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julho 17, 2004
[1200/2004] E esta, hein?
Descubro apenas hoje esta notícia, que "curiosamente" não ouvi em nenhum noticiário radiofónico ou televisivo, vá-se lá saber porquê!
Então não é que não é apenas o nosso amigo americano George W. que ganha eleições tendo menos votos que o adversário? Parece que o nosso novo Primeiro Santana também ganhou as eleições para a Câmara de Lisboa com menos votos que João Soares, fruto de um "pequeno" erro na contagem! Quem o diz é o Ministério Público, para logo a seguir desculpabilizar a situação, dada a pouca preparação técnica dos escrutinadores!
País fantástico este, em que a incompetência já é aceite como justificação oficial para o erro e motivo para perdão!!!
PS: Não vá a notícia "estranhamente" desaparecer, está transcrita em seguida...
http://www.portugaldiario.iol.pt/noticias/noticia.php?id=358798&sec=1
Lisboa: desvio de votos nas autárquicas
15-07-2004 11:40
MP confirma resultados «viciados» na eleição de Santana. Mas culpa morre solteira
Uma procuradora apurou erros, omissões e desvio de votos, que indiciam pelo menos «uma conduta grosseiramente negligente» no apuramento de votos nas últimas eleições autárquicas em Lisboa, mas arquivou a queixa relativa à falsificação dos resultados por não ter descoberto quem foi o seu autor, revela esta quinta-feira a revista Visão. A principal prejudicada foi a lista de João Soares.
Na investigação do Ministério Público (MP), relativa a ilícitos eleitorais, sob a responsabilidade da procuradora Maria João Lobo (com o número 386/02.2TDLSB), conclui-se, a 21 de Junho passado, que «a sucessão de "erros" e a sua incidência numa só candidatura [penalizando a candidatura de João Soares], as omissões graves quando não referem qualquer recontagem de votos em relação às secções de voto que não apresentam apuramentos locais ou que os apresentaram incompletos, a alteração do mapa de apuramento final sem que conste da acta que sobre o mesmo tivesse recaído alguma reclamação indiciam, senão uma conduta intencionalmente falseadora da verdade eleitoral, pelo menos, uma conduta grosseiramente negligente no desempenho das funções de membro da assembleia de apuramento geral.»
Dos «erros» apontados pelo MP, entre outros, citados pela Visão, está a passagem de votos de uma candidatura para a outra, retirando à lista "Amar Lisboa", de João Soares, 935 votos regularmente expressos nas urnas.
A investigação foi espoletada por duas exposições à Procuradoria-Geral da República (PGR) de Alberto Silva Lopes, um engenheiro electrotécnico e professor universitário, apoiante de João Soares. Nos documentos então entregues à PGR, o professor universitário escreveu que «por forma a possibilitar a vitória eleitoral para a Câmara de Lisboa, da candidatura "Lisboa Feliz" [de Pedro Santana Lopes], procedeu-se a uma inserção de votos fictícios (a que não correspondem eleitores votantes nalgumas freguesias), seguida de compensação, através de cortes de votos reais (que têm suporte em descargas efectuadas nos cadernos eleitorais), pela inserção de novos votos fictícios noutras freguesias.»
Para o académico não restam dúvidas: «Todo o processo eleitoral foi intencionalmente marcado por irregularidades e ilegalidades que possibilitaram o triunfo da coligação "Lisboa Feliz nas eleições, por uma margem de 1726 votos».
Apesar de se confirmar o desvio de votos em Lisboa, a culpa acaba por morrer solteira. Escreve a procuradora Maria João Lobo: «Pensamos ter ficado afastada a ocorrência de comportamentos substanciadores de ilícitos criminais». De acordo com a procuradora do MP, «as irregularidades detectadas, designadamente na elaboração das actas das secções de voto, são compatíveis com uma falta de preparação técnica e com a falta de conhecimento adequados ao exercício das funções das mesas de voto».
João Soares - que sempre preferiu não fazer "bandeira" destas irregularidades, por não querer ficar conhecido como o "Al Gore" português, numa referência ao candidato democrata derrotado num bizarro processo eleitoral nos Estados Unidos - limitou-se a confirmar à Visão que é «amigo de Alberto Silva Lopes» e que a formação matemática deste «permitiu-lhe detectar erros que o MP vem agora confirmar». Santana Lopes, por seu turno, não quis fazer comentários.
Publicado às 12:39:29
Comentários
O mais estranho é que só agora tenha vindo a público. Será que a oposição não tinha conhecimento desse facto??
Deixaram-no lá a escavacar tudo nestas condições?
Publicado por: GIN às julho 20, 2004 07:43 AM
Há falta de melhor, alguma comunicação social tenta fazer de uma situação já há muito ultrapassada uma tentativa de descredibilização de Santana Lopes...
O que a Visão fez na última edição, com referência na primeira página, é muito mais que pura coincidência.
Publicado por: Peixoto às julho 19, 2004 07:58 PM
Pouca preparação técnica para contar votos??????
Alguém que me explique isto, por favor!
Publicado por: Jazzy às julho 19, 2004 11:01 AM
Não está no segredo dos deuses, veio na Visão desta semana.
Publicado por: Gato Gaspar às julho 18, 2004 11:46 PM
É a democracia em Portugal e nos EUA!
Publicado por: kamarrad às julho 18, 2004 07:20 PM
vergonhoso, sem dúvida.
Publicado por: Atento às julho 18, 2004 03:21 PM
Depois da loucura e euforia, legítimas claro, do Euro 2004, voltamos ao país real... o nosso querido Portugal!
País onde reina a balbúrdia total e onde parece haver regras e leis que apenas são para cumprir por uma parte dos cidadãos... outros há que "brincam" com tudo isto e ainda se riem de nós, os que respeitamos e tudo fazemos para levar a vida com dignidade e dentro da total legalidade.
Para os intocáveis (leia-se políticos) as leis parecem, e são mesmo, contornáveis e, caso não se consiga contornar a lei... fica tudo como estiver, afinal... já não há volta a dar... dizem eles!!!
Enfim... é o país e a (falta) de classe política que temos!!!
Publicado por: Catarina às julho 18, 2004 02:01 AM
Que desculpas eles arranjam !
Publicado por: Finurias às julho 17, 2004 06:15 PM
Já alguém da blogosfera o havia referido aqui há uns dias atrás. Achei interessante a reacção imediata de um apoiante de direita que dizia. Não valeria a pena estarem a levantar um problema numa altura em que o facto já estava consumado e que como tal não haveria solução para o mesmo. Essa é mesmo boa. Então estes erros mesmo depois de constatados e confirmados não são passíveis de procedimento judicial para a reposição da legalidade.
Publicado por: congeminações às julho 17, 2004 05:26 PM