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janeiro 31, 2005
Dúvida existencial política
Tem valido muito a pena ler o Abrupto nos últimos dias (nomeadamente os posts sob o título "Crise de Representação"), para me sentir menos "só" neste momento difícil.
Percebo perfeitamente Pacheco Pereira e as suas dúvidas/inquietações.
Eu debato-me diariamente com algumas dessas questões: identifico-me historicamente com o PSD, mas nem um pouco com esta liderança, da qual sou crítico desde o primeiro minuto.
Também não me identifico minimamente com o guterrismo e muito menos com a sua nova roupagem (agora sem Guterres, mas com todos os outros que quase levaram Portugal para o abismo, na sua incapacidade de tomar decisões impopulares).
Para agravar a situação, não reconheço a suficiente credibilidade em nenhuma das outras opções. À esquerda, temos um PCP que não percebe que já estamos no século XXI e um Bloco de Esquerda que não é um partido, mas sim um agrupamento de intelectuais com algumas causas sociais interessantes, mas sem um projecto para o País. À direita temos um PP de tendências totalitárias e demasiado moralista para os meus intentos, ainda que demonstre ser provavelmente o único partido com uma ideia clara do que quer para o País.
Por fim, considero que a abstenção não é uma opção, pois recuso-me a deixar a outros a decisão sobre os destinos do meu País. A abstenção é a opção dos cobardes e eu não me considero um cobarde. Por muito que me custe decidir, no dia 20 de Fevereiro estarei lá nas urnas a expressar a minha posição!
Sendo assim, 3 ideias passam pela minha cabeça neste momento, sem que nenhuma delas tenha ainda ganho predomínio, ainda que a hipótese a) fosse a vencedora se as eleições fossem hoje:
a) Votar nulo e mandar toda a nossa classe política a um certo sítio, demonstrando nas urnas que não me revejo em nenhum dos projectos a sufrágio;
b) Já que a vitória do PS parece inevitável, contribuir para a maioria absoluta, para que ao menos o País tenha uma governação estável e que não haja desculpas para que as decisões difíceis não sejam levadas avante. Tem o grande defeito de eu não estar ainda predisposto a engolir o sapo de viabilizar um projecto que demonstra em cada comício/debate/intervenção que vai em total oposição aos meus ideais;
c) Votar no PP, para que a direita consiga ter alguma voz activa no Parlamento nos próximos 4 anos. Se em termos de ideais revejo-me pouco neste partido, reconheço no entanto que Paulo Portas consegue o impensável há alguns meses, que é ser uma opção mais credível e com mais sentido de Estado para liderar o centro-direita.
Claro está na minha mente que, por muito que me custe, não votarei PSD. Gosto do partido, aprecio os seus ideais e revejo-me em muito boa gente que por lá milita. No entanto, recuso-me a contribuir com o que quer que seja para que Santana Lopes se perpetue na sua liderança e tudo farei para que a sua queda seja rápida e definitiva. Aliás, ainda hoje me custa a compreender como é que aquele demagogo e a sua trupe conseguiram conquistar o partido...
É por isso que concordo especialmente com uma ideia de Pacheco Pereira: é necessário regularizar as quotas do partido para imediatamente após 20 de Fevereiro poder correr com Santana Lopes, enquanto ainda é possível salvar o PSD...
Publicado às 19:02:31
Comentários
Confesso-te que também não sei o que fazer,e tenho de admitir que a idéia de me tornar mais uma vez num "cobarde" já me passou pela mente.
O que fazer?
Votar PSD,o partido com o qual mais me identifico,e no processo ajudar a validar a liderança de PSL?
Não votar PSD(ou seja,em branco),para tentar ajudar à queda de PSL,mas no processo,enfraqueçer o futuro grupo parlamentar do PSD?
Publicado por: pedro às fevereiro 1, 2005 05:28 PM