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setembro 28, 2003

Vincent Humbert

São histórias como a do francês Vincent Humbert que me fazem reforçar a minha convicção pessoal de ser a favor da Eutanásia.
O Direito à Vida é um direito de cada um, assim como deveria ser o Direito à Morte e, em circunstâncias muito específicas, o Direito ao Não Nascimento. Se alguém defende que as condições de dignidade humana mínimas não estão reunidas e pretende pôr fim à sua própria vida, ninguém deveria ter o direito de se opôr, antes pelo contrário.
A Vida de cada um é um assunto do foro íntimo, onde a legislação e a vontade dos outros não deve interferir. Aliás, defendo que assuntos deste género deveriam ser banidos da legislação, o mais que poderia existir era uma regulamentação sobre que informação seria necessário recolher para assegurar que alguém quer efectivamente pôr termo à sua vida, para evitar situações de "suicídio involuntário" ou "homicídio disfarçado".
O Direito à Vida não se deveria nunca sobrepôr ao Direito à Dignidade, ao Direito à Autonomia e ao Direito ao Não Sofrimento.
A Vida é suposto proporcionar maioritariamente alegrias, não tristeza. Neste caso específico, alguém que sempre teve uma vida normal, de repente vê-se tetraplégico, surdo e mudo.
Nenhuma destas doenças tem cura conhecida ou em estado de desenvolvimento e custo que lhe permitam voltar a ter uma vida normal nos próximos 15 anos.
Imaginem agora as dores e a revolta diária destas pessoas, condenadas a passar a maior parte da vida que lhes resta enfiadas numa cama, dependentes de terceiros, causando sofrimento a si próprio e a todos os que o rodeiam e amam. Depois de ponderada a situação, a pessoa em causa decide que deseja morrer e, como não tem capacidade de o fazer sozinho, pede ajuda, nomeadamente à sua mãe (mas podia ter sido a mulher, o filho, o pai, uma enfermeira, um médico, um amigo ou mesmo um desconhecido).
Numa sociedade em que a compaixão e o amor pelo próximo prevalece, esse Direito à Morte é-lhe concedido.
Na sociedade actual isso é crime, quem prestar auxílio é condenado.
Onde foi que nós errámos, onde foi que perdemos a compaixão pelo próximo?

Publicado às 16:52:55

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