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setembro 06, 2004

[1251/2004] TV

Ao saber pela rádio o que se passava na Rússia, lembrando-me de como terminou uma situação semelhante de rapto num teatro de Moscovo há cerca de um ano, tentei limitar ao máximo o consumo de noticiários nos últimos dias, por saber o que me esperava em termos da demonstração gratuita do sofrimento humano.
Sim, porque não tenho dúvidas que o "dever de informar" rapidamente foi substituído pela procura do share, junto de uma população ávida de um "voyeurismo sanguinário", em que todos se demonstram chocados, mas em seguida correm para casa para ver todos os pormenores sórdidos destas ocorrências.
Pessoalmente penso que a maioria destas histórias não precisam de imagens, a sua simples ocorrência já é suficientemente brutal, para que tenhamos que ficar com o seu visionamento constante no nosso subsconsciente. Mas não é de agora que a comunicação social (especialmente a televisiva) perdeu o respeito pela morte e pelo sofrimento humano...

PS: Ainda uma nota algarvia: Nada como Vilamoura para diariamente termos à nossa disposição as edições do dia de jornais portugueses, alemães, ingleses e espanhóis (eventualmente também holandeses, mas eu não me apercebi disso, provavelmente confundi-os com os alemães). E fica aqui a minha ressalva de que os generalistas portugueses foram bem mais comedidos com as imagens usadas nas capas dos jornais que os seus colegas estrangeiros, especialmente os ingleses. Claro que depois tinhamos os desportivos portugueses que, sem excepção, acharam que as maminhas da letoa que invadiu o campo ficavam a matar na capa!

Publicado às 18:41:44

Comentários

A procura de mais vendas a partir do sofrimento humano é algo muito mau!

Publicado por: kamarrad às setembro 7, 2004 12:58 PM

É verdade que a tv expõem em demasia "o sangue em directo".
Mas também é verdade, que toda a gente critica a abordagem sensacionalista das televisões e continuam a ver...
É tão verdade quanto a hipocrisia de alguns com responsabilidades nessa matéria, critiquem e depois acabam por juntar-se ao "maranhal".
É a vida.
A tragédia no teatro Dubrovka foi em 2002. Vai fazer dois anos agora em Outubro.
Bom Blog.
ps - bom ponto de vista de Monica Lewinsky

Publicado por: Nuno T. às setembro 7, 2004 12:52 PM

Errata: da letã, Nuno, da letã.
E os atentados ao teatro moscovita foram há dois anos. Mas infelizmente não são essas diferenças que salvam pessoas.

Publicado por: João Pedro às setembro 7, 2004 01:13 AM