cargos de Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas e vice-CEMGFA, respectivamente.
DIA 16 - Às 04h00 da madrugada, uma coluna do Regimento de Infantaria 5 das Caldas da Rainha passa os portões do aquartelamento, comandada pelo capitão Armando Marques Ramos. Pretende executar um golpe militar, marchando sobre Lisboa e depondo o Governo. Apenas a três quilómetros da capital terá a noção de que se encontra isolada. Um precipitado e deficiente planeamento da acção leva ao seu fracasso, sendo presos quase duas centenas de militares - oficiais, sargentos e praças - entre os quais o tenente-coronel João de Almeida Bruno, majores Manuel Monge e António Casanova Ferreira e capitães Marques Ramos e Virgílio Varela. Constituiu, embora, um importante balão de ensaio para o 25 de Abril.
DIA 18 - Otelo e Vítor Alves redigem a Circular 2/74, procedendo a uma análise dos acontecimentos e apelando à firmeza e perseverança nos objectivos do Movimento.
- Encontram-se com Melo Antunes, no Café Londres, e pedem-lhe que elabore um programa político do Movimento dos Oficiais das Forças Armadas (MOFA), com base no Manifesto aprovado no plenário do dia 5.
- O diário República, dirigido por Raul Rêgo, desde sempre ligado à oposição ao Estado Novo, publica, de forma criptográfica, na página desportiva, a notícia intitulada «Quem travará os leões» na qual se conclui que «perdeu-se uma batalha, mas não se perdeu a guerra».
DIA 21 - Após um contacto estabelecido no alto do Parque Eduardo VII por iniciativa do capitão Luís Macedo, colocado no Regimento de Engenharia 1 (RE 1), em que solicita a Otelo, em nome de muitos camaradas, que assuma a condução militar do Movimento, este aceita a missão e designa-o seu adjunto operacional.
DIA 22 - Reunião em casa de Vítor Alves de um pequeno núcleo de oficiais do Exército, da Força Aérea e da Armada. Melo Antunes lê a primeira versão do programa político do Movimento, sendo por todos aprovada.
- Melo Antunes comunica que, por ironia do destino, em resultado de um pedido seu, deferido apenas naquela altura (!), irá partir nessa noite para Ponta Delgada, devido a ter sido colocado no Comando Territorial .....dos Açores (CTIA). Fica combinado o célebre telegrama em código que o irá informar do grande momento: "Tia Aurora segue dia...Um abraço António".
- O comandante Almada Contreiras acompanha Melo Antunes ao aeroporto, sendo apresentado por este a Álvaro Guerra, jornalista do República.
DIA 24 - A CCE reúne. É aprovado por unanimidade que os dois elementos da direcção ainda activos assumam a responsabilidade da preparação militar e da preparação política do movimento. Otelo aceita, perante os presentes, gizar um plano operacional e elaborar a «ordem de operações» respectiva. Garante que o golpe será desencadeado entre 20 e 29 de Abril e, desta vez, para conduzir à vitória.
DIA 28 - Marcelo Caetano faz, na RTP, a sua derradeira «conversa em família».
ABRIL
DIA 15 - Otelo Saraiva de Carvalho conclui o Plano Geral das Operações, que intitula simbolicamente "Viragem Histórica". Divide o país em duas grandes áreas de operações: Zona Norte e Resto do País, sendo este segmentado em quatro áreas. As unidades do Norte deveriam convergir para o Porto, onde ocupariam pontos estratégicos, nomeadamente o Quartel-General, instalações de forças de segurança, estações de rádio e televisão, aeroporto e pontes. As unidades situadas a Sul do Douro adoptariam idêntica manobra relativamente à capital, sendo atribuídas a algumas das colunas mais importantes missões de natureza táctica. (EPC e EPA). Nesse mesmo dia entrega-o ao tenente-coronel Garcia dos Santos para que este elabore o Anexo de Transmissões.
- Encontro no restaurante Califa, em Benfica, de Otelo, do capitão Frederico Morais e dos tenentes milicianos Luís Pessoa e Miguel Amado com vista a planear a tomada da Emissora Nacional.
- Escolha do Rádio Clube Português (R.C.P.) para posto emissor do MFA, em virtude de possuir uma rede que cobre o país e o Ultramar, emitir noticiários de hora a hora em simultâneo e de dispor, nas instalações da Rua Sampaio e Pina, nº 26, de um estúdio compacto, de gerador de emergência com entrada automática em funcionamento e rádio-telefone para o centro emissor em Porto Alto.
MEADOS DE ABRIL - Álvaro Guerra, elemento de ligação entre alguns oficiais do MFA e meios civis da oposição, obtém a colaboração do núcleo do República, no qual se conta o seu director, Raul Rêgo, bem como os jornalistas Álvaro Belo Marques, Carlos Albino, Fernando Assis Pacheco, José Jorge Letria e Vítor Direito.
DIA 16 - Otelo Saraiva de Carvalho reúne, no RE 1, com o major Eurico Corvacho a quem explica a ideia geral de manobra, particularizando as movimentações a levar a cabo na Zona Norte. A pedido deste, agrega-lhe as forças do Centro de Instrução de Operações Especiais (CIOE) de Lamego, cometendo-lhes a missão de reforçar as tropas do Porto.
DIA 17 - Otelo Saraiva de Carvalho distribui as missões aos delegados do Agrupamento Norte (November), no apartamento de Dinis de Almeida, estando presentes todos os agentes de ligação para esse sector, facto que se repete nas restantes reuniões.
DIA 18 - Otelo Saraiva de Carvalho distribui as missões aos delegados do Sector Centro (Charlie), em sua casa, contando-se entre estes o capitão Correia Bernardo, em representação da Escola Prática de Cavalaria (Santarém).
DIA 19 - Otelo Saraiva de Carvalho distribui as missões aos delegados do Sector Sul (Sierra), em casa do major Fernandes da Mota.
DIA 20 - Finalmente, na mais importante das reuniões, Otelo Saraiva de Carvalho distribui as missões aos delegados das unidades da Região Militar de Lisboa (Lima), na residência, então vaga, do pai do tenente Américo Henriques, em Cascais.
- Conclusão do essencial dos textos políticos (em cuja redacção, coordenada por Vítor Alves, participaram Franco Charais, Costa Brás, Vasco Gonçalves, Nuno Lopes Pires e Pinto Soares, pelo Exército; Vítor Crespo e Lauret, com a participação menos activa de Teles e Contreiras, pela Marinha e a ocasional presença do major Morais e Silva e do capitão Seabra). A partir desta data, Otelo, que também assegura a ligação com Spínola, passa a efectuar os contactos, por razões de segurança, através do major de cavalaria na reserva Carlos Alexandre de Morais. São da lavra do general algumas das modificações introduzidas, nomeadamente a designação de Movimento das Forças Armadas (MFA), em substituição da versão anterior de Movimento dos Oficiais das Forças Armadas (MOFA) e de Junta de Salvação Nacional (JSN) em alternativa à proposta de Directório Militar.
DIA 21 - Encontro, na marginal em Oeiras, de Otelo e do major Moura Calheiros com os coronéis Rafael Durão (representante do general Spínola) e Fausto Marques, com vista a obter a adesão do Regimento de Caçadores Páraquedistas, comandado pelo último oficial, iniciativa que se revela inconclusiva.
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[0849/2004] História Contemporânea de Portugal - VII
O 25 de Abril de 1974
A revolução de 25 de Abril de 1974 representa um marco fundamental na história do Portugal contemporâneo.
O derrube da ditadura conservadora do "Estado Novo" por um amplo movimento de oficiais das Forças Armadas, surge como consequência inevitável do esgotamento de um modelo autoritário ferido de morte pelo impasse do colonialismo e pelo isolamento internacional. E virá acelerar um processo, já em curso, de modernização económica, social, cultural e mental que vinha esbarrando com os obstáculos político-institucionais levantados por aquele modelo. Uma dupla contradição ameaçava de morte, com efeito, o regime dirigido desde 68 por Caetano e Tomás: a contradição entre o seu aparelho institucional rígido, fechado e conservador e as exigências derivadas do desenvolvimento industrial num contexto de cada vez maior dependência em relação à Europa, e a contradição entre a sua expressão ideológica autoritária e nacional-colonialista e as aspirações pluralistas e anti-colonialistas desencadeados pela nova dinâmica social e cultural que caracterizou os anos sessenta. Em tal contexto, o fenómeno da guerra colonial só conjuntural e momentaneamente podia assumir um papel amortecedor. Mais cedo ou mais tarde, estava condenado a ser o catalisador que historicamente acabou de facto por ser.
Do Verão de 1973 a Abril de 1974, agravam-se as contradições na instituição militar. São disso sintoma a contestação à realização, a 1 de Junho de 1973, do Congresso dos Combatentes, no Porto, bem como a publicação do Decreto-Lei n.º 373173, de 13 de Julho. Este diploma legal fará despontar a contestação militar por parte de oficiais do Quadro Permanente. Em Fevereiro de 1974 era publicado o livro do general Spínola, "Portugal e o Futuro". Fica demonstrado publicamente o conflito existente no seio do regime em torno da solução política final para o problema ultramarino.
Antes do golpe de 25 de Abril assistir-se-á, ainda, a uma remodelação governamental (15 de Março) e a uma movimentação militar abortada (16 de Março). Na madrugada deste dia, o Regimento de Infantaria 5, sediado nas Caldas da Rainha, executou uma marcha frustrada sobre Lisboa. Tinha como objectivo depor o Governo e acabar com o regime.
A rapidez com que o "Movimento dos Capitães" transforma um protesto de natureza corporativa numa questão política global constitui a melhor prova de que a crise da sociedade portuguesa e os seus reflexos na instituição militar atingiam uma gravidade sem precedentes na história do Estado Novo. A incapacidade do regime ditatorial para encontrar uma solução política para a guerra colonial é o factor determinante na mobilização dos jovens oficiais. O golpe militar das Caldas da Rainha, de 16 de Março de 1974, apesar de neutralizado pelas forças governamentais, funcionou como "primeiro ensaio" para a operação de derrube do regime que o Movimento prepara cuidadosamente. O plano, concebido por Otelo Saraiva de Carvalho, envolve um considerável número de unidades militares de Norte a Sul do País.
Estabelecido o posto de comando das forças revoltosas no Regimento de Engenharia 1, na Pontinha, e difundidas as canções "E Depois do Adeus" e "Grândola, Vila Morena", que funcionavam como senha para o início da revolução, as unidades "rebeldes" procuram rapidamente apoderar-se dos pontos estratégicos (RTP, Rádio Clube Português, Emissora Nacional, Quartel-General da Região Militar de Lisboa e Aeroporto da Portela) da cidade de Lisboa.
Num segundo momento, uma coluna da Escola Prática de Cavalaria, proveniente de Santarém e comandada pelo capitão Salgueiro Maia, isola a Praça do Comércio e corta o acesso ao Banco de Portugal, Rádio Marconi e aos ministérios. A rápida actuação das unidades afectas ao Movimento apanha as forças do regime completamente desprevenidas. As que tentam opor-se, desmoralizadas e desmotivadas perante a determinação de Salgueiro Maia, passam para o lado dos revoltosos. Neutralizado o perigo no Terreiro do Paço, as forças de Salgueiro Maia dividem-se em dois grupos. O primeiro, constituído pelos militares aderentes das forças, inicialmente fiéis ao regime, (Lanceiros 2, Cavalaria 7 e Infantaria 1), vai ocupar posições junto ao Quartel-General da Legião Portuguesa.
As forças da Escola Prática de Cavalaria deslocam-se para junto do quartel do Comando-Geral da GNR, no Carmo, para obter a rendição de Marcello Caetano que aí se tinha refugiado a conselho de Silva Pais, director da polícia política. Após algumas tentativas de negociações, o general Spínola, mandatado pelo MFA e aceite como interlocutor por Marcello Caetano, entra no quartel e obtém a rendição do Presidente do Conselho.
Com a revolução ganha, o general Spínola reúne-se com a Comissão Coordenadora do MFA para estudar a proclamação elaborada pelo Movimento, que, com algumas alterações, viria a ser lida por ele, em nome da Junta de Salvação Nacional, na madrugada do dia 26. Os últimos bastiões do regime a depor as armas foram a PIDE/DGS (única instituição governamental a causar 4 mortos e 45 feridos durante a revolução) e as prisões de Caxias e Peniche, de onde foram libertados todos os presos políticos. O rápido e inequívoco sucesso da revolução do dia 25 de Abril demonstra claramente a crise sem precedentes que o Estado Novo atravessava e a necessidade premente de mudar Portugal.
Publicado por Nuno Peralta às 02:50 AM | Comentários (0)
[0848/2004] História Contemporânea de Portugal - VI
O Estado Novo
Com a aprovação da Constituição de 1933, inicia-se aquilo a que se deve entender por Estado Novo, que irá vigorar até 1968, quando Salazar abandonar o poder.
As bases desta Constituição eram um Estado forte de partido único (União Nacional), o nacionalismo corporativo, o intervencionismo económico-social e o imperialismo colonial (via Acto Colonial). É esta Constituição que estabelece a Assembleia Nacional, a qual será eleita por todos os cidadãos portugueses maiores de 21 anos ou emancipados. Só os analfabetos que pagassem menos de 100$ de impostos e mulheres só votavam com curso especial, secundário ou superior.
A primeira eleição da A.N. acontece em 1934.
A governação de Salazar assenta de início sobre a recuperação económica do país, acompanhada da estabilização da paz social, que permita um clima mais favorável no país.
Ao longo da sua governação Salazar manterá sempre uma posição de neutralidade (ou mesmo de isolacionismo) face ao exterior, onde a conjuntura não é nada favorável: Guerra Civil Espanhola (1936-39), 2ª Guerra Mundial (1939-45). Posteriormente, terá o problema dos movimentos independentistas das colónias ultramarinas.
Para conseguir impôr as suas políticas, a governação de Salazar caracterizou-se pela censura férrea das opiniões discordantes e pela repressão dos seus opositores. A pedra base de aplicação de tais métodos é constituída pela PIDE (Polícia Internacional de Defesa do Estado).
Podemos dizer que o Estado Novo se pode dividir em duas fases: uma que vai até cerca de 1950 e outra que vai daí até à queda do regime. Na primeira fase pode-se dizer que o Estado tem o apoio do povo, que vê a recuperação económica acontecer, a paz social e a não intervenção do país na 2ª Guerra Mundial.
Depois, progressivamente vão chegando ecos da democracia que se pratica lá fora e começa a haver alguma contestação, até porque Portugal começa a crescer menos que estes países, que graças ao Plano Marshall vêm o seu tecido produtivo reconstruído. A contestação terá o seu momento alto com a eleição Presidencial de 1958, em que Humberto Delgado desafia o candidato do regime, Américo Tomás e em que apenas o seu assassinato evita uma derrota do regime nas urnas. A reacção é o fim da eleição presidencial, passando este a ser nomeado por um colégio eleitoral.
Entretanto, a ONU aprova várias resoluções exigindo que Portugal reconheça a independência das suas colónias africanas, sem que o governo de Salazar as acate. A repressão aumenta, e em 1961 inicia-se a Guerra Colonial, opondo o exército português aos movimentos independentistas nas diversas colónias. Por esta altura o serviço militar obrigatório passa a ser de 2 anos e inicia-se um período de forte emigração de portugueses.
Ao longo desta guerra, muitos portugueses irão perder a vida e outros ficar marcados para o resto da vida.
Até que em 1968 se dá o fatídico episódio da queda da cadeira, que levará à resignação e morte do ditador Salazar (em 1970).
Após a resignação de Salazar, ainda em 1968, sucede-lhe Marcello Caetano que, apesar de uma prometida e apaziguadora liberalização do sistema político, não consegue mais que uma mudança de nomes nas instituições repressivas e, sobretudo, vê-se a braços com as graves consequências de uma guerra colonial que se prolongava desde 1961. O que esteve, aliás, na origem de um novo movimento militar que, no dia 25 de Abril de 1974, irá depôr o governo e conduzir à restauração da democracia.
Publicado por Nuno Peralta às 02:13 AM | Comentários (0)
[0847/2004] 25 de Abril
Os meus festejos deste 25 de Abril vão ser muito limitados e discretos, não quero ser confundido com os tripeiros que festejam mais um título do FêCêPê!!!
Publicado por Nuno Peralta às 12:17 AM | Comentários (0)
abril 24, 2004
[0846/2004] New look
Espero que gostem do new look.
Publicado por Nuno Peralta às 03:28 PM | Comentários (11)
[0845/2004] Espanha e EUA
Realmente a história prega-nos partidas, pela sua circularidade e similaridade.
Ressalvando a escala dos acontecimentos, parece que no dia 24 de Abril de 1898 Espanha declarou guerra aos EUA, por se recusar a aceitar o ultimato americano e retirar de Cuba...
Publicado por Nuno Peralta às 12:38 PM | Comentários (0)
[0844/2004] Paternidade
José Luis Arnaut: Sousa Franco é o "pai do défice"
Pois, e entretanto a "criança" foi adoptada por Durão Barroso e Manuela Ferreira Leite e até a têm tratado muito bem...
Publicado por Nuno Peralta às 12:19 PM | Comentários (2)
[0843/2004] Valentão
Depois de conhecer a acusação (Valentim Loureiro está indiciado de 23 crimes: 18 de corrupção desportiva activa; quatro de tráfico de influência; um de corrupção passiva por acto ilícito) e as medidas de coacção aplicadas (termo de identidade e residência; suspenso das funções de presidente da Liga de Futebol e da Administração do Metro do Porto e terá de depositar, à ordem do tribunal, no prazo de 15 dias, uma caução no montante de 250 mil euros), fico com poucas dúvidas sobre a verdadeira culpabilidade dos arguidos do Apito Dourado. Falta saber é apenas se este "peixe graúdo" se vai "lixar" sozinho ou acompanhado.
Mas para mim o mais curioso de tentar perceber é a que se deve a suspensão da função de Administrador do Metro do Porto a partir de um processo sobre arbitragens no futebol...que negociatas estarão por trás disto?
Bom, o panorama actual do Apito Dourado é a acusação sobre todos os interrogados, a mais que provável demissão dos elementos do Conselho de Arbitragem da FPF envolvidos, a desistência de Madaíl para candidatar-se a cargos na FIFA e UEFA, o afastamento do Loureiro Jr. das listas candidatas ao Parlamento Europeu e muito provavelmente um novo presidente da Liga de Futebol!
Publicado por Nuno Peralta às 03:58 AM | Comentários (4)
[0842/2004] História Contemporânea de Portugal - V
O 28 de Maio e a Ditadura Militar
A 28 de Maio 1926 é deposto o Governo de António Maria da Silva e o Almirante Mendes Cabeçadas assume o Poder. Do seu Governo consta o nome de António de Oliveira Salazar, no cargo de Ministro das Finanças.
No entanto, novo golpe militar chefiado pelo Marechal Gomes da Costa destituiu Mendes Cabeçadas. Como consequência, Oliveira Salazar retorna a Coimbra.
Durante 1927 Sinel de Cordes apresenta as contas públicas com um «deficit» de mais de 600 mil contos. O Governo pede avultado empréstimo à Sociedade das Nações, mas, recusando a fiscalização daquele organismo oficial quanto à sua aplicação, o contrato não chega a realizar-se. Perante a difícil situação financeira, em 1928 o Prof. Oliveira Salazar regressa novamente a São Bento para liderar a pasta das Finanças, já com o general Óscar Carmona a Presidente da República. Carmona quebraria a tendência anterior e manter-se-ia na Presidência de 1928 até 1951.
Em 1930 é publicado o Acto Colonial, que altera substancialmente as relações entre a Metrópole e as possessões de África.
Em 1931 dá-se a Revolta da Madeira e a tentativa de golpe de 26 de Agosto, que provoca numerosas vítimas mortais, não conseguindo no entanto os intentos de depôr o Governo. Ainda em 31 é criada a União Nacional, que se manterá como partido único até ao 25 de Abril, com excepção da mudança de designação para Acção Nacional Popular.
Em 1932 Salazar assume definitivamente as funções de Chefe do Governo e em 1933 é aprovada, por plebiscito, a nova Constituição Política e Administrativa da Nação, que integra o Acto Colonial e que se pode considerar como o acto que marca o fim da ditadura militar e a fundação do Estado Novo.
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abril 23, 2004
[0841/2004] História Contemporânea de Portugal - IV
A Iª República
Conforme já vimos, a 5 de Outubro de 1910 foi implantada a República Portuguesa, depois de 767 anos de regimes monárquicos.
Para Primeiro Presidente da República Portuguesa foi eleito a 24 de Agosto de 1911 Manuel de Arriaga, por nomeação de uma das facções republicanas. Devido às enormes divisões entre facções, a estabilidade governativa é algo que praticamente não existe neste período, sucedendo-se os governos uns atrás dos outros. Por exemplo, Afonso Costa consegue ser líder de um governo que durou 1 mês.
O início da 1ª Guerra Mundial apenas vem piorar o cenário, com divisões entre partidários da intervenção portuguesa e os oposicionistas (sounds familiar, right...).
Arriaga acaba por ser deposto em 1915, sucedendo-lhe Teófilo Braga, o qual assegura o período de transição até à tomada de posse de Bernardino Machado, ainda em 1915. No entanto, a instabilidade mantém-se, com sucessivas manifestações contra os sucessivos governos. É durante o mandato de Machado, com governo de Afonso Costa, que em 1917 é criado o Corpo Expedicionário Português, liderado pelo General Norton de Matos, que irá combater em França, comandado pelo Coronel Gomes da Costa. Nesse mesmo ano dão-se as supostas aparições de Nossa Senhora aos 3 pastorinhos em Fátima, provavelmente fruto de um país onde as pessoas apenas podem ter fé, porque em todo o lado reina a instabilidade.
Em Dezembro de 1917 dá-se a revolta, liderada por Sidónio Pais, que resulta na destituição do governo e do Presidente da República, com Afonso Costa a ser preso e Bernardino Machado exilado.
Sidónio Pais acaba por ser o primeiro presidente eleito por voto directo dos eleitores em 28 de Abril de 1918. Entre as suas principais medidas destacam-se a separação entre Estado e Igreja e a oficialização do sufrágio universal como método eleitoral. No entanto, também ao fim de poucos meses de governação o seu "estado de graça" termina e retomam-se as consecutivas greves e mudanças de elenco governativo, acabando Sidónio Pais por ser abatido em Dezembro de 1918.
Sucede-lhe Canto e Castro, que volta a ser eleito pelo Congresso. No entanto, nada muda. Em 294 dias de mandato, dá posse a 4 governos distintos. É durante o seu mandato que o movimento monárquico de Paiva Couceiro reimplanta a Monarquia no Porto e em Lisboa, durante o mês de Janeiro de 1919. Se em Lisboa o movimento foi rapidamente controlado, no Porto foi preciso um mês para os republicanos retomarem o poder, tendo este período ficado conhecido como a "Monarquia do Norte". Em Agosto de 1919, de uma forma pacífica e programada António José de Almeida sucede a Canto e Castro, sem que o clima social de agitação seja por isso controlado. Entre 1919 e 1923 dá posse a 17 governos!
Em 1923 sucede-lhe Teixeira Gomes, mais uma vez eleito pelo Congresso. Dá posse a 8 governos e "sente-se" que a República atinge um limiar de desgaste junto da população, que já não suporta a crescente pobreza e instabilidade política. Acaba por resignar em Dezembro de 1925, fruto de impotência que sente para dar um rumo ao país. Em face da sua resignação, Bernardino Machado volta a ser escolhido pelo Congresso para novo mandato presidencial, ao longo do qual só houve um governo, que terminará no golpe militar de 28 de Maio de 1926, que pôs fim à Iª República e instaurou a Ditadura Militar, já depois de algumas tentativas falhadas de golpe ao longo do ano de 26. Mendes Cabeçadas assume o poder no pós-golpe.
Publicado por Nuno Peralta às 10:56 PM | Comentários (0)
[0840/2004] PC
Reparei agora que passam hoje 22 anos desde que, a 23 de Abril de 1982, Jorge Nuno Pinto da Costa chegou pela primeira vez à presidência do Porto.
Goste-se ou não da personagem (como é o meu caso), é necessário reconhecer que muito do mérito do F.C.Porto ser hoje um clube reconhecido internacionalmente é dele.
No entanto, se as últimas notícias do "Apito Dourado" tiverem algum fundamento, parece-me que esta poderá ser a última comemoração dele enquanto detentor deste cargo, apesar de já ter manifestado a sua intenção de se recandidatar a novo mandato...
Publicado por Nuno Peralta às 06:31 PM | Comentários (2)
[0839/2004] Quizz da Janela
Mostrando que está sempre em cima do acontecimento e que tem a sua cultura geral e capacidade de pesquisa bem desenvolvida, o Leonel Vicente já respondeu ao Quizz e acertou em todas as respostas à primeira!
Eu não disse que era fácil?
Mas para que o pessoal possa treinar, não serão divulgadas ainda as respostas, aguardando-se até 4ª feira por mais participações.
Publicado por Nuno Peralta às 06:21 PM | Comentários (0)
[0838/2004] A procriação explicada às crianças no século XXI
- Papá, como é que eu nasci?
- Bom, mais tarde ou mais cedo tínhamos de ter esta conversa!...
O papá e a mamã encontraram-se num chat chamado sado-conversas, para pessoas lá da terra. O papá marcou um encontro com a mamã, e acabámos na casa de banho de um cybercafé. Depois, a mamã fez uns downloads do memory stick do papá e quando eu estava pronto para o upload, descobrimos que não havia firewall. Como era tarde demais para fazer cancel, fiz o upload na mesma e nove meses depois apareceu o vírus!
Publicado por Nuno Peralta às 04:39 PM | Comentários (0)
[0837/2004] Dia Mundial do Livro
Hoje comemora-se o Dia Mundial do Livro (a propósito, passe a publicidade, hoje na compra do DN é oferecido um livro da colecção dos Nobel).
Como forma de comemoração deixo aqui como sugestão de leitura aqueles que considero os livros da minha vida (não obrigatoriamente por ordem de preferência):
- O Perfume, de Patrick Süskind
- Triologia de Nova Iorque, de Paul Auster
- Um Céu Demasiado Azul, de Francisco José Viegas
- 1984, de George Orwell
- Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley
Publicado por Nuno Peralta às 03:03 PM | Comentários (2)
[0836/2004] Quizzes da Janela
Inspirado pelos meus amigos da Brigada, decidi começar a fazer-lhes alguma concorrência e partir de hoje, salvo qualquer imprevisto, todas as semanas teremos um pequeno quizz para testar os conhecimentos da audiência.
As repostas podem ser preferencialmente enviadas para o mail da casa (janelaparaorio at hotmail ponto com), ou deixadas nos comentários, sendo que o vencedor de cada "ronda" terá direito ao nome na coluna lateral direita.
Esta semana começamos com um de nível muito básico, só para efeitos de treino. Digamos que é a edição 0 dos Quizzes da Janela...
1. Quantos anos durou a Guerra dos Cem Anos?
2. Qual é o país que fabrica os chapéus Panamá?
3. De que animal se obtém o catgut? (Fibra de tripa de gato usada em cirurgias)
4. A partir do quê são feitos os pincéis de pêlo de camelo?
5. Qual a cor do chamado pintassilgo púrpura?
6. Os russos celebram a Revolução de Outubro em que mês?
7. Quanto tempo durou a última Guerra dos Trinta Anos?
8. De que país vêm as groselhas chinesas?
9. Qual era o verdadeiro nome do rei Jorge VI?
10. A que animal é atribuída a origem do nome das Ilhas Canárias?
Têm até à próxima 4ª feira (28/04/2004) para responder.
As respostas serão publicadas na 5ª feira (29/04/2004).
Novo quizz (o verdadeiro Quizz da Janela 1!) será lançado na 6ª feira, dia 30/04/2004.
Publicado por Nuno Peralta às 12:07 PM | Comentários (1)
[0835/2004] Julgamentos
Numa época em que se julgam demasiado as pessoas pelas aparências e em que, como diz o ditado popular, estas iludem mais que nunca, lembrei-me de vos colocar aqui um velho desafio recuperado das catacumbas dos arquivos deste PC...
Primeira Questão:
Se conhecessem uma mulher que está na nona gravidez e dos seus oito filhos, três são surdos, dois são cegos, um é deficiente mental, e ela tem sífilis, recomendariam que ela fizesse um aborto ou tivesse a criança?
Segunda Questão:
É hora de eleger um novo líder mundial e o voto de todos é importante.
Estes são os três candidatos finais:
Candidato A: É associado a políticos corruptos e costuma consultar astrólogos. Teve duas amantes. Fuma um cigarro atrás do outro e bebe de 8 a 10 Martinis por dia.
Candidato B: Foi demitido duas vezes, dorme até tarde, usava ópio na universidade e toma um quarto de garrafa de whisky por noite.
Candidato C: É um herói condecorado de guerra. É vegetariano, não fuma, toma uma cervejinha de vez em quando e nunca teve relações extra-matrimoniais.
Em qual dos três candidatos votariam?
Bom, no primeiro julgamento, se responderam que devia fazer o aborto, acabam de matar Beethoven, o maior músico da História.
No segundo julgamento, os perfis dos candidatos correspondem a:
O candidato A é Franklin D. Roosevelt. O candidato B é Winston Churchill. E o candidato C é... Adolph Hitler!
Vá lá admitam, quase todos vocês mataram o Beethoven e elegeram o Hitler, certo?
Não se esqueçam, as aparências iludem...
Publicado por Nuno Peralta às 04:31 AM | Comentários (3)
[0834/2004] História Contemporânea de Portugal - III
A Queda da Monarquia
O século XX conheceu dois reis portugueses, D.Carlos I (1900-1908) e o seu filho, D.Manuel II (1908-1910).
Numa altura em que a riqueza do país já não era a de tempos idos, a corte de D.Carlos era marcada pela opulência e ostentação, os gastos ofensivos, que a pouco e pouco causavam o desgosto na população.
Por outro lado, a subserviência a Inglaterra não era bem vista, especialmente após o episódio do Ultimato de 1890.
Além disso, os ideais republicanos tinham cada vez mais adeptos, tendo em Afonso Costa um dos seus principais rostos.
Em 1907, D.Carlos I, já numa posição de fraqueza, acede a que João Franco tome as rédeas da governação do país, implantando a monarquia absolutista, uma verdadeira ditadura.
A 1 de Fevereiro de 1908, dá-se o regicídio do rei D.Carlos no Terreiro do Paço, às mãos da Carbonária, um dos principais movimentos republicanos do país. Com D.Carlos morre igualmente o seu filho varão, D.Luís Filipe.
Na prática, com o regicídio acaba a monarquia em Portugal, ainda que o filho mais novo de D.Carlos, D.Manuel II ainda assuma o trono do país até ao 5 de Outubro de 1910, momento em que viria a ser implantada a República em Portugal. Pode-se dizer que o reinado de D.Manuel II foi o da transição da enfraquecida monarquia para a república.
Publicado por Nuno Peralta às 02:07 AM | Comentários (1)
[0833/2004] História Contemporânea de Portugal - II
Em termos de fotografia geral, podemos dizer que Portugal passou por 5 grandes fases ao longo do século XX:
1900-1910 - A Monarquia
1910-1926 - A Iª República
1926-1974 - A IIª República, normalmente denominada de Estado Novo
1974-1975 - A IIIª República: O Pós-Revolução
1975-1999 - A IIIª República: A Democracia
Publicado por Nuno Peralta às 01:02 AM | Comentários (4)
[0832/2004] História Contemporânea de Portugal - I
Aqui pela Janela dedicaremos estes dias que faltam até ao 25 de Abril a falar um pouco da História de Portugal no século XX, para que os mais jovens percebam o que significou o 25 de Abril e alguns mais velhos se lembrem bem do que significou esta conquista.
É importante ter memória, porque a História não é a preto e branco, bons contra maus, heróis contra vilões.
Por aqui se explicaram as convulsões da Iª República, o que foi o Estado Novo, a Guerra Colonial e o 25 de Abril, tentando igualmente realçar algumas das principais figuras do século XX português.
Publicado por Nuno Peralta às 12:54 AM | Comentários (2)
abril 22, 2004
[0831/2004] Que justiça é esta?
Valentim Loureiro só será ouvido amanhã
Nada me move em defesa de Valentim Loureiro, pessoalmente tenho inclusivé muita dificuldade em acreditar na sua inocência (para lá do princípio da presunção de inocência), mas parece-me estranho e muito pouco aceitável no que toca à defesa das liberdades individuais dos cidadãos que alguém possa ser detido para prestar declarações numa 2ª feira de manhã e que fique mais de 96 horas à espera para ser ouvido por um Juíz, sem ter sido oficialmente indiciado por nenhum crime...
Com situações destas, quem é que pode confiar na nossa justiça?
Publicado por Nuno Peralta às 10:47 PM | Comentários (5)
[0830/2004] Moluscos
"O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, rejeitou na quarta-feira as críticas internacionais ao primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, e disse que os líderes mundiais deveriam agradecê-lo por seus planos para a Faixa de Gaza e a Cisjordânia."
O homem anda-lhe a dar forte no álcool, só pode, ou então...
"O apoio de Bush a Sharon deve ter caído bem junto a eleitores conservadores e judeus, a sete meses das eleições presidenciais..."
Ah, isto sim, já é mais normal, afinal é apenas um problema de falta de coluna vertebral, comum entre os "moluscos" da política internacional...
Publicado por Nuno Peralta às 10:20 PM | Comentários (1)
[0829/2004] Brasil
E há 504 anos, Pedro Álvares Cabral chegava pela primeira vez a Terras de Vera Cruz, dando a conhecer aos europeus o paraíso na Terra...
Entretanto a realidade 504 anos depois é tudo menos paradisíaca, especialmente nas grandes metrópoles, como o Rio e São Paulo.
Muito interessante esta crónica de Guilherme Fiúza, sobre como os poderes político e policial pretendem tapar o sol com a peneira face à realidade:
"enquanto os bandos de Dudu e Lulu se metralhavam à vontade disputando a venda de toneladas de maconha e cocaína – com torcida organizada e tudo – a polícia decidia que traficantes eram um punhado de garotões com algumas gramas de drogas numa festa de malucos beleza"...

Publicado por Nuno Peralta às 08:48 PM | Comentários (1)
[0828/2004] Dia Mundial da Terra
Hoje é Dia Mundial da Terra, mas parece-me que esta não tem muitos motivos para festejar...
Publicado por Nuno Peralta às 05:55 PM | Comentários (0)
[0827/2004] Selecção
Scolari divulgou hoje a última convocatória antes de escolher os 23 para o Euro'2004, para o jogo de Portugal com a Suécia no próximo dia 28, em Coimbra.
Destaque para a "dispensa" dos jogadores do Porto, aparentemente a primeira vez que Scolari acede a uma solicitação do FêCêPê...
2º destaque para o facto de o Benfica ser a equipa que mais jogadores dá à Selecção, mais propriamente 5 (teoricamente o mesmo número de jogadores que o Porto cederia em condições normais).
Finalmente, de notar a "recuperação" de Fernando Meira, após o desaire frente a Espanha.
Eis a lista de convocados:
GR: Ricardo (Sporting) e Quim (Braga);
D: Fernando Couto (Lázio), Jorge Andrade (Corunha), Miguel (Benfica), Beto (Sporting), Rui Jorge (Sporting), Fernando Meira (Estugarda);
M: Petit (Benfica), Tiago (Benfica), Rui Costa (AC Milan), Hugo Viana (Newcastle), Frechaut (Boavista);
A: Cristiano Ronaldo (Man.United), Luís Boa Morte (Fulham), Figo (Real Madrid), Pauleta (Paris Saint- Germain), Hélder Postiga (Totenham), Nuno Gomes (Benfica) e Simão (Benfica).
Publicado por Nuno Peralta às 04:14 PM | Comentários (2)
[0826/2004] Um momento de nacionalismo
Para quem tem dificuldades com os nossos símbolos nacionais, nomeadamente a bandeira e o hino, aqui fica uma preciosa ajuda...

Publicado por Nuno Peralta às 03:48 PM | Comentários (2)
[0825/2004] A primeira vítima?
Madaíl retira-se da corrida à FIFA
Será a primeira vítima do "Apito Dourado"?
Seja lá como for, para gáudio de todos os portugueses, só fica mesmo a faltar a excelente notícia: "Madail abandona FPF"!
Publicado por Nuno Peralta às 01:38 PM | Comentários (1)
[0824/2004] Junk Mail
No meio do junk mail que recebo às carradas, este despertou-me alguma curiosidade, pois sempre que vejo alguém defender uma ditadura, gosto de tentar perceber porquê.
No entanto, do texto o que mais me deixou a matutar foi a grande similitude de desencanto que brasileiros e portugueses têm face à política democrática praticada nos dias que correm, nomeadamente as sucessivas desilusões que esta nos causa. Em Portugal, este brasileiro facilmente proclamaria o famoso "que saudades de Salazar!"...:
"Saudade da Ditadura Militar
Os mais velhos devem lembrar e os mais novos devem saber que:
Que na gestão militar não havia ameaça alguma contra o cidadão trabalhador. Gente, tá demais.
Que hoje todos estão ameaçados de vida por todos os lados em cada esquina. Gente, cuidado.
Que polícia era autoridade que nos protegia, era respeitada de verdade, isso já aconteceu acreditem. Gente, protejam-se.
Que um homem comum trabalhava e conseguia criar pelo menos 2 filhos e pagar aluguel, sem que a esposa precisasse trabalhar também. Gente, olhem bem.
Que as escolas e hospitais públicos eram os melhores, particular era uma boa opção secundária. Gente, e o paciente?
Lembrem que o nosso país tem respeito entre religiões e raças, uma língua oficial única, o povo é inteligente, trabalhador, pacífico e alegre, e ainda tem petróleo e minerais, terras até demais, tudo que se planta dá, e não tem furacão, terremoto nem neve.
Conclusão é que o nosso país é o mais fácil de governar. Basta ter coragem.
Votei no LULA pela terceira vez, mas coitado, isto não é para coragem dele. Não vamos crucificá-lo porque ele é um cara bom. Deixemos voltar dignamente para as questões menores que ele dá conta (sindicalismo).
Alguém tem que tomar a rédia e moralizar este país, entendo que isto é trabalho fácil que tornou-se muito duro, e que agora só cabe aos militares.
Que fechem o congresso, porque os poucos bons que lá estão são fracos.
Que mais vale uma Ditadura nacionalista e pelo povo que democracia-falsa(hipocrisia)
E digo isto pelos meus filhos, netos, vizinhos, nossas crianças de todo esse pais e as pessoas ordeiras que as vezes acabam sendo desvirtuadas pelo caus instaurado.
Falo como cidadão apenas, não tenho partido nem sou filiado a instituição alguma, também nunca fui militar nem parente.
Faça deste, uma corrente de Paz e glória para o nosso futuro e de nossa gente.
Atenciosamente, Cidadão BRASILEIRO, orgulhoso de estar dizendo ao menos esta verdade."
PS: Para que não haja dúvidas, EU não defendo o regresso à ditadura nem ao Estado Novo...
Publicado por Nuno Peralta às 01:31 PM | Comentários (0)
[0823/2004] Pensamento do dia
Hoje um pensamento bem latino...
"Se não puder ajudar, atrapalhe. Afinal o importante é participar"

Publicado por Nuno Peralta às 11:58 AM | Comentários (0)
[0822/2004] Oppenheimer
Caso fosse vivo, o "Pai da Bomba Atómica", Robert J. Oppenheimer faria 100 anos. De qualquer forma, viveu o suficiente para se aperceber dos malefícios da sua invenção, ao presenciar os acontecimentos de Hiroshima e Nagasaki...
Neste mesmo dia, mas 34 anos antes, em 1870, nasceu um homem que acabou por ser responsáveis por bem mais mortes que a bomba atómica, um tal da Vladimir Ilyich Ulyanov, ainda assim um homem muito querido por muita da nossa esquerda bem pensante...
Publicado por Nuno Peralta às 07:38 AM | Comentários (6)
[0821/2004] Olha o peixe graúdo!
Valentim terá pedido favores para Pinto da Costa e Sousa Cintra´
Segundo o site «Portugal Diário», o Ministério Público alega que, durante 2003 e 2004, Valentim Loureiro terá exercido influência junto de agentes desportivos para satisfazer pedidos do presidente do FC Porto, Pinto da Costa, e do Paços de Ferreira, Hernâni Silva, sobre processos que decorriam contra os dois na Comissão Disciplinar da Liga de Clubes.
O MP sustenta ainda, segundo o «Portugal Diário», que o presidente da Liga de Clubes terá exercido influência para a atribuição de obras governamentais e de licenciamento de uma construção, a troco de vantagens para o próprio ou para o Boavista. Aqui surgem os nomes dos empresários Sousa Cintra, ex-presidente do Sporting, e Hernâni Silva.
Depois da "arraia miúda" começa a surgir o "peixe graúdo"...
Afinal este "apito dourado" promete pôr em cima da mesa tudo aquilo que se fala por meias palavras.
Publicado por Nuno Peralta às 01:25 AM | Comentários (2)
[0820/2004] Polícia
Cinco mil polícias manifestaram-se no Terreiro do Paço
Figueiredo Lopes continua a acumular "simpatias" atrás de "simpatias". Depois do conflito com os bombeiros, consegue agora a "proeza" de unir milhares de polícias em manifestação contra si...
Será que só Durão não vê que este homem já está politicamente morto há mais de um ano e que a estabilidade do país, nomeadamente ao nível das forças de segurança e de protecção civil, necessitam de uma nova liderança?
Publicado por Nuno Peralta às 01:08 AM | Comentários (0)
[0819/2004] Apito

Publicado por Nuno Peralta às 12:56 AM | Comentários (1)
abril 21, 2004
[0818/2004] Uma boa causa
ONU exige abolição da pena de morte
A Comissão dos Direitos Humanos das Nações Unidas exigiu esta quarta-feira a abolição definitiva da pena de morte, aprovando uma resolução da União Europeia por larga maioria, com 28 votos a favor, 20 contra e cinco abstenções.
Entre os 20 Estados que chumbaram o documento encontram-se os Estados Unidos, a China, a Arábia Saudita, a Nigéria e a Índia.(...)
Segundo números da Amnistia Internacional, de um total de 1.146 penas capitais aplicadas em 2003, 84% foram-no na China (cerca de 726), nos Estados Unidos (65) e no Vietname (64). Actualmente, 78 países autorizam a condenação à morte.
Publicado por Nuno Peralta às 09:50 PM | Comentários (3)
[0817/2004] Arbitragens
Depois do jogo de hoje do Porto, fiquei sem dúvidas, Bruno Paixão tem um excelente futuro como árbitro, a ver por este Markus Merk que veio da Alemanha arbitrar uma meia-final da Liga dos Campeões, depois do ano passado ter apitado a final entre Milão e Juventus.
A única diferença é que desta vez têm todos queixas!
Vergonhoso!
Terá sido influência do "Apito Dourado"?!?!
Publicado por Nuno Peralta às 09:40 PM | Comentários (4)
[0816/2004] Excelência
Porque é sempre bom para o nosso ego destacar o que de bom se faz em Portugal e que é reconhecido lá fora, aqui fica esta boa notícia:
Projecto português de Biotecnologia, o X-Prot, premiado em Bruxelas
Publicado por Nuno Peralta às 08:54 PM | Comentários (0)
[0815/2004] Champions

Desta Janela desejam-se as maiores felicidades ao FCP para esta noite, para que possa haver um clube português na final da Champions League.
De qualquer das formas, uma coisa é certa, logo ao final da noite alguém de azul e branco estará bastante satisfeito...
Publicado por Nuno Peralta às 07:44 PM | Comentários (0)
[0814/2004] Vanunu Livre!
Publicado por Nuno Peralta às 12:51 PM | Comentários (1)
[0813/2004] Soprar no apito
A Operação Apito Dourado está a servir para se começar a ver alguns a dizerem textualmente aquilo de que todos desconfiamos (ou como dizia o Octávio Machado, "vocês sabem do que é que eu estou a falar...").
Eis as declarações do ex-árbitro Teixeira Correia à TSF:
«É sempre o mesmo método, os chamados empresários de árbitros contactam-nos, que vêm com conversa da treta (...) e que acabam muitas vezes por vender-nos. Alguns de nós nem sabemos das situações», disse Teixeira Correia dando como exemplo um caso com o Imortal.
A título de exemplo, Teireixa Correia falou de «um jogo com uma equipa da zona de Lisboa em que também fui contactado por um empresário no sentido de facilitar as coisas para a equipa visitante».
«Naturalmente que não aceitei», assegurou o antigo árbitro. «Dei conhecimento em Leiria aos árbitros, avisei o conselho de arbitragem, disse ao Pinto de Sousa e aos outros membros que não fizeram caso. Estava tudo feito para queimar os mais pequenos», explicou.
Publicado por Nuno Peralta às 12:40 PM | Comentários (1)
[0812/2004] Mordechai Vanunu
Se os israelitas são capazes de fazer o que fizeram a Mordechai Vanunu, imaginem a dificuldade que têm em combater os palestinianos...
Transcrevo em seguida o e-mail que recebi acerca das comemorações da libertação desta vítima do Estado israelita.
Vigília nas imediações da Embaixada de Israel
Quarta-feira, dia 21 de Abril, pelas 18:30
Comemoração da libertação de Mordechai Vanunu
O Grupo Local Portugal 19 - Sintra da Amnistia Internacional realiza na quarta-feira, dia 21 de Abril, pelas 18:30, uma vigília nas imediações da Embaixada de Israel, na Rua António Enes, em Lisboa, para comemorar a libertação de Mordechai Vanunu, cidadão israelita preso há 18 anos (12 dos quais em solitária) por denunciar a produção de armas nucleares por Israel.
Apesar de ser libertado, Vanunu será proibido de viajar para fora de Israel, de contactar com cidadãos estrangeiros e de falar para a imprensa. O Grupo 19 da Amnistia Internacional considera que a justificação oficial apresentada pelas autoridades israelitas - a possibilidade de Vanunu revelar mais segredos - é desprovida de sentido, dado que já se passaram 18 anos sobre a sua detenção e tudo o que pudesse saber se encontra desactualizado. Na realidade, Israel pretende impedir que Vanunu revele pormenores sobre o seu rapto pela Mossad em Itália e o seu julgamento secreto em Israel em 1986.
Por conseguinte, o Grupo 19 da Amnistia Internacional irá também reclamar o levantamento das restrições aos direitos fundamentais de Vanunu, tal como nas vigílias nas demais cidades do mundo inteiro (Washington, Detroit, São Francisco, Londres, Toronto, Roma e Dublin, entre outras).
Para mais informações contactar:
Rui Palma - 917 829 617
Luís Galrão - 966 365 720
http://vanunu.planetaclix.pt/
http://grupo19aisp.no.sapo.pt/
http://blog-19.blogspot.com
Publicado por Nuno Peralta às 03:12 AM | Comentários (1)
[0811/2004] Normal?
"Apito Dourado": Madaíl encara investigações "sem grande admiração"
Sem grande admiração? O que saberá o maior troca-tintas do mundo politico-desportivo deste país que nós (ainda) não sabemos? Ou é apenas mais uma das suas irresponsáveis respostas, ele que arranja sempre maneira de sacudir a àgua do capote e "queimar" quem estiver mais a jeito?
Publicado por Nuno Peralta às 01:34 AM | Comentários (0)
abril 20, 2004
[0810/2004] Sentido de Estado
"No nosso país, a justiça é completamente independente do poder político e não me compete a mim agora estar a comentar qualquer caso concreto"
(Durão Barroso )
Pode ter muitos defeitos enquanto governante, mas ao contrário dos líderes dos partidos da oposição, Durão Barroso sabe reagir com sentido de Estado e proporcionalidade quando a Justiça ataca os "seus".
Eu pessoalmente gostei bastante de ouvir estas palavras, assim como gosto do silêncio da Ministra da Justiça (mas esta, para todos os efeitos, é de outro partido, que se calhar até está a gostar de ver a cena...).
PS: Há só uma dúvida que eu tenho em todo este processo do "Apito Dourado": se é para começar a ouvir os presumíveis arguidos só amanhã, porque é que tiveram que ser detidos hoje? Havia perigo de fuga ou de perturbação da ordem pública?
Publicado por Nuno Peralta às 07:22 PM | Comentários (2)
[0809/2004] 20 de Abril
O dia 20 de Abril parece ser um dia predestinado ao nascimento de personalidades famosas.
Em 571 terá nascido o profeta Maomé, figura central na cultura islâmica.
Em 1889 nascia Adolph Hitler, um dos maiores pesadelos do mundo durante o século XX, o homem que levou a Alemanha e o mundo para a 2ª Guerra Mundial, de onde haveria de sair derrotado e morto, não sem antes ter sido responsável pelo Holocausto, onde perderam a vida milhares de judeus e outros tantos sofreram a bom sofrer.
Em 1893 nascia o pintor catalão Joan Miró, um dos maiores representantes do surrealismo.
O dia 20 de Abril ficou igualmente marcado pelos acontecimentos de há 5 anos, quando dois adolescentes entraram armados no liceu de Columbine, no Colorado e dispararam indiscriminadamente sobre os colegas, fazendo 15 vítimas mortais (entre as quais os 2 estudantes, que acabaram por se suicidar).
Estes acontecimentos já tiveram direito a ser retratados no cinema, numa versão documentário bastante demagógica pelo polémico Michael Moore, em "Bowling for Columbine" e numa versão ficcionada, pela mão de Gus Van Sant, no magnífico "Elephant".
Publicado por Nuno Peralta às 02:09 PM | Comentários (1)
[0809/2004] Saudigate?
"Plan of Attack: The Road to War" é o título do novo e explosivo livro de Bob Woodward, em que o jornalista denuncia, entre outras coisas, a maneira menos clara como foi planeada a invasão do Iraque, o desvio de fundos do Afeganistão para o Iraque e um acordo secreto em que a Arábia Saudita ter-se-á comprometido (através do seu embaixador em Washington) a agir sobre os preços do petróleo para os fazer baixar exactamente antes das presidenciais de Novembro, uma medida que visaria favorecer a economia norte-americana e, em última análise, a reeleição de Bush.
Bob Woodward, para quem não se lembra, é um dos jornalistas responsáveis pela divulgação do escândalo Watergate, que haveria de causar a demissão do republicano Richard Nixon da presidência dos EUA, em plena guerra do Vietname...
Parece que está reunido o cenário para que Bush Jr. lhe siga as pisadas, mas desta vez deverão ser os americanos a julgá-lo, já em Novembro próximo...
Publicado por Nuno Peralta às 12:10 PM | Comentários (3)
[0808/2004] Operação Apito Dourado
Valentim Loureiro detido pela PJ, por alegado envolvimento no tráfico de influências nas arbitragens
Aparentemente parece que o "sistema" começa a ser devidamente investigado e para além de Valentim Loureiro, o presidente do conselho de arbitragem da FPF Pinto de Sousa e mais outras 14 pessoas também foram detidos para interrogatório, faltando saber se alguns irão ficar efectivamente detidos ou não...
Será que o Pinto da Costa já está neste momento a apanhar um aviãozinho para ir de férias com a sua Carolina para bem longe daqui?
Entretanto, as entidades responsáveis pela promoção do Euro'2004 agradecem mais esta excelente imagem que se passa do futebol em Portugal. Eu pessoalmente agradeço que se esclareça toda a corrupção no futebol português, custe isso que o que custar à imagem do país. Pior que um país que prende corruptos é um país que os deixa andar à solta!
PS: Só uma dúvida, qual destes Valentins Loureiros é que foi preso, o ilustre cidadão, o empresário, o Presidente da Liga Profissional de Futebol, o Presidente da Câmara Municipal de Gondomar, o Presidente do Conselho de Administração do Metro do Porto, o Presidente da Junta Metropolitana do Porto ou o ex-Consul Honorário da Guiné-Bissau?
Publicado por Nuno Peralta às 11:45 AM | Comentários (7)
[0807/2004] A Foreign Sound

Não me canso de ouvir o novo album de Caetano Veloso, "A Foreign Sound", a prova provada de que Caetano maravilha em qualquer língua, é um cantor universal.
E que bom é ouvir a versão de "Come As You Are", apenas um dos 22 temas que nos fascinam ao longo do disco...
Publicado por Nuno Peralta às 03:31 AM | Comentários (0)
[0806/2004] GNR e ONU
Ouvi hoje Ferro Rodrigues dizer que só defende a continuidade da GNR no Iraque depois de 30 de Junho sob mandato da ONU. Ouvi igualmente a nossa esquerda trauliteira exigir que sigamos os espanhóis na retirada das tropas no Iraque.
Será que ninguém explicou a estes senhores que a actual presença da GNR no Iraque é ao abrigo da Resolução 1511 da ONU, que não resulta de nenhuma decisão unilateral?
Publicado por Nuno Peralta às 12:06 AM | Comentários (1)
abril 19, 2004
[0805/2004] Oklahoma e Waco
E numa época em que o terrorismo marca a agenda política, é bom não esquecer que nem todo o terrorismo é islâmico e nem só no Islão existe fundamentalismo.
Passam hoje 9 anos sobre uma data que os habitantes de Oklahoma jamais esquecerão, quando Timothy McVeigh e seus cúmplices, julgando-se empossados por Deus, fizeram explodir um camião cisterna à porta de um edifício federal, matando 168 vítimas inocentes e ferindo mais 500.
Mais tarde Timothy McVeigh viria a ser capturado, julgado e condenado à morte, tendo sido executado em 16 de Maio de 2001.
Curiosamente, neste mesmo dia, dois anos antes, a 19 de Abril de 1993, David Koresh e a sua seita punham fim a um cerco de 51 dias, através de um suicídio colectivo, que fez dezenas de vítimas entre os fiéis seguidores da seita.
Publicado por Nuno Peralta às 11:35 PM | Comentários (1)
[0804/2004] Política nacional

"O PS tem que se definir. Não pode ser contra o envio e contra o regresso da GNR", afirmou o dirigente do BE Miguel Portas, em conferência de imprensa, na sede do partido.
Não haja dúvidas que o BE está a ter uma postura inteligente, atacando em público aquele que quer como aliado, deixando incólume o Governo (ou melhor, dando-lhe argumentos para mais tarde utilizar...).
E numa coisa se vê que Miguel e Paulo são irmãos: na megalomania, pois estando em partidos minúsculos, ambos têm a pretensão de definir as posições de cada um dos "lados da barricada".
Alguém os avise que já passou a idade de brincarem aos "índios e cowboys"...
Publicado por Nuno Peralta às 08:06 PM | Comentários (1)
[0803/2004] Omar Bakri Mohammed
Confesso que não pretendia ler a entrevista deste senhor. Alguém que é considerado um "teórico" da Al-Qaeda merece mais é desprezo. Mas depois de ler algumas passagens aqui pela blogoesfera, considero que é importante todos lerem a dita, para se perceber que a guerra contra estes grupos fundamentalistas islâmicos só terminará com a morte do último deles ou de nós (os outros).
Apenas duas citações, para que se perceba porque acho que é necessária a permanência de tropas no Iraque e porque não se pode facilitar minimamente na relação com estes grupos:
P. O que pretende a Al-Qaeda?
R. O terror. Estão empenhados numa jihad defensiva, contra os que atacaram o Islão. E a longo prazo querem restabelecer o estado islâmico, o califado. E converter o mundo inteiro.
P. Para si não há diferença entre atacar um objectivo militar provocando algumas baixas civis ou fazer das populações o próprio alvo.
R. Há uma diferença: nós não somos hipócritas. Não dizemos: "Desculpem, foi engano". Dizemos: "Vocês mereceram". Assumimos que o objectivo é matar o maior número de pessoas, para provocar o terror.
Como os links do Público duram apenas uma semana, a entrevista ficará gravada aqui, na entrada estendida.
Omar Bakri Mohammed,
Líder do "Londonistão" e Teórico da Al-Qaeda na Europa
Domingo, 18 de Abril de 2004
"O terror é a linguagem do século XXI"
por Paulo Moura
Durante dois dias, corremos os antros mais obscuros do islamismo radical londrino à procura do líder espiritual da jihad britânica. Até que recebemos um telefonema. "Daqui fala Omar Bakri Mohammed. Disseram-me que me quer ver. Pode vir a minha casa esta tarde".
É uma vivenda incaracterística num subúrbio do Norte de Londres, Edmonton. "Sheik Omar" recebe-nos numa salinha ocupada com livros em árabe e um computador.
Dizem que é dirigente da Al-Qaeda. Ele não confirma nem desmente. Diz que pertence à "mesma escola de pensamento" e apoia as acções do grupo de Bin Laden, mas que está impedido pelo "texto divino" de cometer atentados no Reino Unido. "Quando alguém se filia na Al-Qaeda é para morrer", explica.
Um dos principais líderes do chamado "Londonistão", o quartel-general teórico do islamismo radical, Omar Bakri é o fundador do "Al-Moujahiroun", uma espécie de "braço político" da Al-Qaeda no Ocidente.
Nasceu na Síria, tem 44 anos e sete filhos, usa longas barbas e túnica branca, é fanático pela internet e as "chat rooms" e dá frequentemente que falar por causa das suas "fatwas" com condenações à morte e tiradas provocatórias como "ainda hei-de ver a bandeira do Islão sobre o número 10 de Downing Street".
Antes dos atentados de 11 de Setembro, pregava livremente nas principais mesquitas de Londres, como a de Regents Park. Agora está limitado aos "púlpitos" radicais como Finnsbury Park e Tottenham.
É juiz da Sharia, tem o seu próprio tribunal, em Londres, à revelia da lei britânica, que despreza por ser "feita pelo Homem". No entanto, garante que não a viola. Foi preso 16 vezes e outras tantas libertado. Só pede às autoridades que sejam coerentes com as suas próprias "leis imperfeitas: "Deixem Omar Bakri beneficiar da democracia".
PÚBLICA - Tem a casa cheia de livros. São todos sobre o Islão?
Omar Bakri Mohammed - Sim, todos os meus seis mil livros. Excepto aquele ("British Law"), que me foi oferecido.
P. Leu-o?
R. Por alto.
P.Que tal?
R. Pura e simplesmente patético.
P. Porquê?
R. Não tem consistência. Há 100 anos, um homem passear com uma mulher era uma vergonha. A homossexualidade era uma vergonha. Hoje, é uma vergonha não ter namorada, homossexuais tornam-se primeiros-ministros.
P. Não é normal as leis mudarem de acordo com as mudanças na realidade?
R. A realidade não muda. As pessoas costumavam deslocar-se de camelo, agora vão de carro. Mas o condutor do camelo ou do carro são a mesma pessoa. Cultura e civilização não são o mesmo que progresso material. Este, a Humanidade deve partilhá-lo. Aqueles têm a ver com uma perspectiva sobre a vida. A minha é simples. Deus diz: Pensam que vos criei para nada? Eu criei-vos com um propósito. Para se submeterem. Para obedecerem ao meu comando. Se o fizerem têm garantido o paraíso. Se não, espera-vos o fogo do Inferno. É simples.
P. Os valores culturais são imutáveis?
R. Sim. O adultério, a fornicação, a homossexualidade, o jogo, a usura, o roubo, o assassínio, a mentira eram errados no tempo de Abraão e Maomé e continuam a sê-lo. Mas o Ocidente inventou palavras bonitas para se referir a estes crimes. Em vez de fornicação e adultério diz "affair". Em vez de mentira diz "edição", no caso dos jornalistas.
P. Como se pode viver na Grã-bretanha e não aceitar as leis britânicas?
R. Eu não aceito nenhuma lei feita pelo homem. Todos os muçulmanos estão proibidos de obedecer a leis feitas pelo homem. São imperfeitas, têm falhas, ninguém se entende. Votam, seguem a opinião da maioria, mas muitas vezes as várias minorias todas juntas são mais do que a maioria. Fazem referendos, manobras, compromissos, confusão. Quem segue a lei divina nunca tem confusão.
P. Não são os compromissos as formas menos injustas de governar? A democracia é mesmo isso.
R. A democracia, o capitalismo, o socialismo, o comunismo são sistemas criados pelo Homem, e como tal imperfeitos. Só Alá pode criar. Se Tony Blair disser: eu criei a Lua, o que me diz dele? É doente mental. Isso está para além das suas possibilidades. Não podemos reconhecer aos homens os atributos de Deus. Alá é o único legislador. Eu só reconheço a lei divina. Quem reconhece a alguém atributos divinos é apóstata. Deve ser excluído da comunidade islâmica.
P. Até a lei divina é susceptível de interpretações.
R. Não. Nós, os salafitas, não admitimos interpretações. Seguimos o texto divino segundo a compreensão que dele tiveram os melhores homens que pisaram a Terra.
P. Quem são?
R . Maomé e os seus companheiros e família, exclusivamente. Mais ninguém depois deles. Não há lugar para interpretações, nem escolas de pensamento. A única actividade da nossa competência é aplicar essa lei divina a cada situação concreta.
P. E quem o pode fazer?
R. Os estudiosos do texto divino. Não os especialistas de Cambridge em Medicina, Engenharia ou Economia, ou seja o que for, por maior respeito que eu tenha por eles.
P. A separação da política e da religião é mais uma imperfeita invenção humana...
R. Exactamente. Pois se a religião é a vida e a política também... E se nós vivemos nesta vida... Como se pode separar? Nós não somos hipócritas. As leis da democracia e da liberdade são as leis da hipocrisia.
P. Mas são essas leis que lhe permitem viver neste país...
R. Eu não as violo.
P. Como é isso possível? Não há um conflito?
R. Por exemplo, eu não fornico, porque a minha lei o proíbe. Mas a lei britânica não obriga a fornicar. Portanto estou a agir no respeito pelas duas leis.
P. Essa questão está resolvida, não há conflito.
R. Noutras situações não é tão simples. O Islão proíbe o juro e a hipoteca. Logo, eu não posso comprar uma casa. Vivo nesta que é alugada à Câmara. Não permite fazer seguros...
P. Porquê?
R. Porque é um contrato entre três partes. Segundo a lei divina, só pode haver duas. Portanto não tenho seguro no meu carro. A Polícia manda-me parar e multa-me, porque o seguro é obrigatório. Pois bem, não ando mais de carro. Meu Deus, por Ti, sofro, vou de comboio.
P. É possível viver evitando o conflito.
R. O conflito só surge quando a lei feita pelo homem, que é demoníaca, quer disfarçar as suas imperfeições e declara, por exemplo, que vivemos numa sociedade multicultural. Nós respondemos: a ideia é boa, mas é uma mentira. A verdade é que a cultura ocidental é dominante sobre qualquer outra. É obrigatório levar as crianças à escola. E lá, o que ensinam aos meus filhos contradiz as minhas crenças, a minha cultura. O meu bisavô foi morto por Ricardo Coração de Leão, que é apresentado como um herói, que combateu Saladino, que é um herói na minha cultura. O darwinismo: eu acredito que o Homem foi criado por Deus...
P. O multiculturalismo é uma mentira?
R. É, e eu não levo os meus filhos à escola. Disse: "Têm de mudar a lei". Porque as leis imperfeitas feitas pelo Homem podem ser mudadas. Responderam: "Ensino alternativo". É o compromisso. Eles acham que tudo se faz com compromissos. Criámos a nossa própria escola, pagamos a professores. Mas então eles ripostaram: "Mesmo nas escolas islâmicas, têm de adoptar o curriculum nacional". Está a ver? É impossível viver com as leis feitas pelo homem.
P. É por isso que diz querer colocar a bandeira do Islão no número 10 de Downing Street...
R. Sim, é o meu sonho. Acredito que um dia isso vai acontecer. Porque este é o meu país, eu gosto de viver aqui.
P. É um sonho ou um projecto?
R. Deus disse: "Não vivas entre os descrentes, a menos que apeles para que se convertam. Se não o fizeres serás amaldiçoado".
P. Uma conversão por meios pacíficos e legais?
R. O profeta Maomé disse: "Deus mandou-me para lutar contra as pessoas. A menos que digam que não há nenhum Deus além de Alá e que Maomé é o seu profeta. Que rezem, jejuem e obedeçam ao comando. Ou então que estabeleçam um pacto de segurança com os crentes".
P. Maomé mandou fazer conversões à força?
R. Eu explico: o pacto de segurança é muito importante no Islão. Significa que qualquer muçulmano a viver legalmente neste país está proibido de combater seja quem for, indivíduos ou governo. Só o podem fazer de forma legal.
P. Os muçulmanos podem ter actividade política no regime feito pelo Homem?
R. Podem e devem. O Profeta teve actividade política em Meca. Nós não podemos votar. Mas podemos participar em manifestações. Maomé organizou uma manifestação. Todas as nossas acções têm de estar previstas no texto divino. Podemos organizar conferências, petições...
P. Peditórios para os mujahidin...
R. Esse é o problema. Se recolhemos fundos, dizem que é para financiar o terrorismo.
P. E não é?
R. Se damos dinheiro a mulheres e crianças necessitadas, dizem que são as famílias dos terroristas. Mas de onde vêm os terroristas? Do Zimbabué? Não. São gente daqui. E são nossos irmãos também, os terroristas. Os britânicos também são terroristas, no Iraque. Eu não me surpreendi nada quando as pessoas queimaram aqueles carros e arrastaram os corpos... pois se tinham feito o mesmo aos irmãos deles! O terrorismo é a lei do século XXI. É legítimo.
P. Quer dizer que um muçulmano da Grã-Bretanha não pode fazer um atentado terrorista aqui. Mas se for para o estrangeiro...
R. Isso é outra história.
P. Os atentados de 11 de Setembro foram legítimos?
R. Claro que sim. A América atacou o Afeganistão, a Somália, o Sudão, o Iraque, apoia regimes ditatoriais nos países árabes, estacionou tropas em território muçulmano. Há o direito de retaliar. Al-Qaeda atacou a América. É a acção e a reacção. Vocês são terroristas, nós somos terroristas. O terrorismo é a forma de agir do século XXI.
P. Mas o que pode justificar matar deliberadamente milhares de civis inocentes?
R. Nós não fazemos a distinção entre civis e não civis, inocentes e não inocentes. Apenas entre muçulmanos e descrentes. E a vida de um descrente não tem qualquer valor. Não tem santidade.
P. Mas havia muçulmanos entre as vítimas.
R. Isso está previsto. Segundo o Islão, os muçulmanos que morrerem num ataque serão aceites imediatamente no paraíso como mártires. Quanto aos outros, o problema é deles. Deus mandou-lhes mensagens, os muçulmanos levaram-lhes mensagens, eles não acreditaram. Deus disse: "Quando os descrentes estão vivos, guia-os, persuade-os, faz o teu melhor. Mas quando morrem, não tenhas pena deles, nem que seja o teu pai ou mãe, porque o fogo do Inferno é o único lugar para eles".
P. Deus quer que se mate todos os não-muçulmanos?
R. Não. Devemos respeitar aqueles com quem temos pacto de segurança. Sheik Bin Laden não tem nenhum pacto de segurança com os americanos.
P. Para si não há diferença entre atacar um objectivo militar provocando algumas baixas civis ou fazer das populações o próprio alvo.
R. Há uma diferença: nós não somos hipócritas. Não dizemos: "Desculpem, foi engano". Dizemos: "Vocês mereceram". Assumimos que o objectivo é matar o maior número de pessoas, para provocar o terror. Para que no Ocidente pensem: "Olhem o que nos aconteceu!" E saibam que cada vez que os seus governos enviam belos helicópteros Apache e aviões F-16 é também para matar mulheres e crianças. Quantas pessoas morreram no Afeganistão? Fizeram "carpet bombing" dia e noite. Nunca foi dado um número. Mais de 160 mil? Quem eram essas pessoas? Em Madrid foram 196 ou 197? Conta-se um a um.
P. O terror é a única forma de consciencializar as pessoas?
R. O terror é a linguagem do século XXI. Se quero alguma coisa, aterrorizo-te, para o conseguir. Apoiar George Bush é uma forma de terrorismo. Apoiar a Al-Qaeda também. Toda a gente está envolvida, acredite. Todo o muçulmano é terrorista, mas todo o não-muçulmano também. Há épocas em que isto é necessário. É o "tempo dos assassinos", está previsto no texto divino.
P. O Corão diz isso?
R. Sim. As pessoas não percebem, porque a televisão e os jornais só entrevistam os seculares. Não falam com quem sabe. Os seculares dizem que "o Islão é a religião do amor". É verdade. Mas o Islão também é a religião da guerra. Da paz, mas também do terrorismo. Maomé disse: "eu sou o profeta da misericórdia". Mas também disse: "Eu sou o profeta do massacre". A palavra "terrorismo" não é nova entre os muçulmanos. Maomé disse mais: "Eu sou o profeta que ri quando mata o seu inimigo". Não é portanto apenas uma questão de matar. É rir quando se está a matar.
P. Isso quer dizer que o terrorismo é natural e legítimo?
R. Só é legítimo o terrorismo divino.
P. Como se sabe quando o terrorismo é divino?
R. Deus disse: "Olho por olho. Combate aqueles que te combatem a ti. Contra quem atentar contra a tua vida, a tua família, a tua propriedade, deves usar a violência". Por exemplo, você está em minha casa, mas não viu a minha mulher. O Corão diz: "Se alguém espreitar para o quarto onde estás com a tua mulher, fura-lhe os olhos com uma faca".
P. Mas neste caso quem espreita quem? Os EUA ao Iraque? Quem tem o direito de matar quem?
R. No Islão, não há uma entidade chamada Iraque, ou EUA...
P. Claro, isso são situações criadas pelo Homem...
R. Exacto. Só há dois tipos de pessoas: muçulmanos e infiéis. Se se ataca os muçulmanos em qualquer lugar, é como se se atacasse todos. Há o direito de retaliar, mas não quando se está sob um pacto de segurança. Nesse caso, apenas podemos apoiar as acções verbalmente, mas não fazer nenhuma aqui. É isto que as pessoas não percebem. Um muçulmano nunca pode envolver-se num ataque terrorista no país onde vive legalmente.
P. Mas Mohammed Atta e outros terroristas do 11 de Setembro estavam na Alemanha e nos EUA...
R. Viviam na Alemanha, com quem tinham pacto de segurança. Depois viajaram para os EUA com passaportes falsos. Só posteriormente assumiram as suas identidades verdadeiras, porque iam morrer como mártires e queriam que os seus nomes fossem conhecidos. Mas não estavam nos EUA legalmente, por isso não estavam obrigados ao pacto de segurança.
P. Nessas condições, é permitido a um muçulmano fazer tudo.
R. Claro. Se não estiver sob pacto de segurança, não tem de respeitar a propriedade, nem a vida nem a autoridade no país onde estiver. A propriedade e a vida de um descrente não têm santidade, não valem nada. A menos que ele se converta ao Islão, ou que estabeleça comigo um pacto de segurança. Um homem nasce com dinheiro ou nasce nu? Deus criou-nos nus. Os bens pertencem a Deus, a terra pertence a Deus, nós pertencemos a Deus. Como se atreve alguém a ter a riqueza de Deus nas suas mãos, não obedecendo a Deus nem tendo um pacto com os que obedecem?
P. O senhor está legal na Grã-Bretanha portanto não está nem poderá estar envolvido na preparação de nenhum atentado terrorista aqui.
R. Impossível. Estou sob pacto de segurança.
P. É verdade que dos oito detidos sob suspeita de organizarem um atentado em Londres, sete eram seus alunos?
R. É verdade. Mas lembro-me que eles nunca concordaram com o respeito pelo pacto de segurança. São "free-lancers", não pertencem à Al-Qaeda. Outros dois alunos meus também abandonaram um dia as aulas e foram-se fazer explodir na Palestina, sem me avisarem. Fiquei muito zangado.
P. O que é que o senhor ensina aos seus alunos?
R. Como rezar, como jejuar...
P. Acha que vai ocorrer algum grande atentado em Londres?
R. É inevitável. Porque estão a ser preparados vários, por vários grupos. O que eu de certa forma lamento, porque a primeira coisa que o Governo vai fazer a seguir é deportar-me, a mim e à minha família.
P. O senhor pertence à Al- Qaeda?
R. A Al-Qaeda é um grupo de eruditos. Eu sou um erudito (na medida em que se pode dizer isto, uma vez que nunca somos eruditos, mas apenas estudiosos) e pertenço à mesma escola de pensamento.
P. Mas diz-se que o senhor pertence mesmo à estrutura da Al-Qaeda.
R. É uma honra. Não me associam a dançarinas do ventre nem a homossexuais, mas às melhores pessoas que jamais existiram na Terra (depois do profeta e seus companheiros): os membros da Al-Qaeda.
P. Admira-os assim tanto?!
R. A Al-Qaeda é uma lenda. Fizeram uma acção tão grandiosa! Nunca ninguém sonhara que se pudesse ousar aquilo, lançar aviões contra dois arranha-céus... Sabe, a Al-Qaeda não é um grupo a que se possa aderir.
P. Mas têm células na Europa...
R. Têm células com uma missão. E são sempre missões suicidas. Por isso, quando se descobre uma célula, ela já não existe. Quando nos filiamos na Al-Qaeda é para morrer, não para viver.
P. Explique-me como funciona isso. Quando alguém quer fazer um atentado contacta com a Al-Qaeda?
R. Não. As pessoas são recrutadas. Ficam em células adormecidas, comportando-se normalmente e não dando nas vistas à espera de uma missão. Que é a primeira e última. É por isso que é impossível a Polícia infiltrar-se na organização.
P. Mas as células têm de contactar a organização, para preparar os atentados, receber dinheiro...
R. Cada célula tem um imam e mais duas ou três pessoas, e um orçamento. A partir daí, na altura própria, agem sozinhas, nunca contactam ninguém.
P. Quantos elementos tem a Al-Qaeda?
R. Uns onze mil. Estão juntos, espalham-se pelo mundo e voltam a juntar-se. Mas estão a recrutar.
P. Onde? Nas mesquitas radicais, como as de Londres?
R. Se não recrutassem, acabariam por desaparecer, porque o seu destino é a morte. O próprio Bin Laden e os seus companheiros, está na altura de morrerem.
P. O Bin Laden vai suicidar-se?
R. Acho que deve. São um grupo que se juntou para lutar e morrer. Têm de ser coerentes. Acho que vão suicidar-se numa operação.
P. Se Bin Laden morrer a Al-Qaeda continua?
R. Claro. Eles eram um grupo mas agora tornaram-se num fenómeno. O 11 de Setembro fez os muçulmanos compreenderem que têm poder, que o renascimento do Islão é irreversível. Começou um novo capítulo da História. Por isso nós, os salafistas-jihadistas, iniciámos desde essa data um novo calendário. Estamos agora no ano três da era da Al-Qaeda.
P. Que espécie de fenómeno se tornou a Al-Qaeda?
R. Há muitos jovens que sonham entrar na Al-Qaeda, mas, pior do que isso, há muitos grupos "free-lancers" dispostos a lançar operações iguais às da Al-Qaeda. O atentado de Madrid foi cometido por um desses grupos.
P. A Al-Qaeda não teve nada a ver com Madrid?
R. Talvez tenha tido, mas a operação saiu do seu controlo. Alguns dos operacionais estavam sob pacto de segurança em Espanha, outros serviram no Exército marroquino, que é apóstata e que os tornaria imediatamenmte apóstatas também.
P. Há muitos desses grupos "free-lance" na Europa?
R. Cada vez mais. O que é perigoso, porque nem todos têm a preparação teórica adequada. Aqui em Londres há um grupo muito bem organizado, que se auto-intitula Al-Qaeda-Europa. Divulgam, pela internet e email, muito material de propaganda e têm um apelo muito grande sobre os jovens muçulmanos. Sei que estão prestes a lançar uma grande operação.
P. Qual é a sua relação com eles?
R. Não aprovo o que fazem. Entregam-se a actividades ilegais, como o tráfico e a falsificação de cartões de crédito e de passaportes, para se financiarem. Isso é proibido pelo Islão, a muçulmanos que vivem sob pacto de segurança. Não podemos viver legalmente num país, beneficiando de segurança social, de protecção policial, etc., e roubar o nosso vizinho. Uma vez, lançaram um comunicado intitulado "Quem é Omar Bakri?" em que insinuavam que eu era agente da CIA.
P.Como sabemos que um atentado é realmente da Al-Qaeda?
R. É fácil. Em primeiro lugar são sempre operações em grande escala. O texto divino é claro quanto à necessidade de provocar "o máximo dano possível". O operacional tem portanto de certificar-se de que mata o maior número de pessoas que pode matar. Se não o fizer, espera-o o fogo do Inferno. Em segundo lugar, a Al-Qaeda deixa sempre uma impressão digital: uma pista, como um carro com um Corão ou uma cassete, para ser encontrado pela Polícia. Terceiro, os ataques são feitos em dois ou três lugares ao mesmo tempo. Finalmente, a linguagem. Nos comunicados, basta ler uma frase para se reconhecer o seu rigor teórico: não há nenhum sinal de nacionalismo, não se dizem árabes, nem palestinianos, apenas muçulmanos. Falam sempre do martírio, da morte.
P. O que pretende a Al-Qaeda?
R. O terror. Estão empenhados numa jihad defensiva, contra os que atacaram o Islão. E a longo prazo querem restabelecer o estado islâmico, o califado. E converter o mundo inteiro.
P. A Al-Qaeda quer conquistar o mundo?
R. Não, eles como grupo não o podem fazer. Os EUA lançaram uma guerra contra os muçulmanos, que é uma entidade que não existe, como estado. De certa forma, lançaram uma guerra contra o futuro califado. A Al-Qaeda está apenas a defender-se.
P. Os EUA podem negociar com a Al-Qaeda?
R. A Al-Qaeda é por natureza uma entidade invisível, não é um Estado, por isso não pode dialogar com um Estado. O seu projecto é derrubar os governos corruptos dos países muçulmanos, substitui-los por governos islâmicos e reconstituir o califado. Nessa altura, como Estado, poderão negociar com os EUA, de igual para igual. Primeiro, tentarão um pacto de segurança com eles. Dirão: nós fornecemos o petróleo e viveremos em paz, mas na condição de podermos divulgar livremente o Islão no Ocidente. Se os americanos não permitirem isto, então o califado terá de lhes declarar guerra.
P. Os muçulmanos em todo o mundo estão motivados para a construção do califado?
R. Em 1924, foi destruído o último califado, com o império Otomano. Desde então, vivemos no vácuo político. Houve tentativas de restabelecer o estado islâmico na Turquia, na Síria, na Tchetchénia, no Afeganistão. O projecto existe. Com o 11 de Setembro, a Al-Qaeda convenceu os muçulmanos de que tem o poder para o pôr em prática.
P. Os muçulmanos que vivem aqui não estão mais interessados em integrar-se nas sociedades ocidentais?
R. A primeira geração veio, nos anos 40, por razões económicas. Aqui, chamavam-lhes "paquis", tratavam-nos mal, mas eles só queriam comida e um tecto para dormir. A segunda geração, entre os anos 60 e 80, integrou-se. Chamavam-se "Bobby" e gostavam de Madonna e Michael Jackson. A terceira geração, que é a minha, veio a partir dos anos 80 por razões políticas. Porque sofremos a discriminação nos países árabes, por causa das leis feitas pelo homem, produto do Ocidente. O profeta disse: vai aos teus próprios senhores, a Roma e a Bizâncio, para os converteres. Começámos por devolver a auto-estima aos muçulmanos que aqui vivem.
P. Eles afinal não se integraram na cultura ocidental?
R. Eles sim. Sentiam-se integrados. Mas o problema é que o Ocidente é por natureza racista. Nunca os aceitou como iguais. São sempre os "paquis", os "coconuts". Eles sentiram-se traídos. Nós viemos dizer-lhes que são membros de uma grande nação, e que a sua cultura não é esta. Há 50 milhões de muçulmanos no Ocidente. O passo seguinte é converter os ocidentais.
P. Não receia que os ataques terroristas façam os ocidentais odiar o Islão?
R. Nunca houve tantas conversões como depois do 11 de Setembro.
P. Se puder divulgar o Islão, não tem dúvidas de que os ocidentais se vão converter.
R. Nenhumas. Porque o Ocidente não tem respostas para o sentido da vida, ou da morte, que é o grande desafio da vida. A cultura ocidental reduziu-se ao entretenimento. Sex, drugs and Rock and Roll. Não se pode falar da morte. Há algum tempo, um programa de televisão chamou-me o Ayatolla de Tottenham e insultou-me. Eu exigi uma série de sete debates no mesmo programa e eles acederam. Estive em directo com Robert Fisk e vários intelectuais ocidentais. Não precisei de citar um único verso do Corão. Falámos sobre a pobreza, os problemas do mundo, o significado da vida. Choveram telefonemas de apoio, de muitas pessoas pedindo para se converterem. Antes do 11 de Setembro, eu corria todas as universidades deste país, fazendo palestras. De todas as vezes havia convertidos ao Islão, loiros de olhos azuis.
P. Antes do 11 de Setembro deixavam-no fazer isso livremente?
R. Não era fácil. Fui preso 16 vezes. E 16 vezes libertado, porque não tinham nada contra mim. São as contradições das leis feitas pelo Homem. Se acreditam na democracia, de quem têm medo? Deixem Omar Bakri beneficiar da democracia!
P. Nunca conseguiram provar nada contra si?
R. Eu nunca violo nenhuma lei. Em 1990, quando John Major foi a Washington declarar que apoiaria os americanos na guerra contra o Iraque, eu lancei uma fatwa contra o primeiro-ministro. Disse, ponto um, que qualquer muçulmano tinha obrigação de o matar; ponto dois... A Polícia não leu o ponto dois e prendeu-me nesse mesmo dia. O ponto dois dizia: ...qualquer muçulmano excepto os que vivem legalmente na Grã-Bretanha e têm pacto de segurança com o país. Ou seja, nenhum muçulmano sob a minha jurisdição neste país poderia cometer o assassínio, de que eu nunca poderia portanto ser acusado de autoria moral. Libertaram-me.
Publicado por Nuno Peralta às 03:14 PM | Comentários (3)
[0802/2004] MMC
Por cá também não faltam razões para uma boa gargalhada.
Não sei se é efeito da paternidade ou de um fausto jantar, mas Manuel Maria Carrilho continua a ter um dom como poucos no PS: o de inovar no discurso e, com isso, nos fazer sorrir:
"Ferro Rodrigues é um agente político com grande responsabilidade, com uma actuação plena de vigor, de sentido, e vai conduzir o partido para umas eleições europeias onde neste momento todos os estudos de opinião lhe permitem antecipar bons resultados."
"Candidatos (à Presidência da República) de outra geração como Manuel Alegre, não tenho dúvida nenhuma que seria excelente candidato."
"Eu sou muito anti-tabus. Os tabus em política associam-se a um cinismo, a um calculismo que repudio na maneira de fazer política."
Publicado por Nuno Peralta às 02:47 PM | Comentários (2)
[0801/2004] Médio Oriente
"Israel tem direito de responder ao terrorismo"
"Eu apoio os esforços de Israel para tentar garantir a sua segurança"
Ao contrário do que poderemos ser levados a pensar à primeira vista, estas palavras são de um americano, mas não de Bush Jr...
Quem as proferiu foi o candidato à presidência John Kerry, demonstrando que o lobby sionista em Washington domina todas as facções. Com declarações destas, podemos esperar poucos progressos na busca da Paz no Médio Oriente via EUA, mesmo que mude o senhor que se senta na cadeira do poder...
Publicado por Nuno Peralta às 11:51 AM | Comentários (2)
[0800/2004] Espanha e Iraque
Olhando para as reacções desta manhã à decisão espanhola de retirar imediatamente as suas tropas do Iraque, penso que são suficientemente elucidativas do seu impacto:
a) Apenas um país aplaudiu a medida, a Venezuela de Hugo Chavez, sendo que dos outros o maior elogio que se ouve é que Espanha é um país soberano para tomar a decisão que tomou, sem que na grande maioria não deixe de transparecer alguma desilusão pela decisão;
b) Nos EUA, até Kerry lamentou a decisão;
c) Moqtada Al-Sadr aplaudiu, disse que ia decretar tréguas às tropas de espanholas e exigiu que os restantes países sigam o exemplo espanhol;
d) A esquerda portuguesa disse mais ou menos o mesmo que Al-Sadr...
Entretanto no Iraque a violência continua, sem que seja previsível quando conseguiram os iraquianos assegurar a sua própria segurança, sem o apoio da comunidade internacional...
Publicado por Nuno Peralta às 11:40 AM | Comentários (3)
[0799/2004] Europeias 2

É comum ouvirmos aos nossos decisores políticos (e com razão) que lhes falta margem de manobra, que hoje em dia é em Bruxelas e Estrasburgo que tudo se decide (isto é, a União Europeia decide e os países obedecem, transpondo as decisões para a legislação nacional).
Se isto é assim, há algo que continuo sem compreender: porque insistem os partidos quase todos por guardar para as lutas internas (leia-se nacionais) os seus melhores elementos, deixando que a defesa dos interesses nacionais em Estrasburgo sejam defendidas por figuras secundárias desses partidos?
Quando compreenderão os partidos que é na UE que nós precisamos dos nossos melhores parlamentares, para que não sejamos cada vez mais periféricos e subservientes no âmbito europeu?
Infelizmente, pelo que já foi dado a conhecer das diversas candidaturas, ainda não será nestas eleições que isso acontece em Portugal...
Publicado por Nuno Peralta às 08:10 AM | Comentários (0)
[0798/2004] LOTR
Antes de continuar a falar da nossa depressiva política, talvez seja melhor fazer uma pausa humorística, com mais uma contribuição do correio electrónico, esta versão condensada do Senhor dos Anéis, para quem não quiser dispender as 9 horas de filmes ou as largas centenas de páginas dos livros...
Publicado por Nuno Peralta às 01:55 AM | Comentários (0)
[0797/2004] Deus Pinheiro
A escolha de João de Deus Pinheiro (JDP) para cabeça de lista na coligação Força Portugal levanta-me algumas questões:
a) JDP é actualmente o principal responsável pela equipa que está a definir a reforma da Administração Pública. Aparentemente, esta equipa irá apresentar os seus resultados no final do mês. No entanto, ao enviar o seu responsável, o Governo não dá sinais de que a reforma da Administração Pública deixou de ser uma prioridade e de que o que quer que sejam as conclusões desse trabalho não são para implementar?
b) Ou concluir-se-á que JDP foi uma má escolha para a Reforma da Administração Pública, cujos resultados irão ficar aquem das expectativas e é preciso afastá-lo de uma forma honrosa, para entregar o trabalho a outra equipa mais competente?
c) Os defensores de JDP referem o seu curriculum enquanto MNE e Comissário Europeu, mas ninguém até agora foi capaz de me relembrar uma só medida pela qual tenha ficado conhecido, salvo a sua "incompatibilidade" com o seu então Secretário de Estado Durão Barroso e o ter ficado conhecido em Bruxelas como o "Senhor Golfe", sinal de que deve ter sido extenuante a sua passagem pela Comissão Europeia...
d) JDP é um bom vivant, sem grandes aspirações políticas. Sabe que ao ser cabeça de lista será de certeza eleito e gozará de um ordenado chorudo em Estrasburgo, sem ter que fazer grande coisa, salvo dar a cara por uma lista que com quase toda a certeza será penalizada nas urnas pelo mau desempenho do Governo nos seus primeiros dois anos de governação. E é sintomático que este seja o nome que reúne o consenso entre PSD e CDS-PP, sinal de que as figuras de ambos os partidos continuam a acreditar pouco na coligação ou a gerar grandes anti-corpos de lado a lado...
Publicado por Nuno Peralta às 12:14 AM | Comentários (0)
abril 18, 2004
[0796/2004] No hay cojones!
Zapatero anuncia retirada imediata das tropas espanholas do Iraque
Leio e releio e não quero acreditar, que Zapatero começa o seu Governo a romper compromissos internacionais do seu País. Por muito que tenha dito que o ía fazer, o actual cenário do Iraque e os recentes episódios em Espanha deviam tê-lo feito meditar sobre o que fazer. Claramente, o que está a fazer é a dar uma "prenda" aos terroristas, por muito que não seja essa a sua intenção. Está a dizer-lhes que as suas acções estão a surtir resultados: Espanha já "fugiu", vamos continuar, que os restantes irão atrás.
E este início de mandato a "rasgar" acordos não augura nada de bom, lembra-me imediatamente o início de mandato de Vale e Azevedo no Benfica, com os resultados que se conhecem...
Publicado por Nuno Peralta às 11:52 PM | Comentários (4)
[0795/2004] Europeias
Agora que Durão Barroso confirmou ser Deus Pinheiro o cabeça de lista para as europeias na coligação Força Portugal (PSD/CDS-PP), depois do PS ter escolhido Sousa Franco, penso que estão reunidas todas as condições para o recorde absoluto de abstenção numas eleições no pós-25 de Abril. Só falta mesmo um dia de sol resplandecente que leve os (ainda) indecisos para a praia, longe das urnas...
Publicado por Nuno Peralta às 11:11 PM | Comentários (1)
abril 17, 2004
[0794/2004] Médio Oriente
Novo líder do Hamas assassinado em raide aéreo israelita
Eis o resultado do apoio de Bush ao terrorista Sharon. Sim, porque se o Hamas é uma organização terrorista, um Estado que faz isto, exactamente aquilo que se acuma ao Hamas, então não pode ser considerado outra coisa que não um terrorista!
Volto a dizer, apenas espero que a reacção do Hamas seja de diálogo pela paz, mas se for uma retaliação armada, um atentado suicida como tem sido regra, que desta vez faça explodir Sharon em vez de um qualquer israelita inocente.
Que raio, Rabin que era o homem capaz de conseguir a paz para os dois povos morreu da forma que morreu e este imprestável nunca mais desaparece?
PS: Gostei de ouvir as declarações de Teresa Patrício Gouveia, condenando mais esta acção criminosa.
Publicado por Nuno Peralta às 11:44 PM | Comentários (10)
[0793/2004] Ao rubro
Ficou ao rubro o campeonato nacional de futebol (ou melhor, a luta pelo 2º lugar, o "Campeonato da 2ª Circular"), depois da polémica derrota do Sporting no Bessa (2-1) e da folgada vitória do Benfica em Braga (3-0).
Como benfiquista posso falar isentamente do que vi hoje pela televisão no Bessa e não ter problemas nenhuns em dizer que este senhor Bruno Paixão, que hoje arbitrou o jogo é muito mau, já há muito tempo não devia ser árbitro e teve influência directa no resultado, em prejuízo do Sporting.
Mas como isto calha a todos, ao Benfica apenas resta saber aproveitar a "oportunidade", que também já tivémos direito a expulsões polémicas e penalties não assinalados. A diferença é que amanhã concerteza que teremos o Dr. Dias da Cunha a bradar aos sete ventos que hoje houve "sistema"...
Publicado por Nuno Peralta às 11:21 PM | Comentários (2)
abril 16, 2004
[0792/2004] A arte de bem governar
O número de desempregados inscritos nos centros de emprego subiu 0,8 por cento entre Fevereiro e Março
O índice de preços no consumidor subiu 0,3 por cento entre Fevereiro e Março deste ano
Não é qualquer governo que ousa contrariar com este sucesso a Curva de Phillips!
Publicado por Nuno Peralta às 07:47 PM | Comentários (4)
[0791/2004] Política nacional
CDS-PP dá dez razões para votar na coligação
É impressão minha, ou estes gajos estão mais uma vez em testes de laboratório, desta vez a ver se é possível ganhar umas eleições sem que ninguém conheça a lista de candidatos?
Isto não é um país, é uma comédia grega...
Publicado por Nuno Peralta às 06:16 PM | Comentários (1)
[0790/2004] Boa disposição
Já que não há grande fé, ao menos que haja humor para ajudar a suportar o resto do dia e para nos fazer acreditar um pouco mais em nós...
No aeroporto da Portela, um alemão e um francês apanham um táxi.
Ao sair do aeroporto, o alemão querendo mostrar-se o bom, diz ao francês:
- Na Alemanha construimos um aeroporto destes em 30 dias.
Silêncio geral.
Ao passarem pela 2ª Circular, diz o francês:
- Em França, construimos uma avenida destas em 15 dias.
Silêncio geral.
Ao passarem pelo Novo Estádio da Luz, o alemão e o francês entreolham-se e perguntam ao motorista:
- Que construção é esta?
Diz o motorista:
- Não faço a mínima ideia! Passei aqui hoje de manhã e não estava aí nada...
Publicado por Nuno Peralta às 02:40 PM | Comentários (3)
[0789/2004] Fé
Como é que nos dias que correm uma pessoa mantém a fé, quando por todos os lados nos chegam notícias de guerra, sofrimento e pobreza?
Numa perspectiva mais umbiguista e fútil, como é que se consegue ser crente quando se passa a semana a ver o sol pela janela e quando se aproxima o fim de semana a vista passa a ser de nuvens negras carregadas de água?
Enfim, se Ele existe, tem um sentido de humor muito retorcido ou então tem lido muito Sade...
Publicado por Nuno Peralta às 02:14 PM | Comentários (1)
[0788/2004] Incompetência 2
Se dúvidas houvesse de que a incompetência reina em Portugal, eis o caso de Fernando Pinto, o gestor brasileiro que, juntamente com a equipa que trouxe consigo, transformou a empresa pública TAP numa empresa com resultados positivos, coisa nunca vista no empresariado público.
Resultado? A toda a hora surgem notícias nada inocentes que não podem ter outro objectivo senão levá-lo à saturação e "abandonar o barco", deixando o rumo entregue aos incompetentes do costume...
PS: Ao jeito do "Onde está o Wally?", descubram onde está o responsável por milhões de euros de prejuízos ao Estado ao longo de dezenas de anos ao seu serviço (e não é uma acusação pessoal, é apenas o rosto que representa a incompetência generalizada dos gestores públicos, agora também extensível a alguns gestores SA de escola pública.)...
Publicado por Nuno Peralta às 12:19 PM | Comentários (1)
[0787/2004] Incompetência
As contas dos hospitais SA relativas a 2003 ainda não estão fechadas, mas segundo noticia hoje o "Diário Económico", a empresarialização de 31 hospitais pelo Governo gerou naquelas unidades prejuízos muito superiores aos registados quando os hospitais tinham apenas capitais públicos.
Como diz o ditado popular, o problema é que apenas mudaram o nome às moscas...
Cada vez mais me convenço que Portugal é um extraordinário case study de como a economia de mercado é incompatível com a falta de entidades reguladoras e com gestores maioritariamente incompetentes!
Publicado por Nuno Peralta às 11:32 AM | Comentários (0)
[0786/2004] Dia Mundial da Voz 2
Nada como o Dia Mundial da Voz para se acordar meio afónico...
Publicado por Nuno Peralta às 10:39 AM | Comentários (0)
[0785/2004] Dia Mundial da Voz
Neste dia, aqui fica o aviso: Tabaco, inimigo nº 1 da voz.
E não só para a voz: Cancro do Pulmão Pode Tornar-se Uma Epidemia Feminina do Século XXI.
Por estas e por outras, há quem prefira as alternativas: Em França, adolescentes trocam tabaco por haxixe...
Publicado por Nuno Peralta às 01:00 AM | Comentários (1)
abril 15, 2004
[0784/2004] Notícias positivas para variar
Publicado por Nuno Peralta às 08:42 PM | Comentários (1)
[0783/2004] Olivença
Fazem-me saber os "Amigos de Olivença" que hoje é um dia especial, pois passam hoje 193 anos sobre a data em que Olivença, pela última vez, viu ondear nas suas muralhas a Bandeira Portuguesa, passando para domínio castelhano.
Apenas posso dizer que estes oliventinos foram uns vanguardistas, pois quase 200 anos depois a uma boa parte dos portugueses aguarda que um novo Beresford nos dê a todos o mesmo destino e que se forme a grande Ibéria, última esperança para os portugueses pertencerem a um país desenvolvido...
Publicado por Nuno Peralta às 06:06 PM | Comentários (2)
[0782/2004] Espanha
O novo chefe de governo espanhol anunciou quinta-feira alterações ao Código Civil para reconhecer o direito dos homossexuais e transexuais ao casamento. (...)
Zapatero integrou no seu governo igual número de homens e mulheres e prometeu assegurar a igualdade no trabalho e na participação no poder e vai examinar uma Lei Integral contra a violência doméstica.
Depois desta demonstração de politicamente correcto, cheira-me cada vez mais que este Zapatero é uma cópia fiel de Guterres, com tudo o que isso significará para os espanhóis e, por arrasto, para nós...
Publicado por Nuno Peralta às 04:47 PM | Comentários (5)
[0781/2004] Quidam
(Eis uma imagem do novo espectáculo do Cirque du Soleil, em que participam o Palhaço e o Homem Invisível - Foto Dave Hunt/EPA)Publicado por Nuno Peralta às 02:44 PM | Comentários (0)
[0780/2004] Planeamento
A remoção de viaturas abandonadas em Lisboa tem vindo a diminuir, porque o depósito municipal esgotou a sua capacidade há um ano.
Os nossos serviços públicos continuam a demonstrar-nos diariamente a sua total incompetência no que toca ao planeamento...
Publicado por Nuno Peralta às 02:16 PM | Comentários (0)
[0779/2004] Indecisões
A gripe diz-me para ficar entre quatro paredes, a descansar.
O Sol lá fora tenta-me ao passeio na hora de almoço...
Enfim, que se lixe, curo a gripe mais tarde!
Publicado por Nuno Peralta às 12:57 PM | Comentários (1)
[0778/2004] Reféns
Confesso que a minha reacção inicial ao editorial de ontem de José Manuel Fernandes foi muito negativa. Com que direito se arroga JMF de sacrificar a vida de civis inocentes apenas para não ceder na guerra ao terrorismo?
Mas depois de alguma reflexão, ainda que continue com a mesma opinião, outra angústia me invade: se de cada vez que os terroristas se "intrometem" na nossa vida, quer seja colocando bombas que influenciam votações democráticas, quer seja raptando os nossos familiares e amigos para que nós mudemos as nossas rotinas, que vida nos espera, senão continuarmos a fugir e a obedecer sempre que eles exigirem algo mais?
Como e onde poderemos nós pôr um travão ao terrorismo, sacrificando o mínimo de vidas humanas?
Sincera e infelizmente, não consigo encontrar resposta para a pergunta anterior, apenas sei que não estou disposto a sacrificar a vida de civis inocente, assim como também não estou disposto a dar aos terroristas a imagem de que sempre que eles "atacam" conseguem os seus objectivos e que ambos os desejos me parecem incompatíveis...
Publicado por Nuno Peralta às 09:40 AM | Comentários (2)
[0777/2004] Eixo do mal
Bush deu luz verde à retirada israelita de Gaza, defendeu a construção temporária do «muro» na Cisjordânia e disse que é irrealista considerar as fronteiras de 1949.
O par Bush-Sharon está prestes a conseguir um duplo objectivo que eu nunca pensei possível:
1º - Levar-me a tomar posição por um dos lados no conflito israelo-árabe;
2º - Que essa posição seja em defesa da causa de Arafat...
Não haja dúvidas de que estes dois senhores fazem muito mal às causas que (supostamente) defendem e às pátrias que os viram nascer!
Publicado por Nuno Peralta às 01:02 AM | Comentários (0)
abril 14, 2004
[0776/2004] Modelo preferencial
Deputados do PSD e do PS defenderam hoje a atribuição de benefícios fiscais às famílias compostas por pais casados e consideraram ser este o modelo familiar que conduz a um maior sucesso pessoal e profissional dos filhos.
Afinal parece que o Dr. Vilas-Boas tem bastantes seguidores...
Eu não comento, porque dado o meu estatuto de pai casado ainda vou ser acusado de ser parte interessada!
Publicado por Nuno Peralta às 09:18 PM | Comentários (1)
[0775/2004] Selecção
Como é que podemos estar com dúvidas quanto às nossas capacidades de ganhar o Euro'2004, quando o presente ranking da FIFA nos coloca num "espectacular" 17º lugar, ao nível de um Irão e imediatamente à frente da Costa Rica e da Coreia do Sul, ainda que ligeiramente atrás dos Camarões? "Só" estão 9 selecões europeias à nossa frente, mas a boa notícia é que três delas nem sequer se qualificaram para o Euro...
Ranking da FIFA:
1. Brasil 840 pontos (0)
2. França 821 (0)
3. Espanha 790 (0)
4. México 742 (+1)
5. Holanda 740 (-1)
. Argentina 740 (+1)
7. Alemanha 735 (+3)
8. Turquia 732 (+1)
9. Rep. Checa 729 (-3)
10. Inglaterra 724 (-4)
11. Estados Unidos 722 (+1)
.Itália 722 (0)
13. Camarões 721 (0)
14. Dinamarca 704 (0)
15. Irlanda 702 (0)
16. Bélgica 682 (0)
17. Irão 669 (+7)
. Portugal 669 (0)
19. Costa Rica 668 (-1)
20. Coreia do Sul 666 (+2)
Publicado por Nuno Peralta às 07:04 PM | Comentários (1)
[0774/2004] Promiscuidade
Pinto da Costa convida políticos para o novo elenco directivo do FC Porto
Para quem ainda tem dúvidas sobre a enorme promiscuidade entre o futebol e a política. Um político de cada partido (PS, PSD e CDS-PP) nas vice-presidências do F.C.Porto, que é para todos ficarem contentes...
Publicado por Nuno Peralta às 05:29 PM | Comentários (4)
[0773/2004] Entendam-se!
Figueiredo Lopes garante que situação dos militares portugueses é "relativamente estável"
Como é que é possível/admissível que o Ministro venha dizer isto, depois do Primeiro-Ministro ter apelado à evacuação dos civis?
Como é que é admissível um discurso à 3ª e outro distinto à 4ª? E onde fica a credibilidade?
Sinceramente, parece-me a mim que este Ministro Lopes já há muito que devia ter sido "chutado" para a reforma, que o homem se não está, parece xéxé!
Publicado por Nuno Peralta às 03:23 PM | Comentários (0)
[0772/2004] Titanic
Há precisamente 92 anos o paquete inglês Titanic colidia com um iceberg no AtlânticoNorte, que provocaria o seu afundamento completo na madrugada de 14 para 15 de Abril de 1912 e a consequente morte de mais de 1.500 passageiros e tripulantes.
Era o maior barco do mundo na altura e considerado impossível de afundar. Provou-se que não era assim e logo na viagem inaugural!
Ironicamente, aquela que é a maior potência mundial, única superpotência, está neste momento a braços com um "iceberg" chamado Iraque e parece que o seu timoneiro, Bush Jr., faz questão de não se desviar do mesmo. Só falta saber agora o que se esconde na parte invisível do iceberg...
Publicado por Nuno Peralta às 03:06 PM | Comentários (0)
[0771/2004] George W.
Todos ainda se devem lembrar da figura que Bush Junior fez recentemente num jantar de gala dos jornalistas estrangeiros, ao gozar consigo mesmo.
Os seus adversários políticos não perderam tempo a pegar no tema para mostrar a verdade por trás da brincadeira, que podem ver aqui (um aviso aos mais sensíveis, algumas das imagens do filminho podem ser chocantes, mas se costumam ver os noticiários portugueses, não são nada de mais...).
PS: Um agradecimento ao Amor e Ócio por me ter dado a conhecer esta triste figura...
Publicado por Nuno Peralta às 12:00 PM | Comentários (0)
[0770/2004] Caos
Túnel das Amoreiras encerra hoje à meia-noite
Agora é que vai começar o caos, com todo o trânsito da Linha a andar à superfície ou a "entupir" as outras alternativas...
Esperemos apenas que a obra continue a andar ao ritmo previsto e que nada aconteça que a páre ou atrase significativamente, porque nos próximos meses vai ser muito complicado circular em Lisboa.
Eis uma boa oportunidade para "vender" os transportes públicos a quem vem da Linha, porque neste momento um bom serviço de transportes convence qualquer um, só de pensar no tempo que demora de casa ao trabalho...
Publicado por Nuno Peralta às 10:48 AM | Comentários (0)
[0769/2004] Desespero
Ashcroft acusa administração Clinton de ter estado cega face ao terrorismo
Quando se começa a entrar em desespero, dispara-se em todas as direcções, para ver se alguma cola. Ora toda a gente sabe que Clinton se preocupava tanto com o terrorismo e com as suas medidas de segurança que fazia questão de "entrevistar" pessoalmente todo o seu staff, tendo até descoberto uma funcionária um pouco mais suspeita, de nome Levinsky, a qual controlou de perto...
Publicado por Nuno Peralta às 12:24 AM | Comentários (0)
abril 13, 2004
[0768/2004] Quem não tem dinheiro (não) tem vícios...
O presidente do Conselho Superior da Magistratura adiou a tomada de posse de 43 novos juízes devido à falta de verbas para o pagamento de ordenados.
Acho que nem vale a pena comentar o estado de degradação a que chegou a nossa Justiça e o Estado português. Lembro apenas ao mais esquecidos que Portugal é "apenas" um dos países com maior carga fiscal sobre os seus contribuintes (pelo menos sobre aqueles que, como eu, pagam efectivamente os seus impostos)...
Publicado por Nuno Peralta às 09:17 PM | Comentários (2)
[0767/2004] Fast-food
Partido ecologista europeu exige proibição da publicidade à "comida de plástico"
Começam os fundamentalismos. Já agora, não querem também propor uma lei para proibir a publicidade a automóveis? Afinal de contas, os acidentes de viação são uma das principais causas de morte na Europa...
Publicado por Nuno Peralta às 08:54 PM | Comentários (1)
[0766/2004] Iraque
Durão aconselha civis a abandonar o país
É uma má notícia, pois indicia bem a gravidade da situação no Iraque, em que os civis estrangeiros estão a ser usados como arma de chantagem pelos grupos extremistas (hoje calhou a vez aos italianos, depois de já terem sido japoneses, coreanos, americanos, russos, ucranianos e checos).
É pena, pois o Iraque está-se a auto-isolar da comunidade internacional, ficando entregue aos seus extremistas e aos exércitos da coligação, bem como a uma população civil que apenas anseia pela possibilidade de viver tranquilamente, em paz e democracia.
De qualquer das formas, saúdo o anúncio do Primeiro-Ministro, que já meteu várias vezes a "pata na poça", mas desta vez teve a coragem de assumir uma medida incómoda, mas que pode vir a salvar a vida de portugueses. A partir de agora não podem dizer que não foram avisados...
Publicado por Nuno Peralta às 03:59 PM | Comentários (1)
[0765/2004] Catalunha
Noto que passou praticamente despercebida na blogoesfera e também na comunicação social a notícia de que no final do mês de Março a Federação Internacional de Hóquei em Patins (FIRS) reconheceu à Catalunha o estatuto de igualdade, permitindo-lhe disputar a partir de Abril deste ano em todas as provas internacionais de selecções.
Se em termos desportivos isto tem algum fundamento, já que é uma forma de criar mais uma selecção forte, que permita tornar o hóquei em patins num desporto mais competitivo, politicamente esta decisão poderá ter efeitos ainda mais interessantes, que de momento não é possível antecipar. Para já, os espanhóis não receberam a notícia com muita satisfação e não foi apenas por a selecção de hóquei ficar mais fraca...
Publicado por Nuno Peralta às 01:16 PM | Comentários (4)
[0764/2004] Brasil
O Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST) avisou que iria lançar um "Abril Vermelho" com um grande número de ocupações de propriedades pelo Brasil, como protesto pelo ritmo, que os sem-terra consideram demasiado lento, da reforma agrária prometida pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A vida está difícil para Lula, que ironicamente tem sido mais "amigo" dos que o combateram do que dos que o apoiaram...
Lula começa a ser a prova provada de que da demagogia do discurso de oposição à prática pragmática da governação vai uma distância enorme.
Depois de Soares, parece que Lula é o mais recente exemplo de que, na governação, o socialismo é para "pôr na gaveta", até se voltar à oposição!
Publicado por Nuno Peralta às 11:37 AM | Comentários (0)
abril 12, 2004
[0763/2004] Porque há mais mundo...
... não é só no Iraque que se vivem momentos dramáticos, a ferro e fogo, também a Cidade Maravilhosa rima cada vez mais com Cidade Muito Perigosa...
Confronto de grupos rivais sitia favela no Rio de Janeiro e faz nove mortos
Publicado por Nuno Peralta às 04:38 PM | Comentários (1)
[0762/2004] Rica prenda
Pelo vistos as minhas amêndoas de Páscoa vieram atrasadas, chegaram apenas hoje, sobre a forma de gripe.
Como diz o outro do anúncio, estou que nem posso, com a garganta inflamada e a cabeça a latejar, pior que em dias de ressaca...
Portanto não esperem muitos escritos por aqui nas próximas horas.

Publicado por Nuno Peralta às 03:47 PM | Comentários (5)
[0761/2004] Real?
Em Domingo de Páscoa, não se assistiu à ressurreição do Real Madrid, antes pelo contrário, esta equipa que já foi galáctica, está cada vez mais terrena e moribunda que nunca, tendo sido humilhada em pleno Santiago Bernabéu pelo Osassuna, que aí foi ganhar por concludentes 3-0!
Depois dos 3-1 do Mónaco e a eliminação da Liga dos Campeões e depois de já ter perdido a Taça do Rei para o Saragoça, a derrota de hoje significou, em termos práticos, a perda da liderança da Liga Espanhola.
Conseguirá Queiróz o "milagre" de fazer com que esta equipa "galáctica" não ganhe nenhuma das grandes provas em que participa?

Publicado por Nuno Peralta às 01:58 AM | Comentários (0)
abril 11, 2004
[0760/2004] Domingo Santo
Os motivos para a minha ausência nas últimas horas, para lá do almoço de família:

Publicado por Nuno Peralta às 08:09 PM | Comentários (0)
[0759/2004] Páscoa
Este domingo de Páscoa comemora-se a ressurreição de Cristo que, de acordo com a crença cristã, terá reaparecido aos seus apóstolos 3 dias (calendário lunar) após a sua cruxificação, sendo considerado o momento fundador do cristianismo, a religião dominante no mundo ocidental.
Porque a Janela gosta de uma boa polémica, lança aqui o desafio ao debate:
Tendo em conta o que é conhecido da vida de Jesus Cristo, uma vida de desprendimento face aos bens materiais, se Este ressuscitasse hoje e visse a Igreja Católica que existe, abastada e opulenta, rever-se-ia na mesma ou faria ao cardeais e bispos católicos o mesmo que fez aos vendilhões do templo?

Publicado por Nuno Peralta às 08:20 AM | Comentários (7)
[0758/2004] Blogoesférias
Dou uma volta pela blogoesfera e concluo que os que ficaram (como eu, snif, snif) dão para pouco mais que os serviços mínimos...
Pelo menos por aqui a retoma já se faz sentir, a ver pela quantidade de pessoal que foi de férias.
Para os que foram e para os que ficaram, uma Feliz Páscoa para todos!

Publicado por Nuno Peralta às 12:42 AM | Comentários (2)
[0757/2004] Que Gatas!
(Imagens de uma feira de body art, em Kiev - Foto AFP)Publicado por Nuno Peralta às 12:26 AM | Comentários (1)
abril 10, 2004
[0756/2004] Isso querias tu!
Bush reitera que transferência de poder no Iraque será a 30 de Junho
Off the record, Bush terá ainda dito que "tenho umas eleições para ganhar em Novembro e estes xiitas e sunitas estão-me a fo... os planos, portanto, quanto mais cedo me vir longe dali, melhor"...
PS: Sempre quero ver se aqueles que têm reagido negativamente contra as declarações de Zapatero também vão achar que Bush está igualmente a ceder aos terroristas. Se não, então expliquem-me as diferenças, dado que ambos disseram o mesmo, que em 30/06 retiram as suas tropas do Iraque...
Publicado por Nuno Peralta às 05:50 PM | Comentários (2)
[0755/2004] Greve cultural
Sindicatos satisfeitos com adesão à greve dos museus
Pelo 14º ano consecutivo, os funcionários dos museus fazem greve na altura da Páscoa, tanto quanto eu percebo, pelos mesmíssimos motivos...
Acho que é difícil encontrar melhor exemplo que caracterize o (não) funcionamento do Estado do que este, pois significa que em 14 anos ainda não foi possível encontrar uma solução de consenso.
E o turismo em Portugal agradece a imagem que passa do país para os estrangeiros que nos visitam nesta altura e dão com o nariz na porta dos museus...
Publicado por Nuno Peralta às 01:51 AM | Comentários (1)
abril 09, 2004
[0754/2004] Semana Santa?
Mais de 400 iraquianos mortos nos combates em Falluja
Já hoje, o Pentágono actualizou o número de baixas sofridas em combate desde o início da guerra, que ascende agora a 455
Não haja dúvida que a Páscoa em terras da Babilónia promete ser um momento trágico...
Publicado por Nuno Peralta às 10:57 PM | Comentários (1)
[0753/2004] Safa!
Depois disto, o meu relacionamento com o "parceiro cá de baixo" nunca mais será o mesmo...
Publicado por Nuno Peralta às 09:59 PM | Comentários (1)
[0752/2004] A Paixão
Muito antes de Mel Gibson fazer o seu filme, muitos já retrataram a Paixão de Cristo, o dia da sua morte, que os cientistas identificam como o dia 3 de Abril de 33. Este dia celebra-se hoje, 6ª feira santa, o dia da cruxificação.
Fica aqui um dos meus favoritos, "Scenes From The Passion Of Christ" de Hans Memling:

Publicado por Nuno Peralta às 09:45 PM | Comentários (1)
[0751/2004] Tenham cuidado!
Primeiro dia Operação Páscoa é o mais negro dos últimos anos: 333 acidentes mataram quatro pessoas e fizeram mais de cem feridos
A todos os que ainda se vão meter à estrada para passar a Páscoa com a família, conduzam com todo o cuidado e atenção, para terem a que certeza que vão e voltam...
Lembrem-se, "Conduzir sem álcool e devagar, para ir e voltar!".
Publicado por Nuno Peralta às 03:53 PM | Comentários (1)
[0750/2004] Apocalipse Again?

Ministro do Interior do Iraque demite-se, descontente com Paul Bremer
Coligação perde mais seis soldados no Iraque
Coligação perdeu controlo das cidades de Najaf e Kut
Publicado por Nuno Peralta às 02:08 AM | Comentários (2)
abril 08, 2004
[0749/2004] A última ceia
Algures há aproximadamente 2000 anos um homem que havia de ficar na história da Humanidade tomava a sua última refeição na companhia dos seus 12 fiéis apóstolos.
No dia seguinte viria a descobrir que afinal apenas 11 eram mesmo fiéis...

Publicado por Nuno Peralta às 10:55 PM | Comentários (128)
[0748/2004] E Espanha aqui tão longe...
O jmf, depois de umas curtas férias, refere um facto do qual não sei se muitos têm noção, mas que eu notei igualmente: passando a fronteira de Badajoz, ficamos completamente isolados de Portugal. Nenhum jornal se refere ao que se passa aqui.
Lembro-me perfeitamente de um fim de semana grande que fui passar a Madrid, aqui há 3 anos, em que o Benfica tinha um jogo importante (penso que contra o Guimarães, em Guimarães) e coincidia com o congresso nacional de um dos dois grandes partidos, já não me lembro se PS ou PSD. Pois bem, quanto ao resultado do Benfica, que jogou no Sábado, apenas na 2ª feira houve registo desse resultado na Marca, e muito escondido. Quanto ao dito congresso, que eu visse nenhum dos principais jornais o referenciava, assim como a tudo o resto que se passou em Portugal.
Nesse mesmo ano em Valência senti o mesmo afastamento de Portugal, em que apenas as chamadas para casa me permitiam ir sabendo o que por cá se passava, tal como no ano seguinte em Barcelona.
E mesmo na Galiza as notícias de Portugal escasseiam, como pude constatar no ano passado quando lá estive.
De uma forma geral, em Espanha, Portugal pura e simplesmente não existe, é demasiado independente para aparecer nas notícias regionais e demasiado insignificante para aparecer no internacional. Para os jornais espanhóis a Europa fica para Leste, para Oeste apenas o Atlântico e a América.
Publicado por Nuno Peralta às 06:26 PM | Comentários (1)
[0747/2004] Amazónia
Amazónia: área desflorestada em 2003 foi a segunda maior de sempre
23.750 km2 de floresta destruída, sensivelmente 1/4 do território português (que é aprox. 92.389 km2).
Não vale a pena comentar, apenas lamentar e esperar que todos aqueles que bateram palmas a Lula da Silva consigam agora reconhecer que algo não vai bem nesta governação brasileira que continua a permitir a destruição do "pulmão do mundo", muito por culpa dos seus planos de desenvolvimento agrícola.
E algo vai mal com um Mundo (leia-se ONU), que não percebe a gravidade da situação e não encontra formas de apoiar o governo brasileiro neste combate, nem que seja subsidiando o Brasil para este preservar a floresta amazónica. Não é a solução ideal, mas algo tem que ser feito rapidamente, enquanto é tempo.
Publicado por Nuno Peralta às 04:52 PM | Comentários (0)
[0746/2004] Originalidade
Que a grande maioria (para não dizer a totalidade) dos portugueses anseia por uma remodelação governamental, não é novidade.
Que os eleitores que votam PCP e PS escolham Paulo Portas como aquele que mais querem ver "remodelado", não é nada que surpreenda. Agora que os eleitores que se identificam com o CDS/PP escolham o mesmo Paulo Portas como o 3º ministro que mais querem ver remodelado, isso sim, merece ser destacado...
Publicado por Nuno Peralta às 03:22 PM | Comentários (0)
[0745/2004] Serviço Público
A Comissão Nacional de Eleições (CNE) alertou esta quinta-feira os cidadãos não recenseados que o prazo de recenseamento para poder votar nas eleições europeias termina na próxima terça-feira, dia 13 de Abril.
Depois não venham dizer que não foram avisados...
PS: Podem verificar aqui se estão correctamente recenseados ou não.
Publicado por Nuno Peralta às 03:15 PM | Comentários (0)
[0744/2004] Um aniversário especial

PS: Falando em aniversários e rádio, aqui ficam os meus parabéns à Mathilde e à sua mãe, Maria de Vasconcelos, pelo nascimento no passado dia 6. Um dia talvez a Mathilde venha a perceber porque tem um "tio/a" em cada ouvinte fiel do Programa da Manhã da Best Rock, que tiveram o privilégio de acompanhar as peripécias da sua gestação diariamente no éter. Que seja muito feliz neste mundo maluco!
Publicado por Nuno Peralta às 11:46 AM | Comentários (0)
abril 07, 2004
[0743/2004] Porto
Os meus sinceros parabéns ao F.C.Porto pela chegada às meias-finais da Liga dos Campeões, após o empate a 2 bolas em Lyon.
Aliás, apesar de todo o meu benfiquismo, não me custa admitir que neste momento o orgulho nacional é obtido a partir deste Porto, que nos vai dando as alegrias que a nossa Selecção Nacional nos nega. E como é possível que este Maniche não seja convocado para a Selecção?
E foi a única das 4 equipas favoritas para esta eliminatória que carimbou o passaporte para a fase seguinte.
Daqui para a frente, tudo é possível, mas parece-me prematuro exigir o título aos dragões, especialmente depois de vermos o que o Corunha fez hoje ao Milão (vitória por 4-0, depois de ter perdido 4-1 em Milão). Como diria José Torres, "deixai-os sonhar"...
E o que eu mais gosto neste Porto é que é um produto nacional, com um treinador português (José Mourinho, provavelmente o melhor treinador da actualidade e o erro da década no Benfica) e que joga constantemente com pelo menos 7 portugueses (hoje frente ao Lyon iniciou o jogo com 8 e terminou com 9).
É uma pena que a casmurrice de Scolari não lhe permita tirar mais partido desta "espinha dorsal", para fazer uma grande selecção nacional.
Aliás, olhemos para o 11 que hoje iniciou o jogo:
Baía; Paulo Ferreira-Jorge Costa-Ricardo Carvalho-Nuno Valente; Costinha-Maniche-Alenitchev-Deco-Carlos Alberto; McCarthy.
Se tirarmos os estrangeiros (McCarthy, Alenitchev e Carlos Alberto) e Jorge Costa (que resignou à selecção) e os reforçarmos com jogadores portugueses de outros clubes, este seria um onze-tipo da nossa selecção que nos poderia fazer sonhar em Junho:
Baía; Paulo Ferreira-Jorge Andrade-Ricardo Carvalho-Nuno Valente
Costinha-Maniche-Deco-Figo-Simão/Nuno Gomes (conforme se jogasse em 4-2-3-1 ou em 4-4-2); Pauleta.
Era uma equipa sólida, mecanizada, que dava todas as garantias. E ainda teríamos um banco com "reforços" de luxo: Ricardo ou Moreira, Beto, Ricardo Rocha (poderia ser Fernando Meira, mas o Ricardo tem a vantagem da polivalência centro/flanco esquerdo), Miguel, Hugo Viana, Petit, Tiago, Rui Costa, Cristiano Ronaldo e Luís Boa-Morte.
Estes seriam os meus 23 para o Euro'2004, caso não houvesse lesões graves entretanto.
E no meio disto tudo, a minha grande mágoa é que o Benfica lá tenha tido o obreiro deste grande Porto, mas o amadorismo dos seus dirigentes o tenha preterido em favor de um "amigo dos copos".
Portanto, neste momento resta-me ter inveja deste Porto, por ter sabido aproveitar a "oferta" do Benfica, e ter a clarividência necessária para aceitar que nas Antas mora uma das melhores equipas de futebol da actualidade, a nível mundial (o que não me impede de continuar a ficar satisfeito com os seus - infelizmente poucos - desaires intra-muros).
E esperar que alguém explique isto a Scolari...
Publicado por Nuno Peralta às 11:59 PM | Comentários (8)
[0742/2004] Arte
Quais Picassos, quais quê, vejam pelo exemplo abaixo como qualquer um de nós pode ser um artista:

(Este ainda não tem nome, mas estou a pensar chamar-lhe "Artista com Bloqueio Artístico"...)
Publicado por Nuno Peralta às 08:09 PM | Comentários (0)
[0741/2004] Eleições
Jorge Sampaio vai marcar a data das eleições para o Parlamento Europeu para o dia 13 de Junho
Esperemos apenas que a "desculpa" para os bons ou maus resultados dessas eleições não sejam os efeitos da vitória ou derrota no dia anterior da selecção frente à Grécia...
Publicado por Nuno Peralta às 06:40 PM | Comentários (3)
[0740/2004] A verdadeira competição

Publicado por Nuno Peralta às 05:28 PM | Comentários (0)
[0739/2004] P2P
Partilha de ficheiros de música na internet não afecta as vendas de discos
Afinal, em que ficamos? Qual será a resposta do lobby da poderosa indústria discográfica a este bombástico estudo?
Publicado por Nuno Peralta às 04:36 PM | Comentários (0)
[0738/2004] Out of control?
In Fallujah, where U.S. Marines have been engaged in running battles with insurgents over the past 24 hours, a U.S. military source said U.S. forces dropped a 500-pound bomb on a wall near a mosque.
É apenas impressão minha, ou a situação no terreno está a sair completamente fora do controlo das forças da coligação?
Parece estar cada vez mais a nú a falta de estratégia do Pentágono/Casa Branca para o pós-guerra...

Publicado por Nuno Peralta às 04:04 PM | Comentários (0)
[0737/2004] Dia Mundial da Saúde
Comemora-se hoje o Dia Mundial da Saúde, sob o signo da Prevenção Rodoviária, já que a Sinistralidade Rodoviária é uma das principais causas de morte um pouco por todo o mundo.
Só em 2003, 1.2 milhões de pessoas perderam a vida nas estradas do mundo inteiro (3.000 por dia, 125 por hora, 2 por minuto!), mortes essas que poderiam ter sido evitadas, dado que não são causas naturais.
Excesso de velocidade, condutores alcoolizados, distracções, estradas mal sinalizadas estão por detrás destas vidas que se perderam.
Para além do sofrimento que causa em milhares de famílias, a sinistralidade tem custos económicos dramáticos. De acordo com contas da OMS, as mortes nas estradas custam em média cerca de dois por cento do Produto Interno Bruto (PIB) de cada País, um valor calculado entre custos de serviços de emergência, assistência médica a longo e curto prazo, danos materiais e perdas de produtividade, entre outros.
De acordo com a OMS, estas são as cinco regras de ouro para a redução destes dramáticos números:
1. - usar capacetes e cintos de segurança
2. - melhorar as estradas
3. - aperfeiçoar a segurança dos veículos
4. - cumprir o código das estradas
5. - melhorar as respostas dos serviços de emergência.
Conforme já aqui foi divulgado, a ACA-M promove hoje um ciclo de debates no Hospital de S.João, no Porto, sobre a temática da Sinistralidade Rodoviária.
(Mortos por milhão de habitantes devido à sinistralidade rodoviária, infelizmente um dos poucos números em que Portugal está no pelotão da frente...)Publicado por Nuno Peralta às 12:22 PM | Comentários (1)
[0736/2004] Publicidade direccionada
Mais uma contribuição da caixa de correio, que merece ser divulgada, dado demonstrar que a publicidade também pode ser uma actividade que respeita a inteligência dos consumidores:

Na linguagem de programação "C", esta sequência de caracteres forma a frase "Now Hiring" ("Estamos a Contratar Pessoal"), ou seja, querem pessoas que tenham conhecimento na linguagem, suficientemente desenvolvidos para que consigam interpretar o outdoor...
E eis como um anúncio pode ser igualmente uma entrevista de recrutamento!
Publicado por Nuno Peralta às 11:00 AM | Comentários (2)
[0735/2004] Daaaah!
Uma concentração "espontânea" de "indignação" pela recente decisão da Relação de Lisboa em libertar o embaixador Jorge Ritto, arguido no processo Casa Pia, está marcada para quarta-feira frente àquele tribunal, confirmou hoje o ex-casapiano Pedro Namora.
Organizar uma manifestação espontânea?! Não há aqui qualquer coisa que não bate certo?
E já agora, não se arranja ninguém que espontaneamente mande este Namora para Fallujah vestido com um uniforme americano?
Publicado por Nuno Peralta às 01:43 AM | Comentários (0)
[0734/2004] Almada Negreiros
Porque mais do que mortes gosto de mencionar nascimentos, aproveito para celebrar o 7 de Abril de 1893, dia em que em São Tomé e Príncipe nascia um dos maiores vultos da cultura portuguesa do século XX, impulsionador do modernismo, José Sobral de Almada Negreiros, artista plástico, dramaturgo, romancista e poeta.
Em homenagem, aqui fica um seu auto-retrato, assim como o famoso "Manifesto Anti-Dantas e por extenso".

Por JOSÉ DE ALMADA NEGREIROS, POETA D'ORPHEU FUTURISTA E TUDO
BASTA PUM BASTA
Uma geração, que consente deixar-se representar por um Dantas é uma geração que nunca o foi! É um coio d'indigentes, d'indignos e de cegos! É uma resma de charlatães e de vendidos, e só pode parir abaixo de zero!
Abaixo a geração!
Morra o Dantas, morra! - PIM!
Uma geração com um Dantas a cavalo é um burro impotente!
Uma geração com um Dantas à prôa é uma canoa em seco!
O Dantas é um cigano!
O Dantas é meio cigano!
O Dantas saberá gramática, saberá syntase, saberá medicina, saberá fazer ceias para cardeais, saberá tudo menos escrever que é a única coisa que ele faz!
O Dantas pesca tanto de poesia que até fax sonetos com ligas de duquesas!
O Dantas é habilidoso!
O Dantas veste-se mal!
O Dantas usa ceroulas de malha!
O Dantas especula e inócula os concubinos!
O Dantas é Dantas!
O Dantas é Júlio!
Morra o Dantas, morra! - PIM!
O Dantas fez uma sorôr Mariana que tanto o podia ser como a sorôr Inez, ou a Ignez de Castro, ou a Leonor de Telles, ou o Mestre d'Aviz, ou a Dona Constança, ou a Nau Catrineta, ou a Maria Rapaz!
E o Dantas teve cláque! E o Dantas teve palmas! E o Dantas agradeceu!
O Dantas é um ciganão!
Não é preciso ir para o Rossio p'ra se ser pantomineiro, basta ser-se pantomineiro!
Não é preciso disfarçar-se p'ra se ser salteador, basta escrever como o Dantas! Basta não ter escrúpulos nem morais, nem artísticos, nem humanos! Basta andar com as modas, com as políticas e com as opiniões! Basta usar o tal sorrisinho, basta ser muito delicado, e usar côco e olhos meigos! Basta ser Judas! Basta ser Dantas!
Morra o Dantas, morra! - PIM!
O Dantas nasceu para provar que nem todos os que escrevem sabem escrever!
O Dantas é um autómato que deita p'ra fóra o que a gente já sabe que vai sair... mas é preciso deitar dinheiro!
O Dantas é um soneto d'elle-próprio!
O Dantas em génio nem chega a pólvora seca e em talento é pim-pam-pum!
O Dantas nú é horroroso!
O Dantas cheira mal da boca!
Morra o Dantas, morra! - PIM!
O Dantas é o escárneo da consciência! Se o Dantas é português eu quero ser espanhol!
O Dantas é a vergonha da intelectualidade portuguesa! O Dantas é a meta da decadência mental!
E ainda há quem não córe quando diz admirar o Dantas!
E ainda há quem lhe estenda a mão!
E quem lhe lave a roupa!
E quem tem dó do Dantas!
E ainda há quem duvide de que o Dantas não vale nada, e que não sabe nada, e que nem é inteligente, nem decente, nem zero!
Vocês sabem quem é a sorôr Mariana do Dantas? Eu vou-lhes contar:
A princípio, por cartazes, entrevistas e outras preparações com as quais nada temos que ver, pensei tratar-se de sorôr Mariana Alcoforado a pseudo autora d'aquellas cartas francesas que dois ilustres senhores desta terra não descansaram enquanto não estragaram para português. Quando subiu o pano também não fui capaz de distinguir porque era noite muito escura e só depois de meio acto é que descobri que era de madrugada porque o Bispo de Beja disse que tinha estado à espera do nascer do sol!
A Mariana vem descendo uma escada estreitíssima mas não vem só, traz também o Chamilly que eu não cheguei a ver, ouvindo apenas uma voz muito conhecida aqui na Brasileira do Chiado. Pouco depois o Bispo de Beja é que me disse que ele trazia calções vermelhos.
A Mariana e o Chamilly estão sozinhos em cena, e às escuras, dando a entender perfeitamente que fizeram indecências no quarto. Depois o Chamilly, completamente satisfeito despede-se e salta pela janela com grande mágoa da freira lacrimosa. E ainda hoje os turistas teem ocasião de observar as grades arredondadas da janela do quinto andar do Convento da Conceição de Beja na Rua do Touro, por onde se diz que fugiu o célebre capitão de cavalos em Paris e dentista em Lisboa.
A Mariana que é histérica começa a chorar desatinadamente nos braços da sua confidente e excelente pau de cabeleira sorôr Ignez.
... veem descendo p'la dita estreitíssima escada, várias Marianas todas iguais e de candeias acesas menos uma que usa óculos e bengala e anda toda curvada para a frente o que quer dizer que é a abadessa. E seria até um excelente personificação das bruxas de Goya se quando falasse não tivesse aquela voz tão fresca e maviosa da tia Felicidade da vizinha do lado. E reparando nos dois vultos interroga espaçadamente, com cadência, austeridade e imensa falta de corda... quem está aí?... e de candeias apagadas?
Foi o vento, dizem as pobres inocentes varadas de terror... e a abadessa que só é velha nos óculos, na bengala e em andar curvada para a frente manda tocar a sineta que é um dó de alma o ouvi-la assim tão debilitava. Vão todas para o coro, mas eis que, de repente batem no portão e sem se anunciar, sobe a escada e entra no salão um Bispo de Beja que quando era novo fez brégeirices com a menina do chocolate.
Agora completamente emendado revela à abadessa que sabe por cartas que há homens que vão às mulheres do convento e que ainda há pouco vira um de cavalo a saltar pela janela. A abadessa diz que efectivamente já há tempos que vinha dando pela falta de galinhas e tão inocentinha, coitada, que naqueles oitenta anos ainda não teve tempo para descobrir a razão da humanidade estar dividida em homens e em mulheres. Depois de sérios embaraços do Bispo é que ela deu com o atrevimento e mandou chamar as duas freiras de há pouco com as candeias apagadas. Nesta altura esta peça policial toma um bocado de interesse porque o bispo ora parece um polícia de investigação disfarçado de bispo, ora um bispo com a falta de delicadeza de um polícia de investigação, e tão perspicaz que descobre em menos de meio minuto o que o público já está farto de saber - que a Mariana dormiu com o Noel. O pior é que a Mariana foi à serra com as indiscrições do bispo e desata a berrar, a berrar como quem se estava marimbando para tudo aquilo. Esteve mesmo para se estrear com um par de murros na corôa do bispo no que se mostrou de um atrevimento, de uma insolência e de uma decisão refilona que excedeu todas as expectativas.
Ouve-se uma corneta tocar uma marcha de clarins e Mariana sentindo nas patas dos cavalos toda a alma do seu preferido foi qual pardalito engaiolado a correr até às grades da janela a gritar desalmadamente pelo seu Noel. Grita, assobia e rodopia e pia e rasga-se e magoa-se e cai de costas com um acidente do qual já previamente tinha avisado o público e o pano também cai e o espectador também cai da paciência abaixo e desata numa destas pateadas tão enormes e tão monumentais que todos os jornais de Lisboa no dia seguinte foram unânimes naquele êxito teatral do Dantas.
A única consolação que os espectadores decentes tiveram foi a certeza de que aquilo não era a sorôr Mariana Alcoforado mas sim uma merdariana - aldantascufurado que tinha cheliques e exageros sexuais.
Continua o senhor Dantas a escrever assim que há-de ganhar muito com o alcufurado e há-de ver, que ainda apanha uma estátua por um ourives do Porto, e uma exposição das maquetes para o seu monumento erecto por subscrição nacional do Século a favor dos feridos da guerra, e a praça de Camões muda em praça Dr. Júlio Dantas, e com as festas da cidade pelos aniversários, e sabonetes em conta "Júlio Dantas", e pasta para os dentes, e graxa Dantas para as botas, e comprimidos Dantas, e autoclismos Dantas e Dantas, Dantas, Dantas... e limonada Dantas - magnesia.
E fique sabendo o Dantas que se um dia houver justiça em Portugal todo o mundo saberá que o autor dos Lusíadas é o Dantas que num rasgo memorável de modestia só consentiu a glória do seu pseudónimo Camões.
E fique sabendo o Dantas que se todos fossem como eu haveria tais munições de manguitos que levariam dois séculos a gastar.
Mas julgais que nisto se resume a literatura portuguesa? Não! Mil vezes não!
Temos além disto o Chianca que já fez rimas para Aljubarrota que deixou de ser a derrota dos Castelhanos para ser a derrota do Chianca!
E as pinoquices de Vasco Mendonça Alves passadas no tempo da avozinha! E as infelicidades do Ramada Curto! E o talento insólito do Urbano Rodrigues! E as gaitadas do Brun! E as traduções só para homem do ilustríssimo excelentíssimo senhor Mello Barreto! E o Frei Mata Nunes Moxo! E a Ines sifilítica do Faustino! E as imbecilidades de Sousa Costa! E mais pedantices do Dantas! E Alberto Sousa, o Dantas do desenho! E os jornalistas do Século e da Capital e do Notícias e de todos os jornais, todos os jornais! E os actores de todos os teatros!
E todos os pintores das belas artes, e todos os artistas de Portugal que eu não gosto! E os da Águia do Porto e os palermas de Coimbra! E a estupidez de Oldemiro César e o Doutor José de Figueiras Amante do museu o ah! oh! os Sousa Pinto e os burros de Cacilhas e os menús de Alfredo Guisado! E o raquitico Albino Forjaz de Sampaio, crítico da Luta a que o Fialho com imensa piada intrujou de que tinha talento! E todos os que são políticos e artistas! E as exposições anuais de Belas Artes! E todas as maquetas do Marquês de Pombal e as de Camões em Paris! E os Vaz, o Estrela, os Lacerda, os Lucena, os Rosa, os Costa, os Almeida, os Camachos, os Cunhas, os Carneiros, os Barros, os Silva, os Gomes, os velhos, os idiotas, os imbecis, os párias, os ascetas, os arrangistas, os impotentes, os acelerados, os Lopes, os Peixotos, os Mota, os Godinho, os Teixeira, os Camar, o diabo que os leve, os Constantino, os Grave, os Mantua, os Bahia, os Mendonça, os Brazão, os Alves, os Albuquerques, os Sousa, e todos os Dantas que houver por aí!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
E as convicções urgentes do homem Cristo pai e as convenções catitas do homem Cristo filho!...
E os concertos do Blanch! E as estátuas ao leme! ao Eça e ao despertar de tudo! E tudo o que seja arte em Portugal! E tudo! Tudo por causa do Dantas!
Morra o Dantas, morra! - PIM!
Portugal que com todos estes senhores conseguiu a classificação do país mais atrasado da Europa e de todo o mundo! O país mais selvagem de todas as Áfricas! O exílio dos degredados e dos indiferentes! A África reclusa dos europeus!
O entulho das desvantagens e dos sobejos! Portugal inteiro há-de abrir os olhos um dia - se é que a cegueira não é incurável e então gritará comigo, a meu lado, a necessidade que Portugal tem de ser qualquer coisa de assedado!
Morra o Dantas! Morra! - PIM!
Publicado por Nuno Peralta às 12:59 AM | Comentários (0)
[0733/2004] Ruanda

PS: Muito bom o dossier da TSF sobre o tema, com um título muito bem escolhido: "O Massacre que o Mundo não quis ver"
Publicado por Nuno Peralta às 12:09 AM | Comentários (1)
abril 06, 2004
[0732/2004] Guerra Civil?
Ataque em Ramadi causa a morte a pelo menos doze soldados
Entretanto no Iraque cada vez mais parece que a situação começa a estar fora do controlo das forças da coligação, que pareciam já não estar a contar com a resistência radical iraquiana que teima em não se render...
Publicado por Nuno Peralta às 11:46 PM | Comentários (2)
[0731/2004] Galácticos, mas pouco...
E lá conseguiu Queiroz o milagre de deixar os galácticos do Real "apenas" nos 4ºs da Liga dos Campeões (perdeu 3-1 no Mónaco, acabando por ser eliminado pelos golos marcados fora de casa, já que tinha ganho 4-2 em Madrid), arriscando-se neste momento a chegar ao final do ano sem nenhum triunfo para mostrar, apesar do onze de luxo que tem à sua disposição (verdade seja dita que, salvo as devidas proporções, tem o mesmo problema do Benfica, poucos suplentes à altura de substituir os titulares quando estes se lesionam ou estão castigados).
Ao menos fica bem acompanhado, que o Arsenal também ficou pelo caminho (perdeu em casa 1-2 com o Chelsea).
A ver vamos se o Porto amanhã consegue acabar com a malapata de as equipas favoritas ficarem pelo caminho. Neste momento, Porto e Milão, se concretizarem as suas passagens, passam a ser os principais favoritos à vitória na Liga dos Campeões, podendo encarar-se a meia final entre estes como uma final antecipada!
PS: Era este Mónaco que Mourinho queria como adversário?!?!
Publicado por Nuno Peralta às 11:06 PM | Comentários (0)
[0730/2004] Acabou a tanga!
Governo aprova investimentos públicos de 855 milhões de euros a três anos
Se dúvidas havia, aí está a confirmação que as desfaz: a partir de agora acabou-se a tanga e a contenção orçamental, que daqui por 2 anos há umas eleições para ganhar. Se a retoma não vem naturalmente, cá está o "Pai-Estado" a substituí-la...
Publicado por Nuno Peralta às 08:32 PM | Comentários (4)
[0729/2004] Sorriso amarelo...

Publicado por Nuno Peralta às 05:50 PM | Comentários (0)
[0728/2004] Um bom negócio?
O jornal "O Globo" noticiou ontem uma possível troca de jogadores entre Benfica e Sporting: Roger por Quiroga, o que implicaria o regresso prematuro do médio brasileiro a Portugal.
Eis um negócio interessante, entre dois excelentes jogadores sub-aproveitados nos seus clubes. À partida parece-me que o negócio será mais vantajoso para o Benfica que para o Sporting, mas tudo depende das oportunidades que forem dadas a Roger e da motivação que este tiver...
Publicado por Nuno Peralta às 04:35 PM | Comentários (0)
[0727/2004] Celebrações
Pela positiva: Faz hoje 2 anos que Guterres deixou oficialmente de governar o país (se é que alguma vez efectivamente o governou...), acabando-se um tempo de facilitismo e de muita conversa para pouca acção!
Pela negativa: Faz hoje igualmente 2 anos que se iniciou a pior coligação governamental de que há memória em Portugal, com um PP sempre em bicos dos pés, com um poder que os portugueses não lhe deram, a reboque de um PSD a quem o poder lhe caíu nas mãos sem que nada tenha feito para o merecer e que, por causa da dita coligação, apenas tem segundas figuras disponíveis para a governação...
Publicado por Nuno Peralta às 12:53 AM | Comentários (2)
abril 05, 2004
[0726/2004] Para que serve isto?
Sequestro de avião vai ser simulado esta madrugada no aeroporto da Portela
Todas estas simulações servem para quê? Afinal de contas, se os principais factores não se reproduzem (surpresa e horário normal), o que é aqui testado? Afinal de contas, de madrugada e com todas as entidades de prevenção, o tempo de resposta real não é testado.
Para mim, isto é apenas para encher o olho aos incrédulos...
Publicado por Nuno Peralta às 11:24 PM | Comentários (0)
[0725/2004] Revisionismo histórico
Após receber vários links a dizer para fazer a pesquisa por "estúpido" no Google finalmente decidi-me a clicar no link e a ver a biografia oficial do nosso Primeiro-Ministro, depois de ler este post do Barnabé.
Não haja dúvida, com alguma ironia, as referências à sua militância no MRPP estão bem ocultadas, de uma forma digna dos tempos áureos do estalinismo!
Publicado por Nuno Peralta às 08:34 PM | Comentários (1)
[0724/2004] Pensamento do Dia
"Nunca te rias dos sonhos dos outros! Quem não tem sonhos tem muito pouco."
(Tantra Chinês)
Publicado por Nuno Peralta às 04:55 PM | Comentários (1)
[0723/2004] Prémios Blogues da Janela de Março/2004
Como o prometido é devido, cá estou eu com a atribuição dos prémios Blogues da Janela.
Para Março de 2004, os premiados são:
Janela de Bronze: Não Esperem Nada de Mim
Janela de Prata (ex-aequo): Blasfémias e Barnabé
Janela de Ouro: O Jumento
Parabéns aos premiados e todos os outros bons blogues que por aí estão.
O Jumento continua imparável nas minhas preferências...
Publicado por Nuno Peralta às 04:26 PM | Comentários (4)
[0722/2004] Muqtada Al-Sadr
Fixem este nome e esta cara, a nova "besta negra" do Ocidente, o líder espiritual xiita do Iraque, aparentemente o "cérebro" por trás da maioria dos atentados contra as forças da coligação no terreno.
Este é o homem que pretende dominar o Iraque pelo terror, criando mais um Estado fundamentalista islâmico, esse sim, potenciador de novas Al-Qaedas.
Ironicamente, alguns cobardes no Ocidente democrático começam a fazer o seu jogo, exigindo o retirar das forças da coligação, o que a acontecer será dramático para as populações iraquianas, pois levará ao domínio pela força dos homens de Al-Sadr no terreno, criando um cenário pior que o dos tempos da Guerra e que nos tempos de Saddam...
Publicado por Nuno Peralta às 04:02 PM | Comentários (4)
[0721/2004] A família Google

Publicado por Nuno Peralta às 03:11 PM | Comentários (1)
[0720/2004] Aqui Posto de Comando
Eis o nome do site que foi criado para acompanhar as comemorações dos 30 anos do 25 de Abril, nomeadamente o que for passando aqui pela blogoesfera, numa meritória iniciativa do Grão de Areia.
Era interessante que este serviço fosse um sucesso, para que possamos ficar com um repositório do que foram estas comemorações e do que a blogoesfera pensa do 25 de Abril e do que se lhe seguiu. Para isso, é importante que da esquerda à direita haja a maior adesão possível ao serviço.
Publicado por Nuno Peralta às 01:36 PM | Comentários (0)
[0719/2004] Brazelton
"Não há maior responsabilidade que a de ser pai ou mãe"
(Durão Barroso, na inauguração do Centro Brazelton do Hospital de Santa Maria)
Não podia estar mais de acordo. Apenas acrescento que não há maior benesse da natureza do que permitir-nos ser pais e mães e que dádivas destas devem ser agarradas com toda a força e aproveitadas ao máximo!
Publicado por Nuno Peralta às 01:05 PM | Comentários (0)
[0718/2004] Finalmente a Primavera
3º dia seguido de sol!
Parece que o bom tempo agora veio mesmo para ficar. Sorte para quem aproveitou para tirar umas merecidas férias de Páscoa (infelizmente não é o meu caso...)!
PS: No entanto, ao contrário da minha expectativa, o trânsito não se ressentiu muito com estas férias, apanhei o caos do costume. Será que está assim tão pouca gente de férias?
Publicado por Nuno Peralta às 11:57 AM | Comentários (0)
[0717/2004] Kurt Cobain

Publicado por Nuno Peralta às 12:14 AM | Comentários (3)
abril 04, 2004
[0716/2004] Prémios Janela
Os prémios de Março não estão esquecidos, deveriam ter sido atribuídos na passada 6ª feira, mas problemas logísticos (isto é, falta de tempo) adiaram a sua entrega para esta 2ª feira, para serem compatíveis com a programação da estação televisiva que vai cobrir a sua entrega...
Publicado por Nuno Peralta às 11:41 PM | Comentários (0)
[0715/2004] Benfiquista sofre...
Quando será que Camacho percebe que jogar com Zahovic ou jogar com 10 é a mesma coisa? Pensando bem, é pior, porque com 10 pelo menos não há lá ninguém a atrapalhar...
PS: Inqualificáveis têm sido os critérios disciplinares nos jogos do Benfica e do Sporting desde que este último perdeu em Vila do Conde. Demasiadas decisões tendenciosas para ser apenas coincidência. Mas como deixou de falar de arbitragem, suponho que este "sistema" já agrada a Dias da Cunha...
Publicado por Nuno Peralta às 11:07 PM | Comentários (4)
[0714/2004] Fórmula 1
Continua o tédio: 3ª corrida, 3ª pole de Schumacher, 3ª vitória de Schumacher, 2ª dobradinha da Ferrari...
Publicado por Nuno Peralta às 07:07 PM | Comentários (2)
[0713/2004] Martin Luther King

"But death doesn't matter with me now, because I've been to the mountaintop. And I've looked over, and I've seen the Promised Land. I may not get there with you. But I want you to know that we as a people will get to the Promised Land. So I'm happy I'm not fearing any man. Mine eyes have seen the glory of the coming of the Lord."
Nunca o saberemos na prática, mas muitos futurologistas dizem que morreu nesse dia de 1968 aquele que poderia ter sido o primeiro negro a chegar à Presidência dos EUA. Para já, apesar do grande peso que os negros têm na sociedade americana, esse é um facto que nunca aconteceu, um negro a liderar a Casa Branca...
PS: É impressionante a quantidade de gente carismática cuja morte ocorreu nos primeiros dias de Abril, ao longo do século XX (assim de repente, lembro-me imediatamente de Luther King, Salgueiro Maia, Aristides Sousa Mendes e Kurt Cobain).
I have a dream . . .
I say to you today, my friends, that in spite of the difficulties and frustrations of the moment, I still have a dream. It is a dream deeply rooted in the American dream.
I have a dream that one day this nation will rise up and live out the true meaning of its creed: "We hold these truths to be self-evident: that all men are created equal."
I have a dream that one day on the red hills of Georgia the sons of former slaves and the sons of former slave-owners will be able to sit down together at a table of brotherhood.
I have a dream that one day even the state of Mississippi, a desert state, sweltering with the heat of injustice and oppression, will be transformed into an oasis of freedom and justice.
I have a dream that my four children will one day live in a nation where they will not be judged by the colour of their skin but by the content of their character.
I have a dream today.
I have a dream that one day the state of Alabama, whose governor's lips are presently dripping with the words of interposition and nullification, will be transformed into a situation where little black boys and black girls will be able to join hands with little white boys and white girls and walk together as sisters and brothers.
I have a dream today.
I have a dream that one day every valley shall be exalted, every hill and mountain shall be made low, the rough places will be made plain, and the crooked places will be made straight, and the glory of the Lord shall be revealed, and all flesh shall see it together.
This is our hope. This is the faith with which I return to the South. With this faith we will be able to hew out of the mountain of despair a stone of hope. With this faith we will be able to transform the jangling discords of our nation into a beautiful symphony of brotherhood. With this faith we will be able to work together, to pray together, to struggle together, to go to jail together, to stand up for freedom together, knowing that we will be free one day.
This will be the day when all of God's children will be able to sing with a new meaning, "My country, 'tis of thee, sweet land of liberty, of thee I sing. Land where my fathers died, land of the pilgrim's pride, from every mountainside, let freedom ring."
And if America is to be a great nation this must become true. So let freedom ring from the prodigious hilltops of New Hampshire. Let freedom ring from the mighty mountains of New York. Let freedom ring from the heightening Alleghenies of Pennsylvania!
Let freedom ring from the snow-capped Rockies of Colorado!
Let freedom ring from the curvaceous peaks of California!
But not only that; let freedom ring from Stone Mountain of Georgia!
Let freedom ring from Lookout Mountain of Tennessee!
Let freedom ring from every hill and every molehill of Mississippi. From every mountainside, let freedom ring.
When we let freedom ring, when we let it ring from every village and every hamlet, from every state and every city, we will be able to speed up that day when all of God's children, black men and white men, Jews and Gentiles, Protestants and Catholics, will be able to join hands and sing in the words of the old Negro spiritual, "Free at last! Free at last! Thank God Almighty, we are free at last!"
28th August 1963
Publicado por Nuno Peralta às 05:53 PM | Comentários (4)
[0712/2004] Salgueiro Maia
A poucos dias dos 30 anos do 25 de Abril, convém relembrar a morte há 12 anos de um dos seus principais obreiros, Salgueiro Maia, um dos verdadeiros heróis de Abril. Se este tiver o dom de acompanhar a realidade do nosso país deve dar voltas e voltas de revolta no seu túmulo!
Publicado por Nuno Peralta às 12:15 AM | Comentários (3)
[0711/2004] Pânico...
... Deve ser o sentimento dominante em Espanha, depois da bomba desactivada ontem e do confronto de hoje entre polícia e suspeitos islâmicos, que deram direito a tiroteio, explosões e mortos!
E a tão curta distância, não deveríamos nós também estar bastante preocupados?
Publicado por Nuno Peralta às 12:07 AM | Comentários (5)
abril 03, 2004
[0710/2004] Grande galo!
Verdadeira lição que o Gil Vicente deu hoje ao Porto, explicando aos portistas que mais vale atacar pouco e bem do que muito e mal!
Foi um verdadeiro Auto da Barca do Inferno aquele que os portistas viveram hoje em Barcelos! O FCP conseguiu ainda fazer um dois em um: a primeira derrota da época e primeiro jogo sem marcar golos no campeonato (só com o Milão na Supertaça Europeia isso tinha acontecido)!
A propósito, alguém me explica porque McCarthy nem sequer foi para o banco? Excesso de confiança ou alguma lesão de última hora?
E Baía a querer contrariar o seu presidente, vindo em defesa de Scolari, justificando plenamente a sua não convocação...
E como benfiquista não posso deixar de ficar feliz por garantir assim que o Benfica continua a ser o único clube a terminar um campeonato invicto!
Foi um dia totalmente azedo para o futebol tripeiro, com o Boavista a conseguir a "proeza" de perder em casa com o praticamente despromovido Estrela da Amadora!
Publicado por Nuno Peralta às 11:09 PM | Comentários (3)
[0709/2004] Ainda a Selecção
O fim de semana não está para grandes escritas, o sol chama-nos para a rua e a noite convida ao convívio de rua.
Entretanto, apenas umas linhas para esclarecer o que tem sido aqui dito sobre a selecção: mais do que Scolari, quem aqui é questionado é a FPF, nomeadamente o seu Presidente, Gilberto Madaíl, que é um oportunista do futebol (como aliás a grande maioria dos outros dirigentes do futebol nacional).
Scolari é apenas o seleccionador, que faz o trabalho para que é pago. Não tenho dúvidas que algumas das suas escolhas são condicionadas pela Federação, que vetou alguns nomes e obriga à convocação de outros, mas dentro da sua margem de manobra faz o que pode, ainda que não tenha sido feliz em algumas atitudes que tomou, que lhe tiram qualquer margem de manobra para o erro.
Como português, apenas posso desejar que Scolari tenha a sorte que teve com o Brasil quando chegarem os jogos a sério e que Madaíl rapidamente desapareça da FPF.
Publicado por Nuno Peralta às 08:02 PM | Comentários (0)
abril 02, 2004
[0708/2004] Fogo
(Não é só por cá que os incêndios já começam a causar problemas, no Colorado o "espectáculo" já é o que se vê... - Foto AP)Publicado por Nuno Peralta às 07:55 PM | Comentários (0)
[0707/2004] Bode Expiatório
"O que a Direcção da FPF pretende é que haja um clima de paz e estabilidade à volta da Selecção Nacional que, sem o apoio de todos os Portugueses, não conseguirá alcançar os objectivos que todos nós - sublinho, todos nós -, desejamos."
(Comunicado de hoje da Direcção da FPF)
Já sabem, qualquer insucesso da Selecção no Euro'2004, não vai resultar de um seleccionador escolhido à revelia dos portugueses, das instruções que este recebe para não convocar os jogadores x e y (e eventualmente para convocar obrigatoriamente w e z), das péssimas exibições da equipa, da cultura do desenrasca que nos é tão cara e da mania de nos querermos pôr constantemente em bicos dos pés, colocando sempre a fasquia demasiado alta.
Não, nada disso, desta vez o bode expiatório, vão ser os portugueses que como eu não comem e calam perante as decisões do incompetente e corrupto Madaíl, que se tivesse um mínimo de vergonha e dignidade se tinha demitido após a vergonhosa prestação na Coreia!
Publicado por Nuno Peralta às 06:45 PM | Comentários (4)
[0706/2004] A justiça portuguesa a funcionar...
Publicado por Nuno Peralta às 06:31 PM | Comentários (1)
[0705/2004] Liberalismo
Preço do petróleo continua a descer
Por isso, os preços dos combustíveis em Portugal continuam a aumentar. E isto não é nenhuma piada de 1º de Abril atrasada...
Publicado por Nuno Peralta às 05:17 PM | Comentários (7)
[0704/2004] Paz?!?!
Eis uma compilação só de notícias de hoje, para se ver que o conceito de Paz é cada vez mais apenas um conceito teórico:
Localizada uma bomba na via férrea entre Madrid e Sevilha
Vídeo ameaçando destruir Roma descoberto em Cremona
Igreja Ortodoxa servo-bósnia acusa NATO de "terrorismo"
Sharon não exclui a possibilidade de eliminar Arafat
Iraque: Três soldados americanos feridos em explosão nos arredores de Falluja
Sudão: governo acusa oposição de planear plano de subversão
Publicado por Nuno Peralta às 03:40 PM | Comentários (2)
[0703/2004] Presente envenenado...
Localizada uma bomba na via férrea entre Madrid e Sevilha
Querem ver que os espanhóis foram enganados? Querem ver que mesmo com um Governo "neutro", continuam a ser alvo do terrorismo? Querem ver que afinal aqueles fundamentalistas islâmicos querem é simplesmente espalhar o terror à custa de todos os não crentes?
Hmmm, claro que não, isto concerteza que é obra do Acebes e do Aznar, para limpar a imagem do PP, os terroristas não seriam capazes de tal...
Ou será que foi a ETA?
De qualquer forma, como dizia o meu post anterior, estamos cada vez mais longe de ter conquistado a Paz e isso é que é o mais preocupante...
Publicado por Nuno Peralta às 03:07 PM | Comentários (1)
[0702/2004] Liberdade
Ainda propósito dos 30 anos de Abril, igualmente há 30 anos, na ressaca da revolução, Sérgio Godinho publicava o álbum "À Queima-Roupa", que continha um desejo chamado "Liberdade", o qual tinha o seguinte refrão:
"Só há liberdade a sério quando houver
a paz o pão
habitação
saúde educação
só há liberdade a sério quando houver
liberdade de mudar e decidir
quando pertencer ao povo o que o povo produzir"
Conforme líamos há menos de 15 dias no Público, 30 anos depois, para muitos nem o pão está garantido, quanto mais a habitação, saúde e educação. E da paz é melhor nem falarmos...
Deixo então aqui o repto para o debate: que Liberdade conquistámos e cultivámos nós nestes últimos 30 anos?
LIBERDADE (letra e música de Sérgio Godinho)
Viemos com o peso do passado e da semente
esperar tantos anos torna tudo mais urgente
e a sede de uma espera só se estanca na torrente
e a sede de uma espera só se estanca na torrente
Vivemos tantos anos a falar pela calada
só se pode querer tudo quando não se teve nada
só se quer a vida cheia quem teve a vida parada
só se quer a vida cheia quem teve a vida parada
Só há liberdade a sério quando houver
a paz o pão
habitação
saúde educação
só há liberdade a sério quando houver
liberdade de mudar e decidir
quando pertencer ao povo o que o povo produzir
Publicado por Nuno Peralta às 02:41 PM | Comentários (1)
[0701/2004] Política Nacional
Dado que estamos em Abril e que no próximo de 25 se comemoram 30 anos de vida em liberdade política em Portugal, não posso deixar de reflectir sobre o estado do nosso Estado democrático.
Parece-me que estamos neste momento no ponto mais baixo da credibilidade da classe política nacional, em que olhamos para o Governo e não lhe reconhecemos competência e depois olhamos para a Oposição e não vemos alternativa melhor.
Penso que isso se reflectirá nas próximas eleições numa elevadíssima taxa de abstenção (ou, se a campanha de Saramago funcionar, num monumental aumento de votos em branco...).
Analisando apenas os anos do pós-cavaquismo, que são os anos que marcam o grande crescimento da crise de confiança na classe política, há um acontecimento que eu acho marcante para o apodrecimento das lideranças políticas em Portugal e esse acontecimento foi a eleição de Durão Barroso para Primeiro-Ministro.
Porquê? Não tem nada a ver com a pessoa directamente, apenas com o que isso representou, o triunfo da persistência sobre a competência.
A eleição de Durão Barroso veio demonstrar que o líder da oposição não tem que ser alguém credível, competente e carismático. Não, apenas tem que ser alguém persistente e com "jogo de cintura" suficiente para se aguentar no lugar sempre que algum "colega" lhe tenta tirar o tapete. Mais tarde ou mais cedo quem está no Governo há-de, por incompetência, levar a que as pessoas votem nele.
Com Durão resultou e o reflexo disso é a permanência de Ferro à frente do PS. Este sabe que tem pela frente uma luta contra o tempo, permanecer o tempo suficiente no "poleiro", até que os portugueses se fartem da dupla Durão/Portas, assim como estes esperaram pelo fim da esperança no Guterrismo.
E, a não ser que um inesperado "murro na mesa" aconteça na nossa democracia, isto é o que nos espera, a alternância de Governos liderados por persistentes incompetentes, que nenhuma confiança transmitem aos portugueses, que cada vez se sentem mais distantes dos seus governantes.
A solução apenas poderá vir de algum novo movimento surgido da sociedade, liderado por alguém carismático e que transmita confiança aos portugueses, que quebre esta hegemonia da incompetência do "bloco central", alguém que depois de chegado ao poder não desiluda os portugueses ao fazer tudo ao contrário do que prometeu, ao falar muito e fazer muito pouco ou ao dar a ideia de que está lá para se "encher" a ele e aos amigos.
Sob pena de cada vez se ouvir mais a tenebrosa expressão: "O que faz falta é um Salazar! As saudades que eu tenho dele..."
Publicado por Nuno Peralta às 02:22 PM | Comentários (1)
[0700/2004] Invernia

Balada da Neve, de Augusto Gil
Batem leve, levemente,
Como quem chama por mim.
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
E a chuva não bate assim.
É talvez a ventania:
Mas há pouco, há poucochinho,
Nem uma agulha bulia
Na quieta melancolia
Dos pinheiros do caminho...
Quem bate, assim, levemente,
Com tão estranha leveza,
Que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
Nem é vento com certeza.
Fui ver. A neve caía
Do azul cinzento do céu,
Branca e leve, branca e fria...
-Há quanto tempo a não via!
E que saudades, Deus meu!
Olho-a através da vidraça.
Pôs tudo da cor do linho,
Passa gente e, quando passa,
Os passos imprime e traça
Na brancura do caminho...
Fico olhando esses sinais
Da pobre gente que avança,
E noto, por entre os mais,
Os traços miniaturais
Duns pezitos de criança...
E descalcinhos, doridos...
A neve deixa inda vê-los,
Primeiro, bem definidos,
Depois, em sulcos compridos,
Porque não podia erguê-los!...
Que quem já é pecador
Sofra tormentos, enfim!
Mas as crianças, Senhor,
Porque lhes dais tanta dor?!...
Porque padecem assim?!...
E uma infinita tristeza,
Uma funda turbação
Entra em mim, fica em mim presa.
Cai neve na Natureza
- e cai no meu coração.
Publicado por Nuno Peralta às 01:55 PM | Comentários (0)
[0699/2004] Na mouche!
Esta era digna do dia de ontem, mas eu não podia estar mais de acordo com o cidadão Jorge Nuno Pinto da Costa, que por acaso até é Presidente do Futebol Clube do Porto!

Publicado por Nuno Peralta às 10:19 AM | Comentários (3)
[0698/2004] Ok, era bluff
Claro que não vou fechar o estaminé...
Publicado por Nuno Peralta às 10:15 AM | Comentários (0)
abril 01, 2004
[0697/2004] Blóscares (update)
Já começou a cerimónia...

PS: Ooohhh, nem uma menção honrosa aqui para a Janela... Snif, snif... Sendo assim, também eu acabo o meu blog aqui!
Publicado por Nuno Peralta às 10:50 PM | Comentários (2)
[0696/2004] Nunca mais acaba o dia...
Em dias como o de hoje é sempre tão complicado descobrir as notícias verdadeiras no meio de tanta mentira...
TAP lucra 19,7 milhões de euros após quatro anos de prejuízos
Autoridade da Concorrência diz que está a investigar subida dos combustíveis
Governo quer nova resolução da ONU sobre o Iraque
Dívida pública portuguesa pode ultrapassar os 200% do PIB em 2050
Advogados obrigados a revelar operações suspeitas
Empresa sueca fabrica hardware em madeira natural
Pinto da Costa indignado com Scolari e federação
Portugueses acham que ouvem quatro mentiras por semana
Publicado por Nuno Peralta às 08:47 PM | Comentários (0)
[0695/2004] Combustíveis
Durão Barroso sugere investigação à subida dos preços dos combustíveis
É um brincalhão este nosso Primeiro...
Ao menos no Dia das Mentiras podia parar de gozar connosco por um bocadinho...
Publicado por Nuno Peralta às 08:18 PM | Comentários (1)
[0694/2004] Humores
Porque hoje ninguém leva ninguém a sério, este post resume a uma compilação de anedotas. Aviso desde já que algumas são politicamente incorrectas...
Um alentejano chega a uma casa de meninas e pergunta:
- Quanto custa uma menina?
- Depende do tempo.
- Bom, vamos supor que está a chover...
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Numa casa para pessoas com deficiências físicas, o professor ia a passar no refeitório quando o cozinheiro lhe pergunta:
- Quer uma torta, professor?
- Agora não, obrigado, que acabei de comer uma ceguinha!
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Vai um monge confessar-se e diz para o padre:
- Padre, fiz amor com uma preta num quarto escuro... Acha que é pecado?
- Não, meu filho, é muita pontaria!
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Na alfândega, pergunta o oficial ao turista inglês:
- Sex?
- 3 times a week.
- No... I mean male or female?
- It doesn't matter.
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Hitler morre e vai para o inferno. Assim que chega começa a reclamar com o diabo:
- Eu preciso voltar imediatamente para a Terra!! Tenho uma coisa muito importante para fazer! Preciso apenas de mais uma semana!
- Nem pensar nisso. - diz o Diabo. - Já deu muito trabalho tirar-te de lá. Nunca mais voltas para a Terra!
- Mas eu preciso. Eu tenho de fazer uma coisa muito importante!
Curioso, o Diabo pergunta:
- Mas o que é que é assim tão importante?
- Tenho de matar mais 4 milhões de Judeus e 3 Suecos.
- 3 Suecos?? Porquê os 3 Suecos?
- Estás a ver? Eu é que tenho razão! Ninguém quer saber dos Judeus!!
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Joaquim chega ao aeroporto todo carregado de malas. Quando já ia a embarcar, viu o seu amigo brasileiro, que era fiscal da alfândega. Este, gritou-lhe de longe:
- E aí, Joaquim? Tudo jóia?
- Tudo não! Metade é cocaína.
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Um camionista pára a sua viatura à beira da estrada e dá boleia a uma bela jovem.
Depois de conversarem um pouco, ambos decidiram parar para comer qualquer coisa e acabam por ir para o quarto de um motel.
Enquanto a jovem se despe, o homem pergunta-lhe:
- Diz-me lá, que idade é que tens?
- Treze.
- Por Deus!! Veste-te imediatemente e vai-te embora daqui!
- Olha, outro supersticioso!
---
Diz uma ovelha para um carneiro:
- Tens tão pouca lã...
E diz ele:
- Então, mas viemos para aqui fo...r ou fazer tricot??
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Uma senhora grávida pergunta ao seu filho de seis anos:
- Então, filho, o que é que preferes, um mano ou uma mana?
- Ó mãe, se não te doer muito, o que eu queria mesmo era um pónei...
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Uma mulher, toda boazona, vai ao médico:
- Sr. Doutor, queria que fizesse algo pelo meu marido, algo que o fizesse ficar como um touro!
- Então dispa-se minha senhora, que começamos já pelos cornos!
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- Estou? Preciso de ajuda, a minha sogra quer-se atirar da janela!
- Desculpe, mas deve ter-se enganado no número, aqui fala de uma carpintaria!
- Eu sei, o meu problema é que ela não consegue abrir a janela!
Publicado por Nuno Peralta às 06:01 PM | Comentários (1)
[0693/2004] Verdade ou mentira?
Scolari por um fio à frente da Selecção
Eis a notícia que eu não me importava fosse verdade, mas provavelmente não passa do 1º de Abril d'A Bola...
Publicado por Nuno Peralta às 03:16 PM | Comentários (5)
[0692/2004] 1º de Abril
É melhor que não nos esqueçamos que hoje é Dia das Mentiras e todo o cuidado é pouco na filtragem das notícias!

Para começar, a nossa Selecção já arranjou forma de nos mostrar que qualquer expectativa em relação a um título no Euro'2004 é uma grande farsa!!!
Publicado por Nuno Peralta às 12:25 AM | Comentários (1)
