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dezembro 30, 2003
Balanço: Personalidades Internacionais de 2003
Num ano de inúmeros conflitos, também a nível mundial predominam as figuras políticas.
Na lista poderiam ainda aparecer José Maria Aznar (que vem fazendo da Espanha uma potência mundial, ouvida e reconhecida), George Soros (o especulador bolsista que prometeu gastar o dinheiro que for preciso para evitar a reeleição de Bush), Charles Taylor (o sanguinário ditador deposto na Libéria) ou Michael Jackson (o ídolo caído em desgraça, por causa da pedofilia).
Eis o Top 5:
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George W. Bush/Saddam Hussein
Os rostos visíveis dos líderes da Guerra no Iraque, com o triunfo final de Bush, ainda que sem se saber bem a que preço. A escolha do par serve para ilustrar que, ao contrário do nosso imaginário, a distinção entre bons e maus é cada vez mais difusa. Afinal, há 25 anos atrás, não era Saddam um aliado americano, na luta contra o fundamento islâmico do Irão? Os tempos mudam, os interesses também e hoje Saddam é um prisioneiro de guerra dos EUA, após uma guerra legítima mas mal fundamentada (era bom que desde início se tivesse assumido que o objectivo era depor o regime tirânico de Saddam, responsável por milhares de mortes, do que "inventar" as Armas de Destruição Massiva que já todos percebemos que não existem). Esta dicotomia bem vs mal leva-nos a olhar para Bush igualmente com algum receio, pois se representa a pátria das liberdades, por outro lado tem tido algumas decisões muito incómodas, ao abrigo do poder quase discricionário que os EUA têm hoje no mundo, como seja a situação dos presos de Guantanamo e esse regresso do MCCarthyismo que é o Patriot Act. Vejo com grande receio a eventual reeleição de Bush para mais um mandato na Casa Branca, em 2004.
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Lula da Silva
Subiu ao poder no início de Janeiro, como o grande salvador da esquerda, aquele que iria demonstrar que é possível governar para as pessoas. Um ano depois, continuou a política de Fernando Henrique Cardoso, tomando mesmo algumas decisões impopulares que nem FHC teve coragem de concluir, o PT, o seu partido de sempre, já expulsou alguns militantes que defendem hoje o que o PT defendia há uns meses, antes da eleição de Lula e começam a ser regulares as manifestações populares contra a governação de Lula, que tem tido grande dificuldade em passar das palavras aos actos na gestão das questões sociais. A face positiva da sua governação tem vindo da política externa, onde tem liderado o movimento dos países menos desenvolvidos e tem reforçado o papel do Brasil no Mundo. Espero com curiosidade os próximos meses de governação, para ver se depois da estabilização e credibilização económica vêm as reformas sociais e se mantém esta participação forte na agenda política internacional, ou se rapidamente se vai comprovar que Lula é um flop e que a sua governação nada tem de socialista.
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Karol Wojtyla (Papa João Paulo II)
2003 foi o ano em que celebraram os 25 anos de pontificado de João Paulo II. Ironicamente, numa era em que tudo muda de uma forma vertiginosamente rápida, Karol Wojtyla é já o 4º Papa com maior tempo de Pontificado de sempre. E como eu já o referi anteriormente, é um exemplo de luta e sacrifício, um exemplo de como os idosos também têm lugar nesta sociedade, em que o culto do jovem e do belo tornam difícil a convivência com um Papa que insiste em lutar publicamente contra as suas doenças e idade no exercício das suas funções. É um Papa que não se demite de tomar posição sobre os conflitos e problemas do Mundo, ainda que nem sempre o faça da melhor forma, como vem sendo o caso de não entender que a mensagem contra o preservativo é inconsciente no Mundo actual, em que a SIDA mata milhões por ano.
No entanto, pela sua força e persistência, é sem dúvida uma das figuras marcantes do ano.
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Tony Blair
Tony Blair é nos tempos que correm o único estadista que se destaca, na senda do seu antecessor Churchill. Se é um facto que geriu relativamente mal o dossier WMD, eventualmente induzido em erro pelos serviços secretos americanos e ingleses (que culminou com a misteriosa morte de David Kelly, o cientista que aparentemente falou demais à BBC), Blair tem demonstrado ser um hábil diplomata, num tempo de posições extremadas. Dentro do que é possível, foi a ponte entre os EUA e a Europa (leia-se Alemanha e França), tentando sempre obter os equilíbrios e consensos possíveis, mantendo a aliança secular com os EUA, sem nunca virar a cara aos parceiros europeus. Foi igualmente extremamente hábil a forma como geriu o processo de recusa da adesão da libra ao Euro e a forma como, na sombra, "minou" o caminho à Constituição Europeia sem ter que entrar em conflito com França e Alemanha.
É claramente o grande político global da actualidade.
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Sérgio Vieira de Mello
O Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos foi a vítima mais destacada da Guerra no Iraque, vítima de um atentado quando, ao serviço da ONU, participava na reconstrução do país. Simboliza o facto de este pós-guerra no Iraque se ter transformado numa guerra sem quartel, em que nem ONU nem Cruz Vermelha foram poupadas.
A vida de Sérgio Vieira de Mello foi uma vida de entrega aos outros, andar de continente em continente a ajudar povos a reconstruirem as suas nações, a ajudá-los a lutar contra a fome e a miséria, a lutar pela sua independência. Portugal conheceu-o bem pelo meritório trabalho desempenhado na transição de Timor-Leste para a independência.
Com a sua morte o mundo ficou mais pobre, merecendo por isso ser recordado em 2003 pelo trabalho de uma vida. O Sérgio, como carinhosamente o tratavam os colegas da ONU, foi para mim a personalidade do ano.
Menção Honrosa:
Ossama Bin Laden
A questão continua a ser: Onde está Bin Laden? A sua não-captura continua a ser um sério revés para a luta anti-terrorismo encetada pelos EUA e as periódicas aparições de gravações suas continuam a ser sinal de que o objectivo segurança continua longe de ser alcançado, como o provam as recentes subidas dos níveis de segurança nos EUA e Reino Unido. Esteve omni-presente em todo o ano de 2003 e assim continuará até à sua captura. Esperemos que essa aconteça em 2004, ainda que isso implique a reeleição de Bush...
Publicado às 12:38:49
Comentários
A guerra que os EUA infringiram ao Iraque,independentemente do resultado final,não deixa de constituir um grosseiro atentado a normas internacionalmente reconhecidas.
O precedente é grave,e os fins não podem justificar todos os meios,quando o que está em causa são normas de entendimento entre nações que tanto custaram a acertar e que são um garante de civilidade.
Lula vai ser posto em causa,não pelos seus adversários políticos,mas sim por aqueles que nele votaram.
Neste mundo global "made in USA" é dificil implementar políticas socialistas seja onde fôr alguem puxa sempre o tapete.
Pensei que paralelamente ao seu reparo de o
Papa condenar o uso do preservativo,tambem referice a sua opinião face à guerra do Iraque,ficaria a homenagem mais composta.
Bin Laben é mais util ao sr Busch vivo que morto.
Publicado por: daniel tecelão às dezembro 30, 2003 05:38 PM
Em termos negativos, também poderíamos incluir Putin e Berlusconi. Duas figurinhas que governam os seus países com tiques ditatoriais e absolutistas. Dois governantes que nada trazem de positivo à Europa, à Rússia e à Itália...
Publicado por: empires às dezembro 30, 2003 12:59 PM