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dezembro 30, 2003
Balanço: Personalidades Nacionais de 2003
O ano de 2003 foi um ano que em Portugal fica marcado essencialmente por personalidades políticas, nem sempre pelos melhores motivos. As personalidades que aqui faltam são desportivas, nomeadamente José Mourinho (ver Balanço Desportivo), Carlos Queiroz (este último deixei para 2004) ou Carlos Sousa (campeão mundial de rallies) e científicas, nomeadamente António Damásio (cada vez mais uma referência mundial no campo da neurocirurgia), Gomes Canotilho (constitucionalista vencedor do Prémio Pessoa) ou Clara Pinto Correia (a Madame Plágio). Foi também o ano da fuga de Fátima Felgueiras (mostrando o tipo de políticos que temos em alguns cargos públicos) e da omni-presença de Cavaco Silva e António Guterres, que se deverá manter em 2004.
Eis então o meu Top 5:
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Secretariado Nacional do PS
Este não foi claramente um bom ano para o PS, muito por culpa própria, pela forma pouco inteligente como o Secretariado se fechou sobre si e geriu mal o caso Casa Pia, ligando umbilicalmente o seu destino ao destino de Paulo Pedroso neste processo. A tese da cabala não convenceu ninguém e fez com que mais de metade do ano o PS não conseguisse passar nenhuma mensagem política enquanto oposição. Este final de ano parece estar a correr melhor, mas vamos a ver como gere agora o PS o facto de Paulo Pedroso ser efectivamente arguido. Particularizando em Ana Gomes, foi claramente a decepção do ano, usando e abusando de um discurso agressivo e truculento e de uma inesperada falta de ideias. O rosto da renovação do Secretariado Geral do PS foi uma desilusão e também ela responsável por alguns lamentáveis tiros no pé, como no caso do funeral de Maggiolo Gouveia.
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Rui Rio
Rui Rio foi personalidade relevante no ano por continuar a representar uma classe em vias de extinção: o autarca/governante que gere em função de convicções e ideiais, independentemente do calendário eleitoral e dos poderes "paralelos" instituídos. Apesar da impressionante campanha que lhe tem sido movida na comunicação social a partir de dentro e de fora do seu partido, tem levado a sua avante, começando a ser de alguma forma reconhecido pelos portuenses, já se falando inclusivé na possibilidade de recandidatura. Teve apenas um momento menos feliz, quando levou ao extremo as suas convicções, ignorando a dimensão do feito que foi a vitória do Porto na Taça UEFA. De resto, tem demonstrado o que é ser um autarca, fazendo muito e falando pouco, ao contrário de outros, que publicitam muito e fazem menos do que deviam (sim, Pedro Santana Lopes, esta boca é para si...).
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Marcelo Rebelo de Sousa
Goste-se ou não se goste do seu estilo, o certo é que a agenda política passa muito pelo que Marcelo Rebelo de Sousa diz aos domingos na TVI. A sua influência é de tal forma grande, que até o que se subentende das suas palavras faz manchetes de jornal, como foi o caso das últimas duas semanas, em que numa abandonava a política, noutra era candidato a Presidente da República. Não deve haver em Portugal ninguém que o queira ter como inimigo, pois é capaz das mais incríveis diabruras para arrasar com os inimigos. Uma coisa podemos agradecer desde já ao Professor Marcelo, que é o de nos garantir de que no que depender dele Pedro Santana Lopes nunca será Presidente da República. Ele será? Não sei, mas dadas as alternativas à direita a Cavaco Silva, parece-me uma excelente escolha, pois e alguém com uma cultura acima da média, apreciado pelos portugueses e que é um "animal político". Porque não?
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António Lobo Antunes
2003 foi mais um ano de reconhecimento internacional da obra do escritor António Lobo Antunes, provavelmente o escritor português vivo mais lido e apreciado em todo o mundo, a quem era mais que justa a entrega do Nobel da Literatura. No entanto, os interesses que giram à volta deste prémio não me parecem compatíveis com 2 portugueses a ganharem-no numa década, pelo que penso que nunca o chegará a receber.
Cada livro seu é um sucesso à partida, as suas crónicas semanais são um prazer que se devora, as poucas entrevistas que dá a base para intensos debates. É uma referência na cultura portuguesa que temos sabido estimar mal, que merecia outro destaque e acompanhamento. Esperemos que o futuro corrija isso.
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Rui Teixeira
É a face indissociável de todo o processo Casa Pia, quem lhe ficará associado para o bem e para o mal. Para uns o justiceiro do povo, para outros o estagiário inexperiente que não soube gerir o processo, o juíz Rui Teixeira marca uma nova geração na justiça, uma justiça com rostos, que se reconhece na rua, que é alvo de notícias, reportagens e entrevistas.
Para mim, Rui Teixeira é um mau exemplo, aos juízes pede-se recato e contenção, isolamento para decidirem em consciência. Pede-se-lhes igualmente equidistância e imparcialidade, algo que claramente não teve neste processo, deixando-se em determinados momentos levar pelas suas crenças pessoais, que é algo a que um bom juíz deve ser imune. Mas para o bem e para o mal, Rui Teixeira é a personalidade do ano, coadjuvado por Carlos Silvino, Carlos Cruz, Hugo Marçal, Ferreira Diniz e Paulo Pedroso.
Menção Honrosa:
Manuel Monteiro
A necessidade de protagonismo de um homem levou a que criasse um movimento e que desse movimento surgisse um partido, para onde, contra todas as expectativas, conseguiu atrair algumas personalidades interessantes da nossa direita. De acordo com as sondagens, Manuel Monteiro pode continuar a sonhar com Estrasburgo em 2004. Para já, a "sua" Nova Democracia está a fazer mais mossa na coligação que nos governa do que um ano inteiro de oposição da esquerda, pois a sua intervenção está a tapar caminhos ao CDS-PP, obrigando este partido a "exigir" mais visibilidade no Governo, coisa que o PSD não lhr quererá dar. Por muito que o Presidente da República e Primeiro-Ministro o ignorem, a sua presença "invisível" é sentida, tendo já marcado os primeiros pontos positivos na luta pelo Referendo à Constituição Europeia.
Publicado às 11:41:26
Comentários
A descontextualizada homenagem a Maggiolo Gouveia,da forma como foi feita, só foi possivel
devido a um prolapso da democracia,que teima em agitar espantalhos que em nada contribuem para o desenvolvimento e bem estar do país.
Visam criar indesejáveis tensões na sociedade, por forma a cultivar uma certa imagem de lider.
Le Penn vai fazendo escola...
O que faz falta a esta politica viscosa e pútrida,são mais Ana Gomes e menos gentinha politicamente correcta que não faz ondas para não perder o tacho.
Tivessemos nós um naipe de autarcas como Rui Rio
e o futebolês e seus capangas já estariam há muito reduzidos à sua dimensão.
Não lhe augúrio um grande futuro na CMP,os lóbis, pela mão dos seus correligionários tudo farão para o empurrar.
Marcelo Rebelo de Sousa é a demonstração da nossa miséria política no verdadeiro sentido do termo.
Num país onde não é promovida a discussão política,onde a grande maioria dos cidadãos se divorcia deliberadamente de o fazer, há sempre alguem que faz de "grande educador".
De facto a utilidade dele neste momento,é combater P.S.Lopes,que não lhe doam as mãos.
O mal de Lobo Antunes,assim como o de outros intelectuais,é ter nascido no país dos FFF.
A mediatização de Rui Teixeira é reveladora da nossa mediocridade cívica.
Tem laivos terceiro-mundistas.
Publicado por: daniel tecelão às janeiro 1, 2004 06:22 PM