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abril 26, 2004

[0874/2004] Pat Tillman

Também é de leitura obrigatória o editorial de hoje do Diário Digital, de Hermínio Loureiro, sobre a morte do soldado conhecido...

Pat Tillman, por Hermínio Santos

O nome e a história de Pat Tillman não são conhecidos em Portugal. A notícia da sua morte foi ignorada ou remetida para uma simples breve. Segundo critérios jornalísticos, aquela morte, em Portugal, não merece de facto mais do que uma breve. Para os que não são norte-americanos, Tillman é apenas mais um soldado morto em combate, embora tenha falecido no Afeganistão e não no Iraque, onde todos os dias os norte-americanos perdem homens em combate. Mas porque é que vale a pena recordar Pat Tillman? Porque é um caso raro num Ocidente com horror à morte e onde o dinheiro fala primeiro e as convicções surgem a seguir.
Tillman era uma estrela do futebol norte-americano, defesa dos Arizona Cardinals, e tinha deixado toda a gente de boca aberta quando, em 2002, recusou um contrato de 3,6 milhões de dólares para se alistar nas forças especiais do exército dos EUA. Foi enviado para combater no Afeganistão, no âmbito da guerra contra o terrorismo decretada por George W. Bush após o 11 de Setembro de 2001. Morreu precisamente em combate na quinta-feira, com 27 anos. Deixou de lado uma excelente qualidade de vida para se pôr aos tiros no Afeganistão, convencido de que aquela era a melhor forma de responder aos ataques de 11 de Setembro.

Ingenuidade, dirão alguns. Princípios e convicções, dirão outros. Um herói à americana, dirão ainda os mais cínicos. Mas a decisão de Tillman – que tem outro irmão, também ex-atleta embora tenha jogado baseball profissional, a combater no Afeganistão – foi um acto de coragem. Segundo o seu ex-agente a opção da estrela do futebol norte-americano foi consistente com a sua «natureza contemplativa e não materialista». Na altura em que tomou a decisão de trocar o calor dos estádios pelas lutas com os homens da Al Qaeda, Tillman não a tornou pública. Só o viria a fazer mais tarde e recusou sempre dar entrevistas sobre o assunto.

Décadas de conforto e prosperidade fizeram o Ocidente ter horror à guerra, embora elas acontecessem um pouco por todo o lado, desde o Vietname a África. Por isso é que se inventaram expressões como bombardeamentos cirúrgicos ou danos colaterais e se evitam mostrar imagens dos caixões com os mortos. Mas as guerras – a face negra da Humanidade – existem e, infelizmente, continuarão a existir. É triste e trágico recordar histórias como a de Tillman, mas é bom saber que nos tempos negros que vivemos ainda há heróis.

Publicado às 23:56:24

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