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abril 26, 2005
O Estado da Bola...
Muita tinta correu (e continua a correr) a propósito do recente Estoril-Benfica e a sua realização em pleno Estádio do Algarve.
Infelizmente, poucos quiseram analisar os factos mais negativos deste episódio, ficando-se a maioria pelos insultos ao profissionalismo de jogadores e treinadores de Estoril e Benfica, ao assumirem que o resultado estaria feito antes do jogo.
Creio aliás que foi esta situação que gerou um jogo demasiado violento para o que deveria ser, pois os jogadores do Estoril, com a sua honra posta em causa, não queriam perder o jogo por nada.
Para mim, este episódio permitiu perceber ainda melhor de que "fibra" é feito José Veiga e desejar mais que nunca o seu rápido afastamento do Benfica, para que em breve não tenhamos um "Apito Dourado" para as bandas da Luz. Não que acredite que o jogo estivesse "comprado", mas o certo é que nunca ninguém percebeu a quem foi efectivamente vendido o capital que Veiga tinha no Estoril, o que permitiu todo este tipo de especulações...
E aqui começa a análise dos temas que ninguém quis discutir:
1) Porque é permitido uma S.A.D. participar numa competição profissional sem que se conheça o rosto de quem detém a maioria do seu capital, especialmente se tivermos em conta as regras da UEFA sobre a multipropriedade de clubes?
Tem que haver alguém a dar a cara e, tal como acontece com as empresas cotadas em bolsa, tem que ser publicamente conhecida a composição do capital das SAD’s, bem como de todas as transacções da sua propriedade.
É preciso notar que o Estoril é o paradigma da SAD que nada tem que ver com o clube e em que o capital, de há uns tempos para cá, pertence a um daqueles Grupos de Investimento com sede num qualquer Paraíso Fiscal, ao qual ninguém consegue associar um rosto.
2) Se todos os campos são inspeccionados e autorizados no início da época, que outra razão, para além da interdição disciplinar ou de um qualquer evento anormal impeditivo, justifica a utilização de um recinto alternativo?
Na minha opinião, nenhum! Infelizmente, não é isso que consta dos regulamentos da Liga, segundo os quais é possível uma equipa ter um campo oficial mas não jogar nenhum jogo no seu campo, podendo até utilizar um recinto diferente para cada jogo, desde que jogue em Portugal, num campo homologado pela Liga.
De qualquer forma, demagogia à parte, todos os anos vários clubes recorrem a este expediente, normalmente não jogam é tão longe de casa como o Estoril decidiu fazer. Mas, verdade seja dita, este Estoril (o da SAD) praticamente não tem adeptos, pelo que os jogadores não devem ter sentido grande diferença entre jogar no António Coimbra da Mota ou em Loulé...
3) Interessante também que ninguém aproveite mais uma vez para questionar o investimento efectuado com o Euro’2004, em que um dos estádios construídos está às moscas, tendo recebido anteontem o seu segundo jogo "a sério", depois de ter sido palco de um jogo da Selecção Nacional já este ano. Para o ano, continuará aparentemente na mesma. O caso de Aveiro será algo semelhante, a não ser que a Naval lhe decida dar uso...
4) Mas ainda mais interessante é que ninguém tente perceber o "drama" por detrás desta decisão: a Superliga (e de certeza que a Liga de Honra ainda mais) não é economicamente viável para muitas equipas! Isto é, se fizerem todos os jogos no seu terreno, assumindo que têm 3 ou 4 jogos em casa transmitidos pela televisão, as receitas arrecadadas não são suficientes para suprir os custos assumidos. Por isso são cada vez mais comuns os salários em atraso. E, depois do que aconteceu a Farense, Campomaiorense e Salgueiros, já alguém devia ter parado para pensar um pouco.
Falam todos de ética, mas perguntem a vocês mesmos se, com a vossa família a passar fome, será em ética que pensam quando vos surge uma hipótese de saciar a dita fome...
A realidade é que, graças ao jogo de Domingo, os jogadores do Estoril vão receber os salários em atraso. Tudo o resto é filosofia, apenas acessível e interessante para quem tem a barriga cheia...
Aliás, dado que as declarações dos dirigentes do Estoril foram ignoradas, por estarem demasiado ligados ao Benfica, ouçam bem o que diz António Oliveira, presidente do Penafiel e a pessoa menos suspeita de querer beneficiar o Benfica...
A realidade é esta: há clubes a mais na Superliga e, se retirarmos os jogos envolvendo Benfica, Porto e Sporting, as assistências médias não devem exceder os 3.000 espectadores. Diminua-se rapidamente a competição para 12 clubes, com um play-off final entre os 6 melhores. A rentabilidade concerteza melhorará e já não haverá clubes a necessitarem de transferir jogos por questões económicas!
Mas, no meio disto tudo, há uma realidade que faz muita inveja em Portugal: o Benfica não ganha o título há 10 anos, tem tido uma carreira fraca em termos internacionais, não joga um futebol que agrade mas, por muito que isto custe, é o único clube português que enche estádios de Norte a Sul, do Interior às Ilhas! E, por isso, é o único clube em que os outros clubes sabem que não correm risco de mudar o jogo para um campo maior e depois terem o estádio "às moscas"...
Publicado às 19:34:56
Comentários
Caro Steady,
O problema é que, muito provavelmente, um jogo entre o Benfica e o Benfica B teria muito mais espectadores que 95% dos jogos da Superliga...
Publicado por: NunoP às abril 29, 2005 07:19 PM
Gostaria de Ver o SLB "encher estádios de norte sul" jogando sozinho.
Publicado por: Steady às abril 29, 2005 04:24 PM
Caro Quetzal, eu é que não me fiz expressar correctamente, pois quando eu falava em play-off era esse conceito que tinha em mente, um sistema de "todos contra todos", não um sistema de eliminatórias...
Publicado por: Nuno Peralta às abril 29, 2005 02:25 AM
Excelente post.
Só discordo da questão dos play-offs. :)
Defendo os doze clubes e um modelo id~entico ao do nacional de hóquei em patins com a 2ª fase a ser disputada em duas séries.
Publicado por: quetzal guzman às abril 28, 2005 09:22 PM
Excelente post! Pena é que ninguém queira falar da viabilidade económico-financeira dos clubes... É sintomático disso um programa de rádio de duas horas sobre futebol em que ninguém fala sobre futebol. Quando o Farense ou o Salgueiros quase desaparecem a multidão encolhe os ombros e diz "azar" ou então diz que foi culpa dos seus dirigentes, mas ainda ninguém parou para pensar que se calhar não existe lugar para tantas empresas nesta actividade económica. Quem podia forçar essas medidas (o governo) está metido nesse negócio até ao pescoço (seja o PSD ou o PS) e por isso nunca dará esse passo enquanto o negócio não bater no fundo. E o bater no fundo poderá ser com um clube mais visivel.
Publicado por: Bruno às abril 27, 2005 11:52 AM
Mais uma vez uma análise bem feita de toda a polémica que se levantou em redor deste jogo.
Sintomático o facto de a sociedade a que o Veiga supostamente vendeu as acções não ter nenhum site na net e os seus administradores não serem conhecidos...
Publicado por: Hugo às abril 27, 2005 01:09 AM
Só para dizer,a violência dos jogadores do Estoril envergonha qualquer profissional do futebol,o arbito deveria ter mostrado mais dois,pelo menos,cartões vermelhos directos aos jogadores do Estoril,alêm disso os jogadores do Benfica,suaram a camisola e não foi o arbito que lhes deu a vitória,foi sim o querer e a alma benfiquista que venceram o jogo,se assim continuarem a suar a camisola o Benfica vai ser campeão e sem ajudas dos arbitos por muito que custe aos adversários que não têm a capacidade de ganhar desportivamente no terreno,é a jogar que se ganham jogos,não é na secretaria,viva o Benfica!.
Publicado por: re21 às abril 27, 2005 12:36 AM
Sobre este tema, e são dados que recolhi à pouco, apesar das graves acusações que foram proferidas pelo Carlos Xavier (no que respeita ao arbitro, forma confirmadas), é curioso que, sem qualquer tipo de analise detalhada dos factos (um inquéritozinho, talvez), a Liga decidiu suspender o adjunto do Estoril por 12 dias. Pelos vistos já chegaram à conclusão que tudo que ele disse é mentira e como tal só ele é que tem de ser punido. A leviandade com que se tomam estas decisões e o branqueamento que se fazem aos factos é digno de um pais de 3.º mundo.
Publicado por: Diesel às abril 27, 2005 12:07 AM