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fevereiro 22, 2005
Ainda os dias seguintes
(POST DE ONTEM APENAS DISPONIBILIZADO HOJE POR PROBLEMAS TÉCNICOS NO BLOGUE)
Agora mais a sério, passado que está o "furacão político" que tudo mudou na conjuntura política nacional, é necessário trabalhar e pensar o futuro, quer para quem nos vai governar, quer para quem vai ter que controlar, a partir da oposição, a correcta execução da função governativa.
Quanto ao Governo, espero que o discurso de Sócrates ontem tenha sido apenas a emoção a falar mais alto.
Hoje, já refeito das emoções e de uma campanha onde foi vergonhosamente atacado em temas que nada têm que ver com política, espero que comece a pensar mais em Portugal e menos no PS. Aproveite a maioria que lhe foi dada pelos portugueses para formar um Governo que reuna o apoio do País. E não ceda à tentação de se centrar apenas no apoio do PS maioritário.
Espero que Sócrates tenha percebido a mensagem do voto que lhe foi dado: os portugueses querem um projecto estável de desenvolvimento para o País, não querem 4 anos de políticas erráticas, ao sabor de quem na rua grita mais alto.
Sócrates que não tenha dúvidas que a oposição à esquerda (BE e PCP) far-se-á ouvir-se nas ruas, se não lhes for dado ouvidos no Parlamento...
Na oposição à direita, depois da hecatombe, espera-se uma rápida redefinição dos projectos e lideranças.
Paulo Portas soube perder e, pela forma como se demitiu, assume-se como o principal candidato à sua própria sucessão (isto, claro, caso mostre abertura para uma recandidatura, algo que ontem transpareceu que não irá acontecer).
Qualquer outra liderança no CDS-PP terá que perceber o que causou a derrota eleitoral: o PP deixou de ser um partido de oposição, que pode usar e abusar da demagogia, para ser um partido que tem que ter sentido de Estado e ser credível. É necessário que, a haver uma nova liderança, seja uma liderança menos conservadora, para que possa penetrar no eleitorado mais ao centro, sem perder o eleitorado da direita.
Já o PSD enfrenta um desafio maior, dado ser a principal força da Oposição e ter que se assumir como a principal alternativa ao PS. Para isso é preciso uma liderança credível. Santana Lopes não poderá nunca liderar essa oposição, por tudo o que se passou nos últimos 8 meses. O autismo que demonstrou ontem (claramente não percebeu nada da mensagem que minutos antes Paulo Portas deixara ao País), mostra que tentará, mas os verdadeiros social-democratas não o podem deixar.
O resultado eleitoral demonstrou que uma boa parte do tradicional eleitorado PSD não se revê nesta liderança e nesta forma de fazer política. Para bem do partido, se Santana não partir pelo seu pé, deve ser claramente mandado embora pelos militantes, sob pena do partido se continuar a afundar e obrigar ao surgimento de uma nova força ao centro, que se possa apresentar como alternativa ao PS. E quando falo em Santana, falo igualmente na sua entourage, nas figuras que protagonizaram a pequena política dos últimos meses e que ajudaram a criar o "pântano": Filipe Menezes, Gomes da Silva, Valentim Loureiro, Alberto João Jardim e mais uns quantos.
Era igualmente necessário que o PSD tivesse aprendido alguma coisa com esta vitória do PS. É certo que a maioria PS só foi possível pelo desencanto existente com este PSD, mas isso não justifica tudo. O PS conseguiu mobilizar os portugueses, mesmo sem que estes conhecessem exactamente a sua proposta de governo. Mas a eleição de Sócrates para a liderança do PS através do método de eleição directa, por todos os militantes socialistas, numa campanha muito concorrida e com ampla projecção nacional, foi um grande factor de mobilização e união.
Penso que o PSD devia perceber isto e assegurar que o seu próximo líder é eleito da mesma forma. Para além de permitir a todos os militantes participarem e mobilizarem-se, impede-se que sejam novamente as "elites" instaladas a escolher um líder que serve os seus interesses, mas que pouco serve ao País.
Da minha parte, se o PSD der este sinal de vitalidade, estarei cá para ajudar a reconstruir o Partido que mais contribuiu para o progresso de Portugal. E cá estarei para apoiar uma liderança que queira ser credível e construtiva. Que esteja disposta a fazer Pactos de Regime nos assuntos que são indispensáveis e nos quais não se pode andar a reformar a reforma de 2 em 2 anos, como é o caso da Justiça, da Educação, da Saúde ou da Fiscalidade. E que esteja disposta a viabilizar as boas propostas do Governo e a criticar construtivamente as más opções. Não nos podemos continuar a dar ao luxo de, cada vez que muda a cor do Governo, tudo mudar.
Esta nova liderança do PSD terá que obrigatoriamente saber recuperar/manter as figuras mais carismáticas e credíveis do partido (entre outros, Cavaco Silva, Manuela Ferreira Leite, Rui Rio, Pacheco Pereira, António Mexia, Miguel Cadilhe, António Borges, Aguiar Branco, Luís Paes Antunes e Marques Mendes) e abrir as portas a muitos jovens desconhecidos, que sentiram que ontem o País deu um grande passo atrás e que estão dispostos a ajudar Portugal a andar em frente.
É crítico o cenário actual. A partir de meados de Março, Portugal passa a ter “Um Governo, Um Presidente e Uma Maioria”. Se é garantido algum controlo à esquerda, é urgente que a direita se organize rapidamente, para que os próximos anos não sejam de maior retrocesso na modernização do país. Mesmo com maioria absoluta, um bom governo PS exige um PSD forte, que lhe faça oposição.
Finalmente, espero que a maioria de esquerda não “amoleça” a Comunicação Social. É mais que sabido que a nossa comunicação social “simpatiza” bem mais com a esquerda do que com a direita. Mas no cenário actual, será muito grave para a nossa democracia se a comunicação social ceder a essa “simpatia”. É necessário que continue a ter um papel bastante activo no controlo das acções do governo e na denúncia dos abusos.
Publicado às 13:01:49