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fevereiro 28, 2004

[0439/2004] Uma História de Orgulho!

Tudo começou no ano de 1904, na Rua Direita em Belém. Existia uma farmácia que tinha o nome de "Farmácia Franco".
Alguns andares acima dessa farmácia, viviam algumas famílias que gostavam bastante de futebol (recorde-se que nessa altura, todos os termos eram ingleses, daí a designação Sport Lisboa e Benfica). Entre essas famílias, estavam os irmãos "Catataus" que decidiram formar um clube com sede na "Farmácia Franco".
Os membros que formavam o clube (designado Grupo Sport Lisboa) eram (por ordem alfabética):
Abilio Meireles,
Antonio Rosa Rodrigues,
Cândido Rosa Rodrigues,
Carlos França,
Eduardo Corga,
Francisco Reis,
Jorge Sousa,
Jorge Afra,
José Linhares,
Manuel França,
Raul Empis,
Virgílio Cunha.
Daniel Santos Brito era o secretário, Manuel Goularde o tesoureiro e José Rosa Rodrigues o presidente.
(falta aqui Cosme Damião, o fundador, que ao fazer a acta se esqueceu de colocar o próprio nome...)

As camisolas já eram vermelhas e o símbolo do clube era um igual ao símbolo do Benfica actualmente (retirando a roda e tinha escrito "S.L." no lugar de "S.L.B.").

O primeiro jogo público foi realizado no dia 1 de Janeiro de 1905 em que o Sport Lisboa defrontava o Campo de Ourique, num terreno das Salésias. O Sport Lisboa venceu por 1-0.


Mas o Sport Lisboa não se destacava só no futebol, mas também no ciclismo.

Em 1907, sem campo próprio, o Grupo Sport Lisboa entrava em colapso, perdendo vários atletas para o Sporting. Parecia o fim de uma bonita aventura, mas... a solução estava ali perto, em Benfica, mas ainda, na Quinta da Feiteira, onde existia um campo que pertencia ao Sport Clube de Benfica, fundado em 1906.

Como o Clube Sport Lisboa tinha os jogadores e o Sport Clube de Benfica tinha o campo, fundiram-se os dois clubes, formando o SPORT LISBOA E BENFICA. Vermelho e branco seriam as cores, fruto de uma ideia do Major José da Cruz Viegas, depois de consultar um catálogo de uma fábrica inglesa.

Em 1910, o então Sport Lisboa e Benfica, começava a «colher» resultados positivos e vencia o seu primeiro título regional de Futebol.
Cosme Damião e o «matador» da altura, Artur José Pereira eram as «personagens» principais.
Mas a partir desse mesmo ano, o Sport Lisboa e Benfica começava a impor-se no ciclismo e no atletismo. Francisco Lázaro, que faleceu durante a realização de uma maratona em Estocolmo, na Suécia em 1912, viria a ser o primeiro atleta olímpico do Benfica.
A 12 de Outubro de 1913, o Benfica inaugurava o seu novo campo em Sete Rios, num jogo em que o Benfica venceu o Sporting por 4-0, o que já parecia ser uma marca standartizada.
No mesmo ano, saía o jornal do clube, o «Sport Lisboa».
Já em 1916, com a Europa em guerra, o Benfica mudou-se para a Avenida Gomes Pereira, em Benfica.
O clube tornava-se tão conhecido por todo o Mundo, que decidiu expandir-se, dando origem ao Hóquei e à Patinagem.

O Benfica pretendia então a conquista do Campeonato Nacional e começou a lutar para tal, na época 1921/22, mas em 12 edições do Campeonato, o Benfica teve uma participação paupérrima e viria a vencer apenas 3 vezes.
Contudo os anos do Glorioso haveriam de chegar e foi precisamente na época 1934/35, que o Benfica adquiriu o primeiro título, na Primeira Liga, onde o Benfica venceu 3 das 4 edições da Primeira Liga.
Os causadores desse mesmo êxito eram Albino, Gaspar, Pinto, Vítor Silva e Valadas, sendo o húngaro Lipo Hertzka o técnico da equipa.
A Taça de Portugal, arrebatada em 1940, num jogo em que o Benfica derrotou o Beleneses por 3-1, seria um novo troféu para as prateleiras do clube.
Entre os heróis da tarde, destaque-se Xico Ferreira, Valadas e Espírito Santo (Espírito Santo além de vedeta futebolística, brilhou no atletismo, com títulos e recordes nacionais no salto em altura, comprimento e triplo).

A 14 de Janeiro de 1934, o Sport Lisboa e Benfica inaugura a nova secretaria. Seria a 5ª secretaria do Benfica e localizava-se no centro de Lisboa, exactamente na Rua do Jardim do Regedor. O momento de euforia dos benfiquistas foi compartilhado pelos dirigentes do académico do Porto.
Contudo, no que diz respeito às modalidades, o Benfica não se destacava somente no futebol, mas também no Ciclismo (destaque-se o nome de José Maria Nicolau), Atletismo, Hóquei em Patins, Rugby, etc. A estes desportos, o Benfica juntou a Natação, o Hóquei em Campo e o Pólo Aquático. Os atletas que honraram o Benfica no Atletismo foram vários, mas destaque-se os nomes de Francisco Lázaro (antes referido - anos 10), Martins Vieira (anos 30), Matos Fernandes e Tomás Paquete (anos 40).
Mas ainda no que diz respeito ao futebol, nos finais do ano de 1939, o Benfica chegou às meias-finais do Campeonato de Portugal, o último a ser disputado com esta denominação (em 38/39, a prova a eliminar passou a ser designada por Taça de Portugal), depois de uma proeza difícil de igualar nos jogos com o F.C.Porto.
A primeira «mão» disputou-se no Porto, em ambiente escaldante que dificultou a acção dos jogadores e do árbitro. O Benfica voltou a fazer estágio em S.João da Madeira e foi apoiado pelos adeptos que se fizeram transportar num comboio especial. Os portistas venceram por 4-2.
Em 5 de Junho disputou-se a segunda «mão» e aconteceu, então, o resultado histórico de 7-0. Aos 28 minutos o marcador apontava já 5-0 a favor dos «encarnados».Foi um encontro memorável para os benfiquistas...

No dia 5 de Outubro de 1941, o Benfica inaugurava o «Campo Grande», um campo maior para um grande clube.
A década de 40 não foi excepcional para o Benfica, conquistando apenas 3 títulos nacionais, mas vingando-se ao conquistar 6 Taças de Portugal.
Porém, foi a 18 de Julho de 1950 que o Benfica conquistou o seu primeiro grande troféu a nível europeu: a Taça Latina.
Os «nossos» campeões latinos foram: Bastos (guarda-redes), Jacinto, Ferandes, Félix, Moreira, José da Costa, Rogério, Carona, Arsénio, Julinho e Rosário.
Depois da Europa, o Benfica deu uma volta por África, onde disputou e venceu muitos jogos.
Durante essa «volta», foi recrutado José Águas, que deu várias alegrias ao clube (e que é pai de Rui Águas que também muitas alegrias deu).

A década de 60 ficou sem dúvida muito marcada na história do Sport Lisboa e Benfica, devido às grandes mudanças que o clube teve e à chegada do melhor jogador português de todos os tempos, talvez por isso tenha sido designada de década de ouro.
Foi precisamente no ano de 1954, o Benfica mudou-se do Campo Grande para o maior estádio português... o grandioso Estádio da Luz!
Ao sonho de muitos anos, sucedia-se a realidade, com o apoio financeiro de milhares de associados e adeptos, o Estádio da Luz compensava a tenacidade e o idealismo do presidente Joaquim Bogalho.
Mas como foi já referido anteriormente, não foi só a mudança para o actual Estádio da Luz que marcou a década de 60.
A vinda do melhor jogador português de todos os tempos. Chama-se Eusébio da Silva Ferreira, nasceu em Lourenço Marques (actual Maputo - Moçambique, Portugal ultramarino nesse tempo), foi também um marco histórico.
Eusébio brilhava no Sporting de Lourenço Marques, estando os olheiros do Sporting a observá-lo, juntamente com os do Benfica. Eusébio aceitou ir para o clube da águia, mas fugido e escondido na bagagem dos benfiquistas que vinham de Moçambique. Em Dezembro de 1960, Eusébio chegava a Lisboa pelas mãos do Benfica (antes fora levado para o Algarve). O Benfica pagou então 700 contos pela carta de Eusébio que aceitou ir jogar para o Benfica. Depois desta aventura, Eusébio estreou-se com a camisola do Benfica num jogo das «nossas» reservas contra as reservas do Atlético, no dia 23 de Maio de 1961 (o Benfica venceu 4-2, com 3 golos de Eusébio).
Enquanto Eusébio não se afirmava na equipa principal, o Benfica vencia a Taça dos Campeões Europeus em Berna, no dia 31 de Maio de 1961, ao bater por 3-2 na final, o vizinho Barcelona (golos de José Águas, Coluna e um autogolo de Gensana para o Benfica), sendo Bella Guttmann o treinador (húngaro).
Na época seguinte, o feito repetia-se, mas com um toque especial de Eusébio. Desta vez o jogo realizava-se em Amsterdão e o adversário era o Real Madrid, que o Benfica venceu por 5-3, com 2 golos de Eusébio.


O Benfica esteve presente em mais 3 finais da Liga dos Campeões: em Londres contra o AC Milan (1-2), em Milão frente ao Inter de Milão (1-3) e em Manchester frente ao Manchester United (1-4 após prolongamento).
Eusébio ficava assim conhecido como o «pantera negra» e o melhor português de todos os tempos, tendo no currículo 1 Taça dos Campeões Europeus, 11 Campeonatos Nacionais, 5 Taças de Portugal, 76 vezes internacional A, 9 vezes integrante da "selecção ideal do Mundo", pela FIFA e UEFA e melhor jogador do Mundial de 66, em Inglaterra (à parte das botas de ouro e prata).
791, foi o número de golos obtido com a camisola do Benfica. Depois desta verdadeira carreira de ouro, Eusébio é sempre lembrado à entrada do Estádio da Luz, onde está a sua estátua de bronze.

Mas para esta ser a melhor década de sempre do Benfica, outros nomes do futebol brilharam: Costa Pereira, Mário João, Neto, Germano, Ângelo, Cavém, Cruz, José Augusto, Santana, Mário Coluna, António Simões, Serra, Saraiva, Artur, Nené, Humberto Coelho, Toni...
Os treinadores da década de 60 foram cinco: Bella Guttmann (húngaro), Fernando Riera (chileno), Lajos Czeiler (húngaro), Schwartz Elek (romeno) e Otto Glória (brasileiro).
O Benfica alcançou um «tri» campeonato de 62/63 a 64/65, perdeu o campeonato de 65/66 por 1 ponto, e fez um novo «tri» de 66/67 a 68/69.

A década de 70 ficou marcada por uma frase proferida por um grande senhor do futebol, mais propriamente, do Benfica. «Qualquer treinador que vá para o Benfica, arrisca-se sempre a ser campeão!», foi esta a frase célebre de Mário Wilson.
Na década de 70, o Benfica conquistaria outro tri-campeonato, de 70/71 a 72/73, desta vez nas mãos do britânico Jimmy Hagan. As figuras da altura eram: Eusébio, Humberto Coelho, Jaime Graça, Nené, Toni, Diamantino, José Torres, António Simões, Vitór Martins, Vítor Baptista, Shéu Han, Jordão, José Henrique, Adolfo Messias e Artur Jorge (melhor marcador em 70/71 e 71/72). Foi em 1972/73, que Eusébio conquistou a sua última bola de prata, com 40 golos.
Mais um tri-campeonato de 74/75 a 76/77 (12 campeonatos em 15 anos), nas mãos de Milorad Pavic (húngaro), Mário Wilson (português) e John Mortimore (inglês).
O primeiro campeonato após a revolução de 25 de Abril, foi o último de Eusébio, jogando 9 encontros, apontando 2 golos (fazendo um total de 316 golos no campeonato).
Outras estrelas apareceram, como Fernando Chalana, Pietra, Manuel Bento, Eurico Gomes, José Luís e Carlos Alhinho.
Nesta década de 70 há ainda a destacar a presença do Benfica no Brasil.
Numa interrupção do Campeonato de 1971/72, o Benfica deslocou-se ao Brasil e venceu a Portuguesa, por 3-1, perdeu com o Curitiba e o Flamengo e despediu-se batendo o Vasco, por 2-0.
O drama dos benfiquistas, no geral, ficou por ali, mas Vítor Baptista viveu uma autêntica tragédia, no Aeroporto do Galeão, quando, sentado numa cadeira de rodas, aguardava embarque para Lisboa. Um acidente estúpido ocorrido no seu quarto (cortara-se nos vidros de uma garrafa quando caiu sobre ela) levara-o a seguir à frente dos companheiros. Falava com funcionários da Varig quando rebentou o tiroteio – tiros de pistola e rajadas de metralhadora cruzaram os ares, levantou-se enorme gritaria e ele, espantado, viu cair uma mulher e um Polícia gravemente atingidos. Eram três disfarçados contra a Polícia. Parecia mesmo um filme de terror. Vítor Baptista sentiu-se alvo fácil, se continuasse na cadeira de rodas, lançou-se ao chão, escorregou, gatinhou, escondeu-se e acabou por ter sorte. O incidente reteve Vítor mais 24 horas no Rio.

A década de 80 iria caracterizar-se pelo duelo sistemático entre o Benfica e o FC Porto, face à crise que o Sporting enfrentava.
No primeiro ano da década, o húngaro Lajos Bazzoti dava o primeiro título. Nené foi o melhor marcador e João Alves, o luvas pretas, a estrela.
Em 1982/83, começavam a chegar os primeiros estrangeiros ao clube, eram eles Glenn Stromberg (sueco) e Zoran Filipovic (jugoslavo) e quem estava à frente da equipa era o sueco Sven-Goran Eriksson.


Nesta década, surgiram mais estrelas do futebol português, como Rui Águas, Veloso, Vítor Paneira, Pacheco, Valdo e Magnusson.
A 25 de Maio de 1988, o Benfica foi a mais uma final Liga dos Campeões em Estugarda, tendo sido derrotado pelo PSV Eindhoven. No final do encontro, o nulo manteve-se. Nas grandes penalidades Veloso desperdiçou a oportunidade que lhe coube em sorte, abrindo caminho à vitória do PSV por 6-5.

Foi precisamente em 1990, que o Benfica participou novamente na final da Taça dos Campeões e esta, foi a sua sétima presença na final europeia. Foi no dia 23 de Maio e o clube da Luz portou-se como habitualmente, isto é, com a personalidade de um campeão inato. Perdeu por 0-1, com o famoso Milan, no Prater Stadion, em Viena.
O Benfica não baixou os braços e veio então o campeonato português. Na época de 90/91, Rui Águas voltou à Luz e para ser campeão nacional. Contudo, Rui Águas gerou polémica na Luz.
Diamantino, que com a camisola do clube da águia, já vira melhores dias, fez estoirar a polémica na Luz, em direcção a Gaspar Ramos, em entrevista: «Gaspar Ramos não tem competência para gerir o futebol de um clube tão grande como o Benfica. É ou não é incompetência deixar sair o Rui Águas por «dez tostões», dizendo dele o pior possível, para, depois de engolir alguns sapos, ir buscá-lo por «dez tostões»?»
Polémicas à parte o Benfica corria em direcção a mais um título e foi precisamente nas Antas que César Brito saltou do banco para marcar de repente dois golos que fizeram gelar as Antas. E este foi um jogo marcado pelos incidentes nas Antas, com o presidente João Santos a afirmar que «Houve cenas incríveis nas Antas, de intimidação à equipa e aos apoiantes. Os nossos jogadores viram-se obrigados a equipar-se nos corredores, pois nos balneários era impossível, devido ao cheiro dos balneários...». Devido à importância do título, os jogadores foram brindados com um prémio de 1500 contos.
Foi precisamente no dia 8 de Junho de 1992, num dia muito quente de verão que João Pinto, ainda traumatizado pela estada em Madrid às ordens de Gil y Gil, não quis assinar contrato com o Sporting, tendo garantindo, no entanto, que iria visitar o clube de Alvalade em 48 horas, mas... a sua passagem seria pela Luz e João Pinto assinou pelo Benfica, o que fez entrar em desespero Sousa Cintra. Mozer também regressou à Luz e foi sensacional, o seu regresso, mas na Luz, os dias não eram os melhores. O Benfica saiu derrotado em casa diante o Sporting por 0-2 e a agravar a situação, em Moscovo, Iuran, Kulkov e Mostovoi afirmaram que Ivic (técnico «encarnado») era um profissional da intriga, daí que os sócios apoiaram a opinião dos russos e Jorge de Brito, despachou o croata e voltou a promover de imediato Toni a comandante do barco.
Paulo Futre, foi sem dúvida a transferência da década, com o jogador a receber 30 mil contos por mês. O único prémio de Futre ao Benfica, foi uma Taça...
O jogador português regressava de Espanha, dando uma certa esperança de regresso ao Sporting, mas o Benfica antecipou-se e Futre entrou pela porta principal da Luz. Falou-se então em verbas a rondar um milhão de contos e este negócio viria a cortar as relações entre Sporting e Benfica. Mas no fundo estavam muitos cifrões em jogo.
O passivo «encarnado» era de cerca de quatro milhões e meio de contos, sem dúvida, um imenso buraco que a contratação de Paulo Futre ajudou a cavar por ter obrigado à hipoteca de futuras receitas. Esta era sem dúvida uma nova crise e neste estado caótico das finanças do clube da águia, Pacheco e Paulo Sousa rumaram para Alvalade, alegando justa causa para a devida rotura dos contratos.
Foi então que o Benfica decidiu negociar Futre com o Olympique de Marselha e foi precisamente com o dinheiro das prestações do clube francês que o Benfica foi vivendo...
Aproximavam-se, então, as eleições e a nível desportivo, para contrariar os azares administrativos, eis que surge uma grande equipa de Basquetebol, que chega, a nível da FIBA, onde nenhuma equipa portuguêsa conseguira aproximar-se. A 4 de Dezembro de 93, no Pavilhão da Luz, a grande sensação ocorreu quando o Benfica venceu a milionária equipa do Buckler Bolonha, por 102-90.
A nível administrativo, surgem então, os resultados das eleições que ditaram Manuel Damásio como presidente «encarnado». O Benfica obteve então o seu último Campeonato Nacional até hoje, precisamente na época de 1993/94, com o Benfica a contar com um plantel «recheado» de jogadores experientes, como os casos de Neno, Hélder, Mozer, Veloso, Kenedy, Rui Águas, Isaías, João Pinto, Rui Costa, Vítor Paneira, Shwartz, entre outros, todos eles comandados por Toni que tinha como seu adjunto Jesualdo Ferreira. Mas nem tudo isto era um mar de rosas, dado que Damásio teve de vender Rui Costa à Fiorentina por cerca de três milhões de Dólares.
Michel Preud’Homme chegou à Luz e aquele que era considerado um dos melhores guarda-redes do Mundo, dispensa de apresentações. Boa colocação na baliza, firmeza e concentração entre os postes, fizeram de Michel um «mito» benfiquista e tal facto foi notado na sua despedida, mais tarde, do clube da Luz, quando foi substituído por Enke.
Contudo Manuel Damásio não deixou o clube nas melhores condições a nível financeiro e se até aqui as contas «encarnadas» estavam de rastos, com a chegada do novo presidente em 1997, não melhorou a situação.
Vale e Azevedo prometeu ao fechar das urnas, a contratação de Rui Costa e venceu as eleições, derrotando Luís Tadeu e Abílio Rodrigues. Contudo, Rui Costa, não apareceu na Luz. O presidente benfiquista rasga os contratos com a Oliverdesportos e assina um contrato exclusivo com a SIC, contratos estes, que iriam levar o nome do Benfica a tribunal.
Greame Sounness foi o treinador escolhido por Vale e Azevedo e novos jogadores rumaram à Luz. Kandaurov, Luís Carlos e o checo Karel Poborsky foram os primeiros nomes apresentados e desde então, que se verificou que os contratos não eram cumpridos, dado que Poborsky não tinha sido pago ao Manchester United. O clube inglês apresentou queixa à FIFA e colocou-se a hipótese do Benfica não participar nas competições europeias, mas ficou acordado pagamento da transferência com o dinheiro proveniente da Liga dos Campeões e assim foi. Deane veio para o Benfica mas rapidamente rumou para Inglaterra.
O Clube passava por uma constante mudança de jogadores e de treinadores dado que Sounness bateu coma porta, dizendo que Vale e Azevedo era «mentiroso».
João Pinto foi outro dos nomes importantes na época de Vale e Azevedo, mas pelo incrível! O presidente do clube da Luz despediu o n.º 8 «encarnado», ou seja, «mandou-o embora», dado que o Benfica não recebeu nenhum dinheiro em troca, pelo contrário, teve ainda de pagar...
O jogador decidiu a sua vida e rumou para o Sporting, algo que seria impensável na Luz. Nuno Gomes rumou para a Fiorentina e o Benfica perdia assim os seus trunfos. Apenas restou o «furacão checo», Poborsky, que chegou a ser eleito, como melhor jogador do ano de 97, pela sondagem «A Bola/SIC». Este foi o período até hoje, em que se ouviu falar do Benfica, pela negativa, devido à gestão do anterior presidente.
Muitos factos negativos que marcaram o nome de Vale e Azevedo à frente do Benfica. O Benfica ficou praticamente sem o seu património, dado que o presidente o tinha vendido, mas onde foi parar todo esse dinheiro? Ainda hoje se procura a resposta.
Novas eleições e de novo Vale e Azevedo a concorrer, mas desta feita, com Manuel Vilarinho. Estas eleições, foram sem dúvida, um marco histórico para o clube da Luz dada a sua situação. Foi para mudar enquanto fosse tempo e para tentar apagar a má imagem do Benfica, que os sócios colocaram Vilarinho no lugar de Vale e Azevedo, mas mesmo assim já foi tarde. Vale e Azevedo, dias após as eleições foi preso e ainda hoje se encontra em julgamento, por ser acusado de 14 crimes de peculato e 1 de branqueamento de capitais.
A nova direcção entrou e deparou-se com as finanças num estado caótico, entre outras coisas mais...
No Benfica surge então, uma nova política directiva, observando-se também uma revolução nas informações do clube. João Malheiro passa a ser o rosto do Benfica e o elo de ligação entre Benfiquistas e o clube. Mais tarde surge Luís Filipe Vieira, como gestor do futebol «encarnado» e promete uma «equipa maravilha». De facto, bons jogadores rumaram à Luz, mas os resultados continuavam a não ser os melhores. Toni, decidiu por bem abandonar o Benfica, numa despedida sentida pelos adeptos. Jesualdo Ferreira toma a liderança do comando técnico...
Outro dos grandes pontos históricos do clube da águia deu-se à relativamente pouco tempo. Com Portugal a realizar o EURO 20004, o Estádio da Luz, é apontado como o palco da final e os sócios aprovaram com maioria absoluta a construção de um novo estádio à remodelação do actual. Surgem então polémicas em redor da construção da nova Luz, mas segundo os responsáveis benfiquistas, tudo correrá pelo melhor...
Eis então que chegávamos a Fevereiro de 2002 e ouvia-se falar da possibilidade do Benfica ficar fora do Euro 2004, algo no entanto desmentido de imediato pela direcção benfiquista. Enke sobia também às manchetes desportivas devido à sua situação contratual com o Benfica e a direcção então presidida por Manuel Vilarinho tentava resolver os casos deixados pela anterior direcção.
Em meados de Novembro, o clube da Luz deparava-se com novos problemas financeiros. Desta feita, relativos à construção do novo Estádio da Luz que voltou a colocar de novo, em risco, a participação do clube da Luz no Euro 2004. Contudo, a Benfica Estádio S.A. resolveu da melhor maneira os problemas com a Somague e as obras proseguiam normalmente. Mais tarde, o Benfica assumiria as dívidas fiscais e prometia pagar o montante em dívida no início de 2003.
A equipa de Futebol também sofreu algumas alterações, sobretudo a nível da equipa técnica. Os bons resultados tardavam em aparecer numa equipa que já via o título fugir desde a época 93/94. Os adeptos pediam a cabeça de Jesualdo Ferreira mas o técnico português parecia estar firme na equipa. Mas após a histórica eliminação do Benfica da Taça de Portugal, num jogo realizado na Luz e diante o Gondomar Jesualdo Ferreira via o seu posto colocado em risco. Um golo de Cílio colocou Jesualdo entre a espada e a parede. Os adeptos mostraram o seu descontentamento perto da sala de imprensa da Luz e nessa mesma noite Jesualdo foi demitido pela SAD e Chalana assumiu provisóriamente o cargo de treinador interino.
Vários nomes surgiram nos jornais, mas o de Camacho foi o que ganhou mais contornos.
O objectivo principal do novo treinador seria o mesmo de todos os outros que por lá passaram: ser campeão nacional e levar o clube à Liga dos Campeões. Algo que só o tempo dirá...

Publicado às 11:10:18

Comentários

Sempre ouvi dizer que dá azar comemorar os aniversários antes do tempo, mas QUATRO ANOS ? chiça que é demais. Passo a transcrever um comentário que vi no blog do Barnabé assinado por um tal de Catatau Eu ? e que subscrevo na íntegra: "O Sport Lisboa foi fundado numa farmácia de Belém. Nasceu da união entre o Grupo dos Catataus e a Associação de Bem com a colaboração de ex-casapianos, no dia 28 de Fevereiro de 1904 Da união entre o Sport Lisboa e o Sport Benfica (ciclismo) nasceu o símbolo novo. O emblema do Sport Lisboa e Benfica representa a união do Sport Lisboa com o Grupo Sport Benfica, ocorrida em 1908. O símbolo do Sport Lisboa encimado pela águia e pela legenda pluribus unum assentou sobre a roda da bicicleta do Grupo Sport Benfica, clube ecléctico que se dedicava fundamentalmente ao ciclismo e ao atletismo. Desapareceu o escudo sobreposto na roda para dar lugar ao escudo do Sport Lisboa, que se dedicava, fundamentalmente ao futebol. Perante tudo isto estão a comemorar o centenário de quê, dos catataus ? lololololol" Daqui a 4 anos dar-lhes-ei os parabéns pelo centenário a sério e pelos 14 anos de seca. PS: O 1º castigo (de muitos, nos próximos 4 anos) já veio de Moreira de Cónegos...

Publicado por: DesPORTISTA às março 3, 2004 12:01 AM