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fevereiro 28, 2004

[0440/2004] Os Estádios do Glorioso

O Sport Lisboa, antes da fusão com o Sport Club de Benfica costumava utilizar o Campo das Salésias, em Belém.
O clube crescia a um ritmo acentuado, estendendo-se a muitas outras modalidades. Face à urbanização de terrenos onde se situava a Feiticeira, houve que ponderar uma hipótese de campo alternativa para a equipa honrar os seus compromissos nas diversas provas oficiais, e esse problema ficou resolvido como arrendamento de uma parcela junto à Estrada de Palhavã, a que veio a ser dada a designação de Campo de Sete Rios.

Mais tarde, com ou sem polémica, talvez não valha a pena retomar aqui os termos da discussão, o que é facto é que o Benfica levou avante o projecto das Amoreiras. O estádio considerado pelo “Sport Lisboa” o melhor da Península, foi inaugurado na presença de 15000 pessoas.

O primeiro Campeonato Nacional da 1ª divisão foi conseguido já em pleno Campo Grande, para onde o clube se havia transferido na sequência da decisão de deixar as Amoreiras, o que aconteceu em em Junho de 1940.

Na década de 50, os mandatos de Joaquim Ferreira Bogalho (1952-56) e do Eng. Maurício Vieira de Brito (1957-61) foram decisivos na afirmação europeia do futebol do Benfica. Tornou-se necessário criar as infra-estruturas compatíveis com o nível atingido pelo clube, optar pela profissionalização do futebol e promover a criação de uma escola de jogadores que pudesse, a partir das camadas mais jovens, contribuir para o apetrechamento do plantel sénior.

Começou, assim, a construção do novo estádio do Sport Lisboa e Benfica, vulgarmente conhecido como estádio da Luz, cuja inauguração teria lugar a 1 de Dezembro de 1954, que seria palco de grandes êxitos e que ficaria irremediavelmente ligado à história deste grande clube.

A vida do Benfica, até à data da inauguração do novo estádio, foi sempre marcada pela instabilidade e pela precariedade. Clube popular por excelência, o Benfica sempre se confrontou com difíceis problemas financeiros. E desde muito cedo se habituou a contar com as suas próprias forças, ou seja, com a disponibilidade dos seus dirigentes e da grande maioria dos seus adeptos. Nas primeiras décadas de vida, foram muitos os momentos de desânimo em que se chegou a temer pela sobrevivência do clube. Para alguns estudiosos deste fenómeno, a circunstância do Benfica ter enfrentado tais dificuldades, sobretudo no que respeita à falta de infra-estruturas à altura do seu prestígio e dimensão e do seu progressivo peso na sociedade portuguesa, terá muito a ver com o facto de não se ter deixado atrair por influências políticas, nem pela simpatia de certas personalidades, sempre prontas a negociar favores e benesses de toda a espécie. Seja como for, a independência do clube relativamente aos poderes instituídos, característica de uma forma de estar que o tempo viria a confirmar, obrigam-no, até 1954, a “andar de casa às costas”. E até fixar nas Amoreiras, cumpriu uma autêntica via sacra, passando, sucessivamente das Salésias para a Feiticeira, daqui para Sete Rios e, por fim, de sete Rios de novo para Benfica (Avenida Gomes Pereira).

A construção da auto-estrada do Estádio, uma das prioridades do então Ministro das Obras Públicas, Eng. Duarte Pacheco, acabaria por confinar a escassos 15 anos a utilização do recinto das Amoreiras.

Mais uma vez o Benfica sucumbia aos planos de desenvolvimento urbanístico da cidade, sendo obrigado a transferir-se para o Campo Grande, no dia 5 de Outubro de 1949, de onde só sairia para o seu novo estádio, o Estádio do Sport Lisboa e Benfica, “poiso da águia há quase meio século.

A edificação do estádio foi uma obra colectiva por excelência e um verdadeiro hino às virtudes da solidariedade e da entreajuda. Sob a direcção do então presidente Joaquim Ferreira Bogalho, e a par do incansável trabalho de uma comissão, raros foram os sócios e simpatizantes que se furtaram a dar o seu apoio, em géneros ou em horas de trabalho, à mais empolgante iniciativa alguma vez lançada pelo clube.

“Pude avaliar a grandeza dessa epopeia gigantesca da grande família que quer construir o seu lar. Vi como o operário modesto se esquecia das suas próprias necessidades para ir largar o seu óbolo com a alma a transbordar de ternura. Encontrei-me muitas vezes com a pele tensa a ouvir o grito Ben-fi-ca! Ben-fi-ca! Ben-fi-ca!” escreveu, a propósito, o jornalista Vítor Santos no jornal do clube.

Na ocasião, o Chefe do Estado condecorou com a Medalha de Mérito Desportivo o Sport Lisboa e Benfica, apondo as respectivas insígnias no estandarte do clube. O desafio inaugural disputou-se entre o Benfica e o FC Porto, que saiu vencedor por 3-1. Mais, curiosidade, o primeiro golo portista foi marcado pelo defesa do Benfica.


Em termos de logística das suas actividades, o Benfica parecia, finalmente, instalado e em condições de se passar a preocupar prioritariamente com as suas prestações desportivas, sobretudo no que respeita ao futebol. As actividades desportivas centravam-se no novo Estádio, na zona de Carnide, enquanto as actividades administrativas e de apoio aos sócios se desenvolviam nas instalações da Avenida Gomes Pereira, onde o clube permaneceu 65 anos, entre 1916 e 1981, e da Rua Jardim do Regedor , inauguradas em 14 de Janeiro de 1934 e que são, ainda hoje, propriedade do clube, embora praticamente desactivadas.

A direcção de Maurício Vieira de Brito não descurava a progressiva melhoria das instalações do clube e, após a inauguração da iluminação do Estádio, foi aberto aos adeptos o famoso “terceiro anel”. A nova bancada cedo se transformou na ilustração viva do carisma e da paixão que, desde então, se associam à “catedral” benfiquista.

Como alguém escreveu, com propriedade, o “terceiro anel” cedo foi visto como a “sagração de uma solidariedade”, como resultado de um esforço colectivo de uma geração de benfiquistas, à imagem da própria construção do Estádio. O novo “terceiro anel” funcionou sempre como uma espécie de décimo segundo jogador, um elemento que se viria a tornar decisivo em muitas e importantes vitórias do futebol benfiquista pelos tempos fora.

O causídico e antigo dirigente do clube, Alfredo Gaspar, descreveu no “Público” essa mística associada ao “inferno da Luz”: “Era muito bonito, porque se choravam lágrimas de alegria, mas quem pegasse nelas e as atirasse ao ar, via que se transformavam no céu em pequeninas estrelas brilhantes. Nesses momentos, os atletas do clube eram sublimes”.

À margem do futebol, e dando corpo a um sonho antigo, Fernando Martins levou acabo o fecho do Terceiro Anel, aumentando a lotação do Estádio para 120 000 lugares, uma opção que viria a gerar alguma controvérsia, mais tarde ampliada pelo eclipse do futebol do clube e pelo crescente papel da televisão na transmissão dos jogos. A par da construção do Terceiro Anel, inaugurado em 21 de Setembro de 1985, Fernando Martins edificou toda uma série de infraestruturas (campos, pavilhões, ginásios, balneários, salas de imprensa..) que colocaram o Estádio do Benfica ao nível dos grandes estádios europeus, e basicamente, com o aspecto com que hoje o conhecemos.

Com Portugal a realizar o Euro'20004, o Estádio da Luz, é apontado como o palco da final e os sócios aprovaram com maioria absoluta a construção de um novo estádio à remodelação do actual. Surgem então polémicas em redor da construção da nova Luz, mas segundo os responsáveis benfiquistas, tudo correrá pelo melhor...
Eis então que chegávamos a Fevereiro de 2002 e ouvia-se falar da possibilidade do Benfica ficar fora do Euro'2004, algo no entanto desmentido de imediato pela direcção benfiquista.
Em meados de Novembro, o clube da Luz deparava-se com problemas financeiros, desta feita relativos à construção do novo Estádio da Luz que voltou a colocar de novo, em risco, a participação do clube da Luz no Euro 2004. Contudo, a Benfica Estádio S.A. resolveu da melhor maneira os problemas com a Somague e as obras proseguiram de acordo com o planeado, a um ritmo impressionante.
A 25 de Outubro de 2003 era inaugurada oficialmente o Novo Inferno/Catedral da Luz, frente ao Nacional de Montevideo, com uma vitória por 2-1, fruto de dois golos de Nuno Gomes, num ambiente magnífico de festa. Será este o Estádio palco da final do Euro'2004.

Publicado às 12:00:41

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