fevereiro 13, 2004

[0337/2004] De novo os transportes urbanos

Caro Rui,

Concordo que não deve haver regimes de excepção, da mesma forma que concordo que não deve ser proibido.
Sou mais favorável a uma taxa de circulação fixa, mas a forma como a EMEL funciona não é essa solução. Defendo mais uma solução tipo-Londres (portagem) do que esta dos parquímetros, que em Lisboa apenas funcionam como gerador de receitas extraordinárias para a CML.
O esquema actual não contempla a situação de quem vem trabalhar não tem onde estacionar, na maior parte da cidade. Escusado será dizer que na maior parte dos locais de trabalho as pessoas não têm disponibilidade para de 2 em 2 horas se deslocarem a um parquímetro para pôr moedas...
A atitude prepotente da EMEL, que não cumpre regras básicas, como a aceitação de notas e a devolução de troco, leva a que surja facilmente uma desculpa para não se pagar e que tem sido a justificação mais usada para em tribunal a EMEL perder quase todos os processos.

O transporte público pode ser a solução de muitos problemas, mas não faz milagres. Veja-se o caso de Paris, uma cidade com uma extraordinária rede de transportes, com interfaces entre todo o tipo de transportes (avião-comboio-metro-autocarros), prioridade aos transportes públicos na circulação na cidade, mas que tem filas de quilómetros todas as manhãs e fins de tarde para entrada e saída na cidade.

A única forma de limitarmos a circulação automóvel é a mesma que defendo para o tabaco: aumento proibitivo dos preços dos combustíveis para uso particular, de forma a que se desincentive a sua utilização individual. Claro que isto significa que só os ricos podem andar de carro, mas estamos perante um problema de quase impossível resolução com consciência social...

Agora que o debate está aberto, venham as sugestões e opiniões!

Publicado por NunoP em fevereiro 13, 2004 12:54 PM | TrackBack
Comentários

Por acaso não concordo nada contigo.

Tarifar o estacionamento parece-me ser muito mais justo do que uma portagem: Paga mais quem usa mais, e os diferentes preços podem fazer a distinção entre zonas de forte e fraca pressão.

E depois a EMEL é tudo menos um gerador de receitas para a CML. Antes pelo contrário, tem sido sempre um enorme saco sem fundo. Parece que só agora atingiu o equilibrio, com a gestão de António Monteiro (que foi logo despachado para vereador...)

j.

Afixado por: jcd em fevereiro 13, 2004 01:08 PM

Creio que existe uma outra questão subjacente a esta: a fiscalização.
No ano passado subscrevi um abaixo assinado promovido pela ACA-M, dirigido ao Comandande da Divisão de Trânsito da PSP com o objectivo de promover uma fiscalização eficaz do estacionamento.
O que se passa é que a "ausência de acção da PSP-DT nas zonas concessionadas pela EMEL é um factor acrescido da sua descredibilização perante os cidadãos".

Afixado por: Isabel em fevereiro 13, 2004 01:54 PM

Caro jcd,

Penso que a Isabel compreendeu a minha questão. O problema da EMEL é que pretende apenas trazer receitas, não regular o tráfego. O défice tem que ver com a falta de fiscalização da EMEL e da PSP, uma porque não multa, a outra porque não controlando incentiva ao estacionamento proibido como alternativa ao estacionamento pago.
E depois, é preciso não esquecer que o investimento em parquímetros foi significativo, pelo que não era de esperar lucros imediatos da empresa, que vão surgir à medida que este investimento estiver amortizado.

Afixado por: NunoP em fevereiro 13, 2004 04:43 PM

1. Uma nota: o investimento em parquímetros é quase irrelevante. Uma máquina que custa 1000 contos serve para 20 lugares. Compara com o investimento necessário para as empresas privadas que fazem parques de estacionamento subterrêneos a 3.000 contos/lugar...
2. Não sei se é por ser 6ª feira 13, se por coincidência, mas hoje o meu carro foi pela primeira vez multado e rebocado pela PSP...
3. O objectivo da EMEL é promover a rotatividade dos lugares para permitir a sobrevivência da actividade económica na cidade, principalmente o comércio. A incompetência com que o têm feito é de bradar aos céus...
4. E que ganhe o Benfica. Enquanto há vida, há esperança.

Afixado por: jcd em fevereiro 13, 2004 06:36 PM

Parece-me que se nada aqui a misturar questões.
Uma questão é a utilização do transporte colectivo ou particular nas deslocações diárias para o local de trabalho. Outra é a gestão do tráfego e o estacionamento do transporte particular. Se é verdade que estas questões estão interligadas, as opções são distintas. Também convém esclarecer que a gestão do estacionamento pode não estar a ser feita correctamente por deficiência da empresa EMEL, e dos agentes que a compõem e da falta de colaboração com a autoridade (PSP).
Acho que ninguém tem dúvidas que a eficiência do transporte nos nossos dias está no transporte colectivo. Até agora a questão não foi resolvida porque ninguém conseguiu instalar uma rede de transportes colectivos rápida e eficiente. Enquanto não se criar esta rede eficiente é muito difícil motivar o seu uso. A prioridade devia ser em avançar com esta rede. Não sendo técnico penso que ninguém duvida que está na rede ferroviária a grande solução do transporte. Com a rede a funcionar minimamente, a pressão do automóvel particular cairia e facilitaria a gestão do tráfego e do estacionamento. Sem esta rede só esquemas altamente penalizadores poderão demover muita gente a utilizar o carro particular. De qualquer forma penso que os parquimentos e as restrições de circulação em certas zonas e eventualmente a certas horas, sem bem geridas são uma forma correcta de gestão.

Afixado por: vmar em fevereiro 13, 2004 08:44 PM

A EMEL e a PSP funcionam mal e ineficientemente, mas tarifar o estacionamento é imprescindível por diversas razões. Primeira razão, por uma lei básica da economia de mercado: a lei da oferta e da procura. Um corolário dessa lei é o seguinte: um bem escasso não pode ser gratuito. Até os toxicodependentes compreendem essa lei e esse corolário, e começaram, em boa hora, a transformar-se em arrumadores de carros. Segunda razão, porque o estacionamento tem que ser ordenado (pintar lugares no chão, colocar pilaretes, garantir espaços para os moradores, e pagar os polícias ou fiscais que controlam isso tudo), e é justo que quem paga tudo isso seja quem estaciona -- não os moradores em geral da cidade, muitos dos quais nem têm carro.

Afixado por: Luís Lavoura em fevereiro 17, 2004 12:30 PM
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