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outubro 29, 2003

As palavras de Catalina

Nada do que se passou hoje no Tribunal da Boa-Hora, por muito nojo que aquilo tenha gerado em mim, justifica as palavras de Catalina Pestana esta noite, ela que deveria ser o garante dentro da Casa Pia da estabilidade daquelas crianças, tem permanentemente abusado de uma atitude de chantagem emocional com a população portuguesa, tentando julgar na praça pública os arguidos.
Num Estado de Direito (tenho cada vez mais sérias dúvidas que Portugal o seja, mas ainda tenho que assumir que o é), as declarações desta noite são gravíssimas, provavelmente mais que as do terramoto.
Catalina Pestana quis fazer mais uma vez o julgamento na praça pública, exigindo um tratamento das vítimas que só é possível se os arguidos forem desde já assumidos como culpados.
Infelizmente a Lei permite os artifícios usados pela Defesa, que deveriam ser revistos. Mas existem e não é lícito que se venha fazer demagogia com os sentimentos das crianças, elas já são vítimas o suficiente sem esta mediatização.
Além disso, é preciso não esquecer nunca que deveria haver um outro arguido no banco dos réus que (ainda não está lá) e esse arguido chama-se Estado, o qual Catalina Pestana representa na Casa Pia há muitos anos, sem que nada tenha feito em defesa das crianças nesse período. Sim, Catalina Pestana não chegou agora à Casa Pia, está lá há muitos anos e não acredito que ela, como muitos outros, não tivesse conhecimento das conversas de corredor que falavam destas histórias de pedofilia.
Espero que tal não aconteça, mas se um destes dias tivermos algum dos arguidos linchado na praça pública, antes de ser julgado e considerado culpado, que Catalina Pestana se lembre bem do contributo que está a ter para essa situação.

Publicado às 00:09:36

Comentários

Subscrevo na íntegra o que o Nuno escreveu. Mas acrescento, que dizer da enfatizada e repitida pergunta de José Rodrigues dos Santos ao advogado de defesa de Carlos Silvino: "Mas é capaz de me dizer, olhos nos olhos que o que fez não foi uma manobra dilatória?"
Então este senhor não sabe que a única missão deste advogado é a defesa do arguído, defesa essa a que tem direito, mesmo que não tenha invocado a inocência?
Até onde chegarão estes telejornais de entretenimento?

Publicado por: Carlos A.A. às outubro 29, 2003 12:39 PM

Nem mais... é, acima de tudo, um desrespeito pelas vitimas (crianças). É preciso rever a lei? Que o façam, mas não atropelem a justiça. Serenidade precisa-se.

Publicado por: Guida às outubro 29, 2003 10:56 AM

Concordo inteiramente. Acho que o apoio às
vitimas, não passa por recados, na abertura
dos telejornais.

Publicado por: M. Conceicao às outubro 29, 2003 10:43 AM