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outubro 28, 2003
Morte nas Estradas
É impressionante que de ano para ano não há forma de o civismo na condução dos portugueses melhorar.
Estes últimos dias de chuva têm demonstrado que a prudência não impera e que o número de mortos e feridos anuais continuam em níveis equivalentes a uma Guerra Civil.
Penso que está mais que demonstrado que não é com campanhas de sensibilização que vamos chegar a algum lado, pois o investimento em informação tem crescido bastante, sem a consequente diminuição de acidentes.
É necessário actuar na formação, na repressão e nas condições.
Apostar na formação:
- sensibilização das crianças nas escolas primárias e secundárias, para a importância do cumprimento das regras de trânsito;
- aumento da exigência dos testes de concessão da carta, que devem passar por aulas teóricas e práticas, bem como aulas de simulador, em que o proponente a condutor é posto face a situações menos normais (condução em piso molhado, com neve, atravessamento súbito de peões, travagens bruscas, acidentes,...);
- exigência de testes periódicos de renovação da carta, em intervalos máximos de 10 anos (eu tenho carta à 12 anos, desde que tirei a carta já surgiram inúmeras alterações ao código, mas só daqui a 30 anos tenho que renovar a carta, pelo que posso andar a conduzir perfeitamente sem saber as regras. Já repararam que aqueles velhotes que andam em contramão nas auto-estradas, nunca na vida tiveram formação sobre o que é uma auto-estrada?)
Apostar na repressão:
- a polícia tem que deixar de ser branda com os acidentes de viação, punindo as infracções severamente, especialmente todas aquelas que causam perigo para o próprio condutor e para terceiros, com elevadas multas pecuniárias e com a apreensão da carta. Em casos mais graves (condução com elevadas taxas de álcool, condução sem iluminação à noite, ou em contramão), a prisão não deve ser posta de parte, antes pelo contrário.
- por outro lado, as seguradoras têm que passar a punir de forma mais rígida os maus condutores e a bonificarem significativamente os bons condutores, nem que para isso o Estado tenha que introduzir alguma regulamentação adicional.
Apostar nas condições:
- é notório que em Portugal, houve uma febre do betão e do asfalto, da construção de novas vias de comunicação, que aceleraram a ligação de todo o país e melhoraram as condições de circulação. No entanto, o esforço necessário de manutenção dessas vias, aliado a um exponencial crescimento dos veículos que utilizam essas vias, faz com que actualmente se assista a alguma degradação significativa das vias de circulação. É necessário que, em vez de se construirem novas acessibilidades, se trate primeiro das já existentes, pois muitas delas necessitam de urgentes reparações, para evitar que mais acidentes aconteçam.
É preciso que o Governo e a sociedade civil compreendam e se mentalizem que a luta contra este flagelo tem que ser um desígnio nacional, que é necessário definir um Plano Nacional de Erradicção dos Acidentes de Viação, com objectivos bem específicos de diminuição da sinistralidade, doa a quem doer e efectivamente controlado.
Milhares de portugueses morrem ou ficam afectados anualmente por causa dos acidentes de viação, poucas devem ser as famílias portuguesas que não têm na sua família pelo menos uma triste história para contar.
Para terminar este post, não posso deixar de mencionar uma das poucas organizações que em Portugal tenta fazer algo contra este flagelo, a quem se deve louvar o esforço na área da formação e divulgação, a ACA-M.

Publicado às 18:07:27
Comentários
Este govrno não presta para nada e o barroso e um camelo que tem duas bossas e muito pelo no cu
Publicado por: Tiago às fevereiro 6, 2004 03:01 PM