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março 28, 2005

Dignidade Humana (ou a falta dela...)

Tenho ouvido entre os meus colegas e amigos algumas opiniões de indignação perante a Igreja Católica, pela posição que tomou no caso de Terri Schiavo, defendendo o prolongamento da "vida" da senhora, para que se perpetue o sofrimento diário de alguém que passou os últimos 16 anos numa cama de hospital, em estado vegetativo e a quem nenhum médico dá esperanças de que os anos que eventualmente se sigam não sejam iguais.

Eu pessoalmente não percebo a indignação. Afinal de contas, o que esperavam eles que fosse a posição de uma Igreja que humilha diariamente o seu líder máximo, privando-o de todo e qualquer direito à privacidade e ao repouso necessário a quem padece das doenças a que o Papa João Paulo II está exposto?
É que a exposição pública da doença e da lenta agonia para a morte do Papa já ultrapassou todos os limites do admissível, em termos de respeito pela dignidade humana.

E é por este exemplo diário que a Igreja Católica nos dá que a cada dia me considero mais distante da mesma e cada vez mais encontro paralelismos do catolicismo com os movimentos fundamentalistas islâmicos...

Publicado às 20:27:21

Comentários

O fundamentalismo das convicções resulta, quase sempre, em tomadas de decisões no minimo questionáveis. A censurabilidade a ess fundamentalismo, seja ele muçulmano, católico ou outro, deve ser sempre exteriorizada.

Publicado por: Diesel às março 29, 2005 02:13 AM

Parece-me que, a partir do momento em que a vida só se mantém através de máquinas, quem se está a armar em divindades são os técnicos que mantém artificialmente uma vida humana que, por si só, não teria condições para existir...

Publicado por: NunoP [TypeKey Profile Page] às março 29, 2005 12:31 AM

Não tendo eu qualquer procuração para defender a igreja, até porque sou perfeitamente avesso a religiões, apesar da minha formação académica, acho que vocês não compreendem que a igreja defende a preservação da vida humana, sendo que a mesma só poderá ser retirada por intervenção divina ... podem não concordar, mas não podem negar a coerência deles

Publicado por: bcool às março 28, 2005 11:52 PM