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novembro 26, 2003
Buraco em Campolide: situação vai repetir-se
É bom que sejam levadas em considerações estas palavras do Arquitecto Ribeiro Teles, antes que um destes dias acordemos todos a chorar por familiares ou amigos atingidos...
"(...) continua-se a seguir um modelo de encanamento de águas pluviais que é perigosíssimo. Vai haver mais casos destes. Em Alvalade há uma zona idêntica à de Campolide. Em Chelas, no Vale da Montanha, e no Vale de Santo António (onde a EPUL vai construir) está-se a cometer o mesmo erro, sem qualquer cuidado com a circulação das águas pluviais. E o resultado vai ser este (...)".
"O que aconteceu hoje é gravíssimo. Não pelo acidente do autocarro, em que não morreu ninguém, mas porque se continua a seguir um modelo de encanamento de águas pluviais que é perigosíssimo. Vai haver mais casos destes. Em Alvalade há uma zona idêntica à de Campolide. Em Chelas, no Vale da Montanha, e no Vale de Santo António (onde a EPUL vai construir) está-se a cometer o mesmo erro, sem qualquer cuidado com a circulação das águas pluviais. E o resultado vai ser este".
O aviso vem de uma das pessoas que melhor conhece o sistema de águas subterrâneas da cidade, que coordenou a elaboração do Plano Verde de Lisboa, no âmbito da revisão do PDM, o arquitecto Gonçalo Ribeiro Teles.
O acidente de ontem, explicou, resulta do encanamento da ribeira de Alcântara (o caneiro de Alcântara), que até aos anos 40 do século passado corria entre muros de pedra seca com cerca de um século que foram cobertos por betão. "Não se pode pensar que toda a água pluvial, que vem de longe, da Amadora, acerte no caneiro, alguma vai sempre para fora, forma lençóis de água na estrada, infiltra-se no solo, procura outros escoamentos", explica. Ao fazê-lo, criam-se zonas mais frágeis ou ocas no terreno. Que cede facilmente.
Em Novembro de 2000, a equipa de Ribeiro Teles propôs à Câmara Municipal de Lisboa (CML) o "regresso" da ribeira de Alcântara ao vale onde está encanada, mas esta operação de "renaturalização" não foi acolhida.
"O problema é que o projecto para a circulação de águas pluviais para Lisboa não foi realizado, apesar de estar feito. A água não pode estar toda canalizada, tem, antes disso, de correr ao ar livre passando por bacias de retenção que permitam, entre outras coisas, controlar os caudais. Hoje já ninguém se lembra de meter a água da chuva em canos. Essa água aproveita-se. Já no tempo de João Soares os técnicos não quiseram fazer isto. O que se quer é canalizar para depois se poder construir à balda. É o modelo que se está a seguir em Chelas. E, no entanto, a câmara de Lisboa tem toda a zona frágil da cidade - a chamada zona húmida - em plantas. E a actual equipa que revê o PDM continua a apostar nas canalizações", critica o arquitecto paisagista.
Por isso, Ribeiro Teles não se espanta com o sucedido e não tem dúvidas que se estão a criar as condições para que novos casos se sucedam.
O caneiro de Alcântara causou outros dois aluimentos graves: a 25 de Outubro de 1999 uma cratera com 20 metros de profundidade - "capaz de engolir uma camioneta", como se disse na altura - surgiu na estrada de acesso à Av. Calouste Gulbenkian, à saída da ponte 25 de Abril; a 10 de Dezembro desse ano, novo aluimento obrigava ao fecho da ligação da Av. de Ceuta à Praça de Espanha. A meio do ano seguinte, a CML lançava um concurso para a consolidação do caneiro.
Publicado às 12:56:22
Comentários
Só recentemente é que tenho começado a ter noção dos perigos de querermos controlar a natureza, mas posso dizer que nem todas as pessoas que ouvem estas declarações de Ribeiro Teles e outras mais, se contemtam apenas em ouvir. Pela minha parte, e pela parte de um grupo elologico em que estou envolvido existe uma enorme vontade de colaborar em projectos, tendo este nosso grupo já iniciado com a limpeza, abertura de antigos trilhos, denuncia de ilegalidades(esgotos, etc) de uma ribeira em Cascais- Ribeira das vinhas.
O meu apelo é para todos aqueles que sonham com uma urbanização consciente, que existem grupos que se esforção para melhorar pequenas coisas, mas com mais ajudas e vontade estes pequenos contributos podem tornar-se grandes.
Mas nao é preciso apenar existirem muitos grupos.
Como novo membro e ao começar a aperceber-me como as coisas funcionam, verifico que é um erro gravisimo a falta de comunicação existente entre os varios grupos e associações, pois muitas tem os mesmos projectos e ambições mas poucas vezes estes são levados a cabo com sucesso. Estes, já que muitas vezes tem os mesmos objectivos deveriam reunir-se regularmente para debaterem os problemas e até distribuirem as tarefas para que se pudesse observar os resultados.
Publicado por: Guilherme às dezembro 28, 2003 10:39 PM
Só recentemente é que tenho começado a ter noção dos perigos de querermos controlar a natureza, mas posso dizer que nem todas as pessoas que ouvem estas declarações de Ribeiro Teles e outras mais, se contemtam apenas em ouvir. Pela minha parte, e pela parte de um grupo elologico em que estou envolvido existe uma enorme vontade de colaborar em projectos, tendo este nosso grupo já iniciado com a limpeza, abertura de antigos trilhos, denuncia de ilegalidades(esgotos, etc) de uma ribeira em Cascais- Ribeira das vinhas.
O meu apelo é para todos aqueles que sonham com uma urbanização consciente, que existem grupos que se esforção para melhorar pequenas coisas, mas com mais ajudas e vontade estes pequenos contributos podem tornar-se grandes.
Mas nao é preciso apenar existirem muitos grupos.
Como novo membro e ao começar a aperceber-me como as coisas funcionam, verifico que é um erro gravisimo a falta de comunicação existente entre os varios grupos e associações, pois muitas tem os mesmos projectos e ambições mas poucas vezes estes são levados a cabo com sucesso. Estes, já que muitas vezes tem os mesmos objectivos deveriam reunir-se regularmente para debaterem os problemas e até distribuirem as tarefas para que se pudesse observar os resultados.
Publicado por: Guilherme às dezembro 28, 2003 10:39 PM
O mais inquietante disto tudo é sabermos como é que as nossas universidades estão a formar os arquitectos,projectistas e engenheiros que não têm sensibilidade para estas evidências.
São formados para servirem interesses de alguns ou da comunidade que lhes paga os cursos?
Publicado por: daniel tecelão às novembro 26, 2003 09:42 PM
O Arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles está há décadas a pregar no deserto.
É pena que só algumas pessoas, sem possibilidades de mudarem o rumo às coisas, o ouçam.
Fez bem ter chamado a atenção e relembrado as suas palavras.
Publicado por: André às novembro 26, 2003 05:12 PM
Absolutamente incrivel.
E assim há-de continuar até uma tragédia como a de Entre-os-Rios.
Publicado por: Rui às novembro 26, 2003 01:01 PM