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janeiro 03, 2005
Balanço de 2004 - Nacional
Em termos nacionais, o facto do ano é a degradação total da relação entre a política e a sociedade, com o divórcio total entre eleitores e eleitos. Um ano político que parece saído da caneta de um humorista sádico, mas que é a mais pura realidade: depois de uma valente tareia nas eleições europeias (numa campanha da qual apenas ficou na memória a triste cena da Lota de Matosinhos, que viria a terminar com o falecimento de Sousa Franco, vítima de ataque cardíaco), um Durão Barroso já sem mão no seu Governo aproveita um honroso convite para “fugir” para Bruxelas, para Presidente da Comissão Europeia, com o beneplácito da Presidência da República. Nesta fuga, deixa o poder entregue ao seu “delfim” Santana Lopes, ex-gigolo, ex-comentador desportivo, ex-comentador político, ex-presidente do Sporting, ex-presidente das Câmaras da Figueira da Foz e Lisboa (onde deixou um enorme buraco no Marquês...) e prestes a ser futuro ex-Primeiro-Ministro. Com a oposição entregue ao “casapiamente” descredibilizado Ferro Rodrigues, Sampaio aceita o novo poder, que não há-de durar mais do que 4 meses, tempo mais que suficiente para o Sr.Lopes e os seus amigos, Sr.Gomes da Silva, Sr.Chaves, Sr. Nobre Guedes, Sr. Morais Sarmento, entre outros, demonstrarem que conseguiam ser bem piores que as mais negras previsões efectuadas. Como marcas deste curto reinado ficam a tentativa de domínio sobre a comunicação social (do qual os casos “Marcelo”, “DN” e “RTP” sobressaem) e a famosa parábola da incubadora...
Com a descredibilização da direita e um novo rosto à frente do PS (José Sócrates, para uns a versão portuguesa de Tony Blair, para outros a versão socialista de Santana Lopes), Sampaio esgota a paciência e manda o povo para novas eleições legislativas, a coincidirem com o Carnaval de 2005...
2004 foi igualmente o ano em que a Justiça continuou lenta e a ser feita na Praça Pública, com a Comunicação Social a dar constantes mostras de ser cada vez menos isenta e mais disposta a ser manipulada.
Foi o ano em que, apesar do “aperto do cinto”, as contas públicas conseguiram piorar.
Foi o ano de todas as greves e todas as reivindicações.
Foi (mais) um ano em que a televisão generalista continuou dominada pelos reality-shows, pelas notícias sensacionalistas e pelas comédias de anedota brejeira. Felizmente foi um ano em que a presença da televisão por cabo aumentou e foi aí que se descobriu uma das raras pérolas de 2004: dos blogues para a SIC Radical, o “Gato Fedorento”, com as sua excelentes rábulas, mostrando que afinal o humor em Portugal pode ter futuro!
2004 em Portugal, socialmente falando, só pode ser considerado como positivo por 2 portugueses, aqueles que ganharam o Euromilhões...
Publicado às 21:46:10