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outubro 31, 2003

Portugal é o País Mais Pobre da U.E.

Afinal sempre há qualquer coisa em que somos os primeiros, já passámos os gregos...

Isto sim, deveria ser alvo de comentários, debates, manifestações, intervenções do Governo, Oposição e Presidente da República.
Só que acontece que andam todos muito ocupados a olhar para o umbigo, em arrufos sem nenhum valor acrescentado ou a assobiar para o ar!

Publicado por Nuno Peralta às 05:34 PM | Comentários (2)

Revisão constitucional

Eis os dois pontos que mais reservas me suscitam sobre a proposta de revisão constitucional do PP:
1 - "o direito à liberdade de imprensa e o dever da comunicação social de respeitar as crianças e a formação da sua personalidade";
2 - "inviolabilidade do direito à vida desde a concepção" (ou seja, a proibição total do aborto).

Espero sinceramente que estas propostas sejam rapidamente debatidas, pois se eu concordo com a ideia de retirar a carga ideológica marxista da Constituição, não posso em momento algum admitir que a nova Constituição seja um documento moralista, guiado pelos princípios beatos de uma certa direita pejada de falsos moralismos.
Era bom que deixássemos um pouco de lado a Constituição Europeia e pensássemos primeiro no que queremos para a Consituição Portuguesa.

Publicado por Nuno Peralta às 01:36 PM | Comentários (0)

Outubro «negro» para o PS

"O Barómetro da Markteste para TSF e o DN revela que o PS cai cinco por cento, recolhendo 37 por cento das intenções de voto. Os social-democratas sobrem seis pontos e estão no limiar da maioria absoluta com 44 por cento das intenções de voto.
(...)
O secretário-geral do PS é o mais penalizado dos líderes partidários. Ferro Rodrigues cai 18 por cento, reunindo um saldo negativo de 41 por cento.
Jorge Sampaio também não terá escapado ao facto de estar mediaticamente mais exposto e de ter visto o seu nome citado nas transcrições das escutas telefónicas do processo Casa Pia.
Embora continue a ser o mais popular, o Presidente da República sofre uma quebra de nove por cento, dispondo de um saldo de 61 pontos negativos."

Será que finalmente o PS vai abrir os olhos e perceber que a tese da cabala não convence ninguém e que o País necessíta que algo mude naquele partido?
Se não querem ouvir os comentadores, ao menos ouçam aqueles a quem querem pedir os votos nas próximas eleições!

Publicado por Nuno Peralta às 12:46 PM | Comentários (2)

O mal menor

Espero ansioso pela noite de hoje.
Luís Filipe Vieira presidente do Benfica não é a notícia que gostaria de ouvir, mas dado o panorama, é o melhor que se pode esperar...
Espero apenas que daqui a 3 anos ainda seja possível sonhar com uma Direcção profissional e empenhada, que recoloque o Benfica onde merece.
Mas claramente o futuro do Benfica não pode passar por Madalenos aldrabões e Antunes demogogos.


A minha grande esperança é que Luís Filipe Vieira tenha a clarividência necessária para se rodear das pessoas certas.
Não quero ter o maior clube do mundo daqui por 3 anos, mas gostava de ter um clube que ganha títulos cá dentro e não faz figuras tristes lá fora, enfim, um clube que no presente não manche a boa imagem do passado, porque hoje em dia o único activo valioso que existe é a marca Benfica e é esse activo que é preciso preservar e rentabilizar.
Aguardemos pois pelo futuro...

Publicado por Nuno Peralta às 10:50 AM | Comentários (3)

Noites de Outono e Inverno

A chuva lá fora tocada a vento, a bater forte contra as janelas.
O toque da pele do nosso amor.
Um cobertor bem quentinho.
Nada se compara às noites de Outono e de Inverno.

Publicado por Nuno Peralta às 10:23 AM | Comentários (0)

outubro 30, 2003

Farpas e Burrices

Parece que minhas provocações em resposta a algumas farpas sobre a inauguração do Estádio da Luz estão a ter reacções desproporcionadas de parte a parte (aqui, aqui e aqui).
Porque será que quando se fala de futebol qualquer racionalidade, clareza de argumentos e imparcialidade é posta de lado, de parte a parte, passando-se rapidamente aos insultos (eu próprio admito ter exagerado um pouco nas minhas apreciações)?


O que disse e repito é o que é realidade: Qualquer pormenor da treta que se passe com o Benfica vende mais do que qualquer facto extremamente relevante que se passe com outro clube.
É um facto, é o mundo em que vivemos, em que o futebol tem uma importância desmesurada e o Benfica é a principal imagem dessa indústria.
Mas sinceramente, acho que o que vos chateia não é que o futebol tenha esta importância, mas sim que ao Benfica seja dada tanta importância.
O que pretendem é que daqui por uns anos esteja o Porto ou Sporting neste lugar de destaque, não que se debatam outros assuntos...
Racionalmente, em teoria, faz todo o sentido que, como qualquer outra empresa, se não tiverem capacidade de subsistir por si, os clubes fechem as portas, seja qual for a sua dimensão ou cor.
Realisticamente, alguém admite que o povo deixe que isso aconteça? Se quando está para fechar uma fábrica que dá trabalho a 50 ou 100 pessoas é o que se vê, agora imaginem mexer com os sentimentos (mais uma vez a irracionalidade) de 1 milhão ou mais de adeptos!
Ainda para mais num país em que o poder político sabe que o apoio ou ataque ao futebol pode custar ou valer uma eleição!
Também há muita coisa neste País que eu não gosto e que critico, como vocês estão no direito de o fazer. Eu já pensei seriamente em emigrar e ainda penso de vez em quando. Se calhar era bom pensarem no mesmo, se não conseguem suportar a realidade em que vivem...

PS: Nenhuma divergência de opiniões sobre opções clubísticas justifica este post. Sinceramente, depois de ler isto, tenho vergonha de dizer que sou do mesmo clube que ele...

Publicado por Nuno Peralta às 06:05 PM | Comentários (0)

Terras do Sempre

São mensagens como a do João que me fazem feliz e radiante pelo tempo dispendido aqui no blogue, que afinal vale a pena, há mesmo quem veja, leia e goste.
Obrigado!

PS: Nunca é demais dizer que o João também é daqueles que eu visito diariamente, está ali no cantinho dos Imprescindíveis.

Publicado por Nuno Peralta às 04:38 PM | Comentários (1)

JPC

É mesmo verdade, o João Pereira Coutinho está de regresso, com um site novo (sim, que aquilo tem muito estilo e é muito mais que um blogue!).
Entra directamente para a categoria dos imprescindíveis!

Publicado por Nuno Peralta às 04:12 PM | Comentários (0)

Cancro da Mama

Hoje comemora-se o Dia Nacional da Luta Contra o Cancro da Mama, um dos problemas que mais aflige as mulheres em todo o mundo. De acordo com dados da Liga Portuguesa Contra o Cancro, divulgados pelo Público, o cancro da mama é a primeira causa de morte por cancro da mulher em Portugal, onde uma em cada 13 mulheres sofre desta doença ao longo da vida e todos os anos mais de 3500 portuguesas engrossam a lista. Todos os anos surgem cerca de 60 novos casos por 100 mil habitantes e a tendência é para que o número aumente, na sequência de mudanças nos estilos de vida. Os factores ambientais são responsáveis por cerca de 70% dos casos. As dietas hipercalóricas, a ingestão de hormonas sob forma de medicamentos e em animais (para crescimento) e os hábitos da geração moderna de ter poucos filhos e cada vez mais tarde, são alguns factores que ajudam a explicar o aumento de casos de cancro da mama. As boas notícias têm que ver com o facto deste tipo de cancro tem uma percentagem de cura muito elevada - mais de 90 por cento dos casos – desde que detectados precocemente, evitando-se em 40% dos casos a amputação do seio, pelo que a ênfase na prevenção é importante. O diagnóstico deve ser feito através de mamografia de rotina, embora o auto exame do seio, uma vez por mês, após o período menstrual, seja também considerado fundamental. Mais informações sobre a doença podem ser encontradas nestes endereços: The Breast Cancer Site Breast Cancer Resource Center BreastCancer Action American Cancer Society

Publicado por Nuno Peralta às 02:39 PM | Comentários (1)

Vídeoclip

O vídeoclip realizado por Sofia Coppola e interpretado por Kate Moss para o tema dos White Stripes "I Just Don't Know What to Do With Myself” é pura e simplesmente fantástico, é daqueles momentos de alto erotismo, pois deixa muita margem de manobra para a imaginação...

Publicado por Nuno Peralta às 03:08 AM | Comentários (0)

E lá vamos andando...

Proponho que daqui em diante, até ao final do campeonato, o Benfica jogue todos os jogos que faltam em campos a estrear, assim como assim parece dar-se bem com as inaugurações, a brincar ou a sério.
Podia ser que assim o campeonato tivesse alguma emoção...


PS: O golo do Roger é para ver e rever! Será que finalmente o homem vai começar a mostrar em Portugal os predicados que já demonstrou no Brasil?

Publicado por Nuno Peralta às 02:35 AM | Comentários (1)

outubro 29, 2003

Reciclagem

Depois dos últimos acontecimentos, uma boa reciclagem é o que necessitam os Ministérios do Ambiente e da Agricultura, que em vez de se entenderem internamente andam a lavar roupa suja na praça pública.
Claramente, como diz o povo, "patrão fora, dia santo na Loja", ou seja, com o Durão no estrangeiro, cada um anda por aí a dizer as barbaridades que bem entende.

Publicado por Nuno Peralta às 07:28 PM | Comentários (1)

A Poesia Vai Acabar

Não posso deixar de referir aqui este excelente trabalho do Mário Pires e da Cristina Fernandes, que podem encontrar aqui.

Publicado por Nuno Peralta às 03:27 PM | Comentários (0)

Quando a realidade ultrapassa a ficção

Por muito que me esforce, hoje não consigo imaginar nada mais humorístico para escrever do que transcrever esta notícia do Público:
"O advogado de Carlos Silvino, José Maria Martins, vai prescindir dos serviços do médico Rui Frade se se confirmar que este não é psiquiatra. O advogado escolheu o clínico porque este é seu vizinho e porque ofereceu os seus préstimos gratuitamente.
Como noticia hoje o PÚBLICO, Rui Frade, apresentado ontem na Boa Hora pelo advogado de defesa de Carlos Silvino como psiquiatra, não está inscrito na Ordem dos Médicos como especialista em Psiquiatria, o que Rui Frade explica com complicações burocráticas.
...
"
Desta nem os Fedorentos se lembrariam!

Publicado por Nuno Peralta às 02:37 PM | Comentários (2)

Sorteio da Taça de Portugal

Foi hoje o sorteio da 4ª eliminatória da Taça de Portugal, a 1ª com equipas da SuperLiga, a qual se vai disputar nos próximos dias 22 e 23 de Novembro.
O prato forte é sem dúvida o escaldante Porto-Boavista, nomeadamente depois de tudo o que se passou na 2ª feira passada.
Ao Benfica calhou o Estrela da Amadora, enquanto o Sporting se desloca ao terreno do 1º de Dezembro, uma equipa da zona de Sintra que subiu este ano à 3ª Divisão.
Ainda de realçar um Alverca - Vitória de Setúbal.

Eis os resultados completos do sorteio:
F. C. Porto-Boavista
Benfica-Estrela da Amadora
1.º Dezembro-Sporting
Belenenses-D. Aves
Paços de Ferreira-Ovarense
Gil Vicente-Sanjoanense
Alverca-V. Setúbal
Marítimo-Feirense
Moreirense-Fafe
Lourinhanense-Beira Mar
V. Guimarães-S. João Ver
Sp. Covilhã-União de Leiria
Paços de Brandão-Sp. Braga
Santo António-Varzim
Atlético-Rio Ave
Académica-Infesta
Maia-União da Madeira
Pedrouços-Louletano
Estoril-Casa Pia
Leça-Portomosense
Fátima-Vilafranquense
Portimonense-Nogueirense
União de Lamas-Marco
Câmara de Lobos-Nacional
Oliveirense-Penafiel
Felgueiras-Sourense
Salgueiros-Freamunde
Cinfães-Paredes
Leixões-Naval

Publicado por Nuno Peralta às 01:15 PM | Comentários (0)

Eutanásia

O Mar Salgado trouxe de novo à baila o tema, a propósito da situação que se vive actualmente nos Estados Unidos com Terry Schiavo.
É um tema que eu considero muito importante, sobre o qual já aqui escrevi em tempos, por altura da morte de Vincent Humbert, que pode ser lida aqui.

Publicado por Nuno Peralta às 11:44 AM | Comentários (0)

Muitos parabéns

Rainha de Espanha entrega prémio de poesia a Sophia de Mello Breyner Andresen
É sempre bom ver os nossos grandes nomes da cultura serem reconhecidos em vida e este prémio é uma forma bonita de ver umas das nossas maiores poetisas ser reconhecida lá fora, provavelmente até mais do que é reconhecida cá dentro, em Portugal.
Parabéns Sophia!

Poesia

Se todo o ser ao vento abandonamos
E sem medo nem dó nos destruímos,
Se morremos em tudo o que sentimos
E podemos cantar, é porque estamos
Nus em sangue, embalando a própria dor
Em frente às madrugadas do amor.
Quando a manhã brilhar refloriremos
E a alma possuirá esse esplendor
Prometido nas formas que perdemos.

Aqui, deposta enfim a minha imagem,
Tudo o que é jogo e tudo o que é passagem.
No interior das coisas canto nua.

Aqui livre sou eu — eco da lua
E dos jardins, os gestos recebidos
E o tumulto dos gestos pressentidos
Aqui sou eu em tudo quanto amei.

Não pelo meu ser que só atravessei,
Não pelo meu rumor que só perdi,
Não pelos incertos atos que vivi,

Mas por tudo de quanto ressoei
E em cujo amor de amor me eternizei.

Publicado por Nuno Peralta às 03:14 AM | Comentários (2)

As palavras de Catalina

Nada do que se passou hoje no Tribunal da Boa-Hora, por muito nojo que aquilo tenha gerado em mim, justifica as palavras de Catalina Pestana esta noite, ela que deveria ser o garante dentro da Casa Pia da estabilidade daquelas crianças, tem permanentemente abusado de uma atitude de chantagem emocional com a população portuguesa, tentando julgar na praça pública os arguidos.
Num Estado de Direito (tenho cada vez mais sérias dúvidas que Portugal o seja, mas ainda tenho que assumir que o é), as declarações desta noite são gravíssimas, provavelmente mais que as do terramoto.
Catalina Pestana quis fazer mais uma vez o julgamento na praça pública, exigindo um tratamento das vítimas que só é possível se os arguidos forem desde já assumidos como culpados.
Infelizmente a Lei permite os artifícios usados pela Defesa, que deveriam ser revistos. Mas existem e não é lícito que se venha fazer demagogia com os sentimentos das crianças, elas já são vítimas o suficiente sem esta mediatização.
Além disso, é preciso não esquecer nunca que deveria haver um outro arguido no banco dos réus que (ainda não está lá) e esse arguido chama-se Estado, o qual Catalina Pestana representa na Casa Pia há muitos anos, sem que nada tenha feito em defesa das crianças nesse período. Sim, Catalina Pestana não chegou agora à Casa Pia, está lá há muitos anos e não acredito que ela, como muitos outros, não tivesse conhecimento das conversas de corredor que falavam destas histórias de pedofilia.
Espero que tal não aconteça, mas se um destes dias tivermos algum dos arguidos linchado na praça pública, antes de ser julgado e considerado culpado, que Catalina Pestana se lembre bem do contributo que está a ter para essa situação.

Publicado por Nuno Peralta às 12:09 AM | Comentários (3)

outubro 28, 2003

Julgamento 2

Afinal as habilidades processuais da defesa de Carlos Silvino ainda tinham mais um trunfo na manga para continuar este triste espectáculo em que a nossa Justiça se transformou.
Pôr em questão o juíz deste caso, aparentemente sem fundamento e pagar a um psicólogo ou psiquiatra (não percebi bem) para dizer que o Bibi está amnésico é passar todos os limites da decência e da ética, ainda que não os da Lei (o que só vem provar que após o 25 de Abril se passou do 8 ao 80, da falta de direitos dos arguidos para o excesso de direitos, para lá do razoável).
Parecem piores que aqueles clubes de futebol que, sabendo que jogando o jogo pelo jogo vão ser derrotados pela certa, usam todos os estratagemas para ganhar na secretaria...

Publicado por Nuno Peralta às 11:39 PM | Comentários (0)

Morte nas Estradas

É impressionante que de ano para ano não há forma de o civismo na condução dos portugueses melhorar.
Estes últimos dias de chuva têm demonstrado que a prudência não impera e que o número de mortos e feridos anuais continuam em níveis equivalentes a uma Guerra Civil.
Penso que está mais que demonstrado que não é com campanhas de sensibilização que vamos chegar a algum lado, pois o investimento em informação tem crescido bastante, sem a consequente diminuição de acidentes.
É necessário actuar na formação, na repressão e nas condições.

Apostar na formação:
- sensibilização das crianças nas escolas primárias e secundárias, para a importância do cumprimento das regras de trânsito;
- aumento da exigência dos testes de concessão da carta, que devem passar por aulas teóricas e práticas, bem como aulas de simulador, em que o proponente a condutor é posto face a situações menos normais (condução em piso molhado, com neve, atravessamento súbito de peões, travagens bruscas, acidentes,...);
- exigência de testes periódicos de renovação da carta, em intervalos máximos de 10 anos (eu tenho carta à 12 anos, desde que tirei a carta já surgiram inúmeras alterações ao código, mas só daqui a 30 anos tenho que renovar a carta, pelo que posso andar a conduzir perfeitamente sem saber as regras. Já repararam que aqueles velhotes que andam em contramão nas auto-estradas, nunca na vida tiveram formação sobre o que é uma auto-estrada?)

Apostar na repressão:
- a polícia tem que deixar de ser branda com os acidentes de viação, punindo as infracções severamente, especialmente todas aquelas que causam perigo para o próprio condutor e para terceiros, com elevadas multas pecuniárias e com a apreensão da carta. Em casos mais graves (condução com elevadas taxas de álcool, condução sem iluminação à noite, ou em contramão), a prisão não deve ser posta de parte, antes pelo contrário.
- por outro lado, as seguradoras têm que passar a punir de forma mais rígida os maus condutores e a bonificarem significativamente os bons condutores, nem que para isso o Estado tenha que introduzir alguma regulamentação adicional.

Apostar nas condições:
- é notório que em Portugal, houve uma febre do betão e do asfalto, da construção de novas vias de comunicação, que aceleraram a ligação de todo o país e melhoraram as condições de circulação. No entanto, o esforço necessário de manutenção dessas vias, aliado a um exponencial crescimento dos veículos que utilizam essas vias, faz com que actualmente se assista a alguma degradação significativa das vias de circulação. É necessário que, em vez de se construirem novas acessibilidades, se trate primeiro das já existentes, pois muitas delas necessitam de urgentes reparações, para evitar que mais acidentes aconteçam.

É preciso que o Governo e a sociedade civil compreendam e se mentalizem que a luta contra este flagelo tem que ser um desígnio nacional, que é necessário definir um Plano Nacional de Erradicção dos Acidentes de Viação, com objectivos bem específicos de diminuição da sinistralidade, doa a quem doer e efectivamente controlado.
Milhares de portugueses morrem ou ficam afectados anualmente por causa dos acidentes de viação, poucas devem ser as famílias portuguesas que não têm na sua família pelo menos uma triste história para contar.

Para terminar este post, não posso deixar de mencionar uma das poucas organizações que em Portugal tenta fazer algo contra este flagelo, a quem se deve louvar o esforço na área da formação e divulgação, a ACA-M.

Publicado por Nuno Peralta às 06:07 PM | Comentários (1)

Guia Fiscal

Porque os portugueses gostam de guardar as grandes decisões para a última da hora, aqui vos deixo como prenda dos 4 meses um útil Guia Fiscal para 2003, onde podem encontrar informação sobre as acções que ainda podem executar para minimizarem legalmente a vossa carga fiscal.
Usem, leiam e divulguem:
Guia Fiscal 2003
(atenção, documento em formato PDF, necessitam ter o Acrobat Reader)

Publicado por Nuno Peralta às 04:58 PM | Comentários (0)

Ena, ena!

4 mesinhos de vida já leva este blogue (ou melhor, este tem pouco mais de 15 dias, os 4 meses é contando desde os tempos do blogger.br).
4 meses que se traduzem em cerca de 620 posts (cerca de 5 por dia), cerca de 8600 visitas (cerca de 72 por dia) alguma aprendizagem de HTML, discussões interessantes, novos conhecimentos e muito gozo em fazer isto.
Espero que continuem a gostar do que por aqui se escreve e que continue a merecer as visitas de quem se digna a visitar-me. Eu por mim apenas garanto que estarei por cá!

PS: By the way, espero que gostem do novo look!

Publicado por Nuno Peralta às 02:43 PM | Comentários (3)

Entrevista a Jorge Sampaio

Jorge Sampaio foi ontem entrevistado na RTP, durante cerca de hora e meia. Infelizmente, ao contrário do que o próprio tem defendido, o tema dominante acabou por ser a justiça e o caso Casa Pia. Ainda que tenha falado do País, do apertar do cinto, de saúde, educação e do referendo europeu, basta olhar para os jornais de hoje para perceber que os jornalistas quase todos desligaram as televisões quando o tema deixou de ser justiça e Casa Pia, pois os restantes temas quase que não se vêm nos jornais.
Transcreve-se em seguida a entrevista, de acordo com o publicado no Público.

Entrevista com Jorge Sampaio
Foi um Presidente da República descontraído e bem disposto aquele que ontem compareceu nos estúdios do Lumiar da RTP para a entrevista conjunta ao PÚBLICO, RTP e Rádio Renascença. Num cenário de tons vermelhos e enquadrado por fotografias de vários momentos do seu mandato - "com tantas imagens até pareço o Kim Il-Sung", gracejou Jorge Sampaio - a entrevista durou um pouco mais de hora e meia e começou, inevitavelmente, por abordar os problemas suscitados pelo caso Casa Pia.

P. - Na sua comunicação ao país, o senhor Presidente garantiu que nunca utilizou os seus poderes para obstruir a justiça. Em algum momento sentiu que o seu poder estava a ser solicitado ainda que de forma indirecta?
R. - Nunca senti qualquer interferência. Depois de vários órgãos de comunicação social terem procurado insinuar que teria sido alvo de alguma coisa relativamente ao processo, tinha que esclarecer que uma coisa é a minha capacidade de recolha de informação, outra é aquilo que eu acho sagrado: que nem o Presidente da República deve ou pode interferir no desenrolar de um processo. Por isso apelo a uma maior serenidade e contenção de todos, a começar pelos operadores judiciários, juízes, ministério público, advogados, para que seja possível fazer justiça. Porque o que queremos é que haja justiça, que se vá até ao fim e que esta tragédia, que perpassou pelos últimos vinte anos, seja efectivamente julgada para que todos possam descansar.
Por outro lado, é vital que ajudemos a consolidar as instituições. Ninguém está acima de qualquer crítica ou erro. Devemos habituarmo-nos a isso como sociedade adulta, o que é diferente de cada um utilizar os meios de comunicação social para influir no processo.
P. - De alguma forma sentiu que o PS, ou Ferro Rodrigues, esperariam da sua parte alguma ajuda naqueles dias que antecederam a prisão de Paulo Pedroso?
R. - Não. Nunca senti que houvesse a mais pequena interferência. Uma coisa é a amizade que tenho por muitas dessas pessoas, nomeadamente por Ferro Rodrigues, de quem sou amigo há 30 anos, e outra coisa é ser Presidente da República. O meu universo não tem nada a ver com o partido A ou com o partido B, tem a ver com a minha interpretação do que é ser Presidente.
P. - Todos entenderam isso?
R. - Conhecem-me há muito tempo e sabem que, por mais difícil que isso seja, não cedo. Posso ouvir, dar o meu afecto, mas há um código que respeito. Não se podem transpor regras fundamentais da convivência, da exigência, da moralidade. Os que me conhecem, sabem.
P. - Na sua comunicação afirmou que um Presidente tem direito a ter acesso a toda informação necessária e legítima. Isso implica ter acesso à informação sobre processos em segredo de justiça?
R. - Não. O Presidente pode e deve perguntar: senhor fulano, diga-me lá como é que vai a justiça?
P. - Sobretudo perguntar ao Procurador-Geral da República?
R. - Também posso perguntar ao presidente do Supremo Tribunal de Justiça, ao Bastonário da Ordem dos Advogados, a toda a gente. Aos líderes, aos não-líderes... aos economistas também pergunto o que é que se passa na Portucel. Tenho uma curiosidade insaciável, passo horas a estudar, mas tenho que estar profundamente informado e depois aplicar aquilo que acho que pode ser aplicado.
P. - Mas existem dúvidas se neste processo foi informado pelo Procurador...
R. - Informado que estava a decorrer uma investigação, sim. Até porque o país precisava que houvesse essa investigação
P. - A Presidência foi informada com alguns dias de antecedência da detenção de Paulo Pedroso?
R. - A resposta é negativa, mas fosse positiva ou negativa, íamos parar ao mesmo. O Presidente tem que dar aos seus interlocutores a ideia sólida de que, quando os recebe, o que ali se passa é segredo. Senão não haverá confiança. Outra coisa é a transparência democrática, a censura parlamentar, as investigações da comunicação social.
P. - A revelação de uma escuta que fala de um almoço com o senhor Presidente lança a suspeita...
R. - Eu não sei o que é que se pode retirar dos almoços, eu almoço com o senhor procurador, com líderes partidários, com primeiros-ministros. Agora o Presidente tem de estar informado que há uma investigação sobre a Casa Pia, doa a quem doer, e disso foi informado.
P. - E que envolvia determinadas pessoas?
R. - E que envolvia pessoas com responsabilidade.
P. - Todos os meses recebe o Procurador. O que é que ele vai fazer exactamente fazer a Belém?
R. - Vai dizer porque é que aparecem todos os dias factos do processo nos jornais e na televisão, e o que é que pensa disso.
P. - E já tem alguma interpretação para isso?
R. - Tenho a minha.
P. - E pode partilhá-la?
R. - Posso, nós todos somos responsáveis, a começar pela comunicação social. Num seu editorial [José Manuel Fernandes] tocava na necessidade de certos equilíbrios de certos direitos e isso é muito importante. Porque o actual Código Penal e de Processo Penal são claros: "quem divulgar"...
P. - O mensageiro é que tem a responsabilidade?
R. - Não, não, quem divulgar, o que quer dizer que todos têm. Inclusive a comunicação social para a qual há uma disposição específica. Não podemos deixar passar as constantes violações do segredo de justiça como se não fosse nada connosco. A única maneira de a justiça se fazer como deve ser é se todos os protagonistas perceberem que não são precisos intermediários comunicacionais. E o que é mais grave é os nossos vizinhos mais próximos aproveitarem estes episódios para fazerem reportagens sensacionalistas sobre a nossa vida colectiva.
P. - Mudou a sua posição sobre se se deve ou não alterar já o Código de Processo Penal?
R. - Não se pode legislar a quente. A reforma em cima de um processo pode ser inquinada. Mas acho bem que se olhe para as escutas telefónicas, que dão problemas que não foram previstos.
P. - O senhor assinou essa lei. Não teve nessa altura nenhuma dúvida?
R. - Não tive, mas admito que a prática subsequente levante dúvidas.
P. - Podemos concluir que, vistas agora as coisas, não faz sentido escutar uma pessoa que não é suspeita da prática de um crime?
R. - É bom não esquecer, por causa deste episódio, o que é que continua a acontecer com o branqueamento de capitais, com o tráfico de droga. Aí as escutas são um meio de investigação fundamental, mas o seu controlo tem que ser muito mais sério. É preciso saber quem vigia, quem ordena, quem destrói.
P. - Como interpreta a crítica feita ao procurador João Guerra pelo bastonário da Ordem dos Advogados?
R. - Acho extraordinário que se diga que tudo quanto acontece é culpa do senhor Procurador. Eu não sei...
P. - Quer pois dizer que o seu encontro com o Procurador e o gesto de o acompanhar até à porta foi realmente uma manifestação de apoio?
R. - Foi também outra coisa. Durante dias pôs-se em causa que pudesse falar com o senhor procurador e eu quis mostrar que ninguém me pode impedir de lhe falar.
P. - Passou-lhe pela cabeça que o Procurador pedisse a demissão?
R. - Não passou. Seria injusto e erradíssimo. Francamente! Todos os processos têm melhores e piores dias. Então os vários tribunais não têm sentenças melhores que outras? Para que servem os recursos?
P. - Quarenta por cento de presos preventivos não é excessivo?
R. - Sobretudo não podemos é ter pessoas presas para investigar. É bom não passar de um extremo ao outro, porque há bem pouco tempo o que me impressionava era ouvir coisas como: "então senhor doutor, aquele malandro roubou e já está em liberdade?" Era o contrário: tudo preso.
P. - Justicialismo populista...
R. - Era justicialismo populista e o securitarismo no seu expoente máximo. Agora estamos no pólo oposto. Calma!
P. - Um candidato a primeiro-ministro teve declarações menos prestigiantes sobre segredo de justiça...
R. - Não vou comentar isso, até porque noutros tempos, quando havia escutas antes do 25 de Abril, nós dizíamos sempre - eu pessoalmente - "agora é para os que estão a ouvir", e saía uma roda de palavrões. Eu ainda hoje faço isso por reflexo ao ridículo.
P. - Não dá relevância política àquelas declarações?
R. - Dou relevância é a que haja uma devassa, que não deve haver, que permita terem aparecido nos órgãos de comunicação social expressões que uma pessoa não teria tido em situações normais. O senhor doutor não diz, de vez em quando, um palavrão? Eu digo!
P. - Passou a ter mais cuidado ao telefone?
R. - Rio-me muito! Agora se estiver [a ser escutado], ouçam lá o que eu estou a dizer: zás, cinco palavrões! Mas acho que toda a gente sabe que sou uma pessoa educada.
P. - Até que ponto o processo da Casa Pia fragilizou o principal partido da oposição e, dessa forma, a democracia?
R. - Continuo a ser membro do PS, mas sem actividade e não tenho nenhuma legitimidade para dar qualquer conselho. Mas o PS está em dificuldades e tudo aquilo que possa ser um esforço para melhorar a vida democrática portuguesa, no quadro das minhas competências e da minha legitimidade, eu devo fazer. Nós precisamos de alternativas na vida democrática. Esperemos que o PS saiba...
P. - Está aí implícita uma crítica à forma como foi gerido o caso?
R. - Não, não está. Estou sempre com muito medo de dizer as coisas que sinto dever dizer porque há sempre a ideia que é um recado.
P. - Não acha que enfraquece um Chefe de Estado ir já em quatro apelos à serenidade sem nenhum efeito aparente?
R. - Não enfraquece, é até um estímulo para continuar.
P. - O que é pior para si: chegarmos ao fim deste processo sem ninguém condenado ou haver alguém condenado que é inocente?
R. - Todos precisamos que se faça a justiça e que fiquemos convencidos que ela se fez. Mas a comunicação social não pode fazer disto a novela das 20 horas. Reparem: convoquei cinco chefes de Estado estrangeiros para reunir sobre a Europa, num fim-de-semana, em Arraiolos, essa reunião só apareceu em todos os canais às 20h50, no fim dos telejornais. Faço-vos pois um apelo: tentem pôr o processo da Casa Pia, no alinhamento, em oitavo lugar. Não é no fim, mas não é em primeiro...
P. - Mas se são os magistrados, os advogados, os antigos bastonários a fazer declarações que inflamam os ânimos?
R. - Se percebessem que passavam para oitavo no alinhamento, falavam menos.

P. - O que sentiu quando viu a reportagem na "Time" sobre Bragança, ou a reportagem sobre a depressão nacional no "El País"?
R. - O mundo actual tem muitos concorrentes e mesmo os nossos melhores amigos são nossos concorrentes. Não podemos dar argumentos para destruir a nossa auto-estima, mas estamos a destruí-la. Num momento de recessão económica, com sérios problemas de desemprego, temos que fazer um esforço para ultrapassar isto.
Bragança? O que é que respondo a um americano que tenha escrito essa reportagem? Meu caro amigo, não me vai falar sobre os problemas de algumas das suas cidades, pois não? Nós temos é que valorizar Bragança. E alguma vez os jornais espanhóis, quando está a Espanha em causa no exterior, não fazem uma frente comum? Fazem o seu papel de defesa de interesse público espanhol e ainda bem!
P. - Como é que se muda a auto-estima de um país?
R. - Tendo confiança! Nós temos no país coisas de que nos devemos orgulhar, não podemos é estar na defensiva, temos que estar ao ataque com determinação.
P. - Acha que esta crise de confiança está a afectar o Governo?
R. - Apreciaremos o Governo na altura própria, eu prefiro apreciar a evolução das nossas expectativas estratégicas. Por exemplo: Alterou-se alguma coisa em matéria de combate ao insucesso escolar? O ensino ao longo da vida abriu-se? O que é que está a acontecer em matéria de inovação e de ciência? Temos condições para um esforço sustentável de investigação aplicada às empresas? E será que a nossa burocracia diminuiu, que estamos a dar estímulos à função pública?
P. - Já pode dar respostas a algumas dessas perguntas?
R. - Ainda é cedo.
P. - Estamos no bom caminho?
R. - O caminho é discutível e espero que haja alternativas que o demonstrem. Tenho um dever de solidariedade institucional ao Governo, este mudou, mudaram as orientações, mas há duas ou três coisas que me preocupam, devo confessar.
P. - Quanto ao défice orçamental, acha boa esta política ou que devíamos furar o Pacto de Estabilidade e Crescimento?
R. - Com a devida vénia para a ministra das Finanças, que espero não me venha dizer que não posso falar sobre isto porque não sou economista, vou alinhar um ou dois pontos. Para mim, se ao fim deste sacrifício não houver suficiente consolidação orçamental, então isto foi muito sério. Temos que perguntar: a consolidação fez-se, ou em 2005 vamos outra vez alargar os cordões à bolsa porque as eleições estão aí? E será que não poderia haver mais investimento público, até porque o investimento público desencadeia investimento privado?
P. - Há aí um certo distanciamento em relação às opções do Governo em matéria de disciplina orçamental...
R. - Pelo contrário, até porque promulgo as medidas extraordinários do fim do ano porque acho que podem ser importantes para respeitar o défice. E promulgo porque sem elas o défice estaria, em 2003, muito acima dos quatro por cento. Isto apesar de todos perceberem que tem havido um grande esforço de contenção da despesa pública: o problema são as receitas. E, nas receitas, para além da diminuição da actividade económica, pois não estamos a crescer, há uma forte evasão fiscal. Sem combater essa evasão fiscal, nada feito, porque temos grande rigidez na despesa pública.
P. - No combate à fuga aos impostos, não devia haver abertura do sigilo bancário?
R. - É fundamental. Como é fundamental, a prazo, consolidar as nossas finanças públicas.
P. - Isso só se faz com a convergência dos dois maiores partidos.
R. - Fiz esse apelo logo na posse: arrumem lá a questão das contas do passado e depois tratem do resto. E o resto é tudo. Pensei que poderia ser o início de uma colaboração interpartidária, mas não foi e estou preocupado...
P. - O que é que fez para que fosse?
R. - Não lhe digo. Foi tudo perfeitamente legítimo, passei muitas horas ao telefone.
P. - Não conseguiu...
R. - Não teve sequência. Por outro lado, não podemos deixar de estar preocupados com o aumento do desemprego.
P. - O próprio Governo diz que vai continuar a subir...
R. - É natural, não estamos a crescer. Se não tenho investimento não posso crescer, mas se tenho investimento posso prejudicar o défice, pelo que temos que ser muito criteriosos. E há uma coisa que temos que ter clara: se não nos apetrechamos em matéria de inovação, em capacidade de desenvolver as forças produtivas modernas, quando os fundos diminuírem estaremos mal.
P. - Os empresários portugueses estão à altura desse desafio?
R. - Tenho feito o percurso, tão criticado, de mostrar as coisas boas. O meu combate à lamúria vai continuar. Sei que há pessoas que fazem milagres, que há gente nova extremamente bem preparada, multinacionais que decidiram fazer os seus centros de excelência em Portugal. Não podemos render-nos à ideia de que "a malta não sabe matemática", precisamos é de travar uma batalha de vida ou morte para que escolas básicas acompanhem a matemática. É por aí que podemos vencer.
P. - Não está tão optimista quanto o Governo no que se refere à recuperação económica para o próximo ano...
R. - Adoraria ver muitos sinais de recuperação e tudo farei para que existam na parte que me respeita. Mas se nós lermos o Orçamento para 2004 é evidente que há imensos sinais de prudência porque nós dependemos de outros, dependemos em especial do que acontecer na economia europeia. Espero também que o estudo de Daniel Bessa permita mais discriminações positivas. Gostava de ver mais incentivos - sei que a ministra das Finanças não é a favor... - que privilegiem investimento em zonas depauperadas e que se arriscam a não ter ninguém. Se podemos tirar algum ensinamento dos trágicos incêndios do Verão é que há um outro Portugal que o país urbano redescobriu. Estão lá os velhos, no meio dos pinheiros. Tiveram uma derrocada absoluta nas suas vidas e nós temos que recompor isto.

P. - A actualidade continua dominada por aquilo a que já chamou as crises cíclicas das propinas. Numa altura em que há dificuldades orçamentais e, também em nome da justiça social, não é importante que os estudantes do ensino superior público comparticipem no financiamento através do pagamento de uma propina?
R. - Em primeiro lugar, um esclarecimento. Quando falei da crise cíclica das propinas não quis menorizar a luta estudantil. Para mim, o fundamental é que sendo necessário combater o desperdício, e na educação se ele existir - e há muitos tabus, muita gente muito importante que não produz resultados como deveria -, a verdade é que um país que tem os nossos índices de jovens nas universidades e nos politécnicos não se pode dar ao luxo de diminuir a despesa e, sobretudo, não se pode dar ao luxo de diminuir a despesa no básico e no secundário no seu conjunto. Quando a questão fundamental é nós termos, entre os 15 e os 60 anos, médias tão baixas de níveis de escolaridade, não podemos pensar que o nosso desenvolvimento se vai fazer sem todas estas pessoas terem uma outra formação. Dito isto, o problema central é que é muito difícil fazer justiça porque temos um sistema fiscal em que ninguém confia e é muito complicado saber a quem atribuir bolsas. Neste quadro a evolução das propinas - e acho bem que se paguem propinas porque isso aumenta as receitas próprias das universidades...
P. - E também não responsabiliza mais os alunos?
R. - Com certeza. Agora há um aspecto de que se fala pouco. Quanto dinheiro é que há para as bolsas? Para as cantinas? Para as residências universitárias? Um quarto em Lisboa custa, em moeda antiga, 70 contos, um valor muito elevado para uma família da classe média que não tenha uma bolsa e tenha um filho deslocado. Por isso, se me dizem que é necessário aumentar as propinas, respondo que é razoável que aumentem mas se calhar não com um salto tão grande...
P. - Quer isso dizer que os valores são excessivos?
R. - Os valores não são excessivos se fossem graduais. Por isso espero que acabe por haver razoabilidade, e digo isto até como antigo líder estudantil, que fez greve e andou a fugir da polícia.
P. - Mas nessa altura em que fez greves não fez por interesse próprio...
R. - Certo, e por isso sou absolutamente contra que se fechem escolas a cadeado ou que não se deixem realizar reuniões dos senados. Agora as propinas são um problema cíclico porque há coisas que não estão resolvidas.
P. - Uma dessas coisas é a acção social escolar?
R. - Para mim é preciso saber se o estudante que necessita tem condições e apoios do Estado para chegar até aonde tem condições pessoais para chegar, que não foi impedido por razões económicas.
P. - Hoje em Portugal ainda há estudantes que ficam fora do sistema por razões económicas?
R. - Há muitos que ficam fora do sistema, isso há. Agora se é só por razões económicas ou se é também por razões sociais e porque o sistema não lhes deu apoio para chegar onde podiam, isso não sei. A verdade é que hoje chegam ao ambiente escolar estudantes dos mais diversos tipos, com pais analfabetos, vindos de famílias onde o ambiente não é um ambiente de cultura, pelo que na escola há novas necessidades de integração e de apoio, para que os melhores possam efectivamente progredir e para que possamos ter uma formação média acima do razoável. O sistema não é só para formar elites ou alunos com 19. Mais: temos de saber responder às necessidades de empresas que se queixam de que o ensino não forma gente que possa entrar rapidamente no mercado de trabalho. Por outro lado, não nos podemos dar ao luxo de não prevenir as famílias de que certos cursos não têm saídas profissionais com emprego.
P. - Como é que concilia esse princípio com a autonomia universitária? Só para jornalismo, por exemplo, há uns 40 cursos...
R. - Com o tempo ir-se-á melhorando de forma natural. E sou totalmente contrário ao número de cursos que há em Portugal. Em Espanha, com quatro vezes mais população, há 300 cursos universitários. Se nós temos mais de 1300 é porque qualquer coisa não está bem. Basta ver, por exemplo, que o facto de haver muitos cursos de jornalismo está a ter efeitos sobre a prática do jornalismo, sobre isso não tenho a menor dúvida.
P. - Bons ou maus efeitos?
R. - Nalguns casos maus. Em termos de redacções, em termos dos chamados "grands patrons", a rapaziada nova, à procura do primeiro emprego ou a recibo verde, muitas vezes dá o litro sem ter as devidas preocupações éticas.
P. - Também já se manifestou contra a concentração dos media.
R. - Sim, e espero que a autoridade da concorrência, que se tem preocupado tanto com as telecomunicações, se preocupe também com os media, porque eles têm uma importância decisiva na maneira como a nossa democracia funciona. Se se fecham as possibilidades das pessoas e das opiniões chegarem aos media, se tudo obedece a critérios exclusivamente económicos, então há um problema democrático. Falei disso em termos gerais e espero que esse debate se instale.
P. - Esse problema já existe?
R. - Acho que pode vir a existir muito rapidamente.

P. - Existem diferentes autoridades reguladoras independentes, da banca ao sector segurador, da energia às telecomunicações. O que pensa da criação de uma autoridade reguladora para o sector da saúde? Não lhe coloca problemas essas autoridades serem independentes, não serem democraticamente legitimadas e virem a ter poderes excessivos?
R. - A partir do momento, como vai suceder no caso da saúde, em que vamos combinar prestações públicas e prestações privadas, é evidente que não faz grande sentido ter um sector a fiscalizar o outro em questões como equidade ou acessibilidade. Se partimos para a diversificação das prestações na saúde, então tem de haver uma entidade reguladora que em certas situações deve ter alguma "accountability" parlamentar. Mas não há dúvida que se lhe devem assegurar condições de independência. Isto não está para brincadeiras: esta ideia de que é tudo privatizável é um gravíssimo erro...
P. - Quando mais privatizável, mais necessária é a regulação.
R. - Há é coisas que não são de todo privatizáveis, e o Estado estratega, o Estado a que a democracia fornece um Governo, tem obrigação de definir em que direcção devem ir as coisas.
P. - Discorda então dos hospitais empresarializados?
R. - Não, não discordo, tanto mais que os promulguei. Poderia ter preferido que fossem cinco ou seis de cada vez, para se fazer uma avaliação, e não trinta, mas isso não interessa agora. Espero é que com a nova diversidade de prestações, com os centros de saúde a desconcentrar as actividades nos mais diferentes agentes (que precisam de controlos de acessibilidade, de qualidade, de preço), que haja uma entidade a dizer, quando for preciso, que não pode ser, e que essa entidade seja independente das partes.
P. - Uma das preocupações dessa entidade deverá ser a universalidade do acesso, ninguém ficar de fora do sistema?
R. - Sem dúvida.
P. - Isso acontece em Portugal?
R. - Atenção, vamos ter de fazer a avaliação um dia destes sobre o que é que está a acontecer nos hospitais-empresa uma vez que a questão financeira pode correr o risco de dominar tudo o mais. Se só por ter de cumprir um orçamento e se a regra for que não se pode gastar nem mais um tostão - não estou a dizer que isso suceda -, então o que se faz a um doente terminal que tem cancro? Manda-se embora?
P. - Tem algum sinal de que isso esteja a suceder?
R. - Não tenho sinais, ouço muitos rumores, mas com rumores não vou a parte nenhuma. Penso que o Governo também está preocupado com este problema, tenho conversado muito com o ministro da Saúde, mas há uma enorme expectativa sobre os resultados. Se tenho entidades privadas que têm de dar dinheiro ao fim do ano, posso ter um problema de acessibilidade aos cuidados, e esse foi o grande triunfo do sistema nacional de saúde.
P. - Já estudou a experiência do hospital Amadora-Sintra?
R. - Já. E estudei também as experiências do hospital de Santa Maria da Feira e do Centro de Matosinhos. Em Santa Maria da Feira foi possível ter um hospital público que tem regras de maleabilidade de gestão que não são as regras da administração pública e que tem tido um grande sucesso. Matosinhos tem um centro hospitalar relacionado com os centros de saúde da sua área e mostrou eficiência, acessibilidade, foi capaz de dominar as listas de espera.
P. - E Amadora-Sintra?
R. - Amadora-Sintra é um caso de que eu não quero falar.
P. - Porquê?
R. - Porque o Estado não se mostrou capaz de acompanhar a experiência como devia. Não quero dizer quem tem ou não razão, para isso há outras entidades. Aquilo que desejo para o futuro é que haja entidades responsáveis de fazerem o acompanhamento e uma vez por ano, no meu entender, sejam capazes de comunicar à Assembleia da República o que está bem e o que está mal.
P. - Já visitou o Hospital Amadora-Sintra?
R. - Esse nunca visitei. Mas visitarei. Só que também sei o que valem as visitas. Isto não tem nada a ver com o Amadora-Sintra em particular, mas tive uma vez um amigo meu que estava internado num hospital e fui lá visitá-lo num certo dia de manhã. E ele disse-me: "Oh Jorge, tu podias vir cá todos os dias, é que fizeram uma barrela a isto que ficou um brinquinho..." Ora como acho que também não devo aparecer de surpresa porque não sou fiscal de coisa nenhuma, as visitas não são tudo para mim. Gosto é muito de falar com as pessoas nos serviços e colocar perguntas, de saber quantas análises fazem, se os blocos operatórios estão fechados, quantas operações fazem...
P. - E tem obtido respostas?
R. - Sim. Acredito nas lideranças e acredito que a partir do momento que os chefes de serviço têm responsabilidades isto vai andar um pouco melhor. Vamos ver, estaremos todos vigilantes não apenas para saber se se poupou dinheiro, mas também para saber que qualidade de serviços é que houve e como é que o doente está satisfeito.

P. - Para além do quadro económico, da saúde e da educação, que outras áreas o preocupam na actual situação nacional?
R. - Várias. Eu escolho três. Uma, que tem sido sempre a minha, que é necessidade de ir avançando na reforma do sistema político. Ver o que pode melhorar nas leis eleitorais, nas leis das autarquias, o que se pode rever na Constituição da República - apesar de entender que se revê a Constituição vezes demais.
Outra coisa é a questão do território, que é crucial. Se quero planear o desenvolvimento, já não tenho base, com a dispersão autárquica - por isso sou muito atento à multiplicação dos municípios - para obter as sinergias dentro do território. Não podemos criar comunidades urbanas, áreas metropolitanas, só porque alguém acha que é o mais útil. Se olharmos para o estudo de Daniel Bessa, que é o mais recente entre muitos outros, percebemos que a organização do território é um dos elementos de maior valorização futura. Que portos, que aeroportos, que caminhos-de-ferro, que ligações à Europa, que plataformas logísticas? Não podemos brincar fazendo prédios em toda a parte, os municípios não podem pensar que podem fazer tudo no seu território, nós temos poucos recursos, temos de os potenciar o mais possível. Temos de lhes dar uma perspectiva regional e até especializar regiões. Tudo isto tem de ser potenciado numa organização administrativa moderna. Será uma organização intermédia entre as autarquias e o governo central? Eu sempre achei que sim, o Governo fez leis que promulguei, vamos ver se há nisto tudo alguma estratégia.
Finalmente, terceiro ponto, temos que ver o que se passa a prazo com a nossa segurança social. Por um lado está a ser castigada com o aumento do subsídio de desemprego e vejo que vêm aí alterações - que ainda não me chegaram - que precisam de ser estudadas do ponto de vista da solidariedade.
P. - Alterações do subsídio de desemprego?
R. - Não do subsídio de desemprego, mas o subsídio de doença preocupa-me. Não conheço nada para além do que vi nos jornais, não quero assustar ninguém, mas há uma coisa que é preciso dar a este país: segurança. As pessoas têm medo do desemprego, a vida da maior parte dos portugueses é muito dura, começa às sete da manhã e às vezes acaba às dez, onze da noite. Os portugueses normais, os que são empregados por conta de outrem, os que fazem as fábricas, têm de ter algum carinho. Porque é que são sempre os culpados de tudo? Até porque em Portugal há pobreza, há exclusão. Não vamos dramatizar, mas temos de trazer as pessoas aos mínimos de desenvolvimento, quando o crescimento é negativo temos de lhes assegurar o mínimo...
P. - Tem insistido que a Europa necessita de investir mais na defesa e disse mesmo que "a necessidade de aquisição dos equipamentos indispensáveis não poderá ser indefinidamente protelada". Ora o que se investe em submarinos não se poderá investir em escolas ou hospitais. Acha que isto é prioritário?
R. - É difícil... A lei de programação militar é absolutamente indispensável porque necessitamos de forças armadas mais pequenas, mas capazes e especializadas. As opções em concreto competem ao Governo e à Assembleia e se estes dizem que a opção dos submarinos é importante, até posso pensar de outra maneira - não estou a dizer que pense - mas é uma opção que me ultrapassa. Tudo tem é de ser feito com alguma contenção, sendo certo que deixámos deslizar para o negativo durante muitos anos a necessidade de modernizar e reequipar as Forças Armadas. Não é possível ter FA com equipamento que vem da guerra colonial, sejam helicópteros, submarinos ou armamento para o exército. É preciso rigor, cautela, eficácia, e os governos servem para isso. Agora se me perguntar onde é que eu gastaria dinheiro, digo-lhe francamente onde gastaria, independentemente de achar, como comandante supremo, que as FA têm de ser reequipadas.
P. - E onde seria?
R. - Nas escolas do ensino básico e secundário. Aí sim, é que iria muito além do que se faz. E pediria voluntários: há tantas pessoas reformadas, com 50 e tal anos, que têm cursos, porque é que não vão dar uma ajuda aos estudantes à tarde nas escolas? Os sindicatos não gostam muito desta ideia, mas sou amigo deles e tenho-lhes dito isto com franqueza. Esta é a grande causa nacional: aumentar a qualificação dos portugueses. Se não aumentarmos, seremos sempre periféricos. Apesar da situação geográfica do país, serão o nosso talento e a nossa capacidade que nos colocará no centro da Europa.

P. - A 5 de Outubro disse que queria os portugueses mais bem informados sobre as questões europeias. Não será um referendo uma óptima oportunidade de informar os portugueses, de debater a Europa? Qual é exactamente a posição do Presidente sobre a realização de um referendo?
R. - Procurei explicar que antes do referendo há muitas coisas a resolver. Primeiro que tudo temos de saber que tratado sai da conferência intergovernamental, porque há pontos em discussão. Acho, como o Governo acha, estamos inteiramente de acordo - e várias oposições aliás - que há coisas a corrigir. Vamos ver se é possível. Depois temos de conhecer o processo de ratificação: um Governo assina um Tratado, a Assembleia aprova e o Presidente conclui o processo. Prevê-se que este Tratado possa ser assinado em Maio de 2004, depois inicia-se o processo de ratificação. É dentro desse processo que duas coisas podem acontecer: ou discute-se na Assembleia e vai para o Presidente, que fará ou não intervir o Tribunal Constitucional, ou a Assembleia pede ao Presidente um referendo. Ainda estou na primeira parte e digo desde já que não me parece possível ratificar este Tratado sem haver um ou dois ajustes na Constituição.
P. - Uma revisão constitucional mínima?
R. - Cirúrgica diz o PS, mínima dizem outros, eu acho que pode ser mínima ou um bocadinho maior, porque talvez fosse útil na revisão constitucional a regulação para a comunicação social em lugar da Alta Autoridade, seria muito interessante. E se houver um problema de incompatibilidades a clarificar, também seria bom. Mas sempre uma revisão muito restritiva.
P. - Aceitaria que a Constituição Europeia prevaleça sobre a Constituição portuguesa?
R. - O direito europeu já prevalece sobre o direito nacional, todos sabem isso. E o direito constitucional europeu dimanou dos direitos constitucionais nacionais, não vale a pena divagar. Até vou dizer uma coisa pela primeira vez: gostaria que, para proteger a igualdade dos Estados como princípio fundamental, houvesse uma segunda câmara, onde cada Estada tinha um voto. Não se foi para aí, foi-se para um processo híbrido, mas isso não nos deve fazer esquecer que há uma opção europeia que vem desde 1976.
P. - Põe-se a hipótese de fazer o referendo em simultâneo com as eleições europeias...
R. - Acho que é difícil, porque teríamos que alterar a Constituição e parece que há partidos que não concordam.
P. - Mas acha ou não importante que haja referendo?
R. - Não posso dizer ainda e não sei sequer se vou dizer.
P. - É politicamente possível não haver referendo?
R. - Porventura é difícil, mas depende de ter ou não um grande debate nacional. Entendo que se deve debater, que não deve haver um dramatismo que assuste os portugueses como se viesse aí uma refundação de uma coisa que faz parte do nosso quotidiano. Sobre o que é que penso do referendo, como sou eu que no fim vai decidir se haverá ou não, quero que outros digam primeiro o que desejam. Entretanto, da minha parte, terão toda a colaboração para, primeiro, ajudar a fazer vingar os pontos de vista portugueses na negociação; segundo, para obter um consenso nacional operativo para não termos destruição de auto-estima e termos uma frente diplomática forte; e, por fim, para realizar o debate europeu.
P. - A resolução 1551 do Conselho de Segurança cria um quadro novo para a resolução do problema iraquiano. No seu ponto 14 pede aos estados-membros para colaborarem com a força multinacional, inclusive enviando forças militares. Portugal tem previsto enviar apenas um contingente da GNR, o que terá resultado de um entendimento entre o Presidente e o Governo já que não havia mandato das Nações Unidas. Agora não seria melhor enviar um contingente militar?
R. - Isso depende sempre das possibilidades. Portugal é hoje, na União Europeia, se não me engano, o segundo com mais forças no exterior em missões de vário tipo. E a nível mundial é 13º ou 14º. Já estamos pois a dar um grande contributo. Por outro lado, a decisão da presença da GNR adapta-se bem às nossas possibilidade de ajudar numa situação muito difícil.
P. - Do ponto de vista político, depois desta resolução, sente que há cobertura para o envio de forças militares?
R. - A cobertura do ponto de vista político aumentou muito, e isso foi um alívio. Espero também que a União Europeia consiga encontrar uma plataforma suficiente, e nós lá vamos dentro das nossas possibilidades. Portugal tomou nisto o papel que tomou, são conhecidas as discussão interessantes que tive com o primeiro-ministro neste domínio, não há dúvida que esta resolução abriu outras perspectivas, peço apenas prudência e que não sejamos mais papistas que o Papa.

Publicado por Nuno Peralta às 11:08 AM | Comentários (0)

Ainda as escutas...

"A recente reafirmação da confiança da comissão política do PS na direcção de Ferro Rodrigues dificilmente porá termo à pressão que impende sobre esta, como "efeito colateral" do processo Casa Pia, especialmente depois da revelação malévola do teor das conversas telefónicas que mostram as diligências feitas para tentar atenuar o impacto político do iminente interrogatório e possível prisão preventiva do deputado Paulo Pedroso, as quais, embora irrelevantes judicialmente (como já decidiu o Tribunal da Relação de Lisboa na decisão que o mandou libertar), estão longe de ser politicamente irrepreensíveis. É de prever uma prolongada flagelação, para a qual não se vislumbra uma saída airosa".
Vital Moreira, in Público (não esquecer que este senhor é membro do PS...).

Publicado por Nuno Peralta às 10:49 AM | Comentários (0)

Julgamento

Depois de muitos artifícios judiciais infrutíferos por parte da defesa, parece que vai mesmo dar início o julgamento de Carlos Silvino, vulgo Bibi. Como já antes referi, aguardo com bastante expectativa o seu desenvolvimento, pois tenho para mim que este senhor é a testemunha chave de acusação no processo da pedofilia, portanto vamos a ver se fala e o que fala perante um colectivo de juízes.

Publicado por Nuno Peralta às 10:48 AM | Comentários (0)

outubro 27, 2003

Contadores...

Em 3 dias o contador do SiteMeter referencia mais 140 visitantes que o da Bravenet...
Algum informático por aí me explica o fenómeno?
Qual é o mais exacto?

Publicado por Nuno Peralta às 08:18 PM | Comentários (3)

Pensavam que já tinha acabado?

... lamento a quem assim pensa, mas ainda há mais para mostrar do explendor e grandeza do novo Estádio do Sport Lisboa e Benfica, o inferno/catedral da Luz!
Admirem e adorem!
(cortesia dos sites oficial e não oficial do SLB)




PS: Este post é especialmente dedicado ao Mata-Mouros, que espumou durante todo o dia todo o seu ódio tripeiro pelo grande Benfica, bem como aos restantes bloggers tripeiros e lagartos que não conseguem aceitar a dimensão da grandeza do Glorioso, que mesmo sem ganhar nada há 10 anos, consegue que uma viagem de burro de um seu adepto tenha mais importância jornalística que uma retumbante vitória do Porto em Marselha...
Que outro clube/instituição/marca/o que quer que seja consegue manter obter de um canal um directo de 12 (doze!!!) horas para transmitir a inauguração do seu novo estádio, mesmo contra um clube sul-americano de segunda categoria?
PS2: Deve ser por causa destes posts que nem a uma mençãozinha honrosa eu tive direito...

Publicado por Nuno Peralta às 07:46 PM | Comentários (4)

Teoria dos Jogos

Em teoria dos jogos aprende-se que, em partidas com múltiplos intervenientes e sem número de jogadas pré-determinado (isto é, no limite, um jogo infinito), a melhor estratégia possível (Win - Win) é sempre a cooperação, a confrontação leva, regra geral, a um resultado prejudicial a ambas as partes (Loss – Loss).
Aparentemente esta cadeira não faz parte dos cursos de Ciência Política e Direito, provavelmente pela sua exigência em termos matemáticos, o que faz com que os principais protagonistas políticos e judiciais que têm aberto a boca nos últimos dias não se apercebam que pelo andar da carruagem só se afundam cada vez mais e em nada contribuem para a credibilização das suas funções...

Publicado por Nuno Peralta às 05:06 PM | Comentários (9)

Liberdade de Imprensa

Anda muita gente nervosa com a nomeação de Fernando Lima, ligado ao PSD, para Director do Diário de Notícias.
Como se o facto de estar ligado ao PSD o tornasse imediatamente num robot sem opinião própria, como se quem trabalha no Estado ou para o Estado não possa decidir trabalhar para a iniciativa privada...
E mesmo que se deixe instrumentalizar pela ligação partidária que tem (facto em que não acredito), assumem que todos os outros directores deste e de outros jornais são apartidários? Claro que não.
Mal por mal, Fernando Lima eu sei que está ligado ao PSD e quando o ler, terei isso em conta. Gostava de poder dizer o mesmo dos outros, mas essa transparência não existe, prefere-se a dissimulação...
Ainda que discorde do ponto final, sobre a criação do jornal do Estado, aconselho a leitura do artigo de Ana Sá Lopes, no jornal do costume.

Publicado por Nuno Peralta às 01:38 AM | Comentários (1)

Excessos

Só há pouco li o artigo de António Barreto deste Domingo no Público.
Subscrevo praticamente na totalidade. E como daqui a uma semana já não é possível lê-lo lá, decidi transcrevê-lo para aqui, pois acho que vai valer a pena relê-lo dentro de 2 ou 3 meses...

"Não sabemos tudo. Nem tudo o que sabemos é verdade. Não sabemos quem é culpado e quem é inocente. Não sabemos quantos arguidos são inocentes, nem sabemos quantos culpados andam em liberdade. Não conhecemos os fundamentos da acusação, nem a solidez dos indícios, muitos menos das eventuais provas. Não sabemos se as prisões preventivas se justificam. A nossa ignorância é muito superior à verdade conhecida. E, no entanto, toda a gente tem opinião e muitos têm certezas. O excesso de opiniões fortes e indignadas é o próprio das situações de confusão. Como esta que vivemos, alimentada pela notoriedade das personagens e pela natureza titiliante do enredo. Mas também por outros factores menos agradáveis. Como as fugas de informação e as escutas telefónicas. Assim como as perturbações feitas ao processo judicial.
As últimas foram, em pouco tempo, abundantes. Pelo conteúdo, pela oportunidade e pela qualidade do seu autor: o Presidente da República, o Procurador Geral, o Bastonário dos Advogados, vários juizes, muitos advogados, diversos arguidos e os dirigentes dos sindicatos de magistrados (sindicatos de magistrados? Que absurdo!...). Até o Cardeal Patriarca!
Gostaria de ter uma opinião segura sobre o que se passa. Mas não consigo. E não me bastam emoções, muito menos solidariedades profissionais ou simpatias políticas. As análises e as opiniões dependem de respostas a perguntas que ainda as não têm. Em particular, dependem do apuramento da verdade. As prisões preventivas justificam-se? Há inocentes presos? Há inocentes cuja reputação foi levianamente ferida? As escutas telefónicas ultrapassaram os limites legais ou os razoáveis? Há culpados identificados à solta? Há criminosos poupados? Há excessiva deferência perante certos arguidos? Todos os suspeitos estão a ser tratados com equidade? Para além das palavras, tantas vezes inúteis, de alguns dignitários, houve tentativas de interferência ilegítima nos processos? Há influências partidárias, sindicais, profissionais, corporativas, católicas ou maçónicas na origem de ingerências e de decisões selectivas? Onde estão as responsabilidades, as culpas e o dolo nas fugas de informação e na violação do segredo de justiça? Por que razões casos tão antigos, do conhecimento de dirigentes políticos e da administração pública há vários anos, só agora surgiram a público e diante da justiça? Por que motivo, após tantos meses ou anos de investigação, nenhum suspeito foi "apanhado" em flagrante delito, como é habitual com organizações criminosas? Onde estão os eventuais arguidos por abuso de mais de "centena e meia" de crianças de ambos os sexos? Como é possível que vários antigos ministros, secretários de Estado e deputados tenham obtido informações em segredo de justiça? Como formar uma opinião diante de dois acórdãos antagónicos do mesmo tribunal de recurso? Sobre tudo isto, e muito mais, haverá alguém que conheça a verdade? Eu não conheço. Haverá alguém que, sem as respostas, tenha a capacidade de ter uma opinião segura? Eu não tenho. E, repito, sem saber quem virá a ser declarado culpado, não consigo ter um juízo sério sobre as inúmeras polémicas processuais que animam as discussões. Até porque desconfio que muitas dessas querelas, que provocam as indignações fáceis, são deliberadamente provocadas pelas partes interessadas a fim de condicionar, nas instituições e na praça pública, os processos.
Uma coisa é não ser capaz de, por desconhecimento das culpas efectivas, ter opinião sobre os processos actuais. Outra é formar um juízo sobre a justiça portuguesa, no seu conjunto, suas deficiências e suas forças, sem referência a este caso concreto, mas com a sensação de que as suas insuficiências surgem sempre com superior nitidez em cada caso mais difícil. E quanto a isso, tenho menos dúvidas. Há muito já que a justiça portuguesa necessita de um esforço colossal de reforma e melhoramento, que tem vindo a ser adiado sistematicamente pelos governos e pelos ministros da justiça, geralmente mais preocupados com o trivial. A actual ministra, por exemplo, esconde-se atrás de uma inadequada noção da separação de poderes para se abster de uma acção oportuna de estudo e preparação das reformas necessárias que, do processo aos estatutos, da autonomia à legitimidade, dêem força à justiça e solidez à democracia. Verdade é que, sobre aquelas deficiências, com este processo, não aprendemos nada: só não sabia quem não queria. E não merece confiança quem reclama e se indigna hoje, nunca o tendo feito antes.
Será que estes episódios ajudarão as classes dirigentes e a opinião pública a rever o que pensam das escutas telefónicas? Mais do que nunca, por razões filosóficas e políticas fundamentais, mas também por motivos de ordem prática evidentes, ganha solidez o argumento favorável à proibição pura e simples de todas as formas de escuta telefónica e de intercepção do correio. São métodos de investigação obsoletos e ineficazes, são resquícios de concepções policiais e judiciais ultrapassadas. Que, aliás, ironicamente, têm vindo a ferir muitos dos que as defendem e a elas recorrem. A sua erradicação seria um efeito colateral bem-vindo!
Os partidos políticos são como as tribos ou os rebanhos: têm reacções colectivas irracionais, por vezes à beira da morte. Vêm morrer às praias ou, na convicção de que estão a ser atacados, deixam-se dizimar. Como foi possível o PS deixar-se convencer e arrastar pela paranóia de alguns dos seus dirigentes? Como é possível que se ouçam tão poucas vozes fortes contrariar esta caminhada suicida? Além de tudo o mais, era bom perceber duas coisas. Primeira: o partido está a magoar-se a si próprio de modo muito dificilmente reparável. Segunda: grande parte da desordem e da confusão foi criada directa e deliberadamente pelos seus dirigentes. O primeiro é um problema do partido, ele que o resolva. Já o segundo é um problema nacional, deve pagar por isso. E convém não esquecer: no actual caso de luta pelo Estado de direito, o PS é arguido."

Publicado por Nuno Peralta às 01:31 AM | Comentários (1)

outubro 26, 2003

Imbecilidade!

"As alegações dos procuradores do processo da Casa Pia no Tribunal da Relação, reveladas esta semana pelo '24 Horas', são a prova provada de que o Ministério Público actua na convicção de que tem os mesmos poderes que eram utilizados pela PIDE e pela Gestapo, designadamente quando revela uma total desconsideração pelos direitos dos arguidos", acusa Pires de Lima (Nota do Blogue (NB): antigo Bastonário da Ordem dos Advogados).

Se nem os intervenientes directos na justiça se dignam a prestar declarações que enalteçam a sua profissão, como é que querem que nós, do lado de fora, acreditemos no funcionamento da Justiça?
Extremamente infelizes, estas declarações.
É quase como que dizer que este Governo está convencido de que pode governar da mesma forma que os Nazis ou a Santa Inquisição, ou seja, que pode assassinar, torturar, humilhar e maltratar sem ser punido por isso.
Triste sina a nossa, ter imbecis deste calibre com espaço de antena!

Publicado por Nuno Peralta às 10:01 PM | Comentários (0)

Há 3 razões lógicas para se ser Benfiquista

A razão natural: a mulher dá à luz, não dá ás antas nem a alvalade.

A razão bíblica: há uma passagem na Bíblia que diz:"dominarei os leões e os dragões e voarei para o céu sobre as asas de uma águia".

A razão teológica: Jesus Cristo encarnou. Não azulou nem esverdeou!!

(com um agradecimento especial à Cristina).

Publicado por Nuno Peralta às 06:47 PM | Comentários (1)

A Nova Luz na imprensa


Publicado por Nuno Peralta às 05:37 PM | Comentários (1)

Frase do Ano

"Viva o Benfica, Viva Portugal!"
Durão Barroso, Primeiro-Ministro de Portugal, adepto do SCP e Jorge Sampaio, Presidente da República de Portugal, igualmente adepto do SCP

Publicado por Nuno Peralta às 04:36 PM | Comentários (1)

A Nova Catedral da Luz

Grande festa a desta noite, a mostrar porque é o Benfica a maior marca nacional e o maior clube!
Futebolisticamente falando, excelente regresso de Nuno Gomes, um novo estádio a inspirar Roger mas, de uma forma geral, espero que Dezembro traga artistas dignos do novo estádio, que os actuais apenas garantem grandes clareiras nas bancadas nos próximos jogos...
Para a história fica uma vitória por 2-1 frente ao Nacional de Montevideo, que se não empolga, pelo menos moraliza (é que mesmo a jogar mal, já é a 5ª vitória consecutiva...)
Mais algumas imagens:

Publicado por Nuno Peralta às 01:29 AM | Comentários (2)

Hora

O Weblog esteve três horas em baixo, provavelmente porque os responsáveis técnicos do servidor estavam demasiado ocupados a acompanhar a inauguração do Estádio do Glorioso...
Mas não nos preocupemos, que o relógio hoje permite-nos recuperar uma dessas horas perdidas, não se esqueçam que devem atrasar 1 hora os ponteiros dos vossos relógios.
Mais uma hora de sono ou de navegação, a escolha é vossa...

Publicado por Nuno Peralta às 01:02 AM | Comentários (0)

outubro 25, 2003

Admirem!

Publicado por Nuno Peralta às 08:27 PM | Comentários (1)

Já é oficial!

Jorge Sampaio, Durão Barroso e Manuel Vilarinho acabam de inaugurar oficialmente a catedral da Luz:

Publicado por Nuno Peralta às 08:26 PM | Comentários (0)

Está quase...

... e é lindo!

Publicado por Nuno Peralta às 08:07 PM | Comentários (0)

Estádio de... Carnide a «Bem da Nação»

Crónica d'"A Bola" da inauguração do Estádio de Carnide, cortesia do Estádio.

"A 1 de Dezembro de 1954, o Benfica inaugurou, pomposamente, o Estádio de Carnide. Só mais tarde lhe haveria de chamar da Luz. Joaquim Bogalho, o «homem do estádio», emocionou-se de tal modo que, para não desfalecer, teve de ser amparado pelos seus colegas de Direcção. Ribeiro dos Reis considerá-lo-ia, pela sua acção em busca do sonho... «o benfiquista número 1». E, naturalmente, houve futebol sobre o relvado ainda fresco. Ganhou o F. C. Porto ao Benfica por 3-1, como afinal, ganhara o Benfica ao F. C. Porto por 7-2 na inauguração das Antas. Enfim, festas trocadas... O festival de inauguração proporcionou uma receita de 1300 contos, a maior renda arrecadada até esse dia num espectáculo desportivo por um clube português.
Três dias depois, na Assembleia Nacional, o presidente do F. C. Porto, eleito deputado nas listas da UN, elogiou a obra do Benfica como «padrão a atestar às gerações vindouras dos seus associados a fé, a energia, a vontade de quem tão devotadamente soube lutar e soube vencer». E, bem ao exemplo de então, Urgel Horta rematou: «Daqui, do alto da minha tribuna de deputado, velho praticante e dirigente, saúdo o Benfica, apontando-o como exemplo que deve ser imitado e seguido, a bem da Nação.» Pois.
Em 1 de Dezembro, o clube inaugurou o Estádio de Carnide (Luz), velho sonho dos benfiquistas, que punha ponto final nas deambulações pela cidade, desde o Campo da Feiteira ao Campo Grande, já para não se falar das tentativas de Cosme Damião e dos seus pares na área de Belém, quando o SLB era apenas Sport Lisboa. Foi para a equipa que construiu o estádio, especialmente Joaquim Bogalho, um dia de glória.
No jogo de futebol, prato forte da inauguração, como era da praxe, o F. C. Porto venceu, por 3-1."

Publicado por Nuno Peralta às 04:13 AM | Comentários (0)

O Estádio de Carnide (Luz)

Publico aqui um magnífico texto da Leonor Pinhão, sobre a inauguração do agora defunto Estádio da Luz:

"Corriam os primeiros dias da Primavera de 1953 e já os benfiquistas respondiam de forma exemplar ao desafio lançado por Joaquim Ferreira Bogalho, o presidente do clube. «O estádio tem de ser obra de todos. A marcha é só uma. Não deve, não pode haver um gesto de enfado, um simples desfalecimento. Cerremos as fileiras do nosso idolatrado querer ao Benfica! Sejamos, mais uma vez, um só a trabalhar para milhares, milhares a trabalharem como se um só fossem!»
Depois de 50 anos sem campo próprio, o Benfica ia finalmente construir o seu estádio, uma obra só possível com o empenho dos sócios e dos adeptos. Em editorial de O Benfica, a 9 de Abril de 1953, Paulino Gomes Júnior apelava à generosidade da grande família: «Chegou o momento. Vai acabar a tortura em que temos vivido. Mas, para isso, preciso de todos vós, quero-vos bem unidos, trabalhando como um só. E, agora, dando o mais belo exemplo de unidade e solidariedade de que há memória, lancemo-nos ao trabalho, filhos dessa águia imensa, com o denodo próprio dos entes de rija têmpera!» Na mesma edição do jornal oficial do clube um cronista anónimo registava com enlevo um primeiro sucesso: «Ultrapassaram já os 70 contos o rendimento dos leilões pró-Estádio. Bandeirinhas de papel que valem 5 tostões são arrematadas por centenas de escudos. O que todos querem é dar ao Benfica o dinheiro de que o Benfica precisa.»

Paulino Gomes Júnior era o director do jornal do clube. E também ele queria dar ao Benfica uma coisa especial. Uma canção, por exemplo. Uma canção que entrasse no ouvido e no coração e servisse de encorajamento para a caminhada que havia pela frente. Escreveu a letra, a música, e ensaiou tudo a preceito com Luís Piçarra, que ofereceu a sua voz sem par. A estreia em público ficou aprazada para a noite de 16 de Abril, no Pavilhão dos Desportos, por ocasião de um sarau com a receita a reverter pró-Estádio. Seis mil benfiquistas responderam à chamada, enchendo o recinto. A canção de Paulino Gomes Júnior e de Luís Piçarra seria a surpresa da noite. Desconhecendo como o público iria reagir, autor e intérprete aceitaram que a sua actuação acontecesse, discretamente, entre o número musical da artista paraguaia Sarita Antuñez, vedeta do Teatro Apolo, e a exibição do conjunto da «dinâmica e revolucionária» Alzirinha Camargo. Nervosos, os dois homens subiram ao palco. Paulino Gomes Júnior dirigiu-se ao piano, Piçarra ao microfone. A assistência agitou-se naquela desconfiança que sempre suscita a apresentação de uma novidade. Mas quando Piçarra entoou as notas finais de Ser Benfiquista a casa veio abaixo.
Conta o jornal O Benfica o que se passou: «O sarau acabou por provocar manifestações clubistas como raras vezes temos visto. Vibrantes, apoteóticas, plenas de euforia, como foi a primeira audição de Ser Benfiquista, culminando em êxito tão clamoroso que o público ovacionou longamente, de pé, autor e intérprete. O próprio maestro, Vítor Bonjour, cederia a batuta ao dr. Paulino Gomes Júnior para que este dirigisse a orquestra na repetição do número.»
Nasceu, assim, inspirada pela construção do Estádio da Luz, a canção que ainda hoje se ouve quando o Benfica entra no seu campo. A emoção dessa noite de estreia, há quase meio século, contagiou até os polícias de serviço. «Era de 363$00 a importância da folha de serviço dos guardas destacados para o pavilhão. Tal quantia, porém, foi entregue ao clube pelo senhor Domingos Ribeiro, polícia municipal que, em nome dos seus colegas, afirmou prescindirem dela com muita satisfação, dado o fim a que se destinava – engrossar a lista de dádivas pró-Estádio do Sport Lisboa e Benfica.»
"As obras de construção do estádio do Benfica começaram a 14 de Junho de 1953. Dias antes, aos microfones da Rádio Peninsular, Joaquim Ferreira Bogalho falou aos benfiquistas: «O nosso entusiasmo e o vosso exemplo hão-de convencer os indecisos e contagiar os comodistas.» É que não foi fácil o mandato do presidente Bogalho, com a equipa de futebol a perder campeonatos para o Sporting e com uma forte oposição interna que não acreditava no projecto do estádio. O presidente nunca foi meigo para com os seus oposicionistas: «Entristecem-me certas atitudes de alguns consócios, manifestações felizmente isoladas de alheamento, de desinteresse e até de hostilidade, com características de individualismo que não conseguimos compreender e que consideramos perniciosas porque podem provocar uma desagregação que seria criminosa. Andam alguns pigmeus atacados da mania que são gigantes...»
Mas Bogalho teve sempre consigo o apoio do Benfica profundo. Mealheiros gigantes foram colocados na sede do clube e na Feira Popular recolhendo o desapegado contributo popular, no jornal oficial surgiu uma lista de dádivas que nunca parou de aumentar, apregoavam-se sorteios «monumentais» – 100 mil senhas foram vendidas nos primeiros meses da campanha – e muitos eram os que «compravam as rifas e voltavam a oferecê-las ao clube». E quando chegou, finalmente, o ano de 1954, o 50.º da vida do Sport Lisboa e Benfica, sete meses depois do início dos trabalhos de terraplenagem, começaram a surgir os arremedos das bancadas nos terrenos da Luz, obrigando o clube a cumprir renovadas e fortíssimas exigências financeiras naquele momento crucial da construção do estádio.
Se Joaquim Bogalho queria inaugurar o estádio em 1954, o ano das bodas de ouro, não havia tempo a perder. Mais uma vez os benfiquistas foram desafiados pelo seu presidente a contribuir, agora em géneros, e a Campanha do Cimento seria lançada em Fevereiro de 1954. «Cimento! Cimento! É o grito de todos os benfiquistas. Vamos construir as bancadas do nosso estádio com o cimento oferecido pelo esforço da mais extraordinária massa associativa de Portugal!», apelava o jornal O Benfica. Nos meses que se seguiram a febre do cimento tomou conta da situação – 900 mil toneladas seriam entregues ao clube até ao fim da campanha.
No jornal O Benfica foi lançado um concurso de poesia tendo por mote o mais romântico dos temas, o cimento. Apesar de não ter sido o vencedor, é difícil não transcrever estas rimas de um jovem entusiasta, Mário Zambujal: «O guarda-fato, o sobretudo/A cama, com roupa e tudo/As jóias de valimento/O cachecol, um par de luvas/Gabardinas, guarda-chuvas/Tudo troquei por cimento!/Já não posso passear/Receio o cabo-do-mar/ Pois nem a roupa me fica/Mas depois de tudo dar/Tenho força pra gritar/Vivò Estádio do Benfica!»
Bogalho a todos agradeceria com estas palavras: «O que se está a passar ultrapassa as barreiras da normalidade. Desejaria ter uns braços intermináveis para poder abranger-vos a todos num mesmo abraço!»"
"«Já só faltam oito dias para que nos sentemos nas bancadas do nosso estádio. O estádio está pronto! Orgulha-te, benfiquista!» Às 11 da manhã do dia 1 de Dezembro de 1954 Joaquim Ferreira Bogalho abriu o portão principal do Estádio da Luz. Caíram umas gotas de chuva. «A emoção foi de tal vulto que até o céu se comoveu», escreveu, de ciência exacta, um cronista da época. Com as bancadas cheias, e por decisão do presidente, os primeiros a pisar o relvado foram os artífices, os operários, os trabalhadores que construíram o recinto. Depois foi a festa. E o discurso de Bogalho, o homem do estádio. «Aqui estamos instalados no nosso lar, aqui queremos viver para todo o sempre. Queridos consócios, curvo-me emocionado perante a vossa abnegação e aqui, solenemente, vos faço entrega deste monumento, fruto do vosso amor. Bendito seja o sacrifício que fizemos!»


A saga da construção do Estádio da Luz fez com que o Benfica triplicasse o número de sócios, se afirmasse como a maior instituição portuguesa e se confundisse numa poderosa torrente de paixão popular. Com o estádio chegariam Otto Glória e o profissionalismo. Não foram precisos 10 anos para que o Benfica fosse um gigante da Europa, como Joaquim Bogalho tinha previsto quando ninguém acreditava. Tudo será possível «se cada um cumprir o seu dever», disse-o em 1954. Continuemos assim em 2001. Que cada um cumpra o seu dever."

Publicado por Nuno Peralta às 03:55 AM | Comentários (0)

Os Estádios do Benfica

O Sport Lisboa, antes da fusão com o Sport Club de Benfica costumava utilizar o Campo das Salésias, em Belém.

O clube crescia a um ritmo acentuado, estendendo-se a muitas outras modalidades. Face à urbanização de terrenos onde se situava a Feiticeira, houve que ponderar uma hipótese de campo alternativa para a equipa honrar os seus compromissos nas diversas provas oficiais, e esse problema ficou resolvido como arrendamento de uma parcela junto à Estrada de Palhavã, a que veio a ser dada a designação de Campo de Sete Rios.


Mais tarde, com ou sem polémica, talvez não valha a pena retomar aqui os termos da discussão, o que é facto é que o Benfica levou avante o projecto das Amoreiras. O estádio considerado pelo “Sport Lisboa” o melhor da Península, foi inaugurado na presença de 15000 pessoas.

O primeiro Campeonato Nacional da 1ª divisão foi conseguido já em pleno Campo Grande, para onde o clube se havia transferido na sequência da decisão de deixar as Amoreiras, o que aconteceu em em Junho de 1940.

Na década de 50, os mandatos de Joaquim Ferreira Bogalho (1952-56) e do Eng. Maurício Vieira de Brito (1957-61) foram decisivos na afirmação europeia do futebol do Benfica. Tornou-se necessário criar as infra-estruturas compatíveis com o nível atingido pelo clube, optar pela profissionalização do futebol e promover a criação de uma escola de jogadores que pudesse, a partir das camadas mais jovens, contribuir para o apetrechamento do plantel sénior.

Começou, assim, a construção do novo estádio do Sport Lisboa e Benfica, vulgarmente conhecido como estádio da Luz, cuja inauguração teria lugar a 1 de Dezembro de 1954, que seria palco de grandes êxitos e que ficaria irremediavelmente ligado à história deste grande clube.

A vida do Benfica, até à data da inauguração do novo estádio, foi sempre marcada pela instabilidade e pela precariedade. Clube popular por excelência, o Benfica sempre se confrontou com difíceis problemas financeiros. E desde muito cedo se habituou a contar com as suas próprias forças, ou seja, com a disponibilidade dos seus dirigentes e da grande maioria dos seus adeptos. Nas primeiras décadas de vida, foram muitos os momentos de desânimo em que se chegou a temer pela sobrevivência do clube. Para alguns estudiosos deste fenómeno, a circunstância do Benfica ter enfrentado tais dificuldades, sobretudo no que respeita à falta de infra-estruturas à altura do seu prestígio e dimensão e do seu progressivo peso na sociedade portuguesa, terá muito a ver com o facto de não se ter deixado atrair por influências políticas, nem pela simpatia de certas personalidades, sempre prontas a negociar favores e benesses de toda a espécie. Seja como for, a independência do clube relativamente aos poderes instituídos, característica de uma forma de estar que o tempo viria a confirmar, obrigam-no, até 1954, a “andar de casa às costas”. E até fixar nas Amoreiras, cumpriu uma autêntica via sacra, passando, sucessivamente das Salésias para a Feiticeira, daqui para Sete Rios e, por fim, de sete Rios de novo para Benfica (Avenida Gomes Pereira).

A construção da auto-estrada do Estádio, uma das prioridades do então Ministro das Obras Públicas, Eng. Duarte Pacheco, acabaria por confinar a escassos 15 anos a utilização do recinto das Amoreiras.

Mais uma vez o Benfica sucumbia aos planos de desenvolvimento urbanístico da cidade, sendo obrigado a transferir-se para o Campo Grande, no dia 5 de Outubro de 1949, de onde só sairia para o seu novo estádio, o Estádio do Sport Lisboa e Benfica, “poiso da águia há quase meio século.

A edificação do estádio foi uma obra colectiva por excelência e um verdadeiro hino às virtudes da solidariedade e da entreajuda. Sob a direcção do então presidente Joaquim Ferreira Bogalho, e a par do incansável trabalho de uma comissão, raros foram os sócios e simpatizantes que se furtaram a dar o seu apoio, em géneros ou em horas de trabalho, à mais empolgante iniciativa alguma vez lançada pelo clube.

“Pude avaliar a grandeza dessa epopeia gigantesca da grande família que quer construir o seu lar. Vi como o operário modesto se esquecia das suas próprias necessidades para ir largar o seu óbolo com a alma a transbordar de ternura. Encontrei-me muitas vezes com a pele tensa a ouvir o grito Ben-fi-ca! Ben-fi-ca! Ben-fi-ca!” escreveu, a propósito, o jornalista Vítor Santos no jornal do clube.

Na ocasião, o Chefe do Estado condecorou com a Medalha de Mérito Desportivo o Sport Lisboa e Benfica, apondo as respectivas insígnias no estandarte do clube. O desafio inaugural disputou-se entre o Benfica e o FC Porto, que saiu vencedor por 3-1. Mais, curiosidade, o primeiro golo portista foi marcado pelo defesa do Benfica.


Em termos de logística das suas actividades, o Benfica parecia, finalmente, instalado e em condições de se passar a preocupar prioritariamente com as suas prestações desportivas, sobretudo no que respeita ao futebol. As actividades desportivas centravam-se no novo Estádio, na zona de Carnide, enquanto as actividades administrativas e de apoio aos sócios se desenvolviam nas instalações da Avenida Gomes Pereira, onde o clube permaneceu 65 anos, entre 1916 e 1981, e da Rua Jardim do Regedor , inauguradas em 14 de Janeiro de 1934 e que são, ainda hoje, propriedade do clube, embora praticamente desactivadas.

A direcção de Maurício Vieira de Brito não descurava a progressiva melhoria das instalações do clube e, após a inauguração da iluminação do Estádio, foi aberto aos adeptos o famoso “terceiro anel”. A nova bancada cedo se transformou na ilustração viva do carisma e da paixão que, desde então, se associam à “catedral” benfiquista.

Como alguém escreveu, com propriedade, o “terceiro anel” cedo foi visto como a “sagração de uma solidariedade”, como resultado de um esforço colectivo de uma geração de benfiquistas, à imagem da própria construção do Estádio. O novo “terceiro anel” funcionou sempre como uma espécie de décimo segundo jogador, um elemento que se viria a tornar decisivo em muitas e importantes vitórias do futebol benfiquista pelos tempos fora.

O causídico e antigo dirigente do clube, Alfredo Gaspar, descreveu no “Público” essa mística associada ao “inferno da Luz”: “Era muito bonito, porque se choravam lágrimas de alegria, mas quem pegasse nelas e as atirasse ao ar, via que se transformavam no céu em pequeninas estrelas brilhantes. Nesses momentos, os atletas do clube eram sublimes”.

À margem do futebol, e dando corpo a um sonho antigo, Fernando Martins levou acabo o fecho do Terceiro Anel, aumentando a lotação do Estádio para 120 000 lugares, uma opção que viria a gerar alguma controvérsia, mais tarde ampliada pelo eclipse do futebol do clube e pelo crescente papel da televisão na transmissão dos jogos. A par da construção do Terceiro Anel, inaugurado em 21 de Setembro de 1985, Fernando Martins edificou toda uma série de infraestruturas (campos, pavilhões, ginásios, balneários, salas de imprensa..) que colocaram o Estádio do Benfica ao nível dos grandes estádios europeus, e basicamente, com o aspecto com que hoje o conhecemos.

Publicado por Nuno Peralta às 03:20 AM | Comentários (0)

História do SLB - 9

Da década de 90 ao novo Milénio, com os milhões de Futre, o «génio» João Pinto, constantes mudanças e o início de uma nova crise...

Foi precisamente em 1990, que o Benfica participou novamente na final da Taça dos Campeões e esta, foi a sua sétima presença na final europeia. Foi no dia 23 de Maio e o clube da Luz portou-se como habitualmente, isto é, com a personalidade de um campeão inato. Perdeu por 0-1, com o famoso Milan, no Prater Stadion, em Viena.
O Benfica não baixou os braços e veio então o campeonato português. Na época de 90/91, Rui Águas voltou à Luz e para ser campeão nacional. Contudo, Rui Águas gerou polémica na Luz.
Diamantino, que com a camisola do clube da águia, já vira melhores dias, fez estoirar a polémica na Luz, em direcção a Gaspar Ramos, em entrevista: «Gaspar Ramos não tem competência para gerir o futebol de um clube tão grande como o Benfica. É ou não é incompetência deixar sair o Rui Águas por «dez tostões», dizendo dele o pior possível, para, depois de engolir alguns sapos, ir buscá-lo por «dez tostões»?»
Polémicas à parte o Benfica corria em direcção a mais um título e foi precisamente nas Antas que César Brito saltou do banco para marcar de repente dois golos que fizeram gelar as Antas. E este foi um jogo marcado pelos incidentes nas Antas, com o presidente João Santos a afirmar que «Houve cenas incríveis nas Antas, de intimidação à equipa e aos apoiantes. Os nossos jogadores viram-se obrigados a equipar-se nos corredores, pois nos balneários era impossível, devido ao cheiro dos balneários...». Devido à importância do título, os jogadores foram brindados com um prémio de 1500 contos.
Foi precisamente no dia 8 de Junho de 1992, num dia muito quente de verão que João Pinto, ainda traumatizado pela estada em Madrid às ordens de Gil y Gil, não quis assinar contrato com o Sporting, tendo garantindo, no entanto, que iria visitar o clube de Alvalade em 48 horas, mas... a sua passagem seria pela Luz e João Pinto assinou pelo Benfica, o que fez entrar em desespero Sousa Cintra. Mozer também regressou à Luz e foi sensacional, o seu regresso, mas na Luz, os dias não eram os melhores. O Benfica saiu derrotado em casa diante o Sporting por 0-2 e a agravar a situação, em Moscovo, Iuran, Kulkov e Mostovoi afirmaram que Ivic (técnico «encarnado») era um profissional da intriga, daí que os sócios apoiaram a opinião dos russos e Jorge de Brito, despachou o croata e voltou a promover de imediato Toni a comandante do barco.
Paulo Futre, foi sem dúvida a transferência da década, com o jogador a receber 30 mil contos por mês. O único prémio de Futre ao Benfica, foi uma Taça...
O jogador português regressava de Espanha, dando uma certa esperança de regresso ao Sporting, mas o Benfica antecipou-se e Futre entrou pela porta principal da Luz. Falou-se então em verbas a rondar um milhão de contos e este negócio viria a cortar as relações entre Sporting e Benfica. Mas no fundo estavam muitos cifrões em jogo.
O passivo «encarnado» era de cerca de quatro milhões e meio de contos, sem dúvida, um imenso buraco que a contratação de Paulo Futre ajudou a cavar por ter obrigado à hipoteca de futuras receitas. Esta era sem dúvida uma nova crise e neste estado caótico das finanças do clube da águia, Pacheco e Paulo Sousa rumaram para Alvalade, alegando justa causa para a devida rotura dos contratos.
Foi então que o Benfica decidiu negociar Futre com o Olympique de Marselha e foi precisamente com o dinheiro das prestações do clube francês que o Benfica foi vivendo...
Aproximavam-se, então, as eleições e a nível desportivo, para contrariar os azares administrativos, eis que surge uma grande equipa de Basquetebol, que chega, a nível da FIBA, onde nenhuma equipa portuguêsa conseguira aproximar-se. A 4 de Dezembro de 93, no Pavilhão da Luz, a grande sensação ocorreu quando o Benfica venceu a milionária equipa do Buckler Bolonha, por 102-90.
A nível administrativo, surgem então, os resultados das eleições que ditaram Manuel Damásio como presidente «encarnado». O Benfica obteve então o seu último Campeonato Nacional até hoje, precisamente na época de 1993/94, com o Benfica a contar com um plantel «recheado» de jogadores experientes, como os casos de Neno, Hélder, Mozer, Veloso, Kenedy, Rui Águas, Isaías, João Pinto, Rui Costa, Vítor Paneira, Shwartz, entre outros, todos eles comandados por Toni que tinha como seu adjunto Jesualdo Ferreira. Mas nem tudo isto era um mar de rosas, dado que Damásio teve de vender Rui Costa à Fiorentina por cerca de três milhões de Dólares.
Michel Preud’Homme chegou à Luz e aquele que era considerado um dos melhores guarda-redes do Mundo, dispensa de apresentações. Boa colocação na baliza, firmeza e concentração entre os postes, fizeram de Michel um «mito» benfiquista e tal facto foi notado na sua despedida, mais tarde, do clube da Luz, quando foi substituído por Enke.
Contudo Manuel Damásio não deixou o clube nas melhores condições a nível financeiro e se até aqui as contas «encarnadas» estavam de rastos, com a chegada do novo presidente em 1997, não melhorou a situação.
Vale e Azevedo prometeu ao fechar das urnas, a contratação de Rui Costa e venceu as eleições, derrotando Luís Tadeu e Abílio Rodrigues. Contudo, Rui Costa, não apareceu na Luz. O presidente benfiquista rasga os contratos com a Oliverdesportos e assina um contrato exclusivo com a SIC, contratos estes, que iriam levar o nome do Benfica a tribunal.
Greame Sounness foi o treinador escolhido por Vale e Azevedo e novos jogadores rumaram à Luz. Kandaurov, Luís Carlos e o checo Karel Poborsky foram os primeiros nomes apresentados e desde então, que se verificou que os contratos não eram cumpridos, dado que Poborsky não tinha sido pago ao Manchester United. O clube inglês apresentou queixa à FIFA e colocou-se a hipótese do Benfica não participar nas competições europeias, mas ficou acordado pagamento da transferência com o dinheiro proveniente da Liga dos Campeões e assim foi. Deane veio para o Benfica mas rapidamente rumou para Inglaterra.
O Clube passava por uma constante mudança de jogadores e de treinadores dado que Sounness bateu coma porta, dizendo que Vale e Azevedo era «mentiroso».
João Pinto foi outro dos nomes importantes na época de Vale e Azevedo, mas pelo incrível! O presidente do clube da Luz despediu o n.º 8 «encarnado», ou seja, «mandou-o embora», dado que o Benfica não recebeu nenhum dinheiro em troca, pelo contrário, teve ainda de pagar...
O jogador decidiu a sua vida e rumou para o Sporting, algo que seria impensável na Luz. Nuno Gomes rumou para a Fiorentina e o Benfica perdia assim os seus trunfos. Apenas restou o «furacão checo», Poborsky, que chegou a ser eleito, como melhor jogador do ano de 97, pela sondagem «A Bola/SIC». Este foi o período até hoje, em que se ouviu falar do Benfica, pela negativa, devido à gestão do anterior presidente.
Muitos factos negativos que marcaram o nome de Vale e Azevedo à frente do Benfica. O Benfica ficou praticamente sem o seu património, dado que o presidente o tinha vendido, mas onde foi parar todo esse dinheiro? Ainda hoje se procura a resposta.
Novas eleições e de novo Vale e Azevedo a concorrer, mas desta feita, com Manuel Vilarinho. Estas eleições, foram sem dúvida, um marco histórico para o clube da Luz dada a sua situação. Foi para mudar enquanto fosse tempo e para tentar apagar a má imagem do Benfica, que os sócios colocaram Vilarinho no lugar de Vale e Azevedo, mas mesmo assim já foi tarde. Vale e Azevedo, dias após as eleições foi preso e ainda hoje se encontra em julgamento, por ser acusado de 14 crimes de peculato e 1 de branqueamento de capitais.
A nova direcção entrou e deparou-se com as finanças num estado caótico, entre outras coisas mais...
No Benfica surge então, uma nova política directiva, observando-se também uma revolução nas informações do clube. João Malheiro passa a ser o rosto do Benfica e o elo de ligação entre Benfiquistas e o clube. Mais tarde surge Luís Filipe Vieira, como gestor do futebol «encarnado» e promete uma «equipa maravilha». De facto, bons jogadores rumaram à Luz, mas os resultados continuavam a não ser os melhores. Toni, decidiu por bem abandonar o Benfica, numa despedida sentida pelos adeptos. Jesualdo Ferreira toma a liderança do comando técnico...
Outro dos grandes pontos históricos do clube da águia deu-se à relativamente pouco tempo. Com Portugal a realizar o EURO 20004, o Estádio da Luz, é apontado como o palco da final e os sócios aprovaram com maioria absoluta a construção de um novo estádio à remodelação do actual. Surgem então polémicas em redor da construção da nova Luz, mas segundo os responsáveis benfiquistas, tudo correrá pelo melhor...
Eis então que chegávamos a Fevereiro de 2002 e ouvia-se falar da possibilidade do Benfica ficar fora do Euro 2004, algo no entanto desmentido de imediato pela direcção benfiquista. Enke sobia também às manchetes desportivas devido à sua situação contratual com o Benfica e a direcção então presidida por Manuel Vilarinho tentava resolver os casos deixados pela anterior direcção.
Em meados de Novembro, o clube da Luz deparava-se com novos problemas financeiros. Desta feita, relativos à construção do novo Estádio da Luz que voltou a colocar de novo, em risco, a participação do clube da Luz no Euro 2004. Contudo, a Benfica Estádio S.A. resolveu da melhor maneira os problemas com a Somague e as obras proseguiam normalmente. Mais tarde, o Benfica assumiria as dívidas fiscais e prometia pagar o montante em dívida no início de 2003.
A equipa de Futebol também sofreu algumas alterações, sobretudo a nível da equipa técnica. Os bons resultados tardavam em aparecer numa equipa que já via o título fugir desde a época 93/94. Os adeptos pediam a cabeça de Jesualdo Ferreira mas o técnico português parecia estar firme na equipa. Mas após a histórica eliminação do Benfica da Taça de Portugal, num jogo realizado na Luz e diante o Gondomar Jesualdo Ferreira via o seu posto colocado em risco. Um golo de Cílio colocou Jesualdo entre a espada e a parede. Os adeptos mostraram o seu descontentamento perto da sala de imprensa da Luz e nessa mesma noite Jesualdo foi demitido pela SAD e Chalana assumiu provisóriamente o cargo de treinador interino.
Vários nomes surgiram nos jornais, mas o de Camacho foi o que ganhou mais contornos.
O objectivo principal do novo treinador seria o mesmo de todos os outros que por lá passaram: ser campeão nacional e levar o clube à Liga dos Campeões. Algo que só o tempo dirá...

Publicado por Nuno Peralta às 02:51 AM | Comentários (0)

História do SLB - 8

A Década de 80: os primeiros estrangeiros e a derrota na final...

A década de 80 iria caracterizar-se pelo duelo sistemático entre o Benfica e o FC Porto, face à crise que o Sporting enfrentava.
No primeiro ano da década, o húngaro Lajos Bazzoti dava o primeiro título. Nené foi o melhor marcador e João Alves, o luvas pretas, a estrela.
Em 1982/83, começavam a chegar os primeiros estrangeiros ao clube, eram eles Glenn Stromberg (sueco) e Zoran Filipovic (jugoslavo) e quem estava à frente da equipa era o sueco Sven-Goran Eriksson.


Nesta década, surgiram mais estrelas do futebol português, como Rui Águas, Veloso, Vítor Paneira, Pacheco, Valdo e Magnusson.
A 25 de Maio de 1988, o Benfica foi a mais uma final Liga dos Campeões em Estugarda, tendo sido derrotado pelo PSV Eindhoven. No final do encontro, o nulo manteve-se. Nas grandes penalidades Veloso desperdiçou a oportunidade que lhe coube em sorte, abrindo caminho à vitória do PSV por 6-5.

Publicado por Nuno Peralta às 02:40 AM | Comentários (0)

História do SLB - 7

A Década de 70: a célebre frase de Mário Wilson, o «filme de terror» e os títulos...

A década de 70 ficou marcada por uma frase proferida por um grande senhor do futebol, mais propriamente, do Benfica. «Qualquer treinador que vá para o Benfica, arrisca-se sempre a ser campeão!», foi esta a frase célebre de Mário Wilson.
Na década de 70, o Benfica conquistaria outro tri-campeonato, de 70/71 a 72/73, desta vez nas mãos do britânico Jimmy Hagan. As figuras da altura eram: Eusébio, Humberto Coelho, Jaime Graça, Nené, Toni, Diamantino, José Torres, António Simões, Vitór Martins, Vítor Baptista, Shéu Han, Jordão, José Henrique, Adolfo Messias e Artur Jorge (melhor marcador em 70/71 e 71/72). Foi em 1972/73, que Eusébio conquistou a sua última bola de prata, com 40 golos.
Mais um tri-campeonato de 74/75 a 76/77 (12 campeonatos em 15 anos), nas mãos de Milorad Pavic (húngaro), Mário Wilson (português) e John Mortimore (inglês).
O primeiro campeonato após a revolução de 25 de Abril, foi o último de Eusébio, jogando 9 encontros, apontando 2 golos (fazendo um total de 316 golos no campeonato).
Outras estrelas apareceram, como Fernando Chalana, Pietra, Manuel Bento, Eurico Gomes, José Luís e Carlos Alhinho.
Nesta década de 70 há ainda a destacar a presença do Benfica no Brasil.
Numa interrupção do Campeonato de 1971/72, o Benfica deslocou-se ao Brasil e venceu a Portuguesa, por 3-1, perdeu com o Curitiba e o Flamengo e despediu-se batendo o Vasco, por 2-0.
O drama dos benfiquistas, no geral, ficou por ali, mas Vítor Baptista viveu uma autêntica tragédia, no Aeroporto do Galeão, quando, sentado numa cadeira de rodas, aguardava embarque para Lisboa. Um acidente estúpido ocorrido no seu quarto (cortara-se nos vidros de uma garrafa quando caiu sobre ela) levara-o a seguir à frente dos companheiros. Falava com funcionários da Varig quando rebentou o tiroteio – tiros de pistola e rajadas de metralhadora cruzaram os ares, levantou-se enorme gritaria e ele, espantado, viu cair uma mulher e um Polícia gravemente atingidos. Eram três disfarçados contra a Polícia. Parecia mesmo um filme de terror. Vítor Baptista sentiu-se alvo fácil, se continuasse na cadeira de rodas, lançou-se ao chão, escorregou, gatinhou, escondeu-se e acabou por ter sorte. O incidente reteve Vítor mais 24 horas no Rio.

Publicado por Nuno Peralta às 02:27 AM | Comentários (0)

História do SLB - 6

A Década de 60: Estádio da Luz, Eusébio, Taça dos Campeões Europeus e muito mais...

A década de 60 ficou sem dúvida muito marcada na história do Sport Lisboa e Benfica, devido às grandes mudanças que o clube teve e à chegada do melhor jogador português de todos os tempos, talvez por isso tenha sido designada de década de ouro.
Foi precisamente no ano de 1954, o Benfica mudou-se do Campo Grande para o maior estádio português... o grandioso Estádio da Luz!
Ao sonho de muitos anos, sucedia-se a realidade, com o apoio financeiro de milhares de associados e adeptos, o Estádio da Luz compensava a tenacidade e o idealismo do presidente Joaquim Bogalho.
Mas como foi já referido anteriormente, não foi só a mudança para o actual Estádio da Luz que marcou a década de 60.
A vinda do melhor jogador português de todos os tempos. Chama-se Eusébio da Silva Ferreira, nasceu em Lourenço Marques (actual Maputo - Moçambique, Portugal ultramarino nesse tempo), foi também um marco histórico.
Eusébio brilhava no Sporting de Lourenço Marques, estando os olheiros do Sporting a observá-lo, juntamente com os do Benfica. Eusébio aceitou ir para o clube da águia, mas fugido e escondido na bagagem dos benfiquistas que vinham de Moçambique. Em Dezembro de 1960, Eusébio chegava a Lisboa pelas mãos do Benfica (antes fora levado para o Algarve). O Benfica pagou então 700 contos pela carta de Eusébio que aceitou ir jogar para o Benfica. Depois desta aventura, Eusébio estreou-se com a camisola do Benfica num jogo das «nossas» reservas contra as reservas do Atlético, no dia 23 de Maio de 1961 (o Benfica venceu 4-2, com 3 golos de Eusébio).
Enquanto Eusébio não se afirmava na equipa principal, o Benfica vencia a Taça dos Campeões Europeus em Berna, no dia 31 de Maio de 1961, ao bater por 3-2 na final, o vizinho Barcelona (golos de José Águas, Coluna e um autogolo de Gensana para o Benfica), sendo Bella Guttmann o treinador (húngaro).
Na época seguinte, o feito repetia-se, mas com um toque especial de Eusébio. Desta vez o jogo realizava-se em Amsterdão e o adversário era o Real Madrid, que o Benfica venceu por 5-3, com 2 golos de Eusébio.


O Benfica esteve presente em mais 3 finais da Liga dos Campeões: em Londres contra o AC Milan (1-2), em Milão frente ao Inter de Milão (1-3) e em Manchester frente ao Manchester United (1-4 após prolongamento).
Eusébio ficava assim conhecido como o «pantera negra» e o melhor português de todos os tempos, tendo no currículo 1 Taça dos Campeões Europeus, 11 Campeonatos Nacionais, 5 Taças de Portugal, 76 vezes internacional A, 9 vezes integrante da "selecção ideal do Mundo", pela FIFA e UEFA e melhor jogador do Mundial de 66, em Inglaterra (à parte das botas de ouro e prata).
791, foi o número de golos obtido com a camisola do Benfica. Depois desta verdadeira carreira de ouro, Eusébio é sempre lembrado à entrada do Estádio da Luz, onde está a sua estátua de bronze.

Mas para esta ser a melhor década de sempre do Benfica, outros nomes do futebol brilharam: Costa Pereira, Mário João, Neto, Germano, Ângelo, Cavém, Cruz, José Augusto, Santana, Mário Coluna, António Simões, Serra, Saraiva, Artur, Nené, Humberto Coelho, Toni...
Os treinadores da década de 60 foram cinco: Bella Guttmann (húngaro), Fernando Riera (chileno), Lajos Czeiler (húngaro), Schwartz Elek (romeno) e Otto Glória (brasileiro).
O Benfica alcançou um «tri» campeonato de 62/63 a 64/65, perdeu o campeonato de 65/66 por 1 ponto, e fez um novo «tri» de 66/67 a 68/69.

Publicado por Nuno Peralta às 01:52 AM | Comentários (1)

História do SLB - 5

Uma nova casa e o êxito dos anos 40/50...

No dia 5 de Outubro de 1941, o Benfica inaugurava o «Campo Grande», um campo maior para um grande clube.
A década de 40 não foi excepcional para o Benfica, conquistando apenas 3 títulos nacionais, mas vingando-se ao conquistar 6 Taças de Portugal.
Porém, foi a 18 de Julho de 1950 que o Benfica conquistou o seu primeiro grande troféu a nível europeu: a Taça Latina.
Os «nossos» campeões latinos foram: Bastos (guarda-redes), Jacinto, Ferandes, Félix, Moreira, José da Costa, Rogério, Carona, Arsénio, Julinho e Rosário.
Depois da Europa, o Benfica deu uma volta por África, onde disputou e venceu muitos jogos.
Durante essa «volta», foi recrutado José Águas, que deu várias alegrias ao clube (e que é pai de Rui Águas que também muitas alegrias deu)

Publicado por Nuno Peralta às 01:47 AM | Comentários (0)

História do SLB - 4

Anos 20/30/40, a aposta nas modalidades...

A 14 de Janeiro de 1934, o Sport Lisboa e Benfica inaugura a nova secretaria. Seria a 5ª secretaria do Benfica e localizava-se no centro de Lisboa, exactamente na Rua do Jardim do Regedor. O momento de euforia dos benfiquistas foi compartilhado pelos dirigentes do académico do Porto.
Contudo, no que diz respeito às modalidades, o Benfica não se destacava somente no futebol, mas também no Ciclismo (destaque-se o nome de José Maria Nicolau), Atletismo, Hóquei em Patins, Rugby, etc. A estes desportos, o Benfica juntou a Natação, o Hóquei em Campo e o Pólo Aquático. Os atletas que honraram o Benfica no Atletismo foram vários, mas destaque-se os nomes de Francisco Lázaro (antes referido - anos 10), Martins Vieira (anos 30), Matos Fernandes e Tomás Paquete (anos 40).
Mas ainda no que diz respeito ao futebol, nos finais do ano de 1939, o Benfica chegou às meias-finais do Campeonato de Portugal, o último a ser disputado com esta denominação (em 38/39, a prova a eliminar passou a ser designada por Taça de Portugal), depois de uma proeza difícil de igualar nos jogos com o F.C.Porto.
A primeira «mão» disputou-se no Porto, em ambiente escaldante que dificultou a acção dos jogadores e do árbitro. O Benfica voltou a fazer estágio em S.João da Madeira e foi apoiado pelos adeptos que se fizeram transportar num comboio especial. Os portistas venceram por 4-2.
Em 5 de Junho disputou-se a segunda «mão» e aconteceu, então, o resultado histórico de 7-0. Aos 28 minutos o marcador apontava já 5-0 a favor dos «encarnados».Foi um encontro memorável para os benfiquistas...

Publicado por Nuno Peralta às 01:37 AM | Comentários (0)

Como nos filmes...


A NEW BEGINNING




UM NOVO COMEÇO

Publicado por Nuno Peralta às 12:00 AM | Comentários (0)

outubro 24, 2003

O Estado dos Transportes em Portugal

O Generalidades e Culatras, no meio de muito disparate, escreveu duas postas (esta e esta) muito interessantes sobre os transportes em Portugal, nomeadamente sobre o TGV e sobre os prejuízos das empresas de transportes públicos, que devem ser lidos com atenção (ao contrário do resto que por lá se escreve, estes dados são para levar a sério...).

E agora voltemos ao que interessa, que faltam pouco mais