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setembro 21, 2004

[1265/2004] Finanças

Não é só pela Educação que as coisas andam mal. O Ministério das Finanças também tem demonstrado motivos de preocupação nos últimos dias, mas aqui trata-se acima de tudo de inabilidade política.
Se eu até concordo que existem demasiados benefícios fiscais concedidos pelo Estado a pessoas e empresas, já discordo completamente que se comece o corte por aqueles que mais cumprem e que, por isso, já são os que mais pagam. Além disso, não faz sentido que se cortem os únicos instrumentos válidos que existem hoje para suportar algum nível mínimo de poupança no país, que permita financiamento a investimento. Sem esta poupança, tem que se ir buscar mais dinheiro lá fora para suportar o investimento, o que implica aumento da dívida externa.
Além disso, está-se a cortar num benefício que é utilizado essencialmente pela classe média trabalhadora deste país, que já é quem paga mais impostos. Onde estão igualmente os cortes de benefícios às empresas, especialmente à banca, que todos os anos é fiscalmente beneficiada pelo Estado?
E depois anda o nosso Primeiro-Ministro pelo Mundo a fazer papel de rico. Depois de cortar nos benefícios fiscais cá dentro, porque o orçamento não permite, dá-se ao luxo de ir lá fora dizer que aumenta as contribuições para a ONU em 50%! Por muito que eu ache a atitude louvável (o apoio ao desenvolvimento e combate à pobreza), como é possível ter este nível de despesismo para fora quando cá dentro o discurso é de contenção?!?!
Enfim, a incompetência tomou de vez conta deste país e cada vez que olho para a Oposição não vejo alternativas credíveis para ter esperança no futuro...

Publicado às 12:22:51

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