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dezembro 30, 2003

Balanço: Acontecimentos Internacionais de 2003

Num ano que termina marcado pela queda do dólar e consequente valorização do euro e do ouro, mercê de um enorme desiquilíbrio da Balança Comercial americana, com um défice galopante, os acontecimentos que marcam o ano são quase todos de origem bélica ou desastres da natureza, mostrando que o Planeta Terra, nos dias que correm, é um local perigoso para se viver...

- Constituição Europeia
O Eixo franco-alemão tudo fez para impôr a "sua" Constituição Europeia, mas felizmente ainda há países europeus que não se vergam à chantagem destes dois países, ainda feridos no orgulho pela derrota diplomática que lhes foi infligida com as suas posições sobre a Guerra do Iraque. Destaque ainda para o sinal perigoso para a construção europeia, do ponto de vista económico, que foi a suspensão do Pacto de Estabilidade, apenas porque estes dois países, os principais mentores do dito PEC, não estavam em condições de o cumprir. São cada vez maiores as cisões dentro da UE, que a entrada de mais 10 países no próximo dia 1 de Janeiro apenas irá acicatar.

- Terramoto no Irão
Foi já no final deste ano que a Natureza voltou a mostrar que ainda é ela que dita as regras neste planeta, por muito que o Homem se ache dono e senhor do mundo. Numa das zonas mais pobres do Irão, perto de Bam, mais de 20.000 mortos e centenas de milhar de desalojados sofrem os efeitos de um terramoto de 6.3 na escala de Richter sobre construções de baixa qualidade e segurança. Esperemos que toda a campanha humanitária de apoio montada ajude a aumentar os laços entre o Ocidente e o Irão e seja possível disponibilizar aos sobreviventes todo o apoio possível.

- Deposição de Charles Taylor
2003 foi o ano em que a Libéria se viu livre de Charles Taylor, o seu sanguinário ditador, que deixou a capital Monróvia a ferro e fogo, depois de inúmeros massacres sobre as tribos que se lhe opunham durante 14 anos, bem como o fomento de movimentos guerrilheiros nos países vizinhos. Após demoradas negociações, em que o papel dos EUA foi preponderante, Charles Taylor abandonou a Libéria e aceitou o exílio político na Nigéria, até porque as forças rebeldes do seu país se preparavam para o depôr.
A Libéria pode agora tentar viver num regime mais democrático e pacífico. Infelizmente nenhum tribunal penal internacional irá julgar este facínora, que vive alegremente no luxo sumptuoso que os seus dólares podem pagar na Nigéria...

- Conflito Israelo-Palestiniano
Desde a morte de Ytzak Rabin que de ano para ano se agudiza o conflito israelo-palestiniano, sem que se veja solução à vista. De um lado os terroristas do Hamas, Jihad Islâmica e outras facções radicais liderados por Arafat, do outro a extrema-direita israelita de Sharon, defensora do poder militar como forma de resolução do conflito, do "olho por olho, dente por dente". Parece evidente que o conflito só terminará no momento em que uma (ou ambas) das facções for destruída ou em que um súbito golpe de lucidez ataque ambos os lados em simultâneo. No entanto, é já óbvio que essa lucidez é impossível com Arafat e Sharon. Esperemos apenas que não percam a vida muitos mais incocentes israelitas e palestinianos até que os senhores da guerra de ambos os lados sejam corridos.

- Guerra no Iraque
É sem dúvida o acontecimento do ano, não apenas pelo lado militar, mas acima de tudo pelas implicações políticas e pelos novos alinhamentos geo-estratégicos que veio provocar, colocando pela primeira vez desde a 2ª Guerra Mundial, parte da Europa Ocidental e os EUA mais a restante parte da Europa Ocidental em campos opostos. Se militarmente a Guerra foi um sucesso, quer pela sua rapidez, quer pelos evidentes resultados em termos de desmantelamento do regime iraquiano, politicamente parece ter sido muito mal preparado o futuro do Iraque pós-Saddam, além de que o argumento para a invasão, as Armas de Destruição Massiva, tardam em aparecer, dificultando a legitimação da guerra. Esta guerra demonstrou ainda que neste momento, para o bem e para o mal, os EUA são a única potência mundial, decidindo onde e quando querem intervir. A captura de Saddam, como cereja no topo do bolo, poderá valer a re-eleição de Bush, se o descontrolo do défice não o trair até Novembro do ano que vem.

Publicado às 00:24:15

Comentários

Mantenho a minha posição, Sharon não pode ser considerado como representante da direita moderada, é um radical. É um democrata? É sim senhor, aos menos reconheça-lhe isso, mas não deixa de ser militarista e xenófobo.
Se prefere chame-lhe radical de direita em vez de extrema-direita.
O que impressiona é o nível a que o conflito chegou, que faz com que a maioria da população israelita vote nele, por já não acreditar numa solução pacífica...

Publicado por: NunoP às dezembro 30, 2003 11:44 AM

Uma pequena chamada de atenção quando afirma que Sharon é de extrema direita. A extrema direita nunca, depois de estar no poder, se submeteu a eleições. Sharon já o fez. Mais. Sharon é líder, eleito, de um partido, o Likud, de direita mas não de extremos.

Eu não concordo, em absoluto, com o primeiro ministro israelita, mas temos de ser rigorosos e justos quando qualificamos alguém de extrema direita.

Publicado por: André às dezembro 30, 2003 11:33 AM